Crítica de filme

Crítica | Nicolas Cage brilha no excelente ‘Pig’

Publicado 4 anos atrás

Rob (Nicolas Cage) é um eremita que mora em uma montanha juntamente com uma porca onde passam seus dias caçando na floresta iguarias para Amir (Alex Wolf), um jovem fornecedor para uma rede de restaurantes. Os problemas começam quando em uma noite, um grupo de arruaceiros invade sua cabana e rouba sua porca. Agora, o misterioso Rob ruma para a cidade com a intenção de recuperar sua companheira suína custe o que custar, o que faz com que ele tenha que revisitar seu passado obscuro.

Pig flerta com vários gêneros, desde o drama até os thrillers de ação com boas doses de suspense, mas que trabalha sua narrativa de uma forma sutil, sensível e com um ritmo lento que gasta o tempo necessário para contar sua história. Porém, não é por causa do ritmo lento que o filme se torna maçante, pois as cenas são tão bem construídas que existe uma aura de tensão durante toda a história.

A composição de Nicolas Cage, um ator controverso cuja carreira vive de altos e baixos graças ao seu método exagerado de atuação, entrega obras de arte inquestionáveis e pérolas do cinema trash. Aqui, ele entrega mais uma pequena obra de arte que será revisitada por muito tempo e lembrada como uma parada nos filmes de ação para uma narrativa que, apesar de conter violência, está centrada em elementos diferentes e sutis escondidas no meio do enredo.

Com seu jeito calado e taciturno, o protagonista fala com os olhos, pois é naquele olhar cansado e quase inexpressivo que mora a angústia de uma pessoa que simplesmente desistiu de tudo – amigos, carreira, reputação e familiares -, mas que de alguma forma conseguiu encontrar algum tipo de paz na natureza.

A definição de desistir de tudo fica bastante nítida na composição física do personagem também, pois Rob mais parece um mendigo com hábitos nada higiênicos, o que pode ser observado em suas roupas maltrapilhas, sujas e manchadas e, como se não bastasse, o personagem é ferido logo no início da película e se mantém naquele estado ensanguentado e encardido durante todo o filme. Destaque para uma cena em que o personagem mexe com alimentos neste estado sujo e causa grande repulsa por parte do expectador.

E esta é a palavra base para definir Pig, provocação, pois o filme provoca o expectador durante todo o tempo. Assim que ocorre o primeiro ponto de virada, a todo momento o expectador fica com aquela sensação de que uma bomba de violência está para explodir e quando ela vai explodir a trama toma outro rumo, surpreendendo e deixando um gosto agridoce na boca.

Graças ao fato de um personagem durão sair atrás de bandidos por causa de um animal enquanto retoma sua antiga reputação famosa, não há como não traçar um paralelo com a brilhante franquia John Wick, porém, com a diferença de que em Pig essa violência não explode logo nos primeiros minutos do filme. Diferente de seu primo, após ter sido agredido pelos bandidos, quando é submetido novamente à violência o personagem literalmente não revida, sendo agredido até cair, surpreendendo o público, acostumado aos clichês de filmes de ação quando o personagem revida e enfrenta vários inimigos de uma vez. Aqui, Rob apenas se deixa ser agredido.

Mas não é só por causa de seu protagonista que este filme é genial. Na verdade, tudo está muito bem alinhado. Quem divide a tela pela maior parte do tempo com Cage é o personagem de Wolf, que entrega uma performance extremamente interessante. O ator, que já havia demonstrado com maestria um adolescente problemático em Hereditário, aqui, surge como um jovem tentando se afirmar como adulto e que apesar das inseguranças, se apoia em elementos que julga importantes, como carros, roupas e posição social, para assumir sua posição como homem, mas na verdade não passa de uma pessoa gentil que precisa passar uma impressão arrogante e imponente porque foi assim que aprendeu com o pai.

E não fica por aí, pois conforme o filme vai passando vamos percebendo o quão traumatizado esse personagem é, especialmente por causa dos problemas que aconteceram com sua mãe.

Ao mesmo tempo que a dinâmica entre Rob e Amir vai se desenvolvendo em tela, percebemos por meio das reações dos demais personagens secundários o quão impactante era a reputação de Rob no passado, ao mesmo tempo em que gradualmente vamos descobrindo pistas do motivo pelo qual ele resolveu abandonar sua carreira e tudo o mais em sua vida.

Enquanto o roteiro de Michael Sarnoski e Vanessa Block aposta no minimalismo, a direção (de Sarnoski) aposta em enquadramentos pouco convencionais com planos sequência lentos, mostrando muitas vezes apenas um personagem, sem se utilizar de planos e contraplanos, focando na tensão crescente do personagem em questão e deixando para o nosso imaginário a reação do que está fora de foco.

É interessante ver também cenas com grande teor dramático e emocional que, ao invés de apostar em planos fechados, mostrando a emoção dos personagens, se desenvolve inteiramente em um plano aberto, mostrando os personagens de longe, sem focar em suas emoções, mas utilizando-se de outros elementos técnicos da cinematografia para estimular a imaginação dessas emoções.

A direção de fotografia é lindíssima. Com poucas cores e muito uso de sombras, apesar de causar uma impressão realista (especialmente em momentos em que apenas a luz natural é utilizada), cria sensações de frieza e até tristeza, uma melancolia que combina muito com o que os personagens (não apenas o protagonista, mas também outros personagens importantes) estão vivendo.

Uma curiosidade divertida é o fato de que Cage, durante as filmagens com a porca, pedia para que algum membro da equipe segurasse atrás dele uma suculenta cenoura, fazendo com que o animal olhasse para ele “com amor”.

Pig é um filme extremamente sensível que aposta no minimalismo para contar uma história provocativa, mas também subversiva e que tem grandes chances nas principais premiações que virão.

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Pig Poster
País: Reino Unido
Idioma: Inglês

Respostas de 4

  1. Eu achei o filme perfeito! A história fala de luto e de como cada um reage a ele. Do amor que depositamos em algo para suprir a dor da perda. Acho que muitos não entenderão a mensagem do filme. Achei extremamente dolorido o final e esperava sinceramente que fosse diferente, mas ele é perfeito do jeito que foi entregue. Afinal, a vida não é como nos contos de fada em que tudo termina com um final feliz.

  2. Filme ridículo, foi o pior de todos esses filmes ruins que ele vem fazendo, o filme não tem ação não é drama é só ele andando de carro na cidade procurando uma porca e no final nem encontra porr* nenhuma!

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