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	<title>Enzo Biancheti, Autor em O Cinema É</title>
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	<description>Crítica, notícias e trailers sobre filmes e seriados</description>
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	<title>Enzo Biancheti, Autor em O Cinema É</title>
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		<title>Casamento Sangramento: A Viúva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Biancheti]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Mar 2026 21:54:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O Casamento Sangrento: A Viúva é uma sequência que carece em fator novidade, mas funciona através de sua expansão de mitologia e tom caótico. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>O Casamento Sangrento: A Viúva</em>, sequência do cultuado <em>Casamento Sangrento (2019),</em> dirigido mais uma vez pela dupla Radio Silence, mantém o espírito irreverente e caótico que consagrou o original, ao mesmo tempo em que expande sua mitologia de maneira inventiva. Se o fator surpresa já não é o mesmo, o filme compensa essa ausência com uma narrativa que entende o próprio universo e se diverte explorando suas possibilidades, elevando o absurdo a novos níveis sem perder o controle do tom.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A grande força do longa continua sendo <a href="https://ocinemae.com.br/samara-weaving/" id="11209"><strong>Samara Weaving</strong></a>, que retorna ao papel de Grace com a mesma entrega carismática que a transformou em uma das protagonistas mais marcantes do terror recente. A atriz domina o equilíbrio entre vulnerabilidade e ferocidade, sustentando o filme com uma presença magnética. Ao seu lado, Kathryn Newton surge como uma adição inspirada, trazendo à personagem Faith uma energia complementar que rende uma dinâmica envolvente. A química entre as duas é imediata e funciona como um dos principais motores emocionais e cômicos da trama.</p>


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			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/a-odisseia/" >
				A Odisseia			</a>
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			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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<p class="wp-block-paragraph">O elenco de apoio cumpre sua função com eficiência, contribuindo para a construção desse caos organizado que define o filme. Elijah Wood, Shawn Hatosy, Varun Saranga e Maia Bastidas se destacam dentro de suas propostas, cada um encontrando espaço para brilhar dentro do tom exagerado da narrativa. Bastidas, em especial, protagoniza uma das sequências mais memoráveis do longa, embalada por <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lcOxhH8N3Bo" id="https://www.youtube.com/watch?v=lcOxhH8N3Bo"><strong>Total Eclipse of the Heart</strong></a></em>, de Bonnie Tyler, em um momento que sintetiza perfeitamente o espírito da obra: violento, estilizado e assumidamente teatral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na direção, o Radio Silence reafirma sua identidade estabelecida em filmes como <em>Pânico</em> 6 e <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/abigail/" id="21724"><em><strong>Abigail </strong></em></a>com segurança. A dupla demonstra domínio de ritmo ao conduzir a narrativa por set pieces dinâmicas, sabendo exatamente quando acelerar o caos e quando permitir que o humor respire. Há uma consciência clara do tipo de experiência que o filme quer oferecer, e isso se traduz em uma condução confiante, que abraça o exagero sem cair na desorganização. A violência é coreografada com criatividade, e o timing cômico segue afiado, garantindo que o entretenimento nunca perca força.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo sem o frescor do primeiro filme, <em>O Casamento Sangrento: A Viúva </em>encontra valor em expandir seu universo com inteligência, reforçando sua identidade ao invés de apenas repeti-la. É uma sequência que entende suas próprias limitações, mas também suas qualidades, e se apoia nelas para entregar uma experiência divertida, energética e cheia de personalidade. No fim, o filme prova que, quando há clareza de tom e domínio criativo, revisitar um mundo já conhecido pode ser tão empolgante quanto descobri-lo pela primeira vez.</p>
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		<title>Marty Supreme</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Biancheti]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Jan 2026 21:56:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Frenético e divertido, Marty Supreme é um bom filme de excelente execução técnica que não se torna grandioso devido ao seu texto frágil. </p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/marty-supreme-2/">Marty Supreme</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>Marty Supreme</em> é o novo longa-metragem da A24 e chega aos cinemas como um dos projetos mais arriscados já produzidos pelo estúdio, muito devido ao seu orçamento de 70 milhões de dólares. Dirigido por Josh Safdie, em sua estreia solo na direção, o filme acompanha Marty Mauser <a href="https://ocinemae.com.br/timothee-chalamet/" id="12268">(<strong>Timothée Chalamet</strong>)</a>, um jovem impulsivo e obsessivamente ambicioso que encontra no tênis de mesa não apenas uma habilidade, mas um objetivo de vida e uma promessa de grandeza. Ambientada majoritariamente em Nova York durante a década de 50, a história ganha vida em um cenário de transformações sociais e econômicas, onde o sonho de sucesso parece ao mesmo tempo, próximo e inalcançável. </p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Na estreia individual de Josh Safdie na direção, o cineasta reafirma com assertividade a identidade cinematográfica já consolidada em seus trabalhos colaborativos com seu irmão, Benny Safdie, como o excelente <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/joias-brutas/" id="3838"><strong>Joias Brutas (2019)</strong></a>. O ritmo frenético, a câmera inquieta e a montagem sufocante funcionam com precisão técnica, criando uma experiência pulsante e mantendo o espectador em estado de alerta, sempre atento, a espera da próxima virada de trama. Devido a essa natureza, o avanço da narrativa é guiado menos por um conflito central bem definido e mais por uma sucessão de situações caóticas e imprevisíveis, que se acumulam até atingir proporções cada vez mais absurdas. Essa abordagem, embora extremamente eficaz em termos de tensão imediata, revela suas limitações no campo dramático, já que ao priorizar o impacto momentâneo, o filme acaba esvaziando seu próprio arco emocional, tornando o clímax final menos potente do que o potencial de sua proposta.</p>
</p>
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			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Timothée Chalamet entrega um trabalho carismático como Marty Mauser, preenchendo a tela com presença e energia ao longo de toda sua duração e dominando com facilidade a postura insolente do personagem, sempre frenético em suas ações. Ainda assim, é difícil classificar o trabalho do ator como uma grande atuação, não por limitações de Chalamet, mas pela forma superficial com que Marty é escrito. Definido quase exclusivamente por sua ambição, egoísmo e senso de destino inevitável, o protagonista carece de camadas que revelem conflitos internos mais envolventes, o que compromete o potencial dramático do personagem, e prejudica, especialmente, a construção da cena final, que parece existir em desconexão com o que nos foi apresentado do personagem durante o restante do filme. Mas apesar do arco do personagem não convencer, existe uma proposta interessante sobre a voracidade da juventude que confunde talento com merecimento e enxerga o sucesso como a validação de uma suposta superioridade. Nesse sentido, a narrativa ganha relevância temática na sua tentativa de mostrar o quanto essa fome incessante por reconhecimento pode ser tão sedutora quanto destrutiva, mas o problema é que o filme falha em aprofundar as consequências desse percurso.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Outro problema presente em <em>Marty Supreme</em> do ponto de vista narrativo é como o roteiro lida com suas personagens femininas. Rachel, interpretada por Odessa A’zion, e Kay, vivida por <a href="https://ocinemae.com.br/gwyneth-paltrow/" id="29866"><strong>Gwyneth Paltrow</strong></a>, são construídas de maneira barata e excessivamente genérica, existindo quase exclusivamente como pontos de fricção na trajetória de Marty. Falta a ambas individualidade, desejos próprios ou conflitos que não estejam diretamente atrelados ao protagonista, o que as reduz a meros obstáculos dentro da trajetória de Marty. Embora as atrizes entreguem desempenhos competentes e consigam sustentar suas cenas sem dificuldade, o texto limita qualquer possibilidade de aprofundamento, aprisionando elas dentro do limite do ordinário. </p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">No fim, mesmo com escolhas narrativas que limitam o aprofundamento emocional da história, <em>Marty Supreme </em>consegue se impor com a força da experiência que oferece. O filme abraça o excesso, a velocidade e a tensão como parte de seu vestimento, e é justamente nesse movimento que ele encontra sua maior virtude. Ao transformar o tênis de mesa em um objetivo de vida ou morte, a obra consegue extrair adrenalina de situações aparentemente simples, mantendo o espectador envolvido até o último momento. Ainda que não alcance todo o peso dramático, o resultado é um filme seguro de si, bem executado e que consegue tornar uma história pequena em algo grande em escala. Chega a ser irônico o modo como essa lógica ecoa diretamente o seu protagonista: um homem medíocre, movido pela convicção de uma grandeza, que não passa de uma miragem.</p></p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/marty-supreme-2/">Marty Supreme</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
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		<title>Hamnet &#8211; A Vida Antes de Hamlet &#124; Crítica 1</title>
		<link>https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/hamnet/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Biancheti]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Dec 2025 23:11:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Comandando por Jessie Buckley, em atuação inesquecível, Hamnet é um retrato devastador sobre o amor e luto. </p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/hamnet/">Hamnet &#8211; A Vida Antes de Hamlet | Crítica 1</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>Hamnet</em>, novo filme de Chloé Zhao, vencedora do Oscar de Melhor Direção por <em>Nomadland </em>(2020), que chega nos cinemas brasileiros dia 15 de janeiro, é um grande exemplar dos talentos da cineasta, uma artista de honestidade ímpar. Adaptado do livro de mesmo título da autora Maggie O’Farrell, que assina o roteiro junto de Zhao, a história é uma biografia fictícia, usando registros históricos acerca da vida de William Shakespeare (Paul Mescal) para imaginar os eventos que o levaram a criar <em>Hamlet</em>, a famosa peça britânica, considerada uma das maiores obras da história da literatura mundial. O que começa como um romance intenso ganha consequências devastadoras quando uma tragédia atinge a família do poeta. </p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A premissa do livro de Maggie O’Farrell permite com que o filme exista como uma obra independente. O espectador não precisa compreender Shakespeare de modo complexo para que o que está acontecendo em tela funcione. A narrativa não está preocupada em decifrá-lo em um nível técnico, mas sim em contextualizar a sua vida através de uma releitura íntima. É claro que o longa, em momentos oportunos, aborda a relação especial de William com as palavras, e oferece referências de seu trabalho que são possíveis de serem identificadas pelos seus admiradores, mas o seu foco, quando se trata do personagem, mora em desconstruir aquela figura como homem, marido e pai.&nbsp;</p>
</p>
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			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A direção de Zhao continua chamando a atenção por sua qualidade naturalista, com o uso de planos abertos construindo enquadramentos ricos em beleza que refletem a misticidade presente em seu texto. Aqui, a floresta é mais do que uma ambientação, operando como uma forma de conexão com o interior e a essência. As árvores viram abrigo, raízes servem como apoio e a terra traz companhia. Nesse sentido, a direção do filme, alinhada a fotografia orgânica de Łukasz Żal, amplifica diretamente a composição da personagem de Agnes (Jessie Buckley), uma mulher de autenticidade irreverente que possui uma relação espiritual com a natureza, uma tradição compartilhada entre as mulheres de sua família ao longo de gerações. O trabalho de figurino também é efetivo em traduzir suas particularidades, com o vestido vermelho da personagem sempre em contraste com os elementos em sua volta.&nbsp;</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A mitologia em torno de William Shakespeare inspirou a criação de <em>Hamnet</em>, mas Agnes, sua esposa, é sem dúvidas a alma do projeto, não só devido ao excelente trabalho que o roteiro exerce em estabelecê-la como o centro gravitacional da história, mas principalmente por conta da atuação monumental de Jessie Buckley. A atriz desaparece completamente dentro da personagem, construindo e habitando ela com uma visceralidade que golpeia o espectador constantemente. Ela deixa toda sua vaidade de lado e se entrega inteiramente ao papel, indo do sussurro ao grito, da realização a culpa e comunicando com o seu rosto, o que palavras não são capazes de descrever. Paul Mescal, um ator que é capaz de internalizar sentimentos com uma convicção impressionante, e Jacobi Jupe, ator mirim que dá vida ao filho do casal com uma maturidade além de seus anos, estão excelentes e também são destaques na produção.&nbsp;</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O projeto abraça a sinceridade em detrimento do cinismo e evidência que dar vida a um ser humano é escolher depositar parte de si em outra pessoa. Tratando essa relação como um laço divino que atravessa o ordinário e ressignifica a jornada de um indivíduo no mundo. Essa construção carregada de sentimento torna o ponto de virada do filme, a morte do pequeno Hamnet, ainda mais devastadora do que ela já seria dado o seu contexto trágico. Quando Agnes grita em seu momento de perda, não estamos assistindo apenas aquela relação física sendo ceifada, mas também a personagem, que transformou a maternidade em seu grande propósito, sentindo ele ser dilacerado no silêncio de um coração.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Mas <em>Hamnet</em> também ressignifica esse silêncio ao explorar as diferentes formas em que o luto se materializa, traçando um ponto em comum entre elas. Agnes se mantém presente e externaliza seus sentimentos, mas não consegue compreender a profusão deles. Já Shakespeare internaliza sua dor e só consegue comunicá-la através de sua escrita. Esse desalinhamento afasta o par e pinta a relação de ambos com cores de frustração. Mas no seu inesquecível clímax, quando Agnes assiste à peça de Hamlet pela primeira vez, o filme revela a sua verdadeira força narrativa. A cena em que a personagem finalmente encontra compreensão ao validar a expressão artística de seu marido, se enxergando dentro dela, em um momento de catarse comunal é extremamente comovente. É uma sequência que Chloé Zhao executa com maestria e que reforça o poder da arte como um palco para a cura. Uma cura que, mesmo não sendo eterna, é capaz de espantar a solitude. “O resto é silêncio”, mas ao ser imortalizado por meio de um manifesto artístico, ele se torna o eco de uma memória eterna.&nbsp;</p></p>
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		<title>Bugonia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Biancheti]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Nov 2025 23:53:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bugonia, novo filme de Yorgos Lanthimos e terceira produção do cineasta em um período de menos que 2 anos, chega aos cinemas brasileiros, com mais uma premissa inconvencional como seu atrativo principal. No novo filme de Lanthimos, acompanhamos Teddy (Jesse Plemons), que junto de seu primo Don (Aidan Debis) decide sequestrar Michelle Fuller (Emma Stone), [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>Bugonia</em>, novo filme de Yorgos Lanthimos e terceira produção do cineasta em um período de menos que 2 anos, chega aos cinemas brasileiros, com mais uma premissa inconvencional como seu atrativo principal. No novo filme de Lanthimos, acompanhamos Teddy (Jesse Plemons), que junto de seu primo Don (Aidan Debis) decide sequestrar Michelle Fuller (<strong><a href="https://ocinemae.com.br/emma-stone/">Emma Stone</a></strong>), a CEO de uma empresa farmacêutica, por acreditar que ela seja um alienígina que representa perigo para o restante do mundo.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Muito do filme é carregado pela química entre Emma Stone e Jesse Plemons, que estão ótimos em cena e mantém os momentos de conflito entre os personagens principais engajados e dinâmicos. Stone continua se mostrando uma atriz extremamente versátil e sua interpretação como Michelle é marcada por uma dualidade que amplifica a paranoia estabelecida pela trama. Mas Jesse Plemons é a atuação mais impressionante do longa. A intensidade do ator se manifesta em cada olhar inquieto e hesitação calculada, revelando um personagem que transita entre a rigidez paranoica e uma fragilidade quase infantil. Essa vulnerabilidade que ele imprime a Teddy torna o personagem não apenas crível, mas emocionalmente complexo, dando profundidade à espiral de desconfiança que o move. É uma performance que se impõe sem esforço, ocupando silenciosamente todos os espaços dramáticos que o filme oferece.</p>
</p>
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				A Odisseia			</a>
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			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O desfecho do longa, por sua vez, certamente será divisivo. Muitos espectadores vão encará-lo como uma grande imbecilidade. É fácil identificar o seu tom previsível e reconhecer que Lanthimos poderia ter investido em uma construção menos óbvia e mais ousada em sua execução. Ainda assim, confesso que gostei da resolução: ela funciona dentro da lógica interna que o filme estabelece, e existe algo de coerente no modo em como o projeto abraça o absurdo até suas últimas consequências. A montagem final em particular, é genuinamente hilária.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Outro acerto importante do filme é seu ritmo, que permanece firme e consistente durante quase toda a sua duração. Lanthimos conduz a narrativa com segurança, mantendo o espectador envolvido mesmo quando a trama flerta com quebras tonais ou com escolhas . Há uma cadência constante que impede que o filme desande, e essa confiança na condução narrativa contribui para que a experiência permaneça tensa, cômica e desconfortável na medida certa.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O roteiro, no entanto, como discutido sobre o desfecho do filme, não é tão afiado quanto acredita ser. Embora apresente ideias interessantes e um universo temático repleto de potencial, ele raramente explora esses temas de maneira verdadeiramente dinâmica. Há provocações levantadas que permanecem superficiais, como se o texto preferisse apenas insinuar uma complexidade em vez de se aprofundar de vez nela.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Mas mesmo com esses defeitos, o texto funciona o suficiente para sustentar a história, apesar de deixar a sensação de que poderia ter sido mais inventivo e menos preso ao próprio estilo. Ainda assim, mesmo com esses aspectos que ficam aquém do esperado, <em>Bugonia </em>se beneficia da força de suas atuações e da mão firme de Lanthimos, resultando em uma obra que provoca, entretém e permanece na mente, ainda que pelas razões certas e erradas ao mesmo tempo.</p></p>
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		<title>Wicked: Parte 2 &#124; Crítica 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Biancheti]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Nov 2025 21:26:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Wicked: Parte 2 não finaliza sua história sem tropeços, mas entrega uma conclusão emocionante que faz justiça às suas protagonistas.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">Qualquer um familiarizado com o musical <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/wicked/"><strong>Wicked</strong></a> já poderia prever que a adaptação cinematográfica do ato 2 do musical jamais atingiria a unanimidade da recepção do filme que adaptou a primeira metade da história. E isso se deve a um fator principal: tom. Enquanto no primeiro filme acompanhamos os personagens na fase áurea de sua juventude interagindo com um mundo que ainda não teve a sua fachada desmanchada, no segundo embarcamos imediatamente dentro de uma realidade corrupta e injusta, que abre mão da leveza apresentada anteriormente para dar lugar ao peso que surge como consequência dos eventos e decisões que acontecem durante o clímax do primeiro filme.&nbsp;</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>Wicked: Parte 2</em> inicia sua ação com um retrato já definido. Elphaba (Cynthia Erivo), agora exilada e conhecida como a Bruxa Má do Oeste, vive sua vida escondida enquanto luta pelos direitos dos animais, que estão cada vez mais escassos. Glinda (Ariana Grande), por sua vez, conquista a admiração social que sempre almejou, sendo posicionada pelo Mágico (Jeff Goldblum) e Madame Morrible (Michelle Yeoh) como a antítese de Elphaba, se transformando em Glinda, a Bruxa Boa do Norte. Divididas pelo clima político de Oz, as duas amigas precisam lidar com as ramificações das percepções de suas respectivas posições nesse sistema enquanto tentam manter a sua relação viva.</p>
</p>
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			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/a-odisseia/" >
				A Odisseia			</a>
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			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Essa dinâmica complexa faz com que os números musicais da continuação não sejam tão descontraídos como os do primeiro filme, já que os personagens estão lidando com dilemas morais carregados de senso de urgência. E isso acaba dando mais espaço para a direção de Jon Chu brilhar. Menos preocupado em atribuir intensidade para coreografias ou trabalhar o senso de escala dos cenários práticos, o diretor usa as sequências musicais para estudar suas protagonistas com artifícios visuais criativos, com momentos como Thank Goodness, quando o tempo desacelera em volta de Glinda para que ela dê voz aos seus verdadeiros sentimentos, e For Good, dueto entre Elphaba e Glinda, em que as amigas cantam sobre a sua relação com a intimidade que o momento requer, sendo exemplos que refletem essa decisão. Também aprecio como a câmera do cineasta está sempre se movendo, seja por meio de planos sequências ou momentos de <em>travelling</em>. </p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista técnico, o filme é ainda mais grandioso que o primeiro. Com melhoras notórias em aspectos como a fotografia e os efeitos especiais, que parecem ter tido mais tempo para serem refinados. A mesma atenção ao detalhe é mantida no trabalho de figurino e <em>design </em>de produção do filme, que continuam sendo elementos de deleite visual que impressionam positivamente. Mas existe um aspecto técnico que não consegue alcançar a excelência dos demais, a montagem. Com o seu resultado sendo uma consequência direta da história que está sendo adaptada no texto do capítulo final da saga.&nbsp;</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O roteiro do segundo filme precisa lidar com a difícil tarefa de adaptar o ato 2 do musical da Broadway, um segmento de 50 minutos com problemas de estrutura perceptíveis e viradas narrativas agressivas, que carecem de construção. A adaptação consegue enriquecer vários elementos da obra original, com a relação entre Elphaba e Glinda sendo um deles. Ainda mais potente e emocionante que a amizade das bruxas no palco, a conexão das duas personagens no cinema já está imortalizada na cultura pop para sempre, com a cena da despedida delas, separadas por uma porta, sendo um dos momentos mais sensíveis e memoráveis do audiovisual em 2025. Outro grande ponto de aprimoramento é a narrativa em torno dos animais, que finalmente ganham o espaço necessário para tornar o subtexto político da história mais efetivo.&nbsp;</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Infelizmente, um erro que a adaptação não foi capaz de consertar são os acontecimentos relacionados ao <em>Mágico de Oz</em>, talvez o mais importante deles. Na peça musical, eles são inseridos na narrativa de forma brusca e apressada, soando mais como conveniências de texto do que como algo propriamente estabelecido com o cuidado necessário para manter a naturalidade da interseção entre as duas histórias. Ao ser fiel a essa abordagem, o filme cria um problema de ritmo que atropela parte da narrativa e ignora personagens como Bok (Ethan Slater) e Fiyero (<strong><a href="https://ocinemae.com.br/jonathan-bailey/">Jonathan Bailey</a></strong>) de maneira que causa estranhamento e insatisfação. Mas nem tudo relacionado à junção desse <em>lore</em> é negativo, com a chegada de Dorothy sendo o catalizador para alguns dos melhores momentos do filme, como o confronto entre as protagonistas em Munchkinland e o excelente número musical, No Good Deed, sequência em que a personagem de Elphaba aceita que as suas boas intenções não são o suficiente para derrotar a percepção da população em torno de sua figura.&nbsp;</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Mas mesmo com tropeços narrativos e momentos de potencial inexplorado, acredito que os acertos do projeto se sobressaem. O maior deles são as atuações de Cynthia Erivo e Ariana Grande, que preenchem a tela de autenticidade sempre que contracenam juntas, exibindo uma química avassaladora como parceiras de cena. Cynthia Erivo continua se apropriando de Elphaba com uma vulnerabilidade palpável, mas nesse novo capítulo, ela ganha espaço para explorar a frustração da personagem de modo mais incisivo. Mas a grande atuação do longa pertence a Ariana Grande. Enquanto no primeiro filme, sua interpretação foi infundida de um tom majoritariamente cômico, dessa vez, o arco de Glinda pede que a atriz mergulhe de cabeça no drama, precisando calibrar essa emoção entre momentos em que a personagem internaliza o que está sentindo com momentos de confronto, onde esses sentimentos precisam transbordar. É um desempenho impressionante que prova a versatilidade da artista e rende momentos gloriosos, como a sequência em que Glinda, em um momento de decepção, sugere que usem Nessa, irmã de Elphaba, contra a amiga.&nbsp;Mas nem todas as atuações são tão brilhantes quanto as da dupla principal. Michelle Yeoh, uma das maiores atrizes da indústria, infelizmente não consegue transmitir naturalidade como Madame Morrible, muito devido ao fato de não conseguir sustentar os momentos em que a personagem precisa cantar.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Imperfeito por conta de ressalvas do material original que o roteiro não tenta contornar, mas emocionante e autêntico no modo como explora os conflitos de Elphaba e Glinda, <em>Wicked: Parte 2 </em>finaliza sua história escancarando as dificuldades de lutar pelo que se acredita e os sacrifícios que assumir a responsabilidade de suas ações exige. Mas, em seus minutos finais, ele também potencializa o encontro como uma fonte de mudança e a mudança como uma porta para recomeços. Talvez essa seja a grande oportunidade que espera por todos nós em um lugar além do arco-íris.&nbsp;</p></p>
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		<title>A Própria Carne</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Biancheti]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Oct 2025 13:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Eficiente em sua construção de suspense, A Própria Carne não expande sua narrativa, mas prova que o terror nacional tem potencial de sobra. </p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/a-propria-carne/">A Própria Carne</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">O terror é um gênero que não é um foco de projetos em escala nacional. Apesar de ser muito popular ao redor do mundo, parece existir um certo receio de produtoras brasileiras em depositar confiança e investimento em longas desse segmento. Por isso, ver uma produção independente como A Própria Carne apostando alto em uma história de terror é uma grata surpresa, que pode sinalizar uma mudança no mercado local, que seria muito bem vinda. Tive o privilégio de assistir o filme em sua pré-estreia em Belo Horizonte, algumas semanas atrás, com a presença do diretor Ian SBF e o produtor Alexandre Ottoni. Ouvi-los contar sobre os bastidores da produção, após a sessão terminar, evidenciou ainda mais um fato que pra mim já estava muito claro. Esse projeto é um resultado de paixão e trabalho duro, tendo sido gravado dentro de um período de 15 dias por uma equipe de profissionais que tiveram que lidar com as limitações de um filme independente e encontrar formas criativas de trazer sua visão para fora do papel.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A premissa do filme é simples, mas eficaz. Três desertores brasileiros da Guerra do Paraguai abandonam o campo de batalha e procuram ajuda para sobreviver em um ambiente isolado. Ao encontrarem abrigo em uma fazenda habitada por um velho senhor e uma jovem garota, os hospédes logo descobrem que os seus anfitriões não são exatamente quem eles parecem ser. O contexto histórico da Guerra do Paraguai como pano de fundo para o disparo da narrativa é uma ideia excelente e que traz holofote para um conflito que não é abordado com a frequência que deveria ser. Mas infelizmente o roteiro não desenvolve esse contexto para além de um esboço. Sabemos que os desertores abandonaram a guerra no nome da sobrevivência e que os anfitriões estão acostumados em interagir com os soldados, mas não temos um desenvolvimento maior sobre como viver dentro, e ao redor, dessa batalha realmente afetou os personagens que acompanhamos. É uma oportunidade perdida, que esvazia o longa em caracterização.</p>
</p>
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				A Odisseia			</a>
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			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, a construção de suspense em relação às verdadeiras intenções dos habitantes da fazenda é executada de maneira muito efetiva e é dentro dessa ação, que se encontra o grande trunfo do filme. Você percebe que algo está errado e que eventualmente as coisas irão ir de mal para pior, mas a direção de Ian não tem pressa em chegar nesse momento, brincando com as expectativas do espectador e fazendo o momento de reviravolta do longa surtir um peso ainda maior. É dentro desse contexto que o elenco encontrar a chance de brilhar com atores como Luiz Carlos Persy e Jorge Guerreiro transmitindo toda a imponência, paranoia e ansiedade de seus respectivos personagens com muito talento e firmeza.&nbsp;</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">No geral, A Própria Carne é um filme que não tem muito interesse em construir uma fundação dinâmica para sua história ou sequer explicar a mitologia de seu universo de maneira mais detalhada, mas mesmo com esses aspectos que fazem com que o projeto não alcance todo o seu potencial narrativo, ele surpreende por ser um longa-metragem que reconhece a qualidade sensorial que o gênero do terror apresenta como oportunidade, utilizando essa porta para causar desconforto, apreensão e nojo em quem assiste à medida que os eventos do filme vão tomando forma. Deixo registrado a minha torcida para que o projeto independente do Jovem Nerd encontre sucesso e retorno financeiro durante sua passagem nos cinemas brasileiros. Todo risco merece ser admirado.</p></p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/a-propria-carne/">A Própria Carne</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
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		<title>Uma Batalha Após a Outra &#124; Crítica 1</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Biancheti]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Sep 2025 21:03:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>De ritmo frenético e grande qualidade técnica, 'Uma Batalha Após a Outra' é um filme do aqui e agora que dialoga com o clima político atual.</p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/uma-batalha-apos-a-outra-critica-1/">Uma Batalha Após a Outra | Crítica 1</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>Uma Batalha Após a Outra</em>, o novo filme do <a href="https://ocinemae.com.br/paul-thomas-anderson/"><strong>Paul Thomas Anderson</strong></a>, chega aos cinemas nessa quinta-feira, dia 25 e encontra o cineasta em sua melhor forma, com o diretor não só exibindo seu domínio de técnica e linguagem com uma fluidez avassaladora, mas também apresentando temas narrativos afiados que parecem ecoar em tempo real, o clima político do mundo, em 2025.&nbsp;</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Vagamente baseado no livro <em>Vineland</em> de Thomas Pynchon, <em>Uma Batalha Após a Outra</em> não perde tempo nenhum em dar início a sua ação. Logo nos primeiros momentos do longa, somos apresentados aos membros do French 75, um grupo de revolucionários que lutam contra a violência do sistema na mesma moeda de combate, utilizando o poder de fogo para defender os direitos básicos de imigrantes, mulheres e demais grupos vulneráveis. Liderados pela imponente Perfidia, interpretada de forma magnética por Teyana Taylor, o grupo é composto por demais idealistas, entre eles, Bob (<a href="https://ocinemae.com.br/leonardo-dicaprio/"><strong>Leonardo DiCaprio</strong></a>), um especialista em bombas, que se envolve amorosamente com a líder da equipe.&nbsp;Eventualmente, o desenvolvimento de uma dinâmica de poder entre Perfidia e o Coronel Steven J. Lockjaw (Sean Penn), uma das grandes figuras de oposição ao grupo, acaba dando início a um jogo de gato e rato que coloca toda a existência do French 75 em cheque, fazendo com que Bob tenha que escapar para longe junto de sua bebê recém nascida, fruto do relacionamento entre ele e Perfidia. Agora 16 anos mais tarde, as batalhas do passado voltam para assombrar o pai solteiro e a sua filha, Willa (Chase Infiniti).</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Paul Thomas Anderson sempre foi um diretor extremamente meticuloso, mas a sua direção nunca foi repleta de tanta naturalidade quanto aqui. As cenas parecem quase que costuradas de maneira uniforme, nunca se tornando bruscas em suas transições e trabalhando em conjunto para criar um ritmo frenético que nunca desperdiça nenhum segundo de tela. É um controle de elementos, que é complementado de maneira fervorosa pelo trabalho de fotografia de Michael Bauman, que filmou o projeto usando filme 35mm e a tecnologia VistaVision, uma junção de formatos que dá ainda mais dimensão e textura para o aspecto visual da obra. Uma perseguição de carro no auge do terceiro ato, em particular, é filmada de maneira tão inspirada que se torna impossível não prender a respiração durante a sequência.&nbsp;</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Para além de sua direção, Anderson também brilha como roteirista, balanceando diferentes tons com uma habilidade de dar inveja em qualquer escritor. É incrível a facilidade em como ele é capaz de abordar vários temas complexos como extremismo e racismo, mas ainda assim trazer doses de humor, muito bem pontuadas, para momentos oportunos do filme. Esse jogo de cintura, de difícil execução, se torna uma das qualidades mais marcantes do projeto, com a tensão dos eventos que os personagens estão vivendo sendo preservada sem precisar abrir mão do humor causado pelo absurdo de muitas dessas situações.&nbsp;</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Por falar em personagens, Anderson investe novamente em alguns padrões narrativos que podem ser encontrados dentro de sua filmografia. Pessoas falhas que cometem erros apesar de suas melhores intenções, relações geracionais e o embate de perspectivas entre elas são alguns dos pontos de conflito presentes na construção dos personagens que acompanhamos durante o filme. Leonardo DiCaprio brilha na pele do revolucionário Bob Ferguson, um pai superprotetor que perdeu seu espírito de luta e que é jogado de volta no caos e violência daquele universo, com as suas habilidades sendo apenas uma casca do que um dia já foram. Assistir DiCaprio, um dos atores responsáveis por patentear o termo “galã de cinema”, interpretando um homem desajeitado e instável tentando acompanhar um ritmo que ele não é mais capaz de replicar rende inúmeros momentos inspirados, como o segundo ato do filme, quando em parceria com Sensei (Benício Del Toro), Bob precisa descobrir a localização exata de sua filha.&nbsp;</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Willa, a filha de Bob, interpretada por Chase Infiniti, é outro grande destaque do projeto. A atriz, em seu primeiro papel em um longa-metragem, não tem dificuldade nenhuma em contracenar com os veteranos de seu elenco e sua química com DiCaprio, é responsável por equilibrar, em grande parte, o núcleo emocional da história. A paranoia incessante de Bob referente ao futuro de Willa também traz a tona um dos temas mais interessantes que ganha espaço dentro do contexto da relação parental entre os dois. Em mundo tão cruel e volátil, como você consegue, encontrar dentro de você, a confiança para abaixar a guarda e acreditar que aquela pessoa que você criou vai conseguir sobreviver a uma realidade que você não foi capaz de mudar? O mundo é amedrontador, ainda mais para quem tem filhos. Mas são eles que irão traçar um novo futuro. </p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O filme não tem medo nenhum de escancarar a insignificância intelectual dos homens em poder, mas também entende que isso não torna eles menos perigosos ou opressivos. Porque a violência nas mãos de figuras que só conhecem o mundo através de seus privilégios, sempre vai ser uma corda que arrebenta para o lado mais fraco. E nenhum dos personagens do filme ilustra isso de maneira tão efetiva quanto o Coronel Lockjaw, interpretado por Sean Penn, no auge do seu talento. Covarde, mas imprevisível, as movimentações do personagem oferecem ao ator, uma tela em branco que permite com que Penn transforme o antagonista em uma figura densa que nunca cai na armadilha de se tornar uma caricatura.&nbsp;</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Divertido, intenso e relevante, <em>Uma Batalha Após a Outra</em> é uma obra audiovisual com toda a grandiosidade técnica que se espera de uma produção de seu escopo, apresentando uma consistência de qualidade que se permeia desde a sua excelente trilha sonora até ao seu trabalho de montagem ágil. Mas acima de tudo, o longa se torna tão especial porque ele se comunica com o aqui e agora ao escancarar que a revolução não é uma causa que pode ser ditada pela conveniência. Continuar a lutar pelo que se acredita é tão difícil quanto realizar a decisão consciente de iniciar essa luta. Que bom que temos um filme excepcional, de uma das grandes vozes do cinema moderno, para nos lembrar disso.</p></p>
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		<title>A Hora do Mal &#124; Crítica 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Biancheti]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Aug 2025 22:16:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Original e caótico, 'A Hora do Mal', é um terror que injeta novidade dentro do gênero e consolida Zach Cregger como um cineasta promissor.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph"><em>A Hora do Mal</em>, o novo filme de Zach Cregger, chegou aos cinemas nesta última quinta-feira, depois de um furo de notícia, que anunciava, em parte, o que estava por vir. Após o sucesso de sua estreia diretorial, <em>Noites Brutais</em>, Cregger começou a trabalhar no seu próximo filme, <em>A Hora do Mal</em> e quando Hollywood teve acesso ao roteiro do projeto, uma briga entre estúdios e produtores executivos se instaurou, com ofertas milionárias sendo colocadas em mesa para ver quem ficaria com os direitos de produção e exibição do filme. </p>
<p class="wp-block-paragraph">Toda essa comoção é compreensível. A premissa do filme é digna de um clássico sombrio dos irmãos Grimm. Em uma fatídica madrugada, na cidade fictícia de Maybrook, Pensilvânia, 17 crianças, todas da turma da professora Justine (Julia Garner), acordam às 2:17 da manhã, saem de casa, correm em direção à escuridão e desaparecem. Um mês depois, acompanhamos como essa tragédia afetou a população local e seguimos uma série de habitantes da comunidade enquanto eles tentam desvendar o mistério por trás do acontecimento. </p>
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				A Odisseia			</a>
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			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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		</p>
<p class="wp-block-paragraph">O conflito principal do filme, envolvente e macabro, já é o suficiente para fisgar a atenção de quem assiste logo nos primeiros minutos do longa, com direito a uma sequência de abertura de causar arrepios. A narração introdutória, recontando os fatos que ocorreram no subúrbio durante aquela madrugada, seguida do visual, já icônico, das silhuetas de crianças correndo em meio à escuridão com os braços estendidos, como um avião de papel, é uma das melhores cenas do ano. A partir dali somos apresentados a uma estrutura de história nada convencional para o gênero, onde acompanhamos a perspectiva de seis personagens diferentes ao longo do filme, uma escolha narrativa claramente inspirada no <em>storytelling </em>novelista de clássicos como <em>Magnólia</em> e <em>Pulp Fiction: Tempo de Violência</em>.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em <em>A Hora do Mal</em>, os mesmos eventos são recontados através dessa abordagem e logo nos vemos em uma encruzilhada de ações e revelações que atingem um ponto de tensão em comum no momento em que se convergem, culminando em um clímax divertido, insano e surpreendentemente catártico.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Apesar de Cregger já ter explorado essa troca de perspectivas em <em>Noites Brutais</em>, ela funciona muito melhor aqui, não só em termos de ambição, mas também em execução. Acompanhar uma comunidade despedaçada através de diferentes fragmentos individuais é uma ideia que faz sentido. Apesar de alguns episódios prolongarem o seu tempo de estadia e não serem tão efetivos quanto outros pontos de vista, o formato ainda permite com que a tensão do filme seja construída de modo graduativo, instigando o interesse do espectador a cada virada narrativa e o fato do elenco, extremamente talentoso, ser tão magnético em tela, é outro fator que permite com que essa estrutura encontre sucesso. Julia Garner, Austin Abrams e principalmente Amy Madigan, que entrega uma atuação que já figura entre as mais impressionantes de 2025, brilham sempre que aparecem em cena. </p>
<p class="wp-block-paragraph">O sucesso de Zach Cregger como cineasta, é curioso. Ele não tem medo de brincar com diferentes tons e muito menos faz questão de enxugar suas ideias, jogando todas elas contra a parede, mas a sua direção é potente, dinâmica e constrói uma atmosfera de desconforto, que traz sentido para o seu caos. É um caminho que pode gerar frustração em quem preza por obras que tenham temas que estejam narrativamente alinhados da montagem inicial até os créditos e esse elemento presente na abordagem do diretor, junto de seu senso de humor, sempre pronto para transformar um grito em uma risada, provavelmente vai ser um ponto de insatisfação para uma parcela do público. </p>
<p class="wp-block-paragraph">E mesmo que o filme perca a oportunidade de não mergulhar em sua mitologia de forma mais profunda após estabelecer algumas respostas, é empolgante conseguir entender a ordem lógica dos eventos da história, e ainda assim, não ser capaz de atribuir um significado temático para aqueles fatos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Talvez <em>A Hora do Mal </em>tenha algum subtexto político. Talvez ele seja uma manifestação de sentimentos internos de Cregger. Mas talvez o filme também não tenha a pretensão de ser nada além de um conto de terror sinistro. E definitivamente, eu não me importo em tentar decifrar ou atribuir valor para essa discussão. É nessa contradição curiosa que acredito que mora a grande qualidade do projeto: ele existe entre o concreto e o abstrato, entre o terror e o humor, entre o clássico e o moderno. No exato ponto do equilíbrio de aspectos que não deveriam funcionar em conjunto, mas que de alguma forma funcionam.</p>
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		<title>Premonição 6: Laços de Sangue</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Biancheti]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 May 2025 14:05:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Com efeitos especiais medíocres, mas criativo em sua construção, 'Premonição 6' é uma adição bem vinda a franquia favorita da morte</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">É possível escapar do seu destino? É a partir dessa questão central que surge o conceito que deu origem a franquia de filmes de terror, <em>Premonição</em>. A fórmula da franquia é simples. O protagonista, um visionário, tem uma premonição sobre uma grande tragédia que irá resultar em diversas mortes e ao evitá-la e salvar vidas que deveriam encontrar seu fim naquele fatídico acidente, precisa driblar a morte, que vai atrás de cada um dos sobreviventes para garantir que a ordem natural do evento permaneça a mesma. </p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Extremamente popular nos anos 2000, as obras de <em>Premonição </em>construíram uma legião leal de fãs, que abraçaram todos os elementos presentes nos filmes, desde as sequências de morte extremamente bem elaboradas até o humor ácido de seu subtexto, com uma paixão inigualável. Então não é surpresa nenhuma observar que as expectativas em torno do lançamento do primeiro capítulo inédito da franquia em mais de uma década, estavam nas alturas. </p>
</p>
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				A Odisseia			</a>
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			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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<p class="wp-block-paragraph">E é nas alturas que começamos <em>Premonição 6: Laços de Sangue</em>. Iris, uma jovem de personalidade simpática e radiante, é surpreendida pelo seu namorado com um par de ingressos para a inauguração da SkyView, uma espécie de salão/restaurante localizado no topo de uma torre de dezenas de metros de altura. Logo a tragédia toma conta do ambiente quando uma série de circunstâncias ocasiona no derrubamento da torre &#8211; mas isso em uma visão de Iris. Temendo o pior após conseguir visualizar o acidente antes dele acontecer, Iris consegue alertar as pessoas que estavam no local e, no processo, salva suas vidas. Mas isso ganha repercussões inimagináveis quando a morte passa a ir atrás não só de cada uma delas, mas também de suas famílias, já que as suas respectivas árvores genealógicas nunca deveriam ter existido em primeiro lugar.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A sequência inicial envolvendo o acidente e a premonição de Iris é um dos pontos altos do filme. A ambientação dos anos 60 é criativa e a caracterização dos personagens traz muito charme para a sequência. Tudo, desde os figurinos até a trilha sonora, trabalha em harmonia para causar uma imersão de atmosfera que amplifica o suspense e investimento em torno daqueles primeiros minutos iniciais do longa. O corte pro futuro, focado na família de Iris parece quase que precoce, mas acaba funcionando narrativamente.&nbsp;</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Isso porque as novas regras em torno do mecanismo da morte preenchem <em>Premonição 6</em> com muita personalidade. Além do contexto das vítimas da vez, serem uma família, uma mudança de dinâmica muito bem vinda e que rende viradas de narrativa de excelente construção, o filme ainda possui um humor afiado, se divertindo com a fórmula dos filmes e os estereótipos em torno do <em>lore </em>da franquia de uma forma que nenhum outro capítulo da franquia ousou. O <em>fanservice </em>também não é gratuito ou barato, muito pelo contrário. A participação do ator Tony Todd, que faleceu após as gravações do projeto, por exemplo, é extremamente delicada e incorporada com muita criatividade. Nunca antes, Premonição foi tão auto consciente sobre as suas qualidades e os seus absurdos. </p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Mas nem tudo são flores. O maior problema do filme incomoda e está atrelado a um aspecto técnico em particular, onde a produção peca em excesso. Os efeitos visuais são medíocres, em sua grande parte, e prejudicam o impacto de diversas sequências, que poderiam ser mais eficientes se tivessem sido aliadas a efeitos práticos que transmitissem visuais mais grotescos em textura. O espetáculo de CGI, presente nos últimos minutos do terceiro ato, por exemplo, enfraquece o produto final de forma significante.&nbsp;</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">E por falar no final, o filme não consegue acertar totalmente o tom do seu 3º ato. Depois de uma sequência excelente em um hospital, com direito a uma morte envolvendo uma máquina de ressonância que já figura entre as melhores da franquia, as coisas aceleram de um modo agressivo e partem em rumo de uma resolução que não convence totalmente na sua construção. Além de morna em conflito, a reta final do filme é bastante previsível, o que é uma pena, principalmente quando levamos em consideração o frescor apresentado pela narrativa durante os seus dois primeiros atos.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">No geral, apesar de <em>Premonição 6</em> ficar devendo em termos de consistência, o saldo ainda é positivo graças a diversos momentos de criatividade que justificam a existência desse 6º capítulo da franquia, como um todo. É sempre bom ver um novo projeto de uma mídia já existente não se sustentando apenas no conceito da nostalgia para se vender e se os envolvidos em torno da produção desses projetos continuarem inspirados, que venham mais instalações.</p></p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/premonicao-6-lacos-de-sangue/">Premonição 6: Laços de Sangue</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
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		<title>Pecadores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Biancheti]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Apr 2025 18:57:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Com uma narrativa focada em um grupo marginalizado preso entre a ameaça e a tentação da liberdade, “Pecadores” é um terror épico e feroz</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Em <em>Pecadores</em>, o ano é 1932 e os gêmeos Smoke e Stack (Michael B. Jordan) estão de volta ao Mississippi após passarem quase uma década em Chicago. Com uma quantia alta de dinheiro em suas mãos após participarem de uma série de golpes, os irmãos retornam para a terra natal com o objetivo de abrir um salão de <em>blues</em>, estilo musical que é a grande paixão de seu primo mais novo, Sammy, um jovem músico de relação conturbada com seu pai, o padre da pequena cidade onde moram. O que de início parece ser uma oportunidade para se sentirem seguros e confortáveis em um ambiente comandado por eles e frequentado majoritariamente por pessoas pretas, acaba se tornando um farol para convidados inoportunos quando o dia se põe e a noite ganha vida.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Se o final do primeiro parágrafo te fez pensar em vampiros, é porque eles são a ameaça principal do filme. E a história introduz esse elemento de seu universo por meio de um folclore fascinante que conecta o misticismo a potência espiritual da arte. As criaturas não são necessariamente assustadoras ou retratadas de uma maneira inovadora, mas possuem uma força veemente no modo como se portam a fim de conquistar seu objetivo. Elas são entidades manipuladoras irredutíveis que utilizam de relações pré-estabelecidas, convenções sociais e a segregação racial do período histórico em que o filme se passa como método de abordagem e conquista. E o grupo que acompanhamos lutando por sobrevivência durante esse fatídico encontro é um grande motivo pelo qual <em>Pecadores</em> funciona tão bem.</p>
</p>
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				A Odisseia			</a>
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			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Michael B. Jordan está excelente em um papel duplo que ele interpreta com dinamismo. Ao mesmo tempo, em que o ator consegue exibir as semelhanças que tornam os gêmeos tão próximos em parceria, ele sabe traduzir os seus pontos de diferença com a mesma eficiência, seja em divergências de maturidade ou opinião. O elenco de apoio também brilha, com todos os personagens sendo introduzidos de forma satisfatória e defendidos pelos seus respectivos atores com uma convicção louvável, como observado através dos desempenhos de <a href="https://ocinemae.com.br/hailee-steinfeld/"><strong>Hailee Steinfield</strong></a> e Wumni Mosaku. Mas o grande destaque do filme é Miles Caton. O novato, que assume o papel de maior carga emocional do filme no seu primeiro trabalho como ator, dá vida a Sammy com uma gana palpável, tanto em seus momentos mais introspectivos quanto nas instâncias em que ele se comunica por meio de canções.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">As sequências musicais de<em> Pecadores</em>, inclusive, rendem diversas cenas de imersividade profunda &#8211; com o momento em que Sammy abraça o <em>blues </em>com tamanha paixão ao ponto de romper o tempo e espaço sendo o grande destaque entre elas. A energia inserida na construção dessa virada é transcendente em movimentação e digna de causar arrepios. Um exemplo afiado da potência e originalidade de Ryan Coogler como diretor. Mas ela não é o único momento musical de tirar o fôlego. Muito pelo contrário, a trilha sonora de Ludwig Göransson é tão rica em sua composição de progressão e arranjos, que ela quase soa como uma espécie de religião, onde a dor e alegria encontram uma brecha de escapismo no som de uma melodia pulsante.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">E mesmo que o projeto sofra com uma inconsistência referente a certas decisões de montagem e alguns momentos onde os efeitos especiais não convencem em capacidade máxima, a relevância desses pequenos deslizes desaparece, quase que por completa, perto de seus inúmeros acertos, onde também vale a pena ressaltar o meticuloso trabalho de figurino e ambientação do longa. Quando os créditos sobem, o veredito é simples.<em> Pecadores</em> é uma experiência cinemática imperdível que nunca perde foco de seu potencial como fonte de entretenimento, mas que alcança novas alturas ao explorar as dificuldades de preservar a sua posição no mundo quando se é negado um lugar ao sol.</p></p>
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