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	<title>Ramon Guilherme Gomes, Autor em O Cinema É</title>
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	<description>Crítica, notícias e trailers sobre filmes e seriados</description>
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	<title>Ramon Guilherme Gomes, Autor em O Cinema É</title>
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		<title>The Moment</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ramon Guilherme Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Mar 2026 14:51:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Estrelando Charlie XCX num falso documentário, the Moment retrata uma morte ácida, honesta e metafórico para a era brat </p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/the-moment/">The Moment</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>The Moment</em> é um filme que não surgiu da noite para o dia. Se você esteve por dentro da cena pop musical dos últimos anos, é muito possível que ao menos tenha ouvido falar de <em>brat</em>, álbum de sucesso da cantora britânica <a href="https://ocinemae.com.br/charli-xcx/" id="32457"><strong>Charli XCX</strong></a>. Durante meses, só se falava sobre sua estética única, marcada pelo vibrante verde-limão, além de grandes hits como <em>Apple</em>, <em>365</em> e <em>Girl, It’s So Confusing</em>, bem como as colaborações com grandes artistas como Billie Eilish e Lorde. <em>brat</em> chegou a ser eleita a palavra do ano em 2024 pelo dicionário Collins, tornando-se um fenômeno mundo afora e consolidando de vez a cantora como uma das celebridades mais influentes daquele ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o ciclo do álbum se encerrando após turnês, remixes e diversas ações de marketing, a cantora lança o filme <em>The Moment</em>, em parceria com a A24, marcando a estreia de Aidan Zamiri na direção de um longa-metragem. Em formato de <em>mockumentary</em> (ou falso documentário), a cantora e o diretor brincam com realidade e ficção para apontar críticas ácidas ao modelo de mercado da indústria musical mainstream.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na trama, acompanhamos Charli XCX durante o verão de 2024, enquanto enfrenta as pressões da fama e as exigências da indústria musical após o sucesso de seu último álbum, <em>brat</em>. A cantora satiriza os bastidores do estouro repentino vivido nesse momento de sua carreira enquanto se prepara para sua primeira turnê em arenas. Como uma estrela em ascensão, Charli precisa lidar com as ocorrências e complexidades dessa nova fase profissional, enfrentando perguntas existenciais sobre arte e identidade com um humor afiado.</p>


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			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/a-odisseia/" >
				A Odisseia			</a>
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			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A abertura do filme é eficaz ao contextualizar o fenômeno <em>brat</em> por meio de uma montagem acelerada de imagens de arquivo sobre a repercussão do álbum e a ascensão de Charli ao estrelato. Tudo isso ao som de <em>365</em> e acompanhado de transições estilosas que seguem a identidade visual já consolidada do disco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A versão de Charli XCX apresentada no longa busca quebrar um pouco o mito criado em torno da cantora. Apesar de singles que remetem ao uso de drogas, festas intermináveis e à vida noturna, a Charli protagonista de <em>The Moment</em> surge muito mais sóbria e autoirônica. A narrativa reconhece cada estigma criado ao redor de sua protagonista e os satiriza em diversos momentos, como por exemplo em um diálogo com um motorista que não a reconhece e decide assistir a um dos clipes do início de sua carreira enquanto faz diversos comentários. Destaque para o timing cômico da cantora, evidenciado nas diversas situações desconfortáveis de seu cotidiano e em sua impulsividade tanto nas ações quanto nas falas. Há também espaço para cenas que flertam com o melodrama, especialmente nos momentos de crise e isolamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O núcleo da equipe que trabalha com Charli cumpre bem o papel a que se propõe. Os personagens servem para representar o peso dos processos necessários para consolidar uma figura artística de grande alcance, transitando entre as frágeis relações entre trabalho e amizade. Há ainda espaço para participações especiais divertidas, como a da atriz <strong><a href="https://ocinemae.com.br/rachel-sennott/" id="32461">Rachel Sennott</a>,</strong> ao qual já havia participado do clipe de <em>360</em> e protagoniza uma cena hilária em um banheiro de festa, além da incluencer Kylie Jenner, que surge como uma espécie de mentora inesperada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A figura do antagonista da trama se concentra no personagem Johannes (Alexander Skarsgård), um dos grandes destaques do longa. Ele é um diretor contratado para comandar os shows da nova fase da turnê de Charli. Johannes se mostra cordial em suas primeiras aparições e é apresentado como um cineasta competente, aparentemente o nome ideal para materializar as ideias propostas pela cantora. Aos poucos, porém, os embates criativos começam a surgir, gerando situações comicamente constrangedoras. Gradualmente, Johannes passa a consumir tanto a energia e o psicológico de Charli quanto as características que tornaram <em>brat</em> tão aclamado, descaracterizando a artista por completo. Sua figura sintetiza bem o efeito da indústria sobre a originalidade de artistas emergentes no universo do showbusiness.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em muitos momentos, o filme consegue construir críticas interessantes a respeito de como a indústria busca extrair até a última gota de potencial comercial de uma marca de sucesso. Talvez as melhores piadas do longa estejam relacionadas ao <em>brat card</em>, um cartão de crédito fictício ligado ao álbum de Charli e que se torna peça fundamental para o desenrolar da trama.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, <em>The Moment</em> apresenta algumas fragilidades e inconsistências em sua proposta de linguagem. Em uma das primeiras cenas do falso documentário, o filme utiliza a metalinguagem ao assumir a presença de uma equipe de filmagem acompanhando Charli XCX nesses bastidores. No entanto, essa ideia é logo ignorada em seus próximos seguimentos. A narrativa passa então a alternar entre momentos com câmera na mão, que simulam a gravação de um documentário de bastidores, e cenas que se aproximam mais da estética de uma ficção convencional, com acontecimentos que parecem ignorar completamente a existência dessa equipe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora brinque com a ideia de uma falsa realidade, chegando até a citar outro <em>mockumentary</em>, <em>Ainda Estou Aqui</em> (não confundir com o nosso aclamando filme brasileiro), de 2008 e protagonizado por<strong> <a href="https://ocinemae.com.br/joaquin-phoenix/" id="26304">Joaquin Phoenix</a></strong> em uma bizarra odisseia do ator pelo mundo do hip-hop, <em>The Moment</em> encontra dificuldades em consolidar sua própria identidade narrativa, algo que o filme citado consegue realizar com mais segurança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com um delicioso final carregado de ironia, <em>The Moment</em> acaba sendo o encerramento perfeito para a era <em>brat</em>. Ao utilizar a metalinguagem e não ter medo de autoironizar sua própria essência, o longa desconstrói a figura de Charli XCX para apontar críticas ácidas à indústria do entretenimento, transitando entre o cômico e o trágico. O filme funciona tanto para os fãs mais entusiasmados quanto para aqueles que ainda estão conhecendo esse fenômeno da música pop. Por meio desse longa, Charli XCX consegue ao mesmo tempo desconstruir e consagrar de vez a mística em torno de sua, até então, maior criação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Brat Summer Forever.</em></strong></p>
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		<title>Sirāt</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ramon Guilherme Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Mar 2026 18:06:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sirāt apresenta uma jornada angustiante e devastadora, onde uma fagulha de esperança luta para não ser soterrada pela areia, poeira e música</p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/sirat/">Sirāt</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">Pelo menos nas últimas semanas, uma enxurrada de brasileiros que até então não conheciam o cineasta franco-espanhol <a href="https://ocinemae.com.br/oliver-laxe/" id="32387">Oliver Laxe</a> passaram a comentar intensamente sobre seu nome e sua mais recente obra, <em>Sirāt</em>. Porém, não de forma muito receptiva. O principal motivo foi uma declaração polêmica do diretor sobre a euforia do público brasileiro com seus representantes em premiações internacionais. Polêmicas à parte (ainda que seja difícil não torcer o nariz para o comentário do cineasta), seu longa-metragem mais recente tem se mostrado um dos grandes filmes de 2025. Destaque no Festival de Cannes, onde levou o Prêmio do Júri, o filme ainda conquistou duas indicações ao <a href="https://ocinemae.com.br/tag-t/oscar/" id="7465">Oscar</a>, nas categorias de Melhor Filme Internacional e Melhor Som.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Na trama, acompanhamos a jornada de Luis (Sergi López) e seu filho Esteban (Bruno Núñez) pelo sul do Marrocos, em busca de uma festa rave no meio das áridas montanhas do deserto, onde possivelmente estaria Marina, filha e irmã desaparecida há meses. Em uma dessas buscas, pai e filho decidem seguir um grupo que também procura por uma última festa que acontecerá em meio ao deserto.</p>
</p>
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			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/a-odisseia/" >
				A Odisseia			</a>
		</span>
				<div class="elementor-post__excerpt">
			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O filme abre com um letreiro que diz <em>&#8220;Existe uma ponte chamada Sirât que liga o Inferno ao Paraíso. Aqueles que a atravessam são avisados ​​de que sua passagem é mais estreita que um fio de cabelo, mais afiada que uma espada.&#8221; </em>Esse aviso inicial sintetiza a jornada que seus protagonistas enfrentarão. </p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Desde a cena de abertura, na qual são montados os equipamentos de som de uma dessas raves, somos imersos nesse universo particular onde as areias são soberanas. A música é um elemento sensorial marcante e constante ao longo das duas horas de filme, contrastando os momentos de prazer dos personagens com uma angústia permanente, alimentada por um mau pressentimento. Embora assuma traços de um <em>road movie</em>, a montagem de <em>Sirāt</em> é enigmática e imprevisível, tornando incerto o rumo que os acontecimentos tomarão durante a jornada dessa peculiar trupe.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A dupla central, Luis e Esteban, é cativante desde os primeiros minutos. Há muito afeto e apoio mútuo entre pai e filho, que ainda contam com a companhia do cachorro Pipa. Apesar da melancolia que envolve a busca por Marina, a esperança funciona como guia, tornando impossível não se colocar no lugar deles, seja na posição da figura paterna, seja na do filho caçula. Ambos enfrentam um ambiente estranho e hostil, onde precisam alternar e compartilhar o papel de pilar emocional diante de uma missão incerta.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Além dos protagonistas, acompanhamos o grupo alternativo de festeiros que também busca a rave no deserto, formado por Steff (Stefania Gadda), Josh (Joshua Liam Henderson), Bigui (Richard “Bigui” Bellamy), Tonin (Tonin Janvier) e Jade (Jade Oukid). O grupo excêntrico inicialmente parece indiferente à condição de Luis e Esteban, mas, ao longo da jornada, cria-se um elo entre eles. Costumes são compartilhados, e surge uma relação de irmandade e companheirismo que humaniza ainda mais a travessia.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">À medida que essas relações se consolidam e a ansiedade cresce desde os primeiros momentos, o diretor constrói com precisão o tempo necessário para surpreender a audiência. Há o flerte constante com a sugestão de uma tragédia iminente, mas as decisões narrativas, tanto no que mostrar quanto no que omitir, transformam gradualmente a esperança em um peso sufocante. É difícil dizer se o filme vale uma segunda assistida, não por sua qualidade mas pela dificuldade de digerir as emoções propostas em tela.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em <em>Sirāt</em>, as estradas são tortuosas e, ao longo do percurso, é possível sentir o desgaste físico e emocional do grupo que acompanhamos. O ritmo alterna entre sequências angustiantes, longos trechos de estrada de terra e pequenos respiros quando os personagens estacionam para passar a noite. São nesses momentos de pausa que os laços se fortalecem, vulnerabilidades vêm à tona e o apego a esse núcleo cresce. </p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Ao final, <em>Sirāt</em> é um daqueles filmes que não sairão facilmente da memória do espectador. É marcante como uma <em>bad trip</em> em uma festa agitada que logo se torna um pesadelo sonoro em meio ao deserto e a experiencia sonora. Entre prazeres, estases e desesperos, é um dos filmes com as melhores propostas de experiências únicas para se ter em uma sala de cinema.</p></p>
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		<title>Arco &#124; Crítica 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ramon Guilherme Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Mar 2026 21:04:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Arco, animação francesa indicada ao Oscar de Melhor Animação, emociona com uma história sensível sobre amizade, futuro e amadurecimento</p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/arco-critica-2/">Arco | Crítica 2</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">A animação francesa <em>Arco</em>, dirigida por Ugo Bienvenu e Gilles Cazaux, é um daqueles casos intrigantes  e, felizmente, cada vez mais frequentes, de produções independentes que resgatam o melhor da linguagem da animação para impactar o público. A exemplo de <em>Flow </em>(2025), o filme foge das fórmulas engessadas dos grandes estúdios, que vêm perdendo parte de sua magia a cada novo lançamento. Feito inteiramente em 2D, com cenários detalhados, cores vibrantes e uma comovente história sobre amizade e amadurecimento, o longa surge como um forte candidato ao <a href="https://ocinemae.com.br/tag-t/oscar/" id="7465">Oscar</a> de Melhor Animação de 2026.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Na trama, acompanhamos Arco (Oscar Tresanini), um menino de 10 anos que vive no ano de 2932 e que, acidentalmente, viaja de volta no tempo para 2075 através de um arco-íris. . Lá, ele conhece a jovem Iris (Margot Ringard Oldra) que o acolhe e fará de tudo para ajudar Arco a voltar para seu tempo. Enquanto o laço entre os dois cresce, Arco descobre mais sobre a era de Iris, um tempo no qual os humanos dependem de androides para viver e precisam morar em redomas que os protegem dos climas extremos.</p>
</p>
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			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/a-odisseia/" >
				A Odisseia			</a>
		</span>
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			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Um dos primeiros destaques do filme está na construção de mundo. Ambientado em dois futuros distintos, o longa explora conceitos opostos: uma distopia ambiental no ano de 2075, marcada por incêndios frequentes, cúpulas protetoras e robôs integrados à rotina humana; e uma utopia de cores vibrantes acima das nuvens em 2932. O pessimismo e o otimismo futuristas se entrelaçam ao longo da narrativa, embora sirvam principalmente como pano de fundo para a jornada emocional de Arco e Iris.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O coração do filme, não poderia ser outro além da relação entre os dois protagonistas. Como seus nomes sugerem, Arco e Iris são complementares. Em alguns momentos, a estrutura narrativa remete ao clássico <em>ET – O Extraterrestre</em>: uma figura misteriosa que cai do céu, desenvolve uma forte amizade com uma criança e inicia uma jornada para retornar para casa, enfrentando antagonistas institucionais pelo caminho.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A chegada de Arco à vida de Iris colore sua rotina com novas possibilidades. Solitária em seu cotidiano e carente do afeto dos pais, que estão constantemente ausentes por conta do trabalho, ela encontra no novo amigo uma relação genuína de troca. A curiosidade mútua, seja sobre o futuro de Arco ou o presente de Iris, constrói rapidamente um elo cativante entre os personagens. Há também um simbolismo interessante envolvendo a formação dos arco-íris, o traje de Arco e seu processo de aprendizado para voar. Mais do que se completarem, os dois crescem juntos ao longo da história, compartilhando um desenvolvimento sensível e bonito.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, o círculo de Iris não é completamente vazio. Dois personagens ganham destaque nesse núcleo. O primeiro, que assume uma improvável figura de mentor e guardião de Irís, é o robô Mikki (Alma Jodorowsky / Swann Arlaud). Na ausência dos pais de Irís, que possuem poucas cenas na forma de hologramas enquanto estão distantes (que inclusive, os dubladores dividem suas vozes entre os pais de Irís e Mikki), o robô assume essa figura de proteção e cuidado. É curioso que entre as figuras adultas, Mikki talvez seja o mais humano, arriscando sua “vida” pelos cuidados de Irís e de seu irmão. Uma das cenas mais comoventes e simbólicas do longa é protagonizada pelo androide por volta do seguimento final do longa.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O segundo é Clifford (Nathanaël Perrot), amigo leal de Iris. O jovem corajoso a acompanha na rotina entre a vizinhança e a escola, mas logo é envolvido na missão de ajudar Arco a voltar para casa e possui ao menos uma grande cena de destaque.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Já os antagonistas da primeira metade do filme, sendo eles os irmãos Dougie (Vincent Macaigne), Stewie (Louis Garrel) e Frankie (William Lebghil), são responsáveis por alguns dos momentos mais divertidos da narrativa. A dinâmica entre os três, marcada por investigações improvisadas, discussões e trapalhadas, rende sequências cômicas bastante eficazes. O antagonismo aqui está longe de ser maniqueísta ou puramente maléfico: a curiosidade dos irmãos em torno da mitologia que envolve o surgimento de Arco e seus arco-íris dialoga, de certa forma, com a própria fascinação de Iris pelo novo amigo. Há pelo menos duas perseguições destaques em que o humor físico e e as discussões acaloradas elevam o tom cômico sem comprometer o senso de urgência.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Ao final, <em>Arco </em>acaba remetendo a uma estrutura familiar em nosso imaginário, principalmente pela sua narrativa base que remete a algumas estruturas de clássicos sobre amizades na infância e amadurecimento. O grande trunfo do filme está em sua construção de universo, simbolismos em uma animação que rema contra a maré. Perfeitamente cadenciado entre humor e momentos mais comoventes além de cenas de destaque entre cada personagem apresentado, <em>Arco </em>demonstra ser um verdadeiro tesouro entre as animações dos últimos anos.</p></p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/arco-critica-2/">Arco | Crítica 2</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
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		<title>Twin Peaks (3ª Temporada)</title>
		<link>https://ocinemae.com.br/critica_de_seriado/twin-peaks-3a-temporada/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ramon Guilherme Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Feb 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Após 25 anos de expectativa e anseio, a terceira temporada de Twin Peaks nega o caminho simples da nostalgia para entregar uma das melhores experiências televisivas</p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_seriado/twin-peaks-3a-temporada/">Twin Peaks (3ª Temporada)</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>“Irei te ver novamente em 25 anos.”</em> A frase dita por Laura Palmer (<a href="https://ocinemae.com.br/sheryl-lee/"><strong>Sheryl Lee</strong></a>) no 22º episódio da segunda temporada de <em>Twin Peaks</em>, lançado em 1991, parecia surreal dentro do contexto da época. Em meio a conflitos entre os criadores <a href="https://ocinemae.com.br/david-lynch/"><strong>David Lynch</strong></a> e Mark Frost e o canal ABC, Lynch entregou um final de temporada extremamente surrealista, muito distante do que a trama, até então focada no embate entre o agente Dale Cooper (<a href="https://ocinemae.com.br/kyle-maclachlan/"><strong>Kyle MacLachla</strong>n</a>) e Windom Earle (Kenneth Welsh), estava caminhando. O sombrio cliffhanger, com Cooper preso na dimensão do Black Lodge, somado ao posterior cancelamento da série, deixou uma enorme dúvida na mente dos fãs.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Duas décadas e meia depois, e com o cultuado filme <em><a href="https://ocinemae.com.br/classico/twin-peaks-fire-walk-with-me/"><strong>Fire Walk With Me</strong></a></em> (visto como uma espécie de prequel), contrariando até mesmos os fãs mais otimistas, <em>Twin Peaks</em> ressurgiu em 2017 com uma temporada em 18 episódios produzida pela Showtime. A frase de Laura no episódio final acabou sendo ressignificada agora como uma promessa, tanto para os personagens quanto para o público. Essa mesma cena abre a série, que por quase 18 horas, apresenta uma mudança clara de estética e estilo de narrativa, sem deixar de lado a aura e o encanto do universo de <em>Twin Peaks</em>.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Na trama, 25 anos após os eventos da segunda temporada, acompanhamos o agente Dale Cooper ainda preso no Black Lodge, enquanto forças sobrenaturais voltam a se manifestar em Twin Peaks. Em paralelo, seu doppelgänger maligno, conhecido como Mr. C, espalha uma onda de caos e violência.</p>
</p>
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				<a class="elementor-post__thumbnail__link" href="https://ocinemae.com.br/critica_de_seriado/house-of-the-dragon-4/" tabindex="-1" >
			<div class="elementor-post__thumbnail"><img decoding="async" width="768" height="384" src="https://i0.wp.com/ocinemae.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Corpo-do-post-800-x-400-65.png?fit=768%2C384&amp;ssl=1" class="attachment-medium_large size-medium_large wp-image-36462" alt="House Of The Dragon" srcset="https://i0.wp.com/ocinemae.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Corpo-do-post-800-x-400-65.png?w=800&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/ocinemae.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Corpo-do-post-800-x-400-65.png?resize=300%2C150&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/ocinemae.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Corpo-do-post-800-x-400-65.png?resize=768%2C384&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /></div>
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				<h3 class="elementor-post__title">
			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_seriado/house-of-the-dragon-4/" >
				House Of The Dragon  | Temporada 3 – Episódio 4			</a>
		</h3>
				<div class="elementor-post__excerpt">
			<p>Em House Of The Dragon, a guerra continua avançando, mas esse quarto episódio da terceira temporada dá uma bela desacelerada e fica um pouco abaixo</p>
		</div>
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				</article>
				</div>
		
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Diferente das temporadas anteriores, que misturavam mistério, surrealismo, melodrama e tons de novela, este retorno desconstrói esses elementos. O ritmo é mais lento em boa parte dos episódios, enquanto a montagem intercala diversos núcleos, entre rostos familiares e novos personagens. A experiência proposta é de redescobrir o cotidiano: seria o tempo suficiente para restabelecer uma suposta normalidade?</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Temas recorrentes da filmografia de Lynch estão ainda mais presentes e expandidos aqui, como o horror oculto sob a superfície da normalidade estadunidense e a ambígua relação entre realidade e sonho. Há uma dança entre horror e beleza nesse incomodo cotidiano que não se restringe mais a pequena cidade de Twin Peaks, nem ao período temporal do assassinato de Laura Palmer.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em comparação com a segunda temporada, O Retorno ignora boa parte das tramas cômicas e novelescas, optando por um mergulho profundo no lado sombrio do universo da série sobretudo no que tange ao Black Lodge e seus mistérios. O humor ainda está presente, mas o desconforto e a sensação de um perigo iminente permeiam cada episódio.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Indo na contramão do que acabaria se tornando uma tendência nos <em>reebots</em> e continuações do cinema na tv, a série cria uma nova relação com a nostalgia, muitas vezes buscando negar, ou então por segurar um momento até que se crie um impacto emocional maior. Os temas clássicos de Angelo Badalamenti são raramente utilizados em comparação com as temporadas anteriores, trazendo um silêncio desconfortável. Nas raras vezes em que as trilhas clássicas são invocadas em cenas chave, como a de Bobby Brings (Dana Ashbrook) na delegacia no terceiro episódio ou a de Cooper no hospital, o impacto sentimental torna-se maior.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Apesar de resistir à nostalgia direta, Lynch expande o universo da série ao incorporar novas referências culturais e musicais. A maioria dos episódios termina com uma apresentação musical no Bang Bang Bar, com artistas como <em>Chromatics</em>, <em>Au Revoir Simone</em>,<em> Rebekah Del Rio</em>, <em>Nine Inch Nails</em> e até <em>Eddie Vedder</em>, ampliando a atmosfera da série para além de suas origens.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O maior destaque da série não poderia ser outro se não Kyle MacLachlan. Interpretando múltiplas versões de seu personagem como Dale Cooper, Mr. C, Dougie Jones, entre outros, ele explora &nbsp;uma impressionante versatilidade, transitando desde o amável e bondoso ao mais frio e ameaçador passando pelo “neutro” e ingênuo.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Outro núcleo de destaque é o do FBI, com o retorno de David Lynch como Gordon Cole e Miguel Ferrer como Albert Rosenfield, além da entrada de Diane Evans (<a href="https://ocinemae.com.br/laura-dern/">Laura Dern</a>)  personagem antes apenas mencionada nas gravações de Cooper e que se torna um grande pilar da série. Entre os novos nomes no elenco temos ainda Michael Cera, Tim Roth, Robert Forster, Naomi Watts, entre outros.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Um outro grande destaque desta temporada está em especial no aclamado episódio 8. Sendo esse talvez o mais surrealista e abstrato dentre todos os episódios da série, a experiência é marcante desde os primeiros minutos, ao explorar de forma lírica as origens do assassino Bob (Frank Silva) e levantar reflexões sobre o simbolismo de Laura Palmer neste universo tão sombrio.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A conclusão da terceira temporada<em> de Twin Peaks</em> me invoca uma das passagens mais marcantes que pode ser visto como uma outra promessa da série. A frase dita em <em>Twin Peaks: The Missing Pieces</em> <em>(David Lycnh, 2014)</em> “Os Anjos retornarão, e quando você ver aquele que irá te salvar, você irá chorar de alegria”. Além de impactar o final de <em>Fire Walk With Me</em>, essa passagem resgata como a consolidação da figura de Cooper e Laura em arquétipos de uma tragédia grega.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em 2019 a revista <a href="https://www.indiewire.com/features/general/twin-peaks-the-return-cahiers-du-cinema-best-film-decade-1202194901/"><strong>Cahiers du Cinéma considerou Twin Peaks: The Return como o melhor filme da década</strong>.</a>Desde seu lançamento a série buscou romper as barreiras entre o cinema e a TV, trazendo uma experiência até então inédita para os espectadores que acompanharam por meses os mistérios sobre quem matou Laura Palmer. Quase quatro décadas depois, os enigmas dessa pequena cidade fictícia no noroeste dos Estados Unidos ainda ecoam entre diferentes gerações, desde os que acompanharam a série em seu lançamento aos novos espectadores.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Embora haja um sentimento de luto pelo falecimento de David Lynch no início de 2025 e pelas notícias de que ele desejava retornar para uma quarta temporada, Twin Peaks parece se completar em sua própria dúvida. Ao não oferecer uma conclusão objetiva, mas ao renovar sua essência, seu mistério e seu vínculo emocional com o público, a série encontra sua plenitude e se reinventa a cada revisita. De uma forma ou de outra, no final Laura Palmer e David Lycnh vivem. </p></p>
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		<title>How to Shoot a Ghost</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ramon Guilherme Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Oct 2025 11:43:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em How To Shoot a Ghost Charlie Kaufman busca escapar da melancolia enquanto explora angustias, belezas e contradições na ótica do pós vida</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">“Em algum momento da vida, a beleza do mundo se torna suficiente. Você não precisa fotografar, pintar ou mesmo se lembrar dela. Ela é suficiente.”Essa citação da escritora <em>Toni Morrison</em> abre o novo curta-metragem de <a href="https://ocinemae.com.br/charlie-kaufman/"><strong>Charlie Kaufman</strong></a>, <em>How to Shoot a Ghost</em> e sintetiza sua proposta: refletir sobre a beleza efêmera do mundo, suas contradições e o desapego à memória.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O filme marca mais uma parceria com duas figuras presentes em seus projetos recentes: a poeta e roteirista Eva H.D., que também escreveu o curta <em>Jackals &amp; Fireflies (2022)</em>, e a atriz <a href="https://ocinemae.com.br/jessie-buckley/"><strong>Jessie Buckle</strong>y</a>, protagonista de <em>Estou Pensando em Acabar com Tudo (2020)</em>. O ator libanês Josef Akiki completa o elenco.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Na trama, dois jovens recém-falecidos se encontram nas ruas de Atenas, na Grécia. Lá, perambulam entre a pulsação da cidade e os fantasmas da história. Ele é tradutor; ela, fotógrafa — ambos se sentiam excluídos quando eram vivos. Na morte, enfrentam os resquícios de seus anseios e erros. Juntos, percorrem a cidade, encontrando conforto na estranha beleza da existência e no que permanece após ela.</p>
</p>
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				<h3 class="elementor-post__title">
			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/a-odisseia/" >
				A Odisseia			</a>
		</h3>
				<div class="elementor-post__excerpt">
			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
		</div>
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						</div>
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				</div>
		
</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em seus quase 30 minutos de duração, <em>How To Shoot a Ghost</em> flerta com a ideia de uma narrativa à la &#8216;Trilogia Before&#8217;, de Richard Linklater, na qual os personagens se conhecem enquanto exploram uma bela cidade. No entanto, o curta-metragem opta por uma estrutura fragmentada, conduzida pela narração em formato de poesia de Eva H.D. Entre flashbacks dos últimos momentos em vida dos protagonistas, reflexões críticas sobre a questão imigratória e uma busca incessante por preenchimento interno dos protagonistas se alternam durante o filme.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">É interessante observar a construção imagética de uma obra de Kaufman afastada do roteiro, como ficou conhecido em sua carreira, mas ainda assim dotada de forte unidade estilística. Há uma mescla de belas imagens entre desfoques e baixa profundidade de campo, efeitos de vitrais e distorções angulares de câmera, criando um tom onírico e fantástico. Ao mesmo tempo, o filme incorpora imagens de arquivo, fotografias analógicas e registros em câmeras de baixa definição, estabelecendo um diálogo com o factual e com a própria construção da memória, tudo filmado na proporção 4:3. O resultado é um filme que ora capricha em um visual encantador, ora capta as imperfeições do mundo, sem deixar de lado a busca de beleza nos registros sinceros e espontâneos do olhar da personagem de Buckley.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Entre a dupla de protagonistas, o personagem de Josef Akiki talvez seja aquele com mais nuances. Seu arco envolvendo uma ligação com o mar, preconceitos sofridos na cidade (que não ficam claros se são por orientação sexual, pela condição imigratória ou uma junção de ambos) e o apego familiar, o torna refém do plano material. Mesmo contido, sente-se o peso dos fardos carregados durante a vida, que o seguem após a morte.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Já a personagem de Buckley cativa o espectador de forma mais direta, seja por sua caracterização (com os cabelos azuis vibrantes), seja pelos contrastes entre registrar memórias com sua câmera Polaroid e o ato de queimar as fotografias. Em poucos minutos, observamos múltiplas facetas da personagem: raiva, melancolia, fuga dos problemas e uma admiração genuína ao contemplar o mundo sob a ótica de um fantasma. Há ainda interações sutis entre a personagem com outros fantasmas da cidade que ampliam o subtexto desse universo do pós-morte.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A questão imigratória permeia a narrativa nas conversas e reflexões dos personagens sobre seus destinos. Mesmo ambientadas em Atenas, as metáforas propostas podem ser encaixadas ao contexto de outros países. O dilema entre a diferença entre turistas e imigrantes refugiados somadas a imagens de arquivo impulsionam ainda mais a crítica.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Entre as obras de Kaufman, talvez esta seja a que mais reflete as angústias exteriores do mundo contemporâneo. Ao não oferecer soluções ou respostas claras, o filme opta por encerrar-se em belas cenas sensoriais, que ecoam a própria experiência da vida.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O que seria a arte senão uma tentativa de diálogo, seja verbal ou sensorial, entre autor e espectador? A cena em que os personagens assistem a si mesmos em uma sala de cinema provoca a sensação de que toda obra artística é também uma tentativa de se observar sob outra perspectiva. Essa talvez seja a maior força do curta: a combinação entre a poesia narrada e o poder imagético dos autores.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Ao final, <em>How To Shoot a Ghost</em> representa uma nova estética de Kaufman, em que seus personagens se relacionam de forma mais direta com o mundo ao redor, sem abrir mão das angústias e contradições interiores. Sua parceria com Eva H.D. parece equilibrar o desconforto de um autor ansioso e neurótico com as ideias abstratas de uma escritora confiante, disposta a provocar e explorar ao máximo o potencial das imagens no subconsciente, seja por meio do cinema, seja pela poesia.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A sensação ao término do curta remete tanto à frase inicial de Toni Morrison sobre a beleza efêmera do mundo quanto à música <em>Perfect Day</em>, de Lou Reed, que encerra os créditos finais. “Acredite ou não, tudo isso é verdade.”</p></p>
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		<title>Mouse Trap: A Diversão Agora é Outra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ramon Guilherme Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Aug 2025 20:45:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aparentemente ousado, Mouse Trap se mostra como um grande desastre ao tentar subverter a imagem do Mickey de forma preguiçosa e amadora</p>
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										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">Passados 96 anos desde sua primeira aparição no curta-metragem <em>Steamboat Willie (Walt Disney e Ub Iwerks, 1928)</em>, a versão original do adorado Mickey Mouse deixou de ser uma propriedade exclusiva da Disney, o qual se tornou seu símbolo máximo, e entrou para o domínio público, trazendo grandes possibilidades para criadores do mundo todo de se utilizarem desse personagem tão icônico em suas narrativas. Seguindo uma certa tendencia marcada pelos bizarros filmes do Ursinho Pooh assassino, <em>Mouse Trap: A Diversão Agora é Outra </em>mescla o gênero do <em>slasher </em>com elementos de filme B para esse mundo. O resultado, porém, é dos mais decepcionantes e esquecíveis.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Na trama, acompanhamos o aniversário de 21 anos de Alex (Sophie McIntosh), que está presa no fliperama em que trabalha, no turno da noite. Seus amigos decidem surpreendê-la, mas um assassino mascarado vestido como o Mickey (Simon Phillips) decide jogar com eles um jogo que ela deve participar para sobreviver. Assim, um a um, os jovens ficam frente a frente com o seu destino, até que é a vez de Alex.</p>
</p>
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			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/a-odisseia/" >
				A Odisseia			</a>
		</span>
				<div class="elementor-post__excerpt">
			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
		</div>
				</div>
				</article>
				</div>
		
						</div>
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				</div>
		
</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A pressa e a corrida pelo marco de ser um dos primeiros projetos fora da Disney a se utilizar de Mickey, subvertendo totalmente a sua imagem, talvez seja a verdadeira armadilha em <em>Mouse Trap</em>. A sensação que passa é que o projeto de filme B de <em>slasher </em>já estava sendo executado, e as pressas foi encaixado uma máscara do personagem no assassino e uma rápida cena de introdução utilizando imagens do curta-metragem original.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O filme se divide em dois núcleos principais, sendo um deles em uma prisão, onde a personagem Rebecca (Mackenzie Mills) é interrogada por dois detetives (Darmir Kovic e Nick Biskupec) sobre os acontecimentos do fliperama. Já o segundo com o foco em Alex e as perseguições do assassino da máscara de Mickey.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O núcleo da prisão é exaustivo, interrompendo a pouca progressão da narrativa. Com uma decupagem simples, diálogos fracos e pouco interesse sobre a figura de Rebecca e dos detetives, esse seguimento poderia ser eliminado do filme que não faria a menor diferença.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O longa de baixo orçamento (cerca de 800 mil dólares) é carregado de erros técnicos, desde sombras do cinegrafista em cena a equipamentos técnicos aparecendo em reflexos, passando por erros de continuidade e quebras de eixo. A decupagem e composição de enquadramentos em nenhum momento passam a tensão tão característico de filmes do gênero. O acumulo de funções concentradas no diretor Jamie Bailey (que também é produtor, operador de câmera e montador do longa-metragem) fazem <em>Mouse Trap: A Diversão Agora é Outra</em> ser falho em tudo em que se propõe.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">As execuções também são um grande problema. Mesmo sendo um filme de curta duração, ele demora para engrenar ao tentar estabelecer os relacionamentos do grupo de amigos de Alex, sobretudo um triângulo amoroso entre a protagonista com o tímido Marcus (Callum Sywyk) e o rebelde Ryan (Bem Harris).&nbsp; O primeiro ataque do assassino mascarado, ocorrendo fora de cena, é decepcionante e nada impactante. O desinteresse pelos personagens é tanto que o espectador de forma sádica deseja ao menos um senso se ameaça com mortes ou situações criativas.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Se por um lado ele está longe de ser levado a sério (desde sua introdução com letreiros de <em>Star Wars</em> e um irônico texto sobre o não envolvimento da Disney no projeto), a narrativa fica em um caminho cinzento, onde não se esforça para causar nem sustos de um filme de terror nem risos involuntários, do tipo “tão ruim que fica bom”. O que sobra aqui é uma grande indiferença, que talvez seja o pior sentimento de se guardar de uma obra.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O assassino é pouco aproveitado também. Sua introdução sobrenatural é estranha abrupta, na medida em que apresenta um poder de teletransporte para auxiliar nas perseguições das vítimas. Há apenas um momento onde ele passa um pouco de carisma ao zombar de Alex após uma das mortes. O assassino possui uma fraqueza um tanto inusitada para desenvolver um embate com os personagens. Porém, a resolução é uma das piores já vistas em filmes de <em>slasher</em>.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>Mouse Trap: A Diversão Agora é Outra</em> é um desperdício de potencial do início ao fim, até mesmo para um filme de baixo orçamento, onde aposta em um único artificio da polemica do uso de Mickey em um terror. É louvável ainda que mesmo com seus inúmeros defeitos, seja aberta essa possibilidade de democratização do uso de personagens icônicos de forma livre e sem interferência de grandes estúdios como a Disney. O que resta aqui é a torcida para que a próxima tentativa de subversão com a figura do Mickey seja melhor sucedida.</p></p>
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		<title>O Estúdio &#124; Temporada 1</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ramon Guilherme Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jun 2025 21:54:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em 'O Estúdio', o espectador é convidado a conhecer os bastidores exagerados de Hollywood, juntando humor e metalinguagem, de forma envolvente.</p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_seriado/o-estudio-temporada-1/">O Estúdio | Temporada 1</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">Já faz alguns anos que o ator, comediante e roteirista <a href="https://ocinemae.com.br/seth-rogen/"><strong>Seth Rogen</strong></a> tem buscado explorar novas possibilidades criativas, seja à frente ou atrás das câmeras em seus projetos. Ao explorar caminhos mais desafiadores, seja no drama, na produção ou mesmo em novas abordagens dentro da comédia, Rogen parece ter encontrado uma nova fase criativa em sua carreira. A consolidação desse momento é a sua mais nova série, <em>O Estúdio</em>, que protagoniza, roteiriza e dirige, ao lado de Evan Goldberg. Na obra, ele une o melhor da atuação com suas vivências pessoais para contar, de forma cômica, os bastidores da indústria cinematográfica em Hollywood.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Na trama, somos apresentados a Matt Remick (Seth Rogen), recém-nomeado chefe da produtora fictícia ‘Continental Studios’. Um autodeclarado cinéfilo, Matt tenta equilibrar os objetivos corporativos da empresa — em um mercado cada vez mais movido por propriedades intelectuais — com seu desejo de produzir filmes de qualidade.</p>
</p>
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				<article class="elementor-post elementor-grid-item post-36458 critica_de_seriado type-critica_de_seriado status-publish has-post-thumbnail hentry categoria-cs-criticas-de-series generos-drama tag-cs-hbo" role="listitem">
				<a class="elementor-post__thumbnail__link" href="https://ocinemae.com.br/critica_de_seriado/house-of-the-dragon-4/" tabindex="-1" >
			<div class="elementor-post__thumbnail"><img decoding="async" width="768" height="384" src="https://i0.wp.com/ocinemae.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Corpo-do-post-800-x-400-65.png?fit=768%2C384&amp;ssl=1" class="attachment-medium_large size-medium_large wp-image-36462" alt="House Of The Dragon" srcset="https://i0.wp.com/ocinemae.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Corpo-do-post-800-x-400-65.png?w=800&amp;ssl=1 800w, https://i0.wp.com/ocinemae.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Corpo-do-post-800-x-400-65.png?resize=300%2C150&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/ocinemae.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Corpo-do-post-800-x-400-65.png?resize=768%2C384&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /></div>
		</a>
				<div class="elementor-post__text">
				<h3 class="elementor-post__title">
			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_seriado/house-of-the-dragon-4/" >
				House Of The Dragon  | Temporada 3 – Episódio 4			</a>
		</h3>
				<div class="elementor-post__excerpt">
			<p>Em House Of The Dragon, a guerra continua avançando, mas esse quarto episódio da terceira temporada dá uma bela desacelerada e fica um pouco abaixo</p>
		</div>
				</div>
				</article>
				</div>
		
						</div>
				</div>
					</div>
				</div>
				</div>
		
</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>O Estúdio</em> conquista o espectador já no brilhante episódio piloto. Com duração média de 30 minutos por capítulo, a série tem um ritmo frenético que lembra ao filme <em><a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/birdman-ou-a-inesperada-virtude-da-ignorancia/"><strong>Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância</strong>)</a></em>. Longos planos-sequência percorrem diferentes ambientes dos estúdios (inclusive em um episódio inteiro filmado dessa forma, enquanto comenta os desafios de se usar essa técnica). O dinamismo da câmera, aliado a diálogos rápidos, mergulha o espectador na rotina caótica e criativa dos bastidores das grandes produções.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O sentimento que fica é que ao entrar neste universo, além de sermos introduzidos aos seus processos, conflitos e particularidades, conhecemos também as suas piadas internas Situações como a tensão em um set com a chegada do diretor da produtora, a adaptação das equipes às exigências de diversidade nas obras, os conflitos de egos ou a gestão de talentos são tratadas com humor e uma pitada de realismo. Mesmo com absurdos e exageros, não é difícil acreditar que esses cenários podem acontecer em grandes estúdios.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Um dos elementos mais interessantes da série é o uso constante da metalinguagem. <em>O Estúdio</em> não apenas fala sobre o fazer cinematográfico, mas o incorpora em sua forma. A série constantemente cita filmes, diretores e atores reais, e brinca com os próprios códigos da linguagem audiovisual. Um ótimo exemplo é o quarto episódio, <em>&#8220;The Missing Reel&#8221;</em>, que simula uma investigação no estilo f<em>ilm noir,</em> com direito a narração em <em>off</em>, luzes contrastadas, e até chapéus e sobretudos típicos do gênero.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A grande estrela de <em>O Estúdio</em> não poderia ser outra além de Matt, o personagem de Rogen.&nbsp;Matt é atrapalhado, carente de validação e dividido entre o desejo de criar obras autorais e a obrigação de manter a Continental lucrativa. O conflito entre o executivo e o cinéfilo em um mesmo personagem oferece um paralelo interessante sobre os dilemas da indústria hollywoodiana.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Outro trunfo de <em>O Estúdio</em> são suas participações especiais. Diversas celebridades interpretam versões exageradas de si mesmas, incluindo Martin Scorsese — responsável por uma das cenas mais engraçadas da série logo no primeiro episódio — além de <a href="https://ocinemae.com.br/zoe-kravitz/"><strong>Zoë Kravitz</strong></a>, <a href="https://ocinemae.com.br/dave-franco/"><strong>Dave Franco</strong></a>, Anthony Mackie, Ice Cube, <a href="https://ocinemae.com.br/zac-efron/"><strong>Zac Efron</strong></a> entre outros.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O oitavo episódio, &#8220;<em>The Golden Globes</em>&#8220;, talvez seja o que mais concentra participações especiais. O elenco fixo também se destaca: Sal Saperstein (Ike Barinholtz), o canastrão produtor e amigo de Matt; Maya Mason (<a href="https://ocinemae.com.br/kathryn-hahn/"><strong>Kathryn Hahn</strong></a>), a energética executiva de marketing; Patty Leigh (Catherine O’Hara), a rancorosa ex-diretora da Continental; e o sempre excelente Bryan Cranston, como o dono do estúdio e chefe de Matt. Cada personagem tem seu momento de destaque na série, além de arcos bem desenvolvidos.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O final da primeira temporada é animador. Encerrando com um episódio duplo e deixando um grande conflito em aberto, a série já foi confirmada para uma segunda temporada, com previsão de estreia para 2026.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>O Estúdio</em> já se consolida como uma das principais séries da Apple TV + e um dos grandes feitos da carreira de Seth Rogen. Com fôlego para continuar, a produção tem potencial para se tornar uma das comédias mais relevantes dos últimos anos. Ao aproximar o espectador dos dilemas da indústria e usar a metalinguagem para rir de si mesma, a série celebra o modelo hollywoodiano ao mesmo tempo que faz uma autocritica aos seus vícios e valores.&nbsp;</p></p>
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		<title>Um Homem Diferente</title>
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					<comments>https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/um-homem-diferente/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ramon Guilherme Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 May 2025 19:55:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Dolorosamente irônico, 'Um Homem Diferente' aborda a identidade e o ego masculino de forma ácida e intrigante</p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/um-homem-diferente/">Um Homem Diferente</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">Um fato curioso sobre o cinema em 2024 foi a forma como algumas narrativas passaram a refletir sobre a autoimagem humana. A maneira como um indivíduo é visto — e, consequentemente, como se enxerga e se posiciona no mundo — não é uma novidade nas histórias contadas ao longo dos séculos. No entanto, a relação da sociedade contemporânea com esse tema tem levantado particularidades únicas, promovendo reflexões e debates interessantes, que também se traduzem nas produções cinematográficas. Mais do que uma discussão sobre autoimagem, <em>Um Homem Diferente</em>, novo filme de Aaron Schimberg, pode ser visto como uma narrativa sobre ego ferido e masculinidade.</p>
</p>
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			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/a-odisseia/" >
				A Odisseia			</a>
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			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Na trama, acompanhamos a história de Edward (<a href="https://ocinemae.com.br/sebastian-stan/"><strong>Sebastian Stan</strong></a>), um aspirante a ator que se submete a um procedimento médico radical para transformar de forma completa e drástica a sua aparência. No entanto, seu novo e tão sonhado rosto se torna a origem de seu maior pesadelo. Por conta da nova fisionomia, Edward perde o papel que parecia ter nascido para interpretar e a mulher por quem estava apaixonado. Assim como seu desejo se concretizou rapidamente, com a mesma velocidade ele volta para assombrá-lo. Desolado e tomado pelo desespero, o protagonista se torna obcecado em recuperar o que foi perdido.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em <em>Um Homem Diferente</em>, a estética e a narrativa de Aaron Schimberg lembram o estilo de Woody Allen em seus melhores anos. A tragédia de Edward e suas ações resultam em momentos cômicos desconfortáveis, mas fascinantes. Um trecho do filme, por exemplo, com um vídeo institucional, beira o absurdo e consegue arrancar gargalhadas aflitas do espectador.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Desde sua cena inicial, <em>Um Homem Diferente</em> apresenta um protagonista passível, sujeito a ser moldado pelos personagens ao seu redor — seja como ator, seja em sua vida pessoal. A decupagem no primeiro ato, sob a perspectiva de Edward, o oprime de forma sutil, seja pelos movimentos de câmera com zooms quase documentais, seja por uma montagem que enfatiza os olhares das pessoas em seu cotidiano — vizinhos, passageiros do metrô — ou ainda pela trilha melancólica com elementos de jazz.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A transformação na aparência de Edward, que ocorre a partir de um irônico acidente doméstico, mistura elementos dramáticos com <em>body horror</em> e humor. Sentimos a dor e a confusão do protagonista, que, a partir do momento em que arranca o próprio rosto com as mãos, passa a carregar uma máscara como única lembrança de seu antigo eu. Com essa metamorfose, Sebastian Stan brilha ao interpretar dois lados de um mesmo homem: da timidez inicial a uma recém-descoberta confiança, que culmina em novas reflexões sobre autoestima e orgulho.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Boa parte dessa descoberta se dá por meio de outro destaque do filme: a personagem Ingrid (Renate Reinsve), vizinha de Edward e diretora de teatro. A princípio, ela flerta com a ideia de ser um interesse romântico unidimensional, mas o que vemos a partir do momento em que Edward “mata” seu antigo eu e assume a identidade de Guy (um nome absurdamente comum) é uma relação entre duas pessoas centradas em alimentar seus próprios egos.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A relação de Ingrid com Edward, enquanto este ainda possui a condição de neurofibromatose, é em certos momentos fetichista. Ingrid projeta sobre ele a imagem de um herói trágico e unidimensional, cuja história apenas ela poderia “dar voz”. Assim, ela representa uma classe artística que, sob o pretexto de empatia, tenta absorver narrativas de outros grupos para construir o próprio ego.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Ainda que insatisfeito, a partir do momento em que Edward renega sua identidade — seu &#8220;eu&#8221; e sua história —, ele abre espaço para que outra pessoa, no caso Ingrid, a conte sob sua própria ótica. É nesse momento que o ego ferido de Edward, combinado com cenas divertidas de teatro, evidencia a complexidade dessa relação. A dinâmica entre diretora e ator é bem trabalhada no segundo ato, especialmente com a chegada de Oswald (Adam Pearson).</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A performance de Pearson é um dos grandes destaques do filme. Irritantemente simpático, Oswald é a antítese perfeita de Edward. Ao mesmo tempo que desperta o pior no protagonista, traz uma nova perspectiva sobre a aceitação da autoimagem — sem recorrer ao didatismo ou a um capacitismo barato. Sua relação e química com Ingrid são imediatamente palpáveis.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Embora leve a novos e interessantes conflitos — com um Edward mais explosivo —, o filme perde um pouco da força em seu ato final, demonstrando dificuldade em concluir os arcos dos personagens.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>Um Homem Diferente</em> combina de forma intrigante comédia e tragédia, temperadas com uma dose dolorosa de realidade. Seu maior trunfo está nos personagens e suas diferentes facetas, que rompem com sucesso a barreira das aparências. Embora beba fortemente da influência do humor neurótico e irônico de Woody Allen, Schimberg consegue construir uma identidade própria ao refletir sobre a fragilidade do ego masculino e a tragédia que acontece quando alguém abre mão de ser protagonista da própria vida.</p></p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/um-homem-diferente/">Um Homem Diferente</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
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		<title>Impulso</title>
		<link>https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/impulso/</link>
					<comments>https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/impulso/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ramon Guilherme Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Apr 2025 11:38:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>'Impulso' é um suspense que retrata a influência de uma sociedade secreta, abordando atitudes longe de surpreenderem e personagens rasos</p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/impulso/">Impulso</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">A ficção e a realidade se cruzam em diversos momentos quando se pensa em grupos poderosos. Quanto maior o capital e o poder de um sujeito, maior tende a ser sua ambição. E, para se perpetuar no poder, grupos seletos de indivíduos influentes se reúnem para planejar e orquestrar seu domínio em múltiplos meios. É nesse contexto que o longa-metragem <em>Impulso</em> está inserido, trazendo diferentes olhares sobre uma dessas sociedades no cenário estadunidense.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Na trama, a jovem jornalista Sofia (Dajana Gudic) é atraída para a órbita de uma série de assassinatos que conecta magnatas da mídia, políticos e elites de Hollywood, embarcando na tarefa impossível de derrubá-los<code>.</code></p>
</p>
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			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/a-odisseia/" >
				A Odisseia			</a>
		</h3>
				<div class="elementor-post__excerpt">
			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Com uma abertura chocante, o longa de estreia do diretor Patrick Flaherty sugere uma narrativa envolvente, com pitadas de <em>Seven – Os Sete Crimes Capitais</em>, especialmente após um assassinato cometido com métodos peculiares. Porém, essa intriga é rapidamente deixada de lado ao conhecermos o núcleo da protagonista Sofia e seu emprego como jornalista — onde ocorrem os primeiros (de muitos) deslizes.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Com uma decupagem que não arrisca em sua composição, <em>Impulso </em>sofre com uma montagem apressada, que corta diálogos pela metade e passa a sensação de que as cenas estão incompletas, com conflitos deixados sem resolução. Até mesmo diálogos triviais sobre o passado de personagens são interrompidos de forma abrupta, sem sentido dentro da proposta do filme.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>Impulso</em> é um filme inconstante em essência. A começar por Dajana Gudic, que interpreta duas personagens distintas: a jornalista investigativa Sofia e a misteriosa Theda, assassina a mando da sociedade secreta de magnatas.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Enquanto Theda, Gudic entrega vislumbres de uma <em>femme fatale</em> intrigante, com uma atuação introspectiva e misteriosa durante cenas de assassinato impactantes (apesar do bizarro sotaque russo em certos momentos). Já como Sofia, sua performance é engessada e travada. Os diálogos carecem de variação emocional, resultando em uma personagem morna e desinteressante.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O personagem David (Lou Ferrigno Jr.) acaba sendo desperdiçado como o jornalista que trabalha com Sofia. Embora inicialmente irritante, seu antagonismo e investigação movimentam bem o primeiro ato — mas ele desaparece no meio do filme e reaparece de forma apressada próximo ao desfecho. Caso melhor desenvolvido, poderia ter sido um contraponto interessante à protagonista.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O roteiro de Will Hirschfeld opta por seguir o senso comum das sociedades secretas e dos clichês já conhecidos do imaginário popular. O principal antagonista, o poderoso e caricato Zane (Nick Cassavetes), representa o estereótipo maniqueísta de um líder cruel, porém sem carisma. Todo o núcleo envolvendo Zane e seu grupo desperta pouco interesse no espectador. Ao contrário de obras como <em>De Olhos Bem Fechados</em>, de <em>Stanley Kubrick</em>, aqui não há espaço para peculiaridades ou assombro em relação aos membros dessa elite oculta.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A trama mais interessante de se acompanhar gira em torno do Governador Hughes (Rob Kirkland). Seu dilema moral tem peso, e sua atuação mais contida revela relances emocionais de como o personagem é seduzido e corrompido pelo poder, com conflitos internos e uma busca por redenção.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Seu final pessimista é apressado e tenta impactar com uma reviravolta, mas o resultado é nulo — em nenhum momento se constrói uma real sensação de temor diante da sociedade secreta, tampouco empatia pelas protagonistas. O desfecho, que deveria ser amargo, soa apenas indigesto por sua falta de impacto.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Ao final, <em>Impulso</em> tenta criticar a influência obscura de magnatas e poderosos na sociedade política e na mídia, mas tropeça em suas próprias ambições. Com excesso de tramas paralelas, pouca criatividade na construção do universo e uma decupagem pouco inspirada, o filme começa de forma intrigante, mas logo perde o fôlego. Diante de tantas falhas, torna-se difícil levá-lo a sério — ou sequer sentir algum perigo. Salvo por raros momentos, <em>Impulso</em> tende ao esquecimento.</p></p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/impulso/">Impulso</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
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		<title>Vitória</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ramon Guilherme Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Apr 2025 20:19:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Entregando mais uma atuação emocionante de Fernanda Montenegro, Vitória transita entre coragem afeto e a violência</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">O longa nacional <em>Vitória </em>chega aos cinemas em um contexto de celebração às produções brasileiras. Após a conquista de <strong><em><a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/ainda-estou-aqui/">Ainda Estou Aqui</a></em> </strong>no Oscar de 2025, muitas expectativas foram criadas em torno do filme, que traz <strong><a href="https://ocinemae.com.br/fernanda-montenegro/">Fernanda Montenegro</a></strong> no papel principal, em uma trama baseada em uma história real. </p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a direção era assinada por Breno Silveira, que infelizmente faleceu durante as filmagens. Curiosamente, quem assumiu a missão de finalizar o projeto foi ninguém menos que Andrucha Waddington, marido de <a href="https://ocinemae.com.br/fernanda-torres/"><strong>Fernanda Torres</strong></a> e genro de Fernanda Montenegro. O resultado é uma obra emocionante, marcada por violência, compaixão e, sobretudo, coragem.</p>
</p>
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			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/a-odisseia/" >
				A Odisseia			</a>
		</span>
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			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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						</div>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Na trama, somos apresentados a Nina (Fernanda Montenegro), uma senhora solitária que, aflita com a violência crescente em sua vizinhança — localizada em Copacabana, no Rio de Janeiro — compra uma câmera de vídeo e começa a filmar da janela de seu apartamento. A idosa registra, durante meses, a movimentação de traficantes da região, com a intenção de colaborar com o trabalho da polícia.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A estrutura narrativa de <em>Vitória </em>remete a um conto de Franz Kafka, em que o indivíduo enfrenta uma série de processos burocráticos intermináveis. Sob a perspectiva de Nina, o espectador compartilha da angústia e sufocamento provocados por cada tentativa frustrada de buscar ajuda junto a órgãos públicos desinteressados, que constantemente a redirecionam para outros departamentos, em outros endereços.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O filme apresenta duas formas distintas de violência: a primeira, explícita e brutal, é praticada pelos traficantes da região; a segunda é mais sutil, manifestada no silêncio e na omissão das autoridades, além do preconceito velado dos moradores do condomínio de Nina em relação aos moradores da comunidade vizinha.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Enquanto a violência explode de forma imprevisível, interrompendo os momentos de calmaria com tiros e medo, o filme constrói gradualmente uma atmosfera de tensão crescente. Esse clima culmina em uma cena impactante, registrada pela câmera de Nina em um ponto decisivo da narrativa.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A alma do filme está em Fernanda Montenegro. Sua interpretação transmite, com delicadeza, uma gama complexa de sentimentos: medo, revolta, compaixão, cansaço, teimosia, solidão — tudo alternado com sutileza. O cenário principal, seu apartamento, também funciona como extensão da personagem, revelando sua história através dos objetos espalhados pelo espaço. A direção sabe explorar o potencial dos recursos disponíveis, evitando excessos e apostando no impacto visual e na verbalização apenas quando necessário.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Como Nina opera uma câmera ao longo de grande parte do filme, a direção opta por entregar à personagem o controle da fotografia. Montenegro parece hipnotizar a lente, que flui ao seu redor, principalmente no interior de seu apartamento. Em contraste, quando a câmera se volta para outros personagens, os planos se tornam fixos, criando um interessante jogo de perspectiva que nos mergulha na visão subjetiva de Nina.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Há também espaço para atuações marcantes, como a de Bibiana (Linn da Quebrada). A amizade entre ela e Nina é construída rapidamente, mas com afeto, em cenas como uma visita ao cabeleireiro e um passeio por uma pista de dança em um bingo clandestino. O jovem ator Thawan Lucas, como Marcinho, desperta a compaixão da personagem principal e percorre um arco próprio, marcado pela perda da inocência.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Outro destaque é o personagem Flávio (Alan Rocha), um jornalista que auxilia no desenrolar da trama e reforça o senso de perigo ao redor. Cauteloso em suas ações, ele apoia Nina enquanto também representa um dos conflitos centrais da narrativa.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O encerramento do filme adiciona novas camadas ao apresentar a verdadeira <em>Vitória </em>— ou Joana da Paz. Sua identidade e aparência reais foram reveladas apenas após seu falecimento, aos 97 anos, quando as filmagens já estavam quase finalizadas. A escolha de Fernanda Montenegro para interpretar uma mulher preta pode causar certo incômodo à primeira vista, mas ganha nova dimensão ao se conhecer o contexto em que Joana vivia: sob o Programa de Proteção a Testemunhas, em que ocultar sua identidade era questão de sobrevivência.</p>
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<p class="wp-block-paragraph">No fim, <em>Vitória </em>é uma obra capaz de cativar até os públicos mais resistentes ao cinema nacional. Aos 95 anos, Fernanda Montenegro continua a entregar performances marcantes e emocionantes, potencializadas por uma direção precisa e uma decupagem que valoriza cada nuance de sua personagem. A história real provoca impacto e empatia imediata — entre o afeto e o medo, entre a dor e a coragem. Por meio de <em>Vitória</em>, a memória de Joana da Paz é eternizada nas telas.</p></p>
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