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	<title>Arquivo de Críticas de filmes | O Cinema É</title>
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	<description>Crítica, notícias e trailers sobre filmes e seriados</description>
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		<title>Trago Seu Amor</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Eduardo Eufrazio do Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>No longa Trago Seu Amor, sob direção de Claudia Castro e escrito por Letícia Fudissaku, a trama acompanha Mia (Giovanna Grigio), uma jovem bruxa egocêntrica com um dom pra lá de peculiar: quem a beija se apaixona perdidamente por ela ou volta a amar a última pessoa que amou. Ela lucra com esse feitiço ajudando [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">No longa <em>Trago Seu Amor</em>, sob direção de Claudia Castro e escrito por Letícia Fudissaku, a trama acompanha Mia (Giovanna Grigio), uma jovem bruxa egocêntrica com um dom pra lá de peculiar: quem a beija se apaixona perdidamente por ela ou volta a amar a última pessoa que amou. Ela lucra com esse feitiço ajudando os outros, até que conhece Yuri (João Manoel), um jovem cabisbaixo após o término com sua namorada, Renê (Jê Soares). Mia tenta ajudar Yuri a reconquistar sua ex, mas o feitiço se volta contra ela de uma forma um tanto inesperada quando ela mesma acaba se apaixonando por Renê, sendo forçada a lidar com sentimentos reais e fora de seu controle.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A obra acerta em não esconder o clichê; muito pelo contrário, ela o abraça. A própria roteirista, Letícia Fudissaku, faz uma inversão de clichês, criando uma espécie de piada sobre amarrações amorosas e subvertendo isso em um modelo de negócios cômico operado por Mia. Além do roteiro afiado, a direção de Claudia Castro acerta em cheio na construção estética da obra. A fotografia neon não é apenas um adereço visual; ela cria uma atmosfera magnética que divide perfeitamente o Rio de Janeiro urbano do universo místico da trama, traduzindo visualmente a energia vibrante e a identidade da geração atual. </p>


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<p class="wp-block-paragraph">A virada da obra acontece quando a lógica egoísta de Mia quebra ao ela se apaixonar de verdade por Renê, que também é uma bruxa. O roteiro deixa de ser apenas uma sátira de feitiçaria e passa a explorar a vulnerabilidade, o amadurecimento e as complexidades dos relacionamentos da geração atual. Mas o grande acerto da obra, mesmo, está em seu elenco, principalmente no surpreendente Diego Martins. Ele é vibrante em tela, exalando carisma e uma química perfeita com Giovanna Grigio — que entrega uma protagonista magnética —, fazendo com que o humor flua de forma natural e certeira na dinâmica entre os dois.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, <em>Trago Seu Amor</em> abraça o clichê, mas, ao mesmo tempo, traz uma nova perspectiva para o cinema nacional, tratando de temas já saturados com muita originalidade. A obra é divertida, reflexiva e inesperadamente surpreendente.</p>



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		<title>100 Noites de Desejo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Eduardo Eufrazio do Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 21:00:00 +0000</pubDate>
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<p class="wp-block-paragraph">No longa <em>100 Noites de Desejo</em>, dirigido e escrito por Julia Jackman — que adapta o conto original de Isabel Greenberg —, a trama se passa em um castelo isolado. Nele, acompanhamos Cherry (Maika Monroe), uma jovem e ingênua noiva presa em um casamento tóxico. Quando o marido se ausenta, ele a deixa sob a vigilância de seu amigo charmoso e manipulador, Manfred (Nicholas Galitzine), que faz uma aposta para testar a fidelidade de Cherry ao marido.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Para proteger Cherry e adiar o avanço de Manfred, Hero (Emma Corrin) assume um papel que se inspira no clássico mito de Sherazade (<em>As Mil e Uma Noites</em>): ela passa a narrar histórias todas as noites. A cada madrugada, o destino e as respectivas sobrevivências delas dependem do poder dessas narrativas, transformando a dinâmica da casa em um caos e criando um certo laço entre as duas.</p>
</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A ideia central do filme beira o clichê e, confesso que a direção e o roteiro de Julia Jackman me intrigaram durante os 92 minutos de projeção, embora também tenham me deixado confuso. Na tentativa de agilizar a trama para não perder a atenção do espectador, Jackman acaba se perdendo ao focar mais em subtramas do que na trama em si. Ainda assim, isso não foi um problema em si: Julia encontra a força de sua produção em um elenco muito afiado, seja no jogo de gato e rato que fazem Nicholas Galitzine e Emma Corrin, seja na atuação de Maika Monroe, que constrói uma Cherry ingênua, mas que esconde uma força por trás disso. O elenco, no geral, entrega um resultado bastante satisfatório, embora nada muito grandioso.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A fotografia da obra é um primor à parte, focando bastante nos closes dos seus personagens, principalmente nos seus rostos, dando uma camada maior para a construção de uma atmosfera intrigante que a direção tenta propor por aqui. Apesar de a produção ser fantasiosa e não se passar na Idade Média em si, ela critica e faz alusão ao totalitarismo que as mulheres sofriam naquele período, no qual, por um simples ato com o qual os homens não concordavam, elas eram condenadas à morte.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Por fim, <em>100 Noites de Desejo</em> encontra força em seu elenco renomado e na sua fotografia, elementos que abafam um roteiro confuso até certo ponto, mas que tem seus acertos. A direção peca ao focar demais no mito — o que deixa o filme meio arrastado — e em subtramas, mais do que na trama em si. O filme tem mais acertos do que erros em si, mas a forma monótona como essas narrativas são conduzidas devido ao roteiro confuso faz com que o resultado não seja perfeito.</p></p>
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		<title>O Bolo do Presidente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Eduardo Eufrazio do Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2026 19:30:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>No longa O Bolo do Presidente, escrito e dirigido por Hasan Hadi, acompanhamos o Iraque de 1990, durante o regime ditatorial liderado por Saddam Hussein, através dos olhos de uma criança. Lamia (Baneen Ahmad Nayyef) é sorteada na escola para fazer o bolo do presidente (feriado obrigatório no Iraque). O regime exigia que todas as [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">No longa <em>O Bolo do Presidente</em>, escrito e dirigido por Hasan Hadi, acompanhamos o Iraque de 1990, durante o regime ditatorial liderado por Saddam Hussein, através dos olhos de uma criança. Lamia (Baneen Ahmad Nayyef) é sorteada na escola para fazer o bolo do presidente (feriado obrigatório no Iraque). O regime exigia que todas as escolas preparassem um bolo em sua homenagem e, caso a ordem não fosse cumprida, Lamia sofreria as consequências. A partir disso, vemos a garota numa corrida contra o tempo para conseguir os ingredientes para fazer o bolo, em um momento em que o país sofria com a pobreza severa, escassez de alimentos e severas sanções internacionais devido à invasão do Kuwait, em agosto do mesmo ano.</p>
</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A direção e o roteiro de Hasan Hadi refletem uma denúncia contundente ao regime. Embora sutil, Hadi revela ao público, através de Lamia, a crueldade e o totalitarismo, usando muito o poder da fotografia ao valer-se de planos abertos para mostrar não só o horror que Lamia presencia, mas também o povo ao redor. A atuação de Baneen Ahmad Nayyef é impressionante, conseguindo trazer momentos cômicos junto ao galo de estimação de sua personagem. A obra consegue trazer uma nova perspectiva de crítica a esse tipo de regime: em vez de focar na guerra e em soldados, que já estamos acostumados a ver, o grande triunfo do filme está na construção da atmosfera. O terror da guerra é invisível, mas onipresente, se manifestando nos olhares desconfiados entre vizinhos e no pânico generalizado de falhar perante o Estado.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Por fim, <em>O Bolo do Presidente</em> é sobre como regimes totalitários não se sustentam apenas no militarismo, mas sim na violência psicológica diária sobre a população. Hadi traduz isso com excelência durante os 103 minutos através de Lamia, uma garota que, aos 9 anos, teve a sua inocência perdida devido a uma guerra que sequer era sua.</p></p>
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		<title>O Labirinto dos Garotos Perdidos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Eduardo Eufrazio do Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 21:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>No longa O Labirinto dos Garotos Perdidos, escrito e dirigido por Matheus Marchetti, narra-se uma trama fantasiosa que mescla terror e suspense. Nisso, acompanhamos Miguel, um jovem do interior que vai para São Paulo para fazer uma prova. Ele fica na casa de um conhecido da internet, que o trata com certa frieza. Miguel passa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">No longa <em>O Labirinto dos Garotos Perdidos</em>, escrito e dirigido por Matheus Marchetti, narra-se uma trama fantasiosa que mescla terror e suspense. Nisso, acompanhamos Miguel, um jovem do interior que vai para São Paulo para fazer uma prova. Ele fica na casa de um conhecido da internet, que o trata com certa frieza. Miguel passa a madrugada vagando e vivenciando encontros bizarros, enquanto um serial killer está à solta nas ruas de São Paulo.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Diria que a premissa do filme é interessante até certo ponto, mas a sexualização, que poderia ser um bom fator narrativo, acaba se tornando algo exorbitante — o que não era para ser um problema. Porém, a direção de Marchetti me impressionou principalmente pela sua fotografia e ousadia, com planos meticulosamente fechados e vibrantes</p>
</p>
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			<p>No longa Trago Seu Amor, sob direção de Claudia Castro e escrito por Letícia Fudissaku, a trama acompanha Mia (Giovanna Grigio), uma jovem bruxa egocêntrica</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Mas o terror aqui funciona, de certa forma&#8230; Principalmente pela fotografia da obra do que pelo roteiro em si, focando em um horror corporal que me lembra filmes como <em>A Substância</em> (Coralie Fargeat) e <em>A Pele que Habito</em> (Pedro Almodóvar). A escolha do diretor de trazer os assassinatos do serial killer através dos sonhos do personagem principal ajuda a ditar o tom de suspense. Matheus Marchetti quer, a todo momento, impactar e incomodar o espectador, e acredito que isso é o maior acerto da obra em si, impulsionado por um elenco que arrebenta e consegue transmitir esse desconforto no ponto exato, e até além dele.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Por fim, <em>O Labirinto dos Garotos Perdidos</em> acerta em sua fotografia e construção narrativa até certo ponto, mas peca ao focar demais na sexualização — o que deixa o filme meio arrastado — e se esquecer das suas respectivas tramas e subtramas. O filme tem mais acertos do que erros em si, mas o abandono de certas narrativas que a obra se propõe a contar faz com que o resultado não seja perfeito.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">
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		<title>Cordélicos – A Origem do Cabra da Peste</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Eduardo Eufrazio do Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A animação nordestina Cordélicos &#8211; A Origem do Cabra da Peste, escrita e dirigida por Ale McHaddo, continua a história da animação de mesmo nome de 2022. A trama narra como um grupo de cangaceiros do sertão nordestino foge do temido vilão Cabra da Peste após conseguir roubar os planos de uma máquina do tempo. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">A animação nordestina <em>Cordélicos &#8211; A Origem do Cabra da Peste</em>, escrita e dirigida por Ale McHaddo, continua a história da animação de mesmo nome de 2022. A trama narra como um grupo de cangaceiros do sertão nordestino foge do temido vilão Cabra da Peste após conseguir roubar os planos de uma máquina do tempo. No entanto, durante o jogo de gato e rato, o grupo acaba se separando e se dividindo entre passado e futuro (indo parar no chamado Neo Nordeste). A partir daí, começa uma aventura que se destaca pelo seu humor e pela sua brasilidade, enquanto tentam se reencontrar e combater o temido Cabra da Peste, impedindo-lo de usurpar e deixar o sertão mais árido.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Ale McHaddo não inventa muito para divertir o público, principalmente através do carismático Capitão Rocha (Bruno Garcia), que me arrancou certas gargalhadas durante os 73 minutos de filme. Além dele, Siv (Tadeu Mello), Bonita (Raissa Xavier) e Rimbi (Carol Góes) complementam o time dos cangaceiros e conseguem disfarçar o roteiro, muitas das vezes travado, que não se aprofunda em praticamente nada.</p>
</p>
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			<p>No longa Trago Seu Amor, sob direção de Claudia Castro e escrito por Letícia Fudissaku, a trama acompanha Mia (Giovanna Grigio), uma jovem bruxa egocêntrica</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A animação, apesar das circunstâncias de um baixo orçamento, entrega um visual deslumbrante. É uma animação repleta de cores e efeitos&#8230; Isso é muito visto quando o filme se divide entre o passado (animação mais escura) e o futuro (animação mais clara e vibrante, com um estilo que lembra uma xilogravura).</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Por fim, <em>Cordélicos &#8211; A Origem do Cabra da Peste</em> é uma animação que consegue divertir a partir do carisma do Capitão Rocha, principalmente as crianças, mas peca em não se aprofundar, entregando uma história morna e sem sal. Apesar de tudo, a animação deixa uma lição, que é repetir as coisas que se aprende.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">
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		<title>Copan</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanni Paoli]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2026 21:16:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Copan transforma silêncio e mistério em um retrato intrigante do icônico prédio paulistano, verdadeiro protagonista da obra.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>Copan</em> é um filme de personalidade bastante única, fiel, até o último minuto, à sua identidade nada convencional, que, se não bem trabalhada, pode se tornar um desastre. Nesse caso, a obra consegue manter o nível de interesse, muito por conta do suspense que cria em suas cenas, transitando pelo icônico prédio paulistano, de arquitetura esquisita e imponente, como o filme que carrega seu nome. Por outro lado, a câmera e o roteiro se intimidam na missão de aprofundar os personagens que geram interesse; quem são, por que estão fazendo tais ações, como chegaram ali, o que justifica suas predileções políticas? Não é minha intenção receber tudo mastigadinho, mas o mínimo de densidade seria interessante para tornar a horda de conflitos do edifício mais especial.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A diretora Carine Wallauer faz sua escolha aqui: o protagonista da história é o <em>Copan</em>, e ninguém pode tirar seu brilho. Nem a mulher seminua que insinua seu corpo para a câmera, nem o DJ que cria suas músicas de seu apartamento, nem mesmo o síndico que ruma para seu 16º mandato no prédio, por mais que este último ganhe um espaço maior na trama do filme. Todas essas histórias são apresentadas pela lente apressada, geram curiosidade e até o desejo de saber mais sobre essas pessoas, mas nunca somos apresentados, de fato, a elas que, ao meu ver, teriam potencial incrível de dar substância ao filme.</p>
</p>
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				</div>
		
</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A arquitetura do <em>Copan</em>, sua história e tudo o que carrega são, de fato, lendárias, mas o que torna o edifício tão interessante é a quantidade de vidas que vivem naquele espaço e justamente a distinção de classes gritante que o compõe. Entender essa dinâmica seria fundamental para, por exemplo, justificar o antagonismo político que os moradores estão passando durante a polarização política de 2022. A impressão que dá é que, se não fossem os funcionários que se limitam ao hall e ao subsolo do prédio, o filme estaria retratando um gigantesco edifício abandonado, lembrando até os grandes clássicos de terror.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Mas sejamos justos: se, em poucos segundos observando essas pessoas, nos causa vontade de saber mais sobre elas, é porque a câmera cumpre bem o seu papel na maneira como cobre o suspense, ou será que a abstinência de histórias concretas nos faz nos apegar ao pouco que é mostrado? Prefiro ficar com a primeira opção, validando meu primeiro argumento de que não é nada fácil manter o interesse em um filme com essa proposta, e o filme é corajoso em seguir com sua identidade.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Nosso papel como espectador é se esforçar ao máximo para captar as histórias que são ditas pelos corredores. O som que vaza pelas portas precisa ser captado com cuidado; nossos ouvidos precisam estar sempre atentos para os diálogos distantes. São eles, e apenas eles, que vão trazer densidade para essas histórias. No mais, teremos que nos contentar com a fotografia do prédio iluminado, seus corredores assombrados, que são atrativos, mas sempre parecem incompletos. Parece que a obra, o tempo todo, promete algo que nunca chega a acontecer.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Fica a sensação de ter visitado um lugar cheio de histórias que nunca quiseram, de fato, ser contadas. E talvez exista certa honestidade nisso. Afinal, somos enganados por nós mesmos, pelo nosso vício persistente de nos conectar com pessoas e pela curiosidade insistente de saber cada detalhe de suas vidas, ou ao menos ter o mínimo de condição para imaginá-las. De toda forma, é uma obra que precisa ser vista pela sua coragem. Como o prédio que carrega seu nome, ela é grande, imponente e impossível de ignorar.&nbsp;</p></p>
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		<title>Cansei de Ser Nerd</title>
		<link>https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/cansei-de-ser-nerd/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[José Eduardo Eufrazio do Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2026 21:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>No longa Cansei de Ser Nerd, dirigido e roteirizado por Gualter Pupo e companhia, acompanhamos a trama de Aírton, um nerd raiz que, na época da faculdade, foi acusado injustamente pelo sumiço de uma colega. Duas décadas depois, ele decide ir ao reencontro da turma para enfrentar o passado e conquistar o coração de sua [&#8230;]</p>
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]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">No longa <em>Cansei de Ser Nerd</em>, dirigido e roteirizado por Gualter Pupo e companhia, acompanhamos a trama de Aírton, um nerd raiz que, na época da faculdade, foi acusado injustamente pelo sumiço de uma colega. Duas décadas depois, ele decide ir ao reencontro da turma para enfrentar o passado e conquistar o coração de sua alma gêmea, mas a trama toma rumos peculiares envolvendo mistério, ficção científica e até uma sátira a cultos alienígenas da conspiração.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A direção faz o básico, mas diverte. É clichê, mas o humor funciona. Diferente de alguns filmes do gênero, nos quais a comédia é bem saturada, este se salva ao tratar de temas diferentes, como ficção científica e até cultos que estão relacionados ao gênero do terror. Mas o coração do filme está em Fernando Caruso, que salva certos momentos do fiasco; com seu carisma, ele faz a obra — que estava fadada ao &#8220;mais do mesmo&#8221; — se tornar algo divertido e interessante. Gosto também dos leves flertes com o horror que o diretor Gualter Pupo traz. A estética que o filme propõe, apesar de não ter um orçamento alto, também impressiona, muito por conta dos efeitos práticos.</p>
</p>
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			<p>No longa Trago Seu Amor, sob direção de Claudia Castro e escrito por Letícia Fudissaku, a trama acompanha Mia (Giovanna Grigio), uma jovem bruxa egocêntrica</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Por fim, <em>Cansei de Ser Nerd</em> tem suas falhas, mas encontra carisma e coração na performance de Fernando Caruso. É uma obra que vai agradar a quem quer dar boas risadas e ver uma boa comédia.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">
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		<title>Fora de Controle</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Eduardo Eufrazio do Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">O longa<em> Fora de Controle</em>, sob direção de Anne Le Ny — dirigido e roteirizado por ela —, acompanha a trama de Julien (Omar Sy) e Marie (Élodie Bouchez), uma família feliz e um casamento estável, até que então Anaelle (Vanessa Paradis), antiga colega do casal e ex de Julien, retorna à tona e volta a entrar em contato com ele. Cega pelo ciúme, Marie inicia um simples lance com seu novo chefe, Thomas (José Garcia), e, de repente, ela se vê envolvida nesse romance. Porém, com o andar da trama, ela perceberá que está entrando em um relacionamento tóxico e obsessor, e isso acarretará consequências para o seu casamento.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Confesso que a narrativa apresentada já é, de fato, saturada no gênero, mas a direção de Anne Le Ny tenta ao máximo se desvincular. A obra se molda como um suspense psicológico que prefere narrar a trama aos pouquinhos; tenta tanto que, no 1º ato, se perde na própria narrativa, pois o roteiro decai bastante e a experiência beira o monótono. Mas, a partir do 2º ato, a coisa fica interessante. A direção revela que o intuito do filme era criticar relacionamentos tóxicos, além de assédios de chefes com funcionárias em grandes empresas, trazendo a assinatura já conhecida do cinema francês ao focar nos diálogos e na degradação psicológica dos seus personagens. Uma parte disso vimos recentemente em <em>Obsessão</em>, de Curry Baker, mas aqui é um pouco diferente.</p>
</p>
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			<p>No longa Trago Seu Amor, sob direção de Claudia Castro e escrito por Letícia Fudissaku, a trama acompanha Mia (Giovanna Grigio), uma jovem bruxa egocêntrica</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Destaco as atuações do quarteto principal, que realmente consegue deixar um roteiro que estava fadado a ser cansativo em algo interessante e envolvente. Élodie Bouchez brilha; sua atuação contida em trechos delicados realmente impressiona. O antagonismo do personagem Thomas (José Garcia) é fundamental; sua transição de um chefe charmoso para uma figura controladora dá credibilidade à ameaça. Os planos parecem ser meticulosamente calculados para dar a sensação de que a vítima, a Marie, está se sentindo sufocada.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Por fim, <em>Fora de Controle</em> não foge do padrão de narrativas já saturadas, pecando em alguns momentos por não saber por onde ir, mas encontra em seu elenco um refúgio para se tornar alguma coisa — e se torna uma crítica forte aos relacionamentos tóxicos no cotidiano de grandes empresas, deixando no espectador o alerta de que o perigo, muitas vezes, se disfarça de oportunidade.</p></p>
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		<title>Buenos Aires</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Eduardo Eufrazio do Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 21:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O longa documental Buenos Aires, dirigido e roteirizado por Tuca Siqueira, acompanha o cotidiano da cidade de Buenos Aires, em Pernambuco, que por coincidência tem o mesmo nome da capital argentina. O longa se passa durante a Copa do Mundo do Catar, em 2022, e mostra a forte idealização e admiração do povoado pela seleção [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">O longa documental <em>Buenos Aires</em>, dirigido e roteirizado por Tuca Siqueira, acompanha o cotidiano da cidade de Buenos Aires, em Pernambuco, que por coincidência tem o mesmo nome da capital argentina. O longa se passa durante a Copa do Mundo do Catar, em 2022, e mostra a forte idealização e admiração do povoado pela seleção argentina, por Lionel Messi e pelo gigante Boca Juniors. Além disso, o longa reflete a cultura local, como o Maracatu e as Pinturas Sacras, trazendo uma identidade única ao município pernambucano — isso foi visto recentemente no singelo <em>Dois Graus ao Sul do Equador</em>, de Joaquim Haickel e Coi Belluzzo. Tuca também foca em retratar o cotidiano sofrido dos trabalhadores rurais nos plantios de cana-de-açúcar.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Gosto da direção de Tuca Siqueira que, ao refletir sobre como o futebol muda a vida das pessoas, consegue trazer algo apaixonante e vibrante. Os sonhos daquelas pessoas, ao se imaginarem pulsando na Bombonera em um dia de jogo, são algo único. A direção, o roteiro e a fotografia fazem o simples, mas com muita competência. O documentário tem um bom ritmo e, em alguns momentos, tenta se desvencilhar de documentários já saturados. Um exemplo disso é a admiração do povo pela Argentina, pela Bombonera, pelo Boca Juniors e pelo craque Lionel Messi, flertando até com alguns memes do craque brasileiro Neymar Jr. — o que traz a ideia de rivalidade entre as seleções, mas sem desmerecer a seleção argentina. Ainda assim, certas decisões da direção me pareceram confusas, deixando algumas escolhas de narrativa pouco claras; por exemplo, focou-se no contexto do plantio da cana-de-açúcar, mas, com o andar da trama, isso não foi mais mencionado.</p>
</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Por fim, <em>Buenos Aires</em> faz o simples com competência, fala sobre o sonhar, o vibrar e o sentir. Tuca Siqueira constrói uma narrativa na qual, através de um povoado unido, vemos um povo trabalhador, sonhador, com raça e com um carinho enorme pelo futebol.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">
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		<title>Copan</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Eduardo Eufrazio do Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O longa documental Copan, escrito e dirigido por Carine Wallauer, narra o cotidiano do Copan, um edifício histórico da cidade de São Paulo, criado pelo renomado arquiteto Oscar Niemeyer na década de 50 e que hoje é um dos edifícios mais luxuosos do país. O longa se passa no 2º turno das eleições de 2022, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">O longa documental <em>Copan</em>, escrito e dirigido por Carine Wallauer, narra o cotidiano do Copan, um edifício histórico da cidade de São Paulo, criado pelo renomado arquiteto Oscar Niemeyer na década de 50 e que hoje é um dos edifícios mais luxuosos do país. O longa se passa no 2º turno das eleições de 2022, trazendo relatos de vários moradores e funcionários desse edifício, o que traz à tona pontos de vista que revelam os contrastes da desigualdade estrutural do país. Desde o trabalho doméstico ao de secretário, Wallauer discute política sem tomar partido, mas sim focando no olhar desse povo.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A diretora Carine Wallauer tenta trazer esteticamente o Copan como um personagem imaterial, mas ao mesmo tempo material da trama, e faz isso usando um viés arquitetônico na fotografia do longa. No geral, o documentário cumpre o que promete, não se desvencilha do cotidiano do gênero e, em certos momentos, perde-se em sua própria narrativa. Porém, a arquitetura usada como personagem não permite que o espectador não se sinta vidrado na trama.</p>
</p>
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			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/trago-seu-amor/" >
				Trago Seu Amor			</a>
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			<p>No longa Trago Seu Amor, sob direção de Claudia Castro e escrito por Letícia Fudissaku, a trama acompanha Mia (Giovanna Grigio), uma jovem bruxa egocêntrica</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Por fim, <em>Copan</em> é um longa documental que discute política, desigualdade e sociologia com sagacidade e ousadia, deixando de lado o ponto de vista da direção para focar no povo, a partir de suas respectivas vivências. O filme se destaca por sua fotografia arquitetônica hipnotizante, retratando o Copan como um gigante presente na história de centenas de paulistanos.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">
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