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	<title>Arquivo de Críticas de séries | O Cinema É</title>
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	<description>Crítica, notícias e trailers sobre filmes e seriados</description>
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		<title>Euphoria &#124; Temporada 3</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Eduardo Eufrazio do Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 22:30:00 +0000</pubDate>
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<p class="wp-block-paragraph">Quando <em>Euphoria</em> chegou até nós, chocou e nos encantou não apenas pela sua estética e pela fotografia em 35mm, mas pela profundidade com que retratava os traumas da puberdade. No entanto, em sua temporada final, Sam Levinson acabou com o que a série tinha de melhor. <em>Euphoria</em> sacrificou sua coerência narrativa e a evolução de seus personagens em nome de uma sexualização exorbitante, deixando o espectador diante de uma obra pobre narrativamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O maior erro foi a perda da essência de certos personagens pelos quais o público era apaixonado. Personagens que vivenciaram arcos de amadurecimento e sofrimento simplesmente sofreram um reboot aqui. Em vez de evoluírem a partir de suas escolhas, vêm à tona atitudes completamente incoerentes com a narrativa apresentada. Um exemplo disso é a Cassie (Sydney Sweeney), que virou uma personagem sem autoridade própria, mimada, e se tornou um mero objeto para os homens na série. Nate (Jacob Elordi), que era o valentão na escola, agora se mostrou um frouxo, embora tenha tido uma morte impactante. Fora a Maddy (Alexa Demie), que ficou completamente imponente e monótona.</p>


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			<p>Quando Euphoria chegou até nós, chocou e nos encantou não apenas pela sua estética e pela fotografia em 35mm, mas pela profundidade com que retratava</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, o arco da Rue (Zendaya) foi digno. Ao acompanhar a trama, vemos uma Rue mais propensa a ter uma redenção e um suposto arrependimento pelos seus pecados; vemos isso através da fé que ela revela em trechos em que está lendo e rezando aos prantos na igreja católica. Para mim, essa foi a mensagem que ficou com esse final: <em>Euphoria</em>, no fundo, é sobre fé e arrependimentos. Ela morreu, mas teve a paz que merecia. A relação dela com o Ali (Colman Domingo), funcionando como pai e filha, foi muito bonita e se consolidou como um dos pontos de que mais gostei nessa temporada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, a impressão que tenho é de que Levinson esqueceu quem eram seus personagens, desfazendo-se de laços e construções narrativas que levaram duas temporadas para ser desenvolvidas, jogadas simplesmente no lixo. Ele simplesmente apagou a Jules (Hunter Schafer), que teve pouquíssimo tempo de cena. Além disso, a Lexi (Maude Apatow) simplesmente não falou mais do Fezco (Angus Cloud), o que se configurou como um baita furo de roteiro, pois na segunda temporada os dois haviam criado um vínculo forte — ainda que a série acerte ao homenagear Angus Cloud, que morreu precocemente ano passado. Para completar os erros de escalação, a Rosalia nessa temporada foi simplesmente uma adição no elenco que não rendeu absolutamente nada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A negligência que Sam Levinson teve no roteiro é impressionante. <em>Euphoria</em> se encerra deixando muita coisa aberta, mas não de uma forma que nos instigue, e sim como uma negligência fora da curva. Subtramas inteiras, construídas nas duas temporadas anteriores, foram simplesmente ignoradas ou resolvidas com explicações rasas demais. Quando a série se recusa a fechar os arcos de maneira que coincida com a sua própria história, o sentimento que fica é o de tempo jogado no lixo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A direção de fotografia é um dos poucos aspectos que se salvam nessa temporada, mas o resto&#8230; A ausência do Labrinth na trilha sonora prejudicou demais a trama; Hans Zimmer está na trilha sonora agora, mas de forma totalmente irreconhecível. Com isso, Euphoria passou a ser uma série bonita esteticamente, mas vazia em sua essência. Onde antes havia uma crítica à puberdade, agora há apenas a vaidade de um diretor que prioriza a sexualização em detrimento de uma história que realmente coincida com o peso do nome <em>Euphoria</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A terceira temporada de <em>Euphoria</em> é o reflexo de um sucesso que ruiu sob o ego de seu criador. Ao destruir a essência dos personagens e abandonar a coesão que já teve um dia, a série perdeu o que tinha de mais relevante. O legado que fica não é o de uma narrativa que se revolucionou, mas sim o de um imenso potencial desperdiçado. No fim das contas, <em>Euphoria</em> diz mais sobre Sam Levinson do que sobre a sua narrativa em si.</p>
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		<title>Twin Peaks (3ª Temporada)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ramon Guilherme Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Feb 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Após 25 anos de expectativa e anseio, a terceira temporada de Twin Peaks nega o caminho simples da nostalgia para entregar uma das melhores experiências televisivas</p>
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										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>“Irei te ver novamente em 25 anos.”</em> A frase dita por Laura Palmer (<a href="https://ocinemae.com.br/sheryl-lee/"><strong>Sheryl Lee</strong></a>) no 22º episódio da segunda temporada de <em>Twin Peaks</em>, lançado em 1991, parecia surreal dentro do contexto da época. Em meio a conflitos entre os criadores <a href="https://ocinemae.com.br/david-lynch/"><strong>David Lynch</strong></a> e Mark Frost e o canal ABC, Lynch entregou um final de temporada extremamente surrealista, muito distante do que a trama, até então focada no embate entre o agente Dale Cooper (<a href="https://ocinemae.com.br/kyle-maclachlan/"><strong>Kyle MacLachla</strong>n</a>) e Windom Earle (Kenneth Welsh), estava caminhando. O sombrio cliffhanger, com Cooper preso na dimensão do Black Lodge, somado ao posterior cancelamento da série, deixou uma enorme dúvida na mente dos fãs.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Duas décadas e meia depois, e com o cultuado filme <em><a href="https://ocinemae.com.br/classico/twin-peaks-fire-walk-with-me/"><strong>Fire Walk With Me</strong></a></em> (visto como uma espécie de prequel), contrariando até mesmos os fãs mais otimistas, <em>Twin Peaks</em> ressurgiu em 2017 com uma temporada em 18 episódios produzida pela Showtime. A frase de Laura no episódio final acabou sendo ressignificada agora como uma promessa, tanto para os personagens quanto para o público. Essa mesma cena abre a série, que por quase 18 horas, apresenta uma mudança clara de estética e estilo de narrativa, sem deixar de lado a aura e o encanto do universo de <em>Twin Peaks</em>.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Na trama, 25 anos após os eventos da segunda temporada, acompanhamos o agente Dale Cooper ainda preso no Black Lodge, enquanto forças sobrenaturais voltam a se manifestar em Twin Peaks. Em paralelo, seu doppelgänger maligno, conhecido como Mr. C, espalha uma onda de caos e violência.</p>
</p>
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			<p>Quando Euphoria chegou até nós, chocou e nos encantou não apenas pela sua estética e pela fotografia em 35mm, mas pela profundidade com que retratava</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Diferente das temporadas anteriores, que misturavam mistério, surrealismo, melodrama e tons de novela, este retorno desconstrói esses elementos. O ritmo é mais lento em boa parte dos episódios, enquanto a montagem intercala diversos núcleos, entre rostos familiares e novos personagens. A experiência proposta é de redescobrir o cotidiano: seria o tempo suficiente para restabelecer uma suposta normalidade?</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Temas recorrentes da filmografia de Lynch estão ainda mais presentes e expandidos aqui, como o horror oculto sob a superfície da normalidade estadunidense e a ambígua relação entre realidade e sonho. Há uma dança entre horror e beleza nesse incomodo cotidiano que não se restringe mais a pequena cidade de Twin Peaks, nem ao período temporal do assassinato de Laura Palmer.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em comparação com a segunda temporada, O Retorno ignora boa parte das tramas cômicas e novelescas, optando por um mergulho profundo no lado sombrio do universo da série sobretudo no que tange ao Black Lodge e seus mistérios. O humor ainda está presente, mas o desconforto e a sensação de um perigo iminente permeiam cada episódio.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Indo na contramão do que acabaria se tornando uma tendência nos <em>reebots</em> e continuações do cinema na tv, a série cria uma nova relação com a nostalgia, muitas vezes buscando negar, ou então por segurar um momento até que se crie um impacto emocional maior. Os temas clássicos de Angelo Badalamenti são raramente utilizados em comparação com as temporadas anteriores, trazendo um silêncio desconfortável. Nas raras vezes em que as trilhas clássicas são invocadas em cenas chave, como a de Bobby Brings (Dana Ashbrook) na delegacia no terceiro episódio ou a de Cooper no hospital, o impacto sentimental torna-se maior.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Apesar de resistir à nostalgia direta, Lynch expande o universo da série ao incorporar novas referências culturais e musicais. A maioria dos episódios termina com uma apresentação musical no Bang Bang Bar, com artistas como <em>Chromatics</em>, <em>Au Revoir Simone</em>,<em> Rebekah Del Rio</em>, <em>Nine Inch Nails</em> e até <em>Eddie Vedder</em>, ampliando a atmosfera da série para além de suas origens.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O maior destaque da série não poderia ser outro se não Kyle MacLachlan. Interpretando múltiplas versões de seu personagem como Dale Cooper, Mr. C, Dougie Jones, entre outros, ele explora &nbsp;uma impressionante versatilidade, transitando desde o amável e bondoso ao mais frio e ameaçador passando pelo “neutro” e ingênuo.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Outro núcleo de destaque é o do FBI, com o retorno de David Lynch como Gordon Cole e Miguel Ferrer como Albert Rosenfield, além da entrada de Diane Evans (<a href="https://ocinemae.com.br/laura-dern/">Laura Dern</a>)  personagem antes apenas mencionada nas gravações de Cooper e que se torna um grande pilar da série. Entre os novos nomes no elenco temos ainda Michael Cera, Tim Roth, Robert Forster, Naomi Watts, entre outros.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Um outro grande destaque desta temporada está em especial no aclamado episódio 8. Sendo esse talvez o mais surrealista e abstrato dentre todos os episódios da série, a experiência é marcante desde os primeiros minutos, ao explorar de forma lírica as origens do assassino Bob (Frank Silva) e levantar reflexões sobre o simbolismo de Laura Palmer neste universo tão sombrio.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A conclusão da terceira temporada<em> de Twin Peaks</em> me invoca uma das passagens mais marcantes que pode ser visto como uma outra promessa da série. A frase dita em <em>Twin Peaks: The Missing Pieces</em> <em>(David Lycnh, 2014)</em> “Os Anjos retornarão, e quando você ver aquele que irá te salvar, você irá chorar de alegria”. Além de impactar o final de <em>Fire Walk With Me</em>, essa passagem resgata como a consolidação da figura de Cooper e Laura em arquétipos de uma tragédia grega.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em 2019 a revista <a href="https://www.indiewire.com/features/general/twin-peaks-the-return-cahiers-du-cinema-best-film-decade-1202194901/"><strong>Cahiers du Cinéma considerou Twin Peaks: The Return como o melhor filme da década</strong>.</a>Desde seu lançamento a série buscou romper as barreiras entre o cinema e a TV, trazendo uma experiência até então inédita para os espectadores que acompanharam por meses os mistérios sobre quem matou Laura Palmer. Quase quatro décadas depois, os enigmas dessa pequena cidade fictícia no noroeste dos Estados Unidos ainda ecoam entre diferentes gerações, desde os que acompanharam a série em seu lançamento aos novos espectadores.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Embora haja um sentimento de luto pelo falecimento de David Lynch no início de 2025 e pelas notícias de que ele desejava retornar para uma quarta temporada, Twin Peaks parece se completar em sua própria dúvida. Ao não oferecer uma conclusão objetiva, mas ao renovar sua essência, seu mistério e seu vínculo emocional com o público, a série encontra sua plenitude e se reinventa a cada revisita. De uma forma ou de outra, no final Laura Palmer e David Lycnh vivem. </p></p>
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		<title>Eu, Meu Pai e um Bebê</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Eduardo Eufrazio do Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Feb 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Às vezes, o que salva uma história comum é a coragem de admitir que nem toda bagunça tem conserto.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">No saturado subgênero da comédia de erros familiar, a produção britânica <em>Eu, Meu Pai e um Bebê</em> consegue se destacar não pelo inédito da premissa, mas pela honestidade com que abraça o caos. A série evita o sentimentalismo clichê das histórias de famílias, preferindo focar na crueza das relações disfuncionais. É uma obra que se beneficia do humor britânico mais ácido, onde o desleixo dos personagens é tratado como um fato, e não necessariamente como um defeito a ser corrigido pelo roteiro. No entanto, essa mesma opção pelo realismo às vezes empaca o ritmo, deixando a narrativa estagnada em situações que já vimos em outras produções conhecidas do gênero.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O maior acerto da série é Aimee Lou Wood. Se em trabalhos anteriores como &#8220;Sex Education&#8221; ela explorava um carisma mais excêntrico, aqui a atriz demonstra um controle de certa forma mais balanceado do cômico. A sua atuação reside nos detalhes: na entrega de falas afiadas com uma naturalidade que impressiona. Wood consegue tirar a personagem do estereótipo da jovem perdida, conferindo-lhe uma humanidade que sustenta o interesse mesmo quando a trama flerta com o previsível.</p>
</p>
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			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_seriado/eu-meu-pai-e-um-bebe/" >
				Eu, Meu Pai e um Bebê			</a>
		</h3>
				<div class="elementor-post__excerpt">
			<p>Às vezes, o que salva uma história comum é a coragem de admitir que nem toda bagunça tem conserto.</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>Eu, Meu Pai e um Bebê</em> funciona por entender suas próprias proporções, mas não tenta ir muito além delas. Ao lidar com a falta de estrutura seja ela financeira ou emocional, a série recusa-se a higienizar o fracasso para torná-lo de certa forma mais palatável, o que é um ponto positivo. Por outro lado, o desenvolvimento segue caminhos muito conhecidos ao gênero da &#8220;gravidez não planejada&#8221;, sem grandes surpresas. A obra é um retrato competente e honesto de como a precariedade molda os afetos, mas que se apoia excessivamente no clichê para chegar ao seu destino.</p></p>
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		<title>Sandman &#124; Temporada 2 – Parte 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Hesick Lênin]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Aug 2025 23:12:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sandman é mais uma vez belo e melancólico. Temos um desfecho fiel à fórmula, mas desprovido de alma ou qualquer profundidade emocional.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph"><strong>O Despertar</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">A segunda parte da segunda temporada de <em>Sandman</em> abraça de vez seu lado trágico e introspectivo, levando Sonho (Tom Sturridge) a um confronto inevitável com as consequências de suas próprias escolhas. A narrativa se torna mais coesa do que na primeira metade da temporada, abandonando a estrutura episódica em favor de um arco contínuo que mergulha fundo no colapso emocional do protagonista.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Existem acertos genuínos aqui. Tom Sturridge mais uma vez oferece uma performance contida e melancólica, sustentando a atmosfera pesada que paira sobre cada episódio. A relação com sua irmã Morte (Kirby Howell-Baptiste), a tensão com as Moiras e os diálogos com Lucienne (Vivienne Acheampong) e Hob Gadling (Ferdinand Kingsley) oferecem respiros de profundidade emocional em meio ao tom austero que domina a temporada. São nesses momentos que a série encontra sua alma fragmentada</p>
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				<a class="elementor-post__thumbnail__link" href="https://ocinemae.com.br/critica_de_seriado/euphoria-temporada-3/" tabindex="-1" >
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			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_seriado/euphoria-temporada-3/" >
				Euphoria | Temporada 3			</a>
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			<p>Quando Euphoria chegou até nós, chocou e nos encantou não apenas pela sua estética e pela fotografia em 35mm, mas pela profundidade com que retratava</p>
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				</article>
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						</div>
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				</div>
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		</p>
<p class="wp-block-paragraph">Visualmente, a produção continua competente. O Sonhar é etéreo, os reinos dos Perpétuos são bem delineados, e a fotografia aposta em composições carregadas de simbolismo. Mas o excesso de polimento técnico também tem um preço: tudo é tão bem arranjado, tão cuidadoso, que falta o senso de caos e maravilhamento que uma história sobre sonhos deveria evocar. A série é bonita, mas raramente é surpreendente.</p>
<p class="wp-block-paragraph">E talvez esse seja o principal problema. <em>Sandman</em> da Netflix tem estrutura, tem reverência e tem talento envolvido. Mas falta risco, e falta acima de tudo, paixão. Falta o tipo de vitalidade criativa que faz uma história atravessar a tela e permanecer com o espectador depois do último episódio. O resultado é uma experiência respeitável, porém estéril.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Entes Queridos</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">O erro mais grave da série segue sendo, entretanto, a memória inevitável do impacto arrebatador da obra original de Neil Gaiman. Ao tentar ser fiel em superfície (mantendo falas inteiras, eventos principais e ambientações) ela trai a essência narrativa e emocional do que fez <em>Sandman</em> ser um marco na literatura gráfica.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Nos quadrinhos, o arco final é monumental não apenas por sua carga simbólica, mas pela inteligência com que tudo se conecta. Mais de trinta personagens retornam com propósito. Pequenos gestos e acontecimentos aparentemente isolados dos volumes anteriores se revelam peças essenciais de um tabuleiro maior. É um clímax orgânico, quase orquestral, que mostra o domínio absoluto de Gaiman sobre sua mitologia. A série, ao condensar, omitir e simplificar, desmonta essa estrutura magistral. O que deveria soar como uma sinfonia final se torna um solo melancólico. Bonito, porém incompleto por essência.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A própria temática do desfecho está presente na série, mas diluída. A aceitação de mudanças, a inevitabilidade do fim, e o espaço para recomeço&#8230;tudo é tratado aqui, mas de forma tão superficial quanto poderia ser. Nos quadrinhos, Morpheus não apenas encontra seu destino, ele o aceita. Ele não apenas é derrotado, ele se permite cair. Há peso e libertação nessa escolha. A série encena isso, mas não transmite plenamente a profundidade filosófica e emocional envolvida. A sensação é de que tudo acontece porque precisa acontecer, não porque foi conquistado dramaticamente.</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>O Alto Preço da Vida</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph">No fundo, <em>Sandman</em> é uma sombra respeitosa da obra original. Fiel nos contornos, mas sem coragem de ser tão ousada, tão complexa e tão profundamente humana quanto a HQ. O que era para ser uma viagem transformadora se torna apenas uma visita guiada. E, como qualquer sonho que não nos toca de verdade, logo começa a se dissipar.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Se essa viagem turística ao Sonhar for servir de qualquer coisa para alguém, que seja para seguir a profunda jornada humanista de transformação pessoal que <em>The Sandman</em> (a obra original) é capaz de provocar. Tome esse passo rumo à HQ, e será recebido(a) por tapeçarias infinitas de paisagens mentais que, tomados em doce Delírio, provocam reflexões sobre Desejo, Destino, Morte&#8230;e principalmente Vida.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Sonho foi forçado a escolher entre a mudança e a Morte. Ele fez sua escolha, mas estava em paz com a escolha que fez? E nós? Estamos em paz com as escolhas que fazemos?</p>
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		<title>Sandman &#124; Temporada 2 &#8211; Parte 1</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Hesick Lênin]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Jul 2025 11:23:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A adaptação segue bela e sombria, mas perde a profundidade emocional que era a essência humanista da fantástica obra original.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">Incontáveis vezes já disse a amigos que <em>The Sandman</em>, de Neil Gaiman, era uma obra impossível de transcrever para telas. Isso, é claro, foi antes do anúncio da série da Netflix que, surpreendentemente, já se aproxima de seu final.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A obra completa consiste de 75 edições dos quadrinhos, e mais uma porção de spin-offs e histórias secundárias; enquanto a adaptação da Netflix terá em sua totalidade 23 episódios. A curta duração sinaliza problemas em obviedade, mas também esconde transtornos maiores e mais sorrateiros.</p>
</p>
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				<a class="elementor-post__thumbnail__link" href="https://ocinemae.com.br/critica_de_seriado/euphoria-temporada-3/" tabindex="-1" >
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			<p>Quando Euphoria chegou até nós, chocou e nos encantou não apenas pela sua estética e pela fotografia em 35mm, mas pela profundidade com que retratava</p>
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				</div>
		
</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Um Jogo de Você</strong></p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>Sandman</em> é um épico quieto e calmo, mas um épico inegável; uma história que compreende não apenas todo o universo, mas de forma ainda mais grandiosa, cada um de nós. Se todo aquele que sonha e imagina tem um espaço e participação nessa narrativa, é uma decisão um tanto quanto confusa a de ignorar algumas das histórias mais humanas de toda a obra e focar ao invés disso nos seres místicos que permeiam a criação. Muitos, incontáveis, seres místicos.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">É um engano que a adaptação comete, entretanto, o de tratar esses seres (Sonho incluso) como os protagonistas da história, e não como representações metafísicas e veículos para tratar de assuntos inerentemente humanos. <em>Sandman </em>é, acima de tudo, uma obra humanista; e toda essa visão está perdida na adaptação da Netflix.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Existem lições aqui tiradas que são fundamentais para a construção da relação entre o leitor e a obra. Neil Gaiman nos convida a jogarmos o jogo de nós mesmos, a confrontar nossa própria identidade, a fazer paz com nossas escolhas (e suas consequências); <em>Sandman</em> nos pede para banirmos o domínio que nossos Desejos possuem sobre nós, e para tomarmos controle sobre nosso próprio Destino.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Todas essas ideias (tão doloridas quanto esperançosas) estão presentes na série, porém apenas repetidas de forma vazia, sem qualquer impacto emocional. Com toda a profundidade removida, o que resta? Uma série qualquer de Alta Fantasia. Uma boa série de Alta Fantasia, ao menos.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Vidas Breves</strong></p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Falemos então sobre tal Fantasia. A primeira temporada tinha em si a majestade e encanto do Sonhar, mas se passava majoritariamente no mundo desperto; já a segunda temporada (sua primeira parte ao menos) é totalmente edificada no universo do lúdico e conta com demônios, entidades, e deuses dos mais diversos tipos. Um novo pico de fantasia é atingido, e nele o ar também fica rarefeito.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista visual e sonoro, o pacote é misto. A trilha de David Buckley continua sendo uma das maiores forças da série, e a ambição estética está mais presente do que nunca, mas efeitos pontuais — como o grotesco visual de Azazel — servem como lembrete de que a ambição tem suas armadilhas.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A introdução de Destruição (Barry Sloane), o “pródigo” dos irmãos, traz um sopro bem-vindo de humanidade e leveza para a família. Tom Sturridge mantém sua interpretação contida de Morpheus, mas com lampejos de emoção mais intensos que no material original, sinalizando o arco de redenção e autoconsciência que está no centro dessa temporada. O foco na personagem é mais concentrado: os roteiros deixam de lado boa parte das histórias paralelas dos quadrinhos e reordenam eventos para construir uma trajetória mais seca do Rei dos Sonhos.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O resultado é um excesso negativo de coesão, que ao abandonar tangentes, mata Thessaly completamente, desperta sem sonhar com Wanda (Indya Moore) e apaga toda a ilusão de Barbie (Lily Travers) e sua Terra. Todas elas mulheres que perdem a oportunidade de serem humanas – mesmo quando não o são de fato.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O momento de destaque é a morte de Orfeu (Ruairi O&#8217;Connor); essa é a ação definidora de toda a história que Sandman mira em contar. É o que foi planejado por Desejo (Mason Alexander Park) no envolvimento de Rose (Kyo Ra), é o que Delírio (Esme Creed-Miles) e Destruição permitiram sem conhecimento, e é o catalisador através do qual Lyta (Razane Jammal) e as Irmãs do Destino fecharão a história de Morfeus. &nbsp;Fico feliz que esse momento tenha tido o destaque merecido e que o Senhor dos Sonhar tenha em si a percepção do que tudo isso significa (mesmo que parte da audiência ainda não).</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A temporada é pesada, em todos os sentidos. A iluminação escura, o tom cerimonioso e a cadência dramática das falas criam um clima quase funerário. Muitos diálogos soam mais como recitações do que conversas, e o resultado é um tipo de beleza engessada: sofisticada, mas sem vida.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O texto aqui não necessariamente trai a obra original, mas a engole com suas decisões artísticas. E isso é tão ruim quanto. Talvez <em>Sandman</em> devesse ter permanecido inadaptável.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Coisas precisam Ser mais do que elas São</strong></p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Essa é uma tangente que preciso fazer. Eu amo Delírio, mais do que qualquer pessoa lendo isso poderia entender. Eu amo seu humor, amo sua leveza, e acima de tudo amo seu brilho sombrio.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Cada momento passado com Delírio é mágico e aterrorizante. Há uma dor profundamente bela – talvez algo compreendido apenas por quem já sentiu – &nbsp;na percepção de que toda a realidade é governada pelas suas próprias ilusões e compreensões errôneas. É algo que já me machucou, mas hoje também me causa alegria.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Não há sobriedade alguma que me faria renunciar aos preciosos momentos em que Delírio se faz presente em minha vida. E para aqueles que sofrem com sua presença (seja por overdose ou pela não compreensão social), eu os amo também.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Acredito sim em separar ilusões da realidade de forma impiedosa. Mas ao me despedir de Delírio, não a fecho de minha vida, ao contrário, estou sempre ansioso pelo nosso próximo encontro. E se Delírio já foi Deleite, então talvez a Loucura seja apenas uma memória apagada da Felicidade.</p></p>
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		<title>O Estúdio &#124; Temporada 1</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ramon Guilherme Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jun 2025 21:54:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em 'O Estúdio', o espectador é convidado a conhecer os bastidores exagerados de Hollywood, juntando humor e metalinguagem, de forma envolvente.</p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_seriado/o-estudio-temporada-1/">O Estúdio | Temporada 1</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">Já faz alguns anos que o ator, comediante e roteirista <a href="https://ocinemae.com.br/seth-rogen/"><strong>Seth Rogen</strong></a> tem buscado explorar novas possibilidades criativas, seja à frente ou atrás das câmeras em seus projetos. Ao explorar caminhos mais desafiadores, seja no drama, na produção ou mesmo em novas abordagens dentro da comédia, Rogen parece ter encontrado uma nova fase criativa em sua carreira. A consolidação desse momento é a sua mais nova série, <em>O Estúdio</em>, que protagoniza, roteiriza e dirige, ao lado de Evan Goldberg. Na obra, ele une o melhor da atuação com suas vivências pessoais para contar, de forma cômica, os bastidores da indústria cinematográfica em Hollywood.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Na trama, somos apresentados a Matt Remick (Seth Rogen), recém-nomeado chefe da produtora fictícia ‘Continental Studios’. Um autodeclarado cinéfilo, Matt tenta equilibrar os objetivos corporativos da empresa — em um mercado cada vez mais movido por propriedades intelectuais — com seu desejo de produzir filmes de qualidade.</p>
</p>
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			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_seriado/euphoria-temporada-3/" >
				Euphoria | Temporada 3			</a>
		</h3>
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			<p>Quando Euphoria chegou até nós, chocou e nos encantou não apenas pela sua estética e pela fotografia em 35mm, mas pela profundidade com que retratava</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>O Estúdio</em> conquista o espectador já no brilhante episódio piloto. Com duração média de 30 minutos por capítulo, a série tem um ritmo frenético que lembra ao filme <em><a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/birdman-ou-a-inesperada-virtude-da-ignorancia/"><strong>Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância</strong>)</a></em>. Longos planos-sequência percorrem diferentes ambientes dos estúdios (inclusive em um episódio inteiro filmado dessa forma, enquanto comenta os desafios de se usar essa técnica). O dinamismo da câmera, aliado a diálogos rápidos, mergulha o espectador na rotina caótica e criativa dos bastidores das grandes produções.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O sentimento que fica é que ao entrar neste universo, além de sermos introduzidos aos seus processos, conflitos e particularidades, conhecemos também as suas piadas internas Situações como a tensão em um set com a chegada do diretor da produtora, a adaptação das equipes às exigências de diversidade nas obras, os conflitos de egos ou a gestão de talentos são tratadas com humor e uma pitada de realismo. Mesmo com absurdos e exageros, não é difícil acreditar que esses cenários podem acontecer em grandes estúdios.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Um dos elementos mais interessantes da série é o uso constante da metalinguagem. <em>O Estúdio</em> não apenas fala sobre o fazer cinematográfico, mas o incorpora em sua forma. A série constantemente cita filmes, diretores e atores reais, e brinca com os próprios códigos da linguagem audiovisual. Um ótimo exemplo é o quarto episódio, <em>&#8220;The Missing Reel&#8221;</em>, que simula uma investigação no estilo f<em>ilm noir,</em> com direito a narração em <em>off</em>, luzes contrastadas, e até chapéus e sobretudos típicos do gênero.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A grande estrela de <em>O Estúdio</em> não poderia ser outra além de Matt, o personagem de Rogen.&nbsp;Matt é atrapalhado, carente de validação e dividido entre o desejo de criar obras autorais e a obrigação de manter a Continental lucrativa. O conflito entre o executivo e o cinéfilo em um mesmo personagem oferece um paralelo interessante sobre os dilemas da indústria hollywoodiana.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Outro trunfo de <em>O Estúdio</em> são suas participações especiais. Diversas celebridades interpretam versões exageradas de si mesmas, incluindo Martin Scorsese — responsável por uma das cenas mais engraçadas da série logo no primeiro episódio — além de <a href="https://ocinemae.com.br/zoe-kravitz/"><strong>Zoë Kravitz</strong></a>, <a href="https://ocinemae.com.br/dave-franco/"><strong>Dave Franco</strong></a>, Anthony Mackie, Ice Cube, <a href="https://ocinemae.com.br/zac-efron/"><strong>Zac Efron</strong></a> entre outros.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O oitavo episódio, &#8220;<em>The Golden Globes</em>&#8220;, talvez seja o que mais concentra participações especiais. O elenco fixo também se destaca: Sal Saperstein (Ike Barinholtz), o canastrão produtor e amigo de Matt; Maya Mason (<a href="https://ocinemae.com.br/kathryn-hahn/"><strong>Kathryn Hahn</strong></a>), a energética executiva de marketing; Patty Leigh (Catherine O’Hara), a rancorosa ex-diretora da Continental; e o sempre excelente Bryan Cranston, como o dono do estúdio e chefe de Matt. Cada personagem tem seu momento de destaque na série, além de arcos bem desenvolvidos.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O final da primeira temporada é animador. Encerrando com um episódio duplo e deixando um grande conflito em aberto, a série já foi confirmada para uma segunda temporada, com previsão de estreia para 2026.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>O Estúdio</em> já se consolida como uma das principais séries da Apple TV + e um dos grandes feitos da carreira de Seth Rogen. Com fôlego para continuar, a produção tem potencial para se tornar uma das comédias mais relevantes dos últimos anos. Ao aproximar o espectador dos dilemas da indústria e usar a metalinguagem para rir de si mesma, a série celebra o modelo hollywoodiano ao mesmo tempo que faz uma autocritica aos seus vícios e valores.&nbsp;</p></p>
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		<title>Devil May Cry</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Hesick Lênin]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Apr 2025 20:48:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Adaptação da Netflix de 'Devil May Cry' trai a essência dos jogos, removendo todo o carisma que tornou a franquia icônica.</p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_seriado/devil-may-cry/">Devil May Cry</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">A série animada <em>Devil May Cry</em>, lançada pela Netflix em 2025, é uma daquelas adaptações que, ao invés de celebrar sua fonte original, comete traição contra a mesma. Comandado por Adi Shankar, o mesmo do muito superior <em>Castlevania</em>, o projeto prometia repetir o nível de cuidado e intensidade. O que chega ao público, entretanto, é a profundidade emocional de um reel de Instagram e a sutileza de um tiro na cara.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A primeira (e maior) vítima do roteiro é Dante (Johnny Yong Bosch). Qualquer pessoa que tenha tido o menor contato com a franquia de jogos entende perfeitamente que Dante é a alma de <em>Devil May Cry</em>. Sua personalidade irreverente e carisma quase inigualável são trocados aqui por vazio emocional e monólogos existencialistas. Uma personagem retirada diretamente do Manual dos Roteiristas Pretenciosos.</p>
</p>
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			<p>Quando Euphoria chegou até nós, chocou e nos encantou não apenas pela sua estética e pela fotografia em 35mm, mas pela profundidade com que retratava</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Narrativamente, a série se arrasta entre monstros e demônios que chegam e vão, um após o outro. As lutas começam, terminam – e o espectador segue ileso. Chega a ser impressionante como tanto movimento em tela gera completa ausência de qualquer acontecimento relevante. As tentativas de desenvolver personagens esbarram em diálogos didáticos nos quais ninguém conversa, apenas recita.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">É verdade que os jogos da franquia <em>Devil May Cry</em> jamais se destacaram por sua profundidade narrativa. A história sempre foi rasa, mais próxima de uma desculpa para usar personagens arquetípicos e diálogos de efeito do que de uma trama envolvente. E tudo bem. O charme da série nunca esteve no enredo, mas na atitude. É justamente aí que reside um dos maiores desafios de qualquer adaptação midiática: quando se transporta uma obra para outro formato, perde-se inevitavelmente aquilo que só fazia sentido dentro do meio original.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">No caso de <em>Devil May Cry</em>, as forças da franquia nos jogos estão profundamente ligadas à linguagem lúdica do videogame. A jogabilidade acelerada, elétrica e estilosa, a sensação quase física de controle e domínio sobre Dante em combate, e a adrenalina de executar combos impossíveis&#8230; tudo isso é intraduzível. É uma experiência que depende da interatividade entre jogador e avatar.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Ao levar a franquia para o audiovisual, o espectador não mais participa; apenas observa. E aí todas as falhas narrativas deixam de ser um detalhe, e se transformam em falha imperdoável.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">E se tudo isso já não fosse problema suficiente, a série ainda tenta se enfeitar em pompa de comentário político. Comentário esse mal encaixado, raso, e francamente deslocado do universo proposto.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>Devil May Cry </em>é a forma mais entediante já inventada de caçar demônios.</p></p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_seriado/devil-may-cry/">Devil May Cry</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
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		<title>Pulso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Flávia Leão]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Apr 2025 12:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Temas complexos são mal explorados e fazem de ‘Pulso’ mais uma tentativa de série médica que deu errado...</p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_seriado/pulso/">Pulso</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">Como restabelecer a fé que se quebra? Como superar a culpa? E como lidar com aqueles que são colocados em sua vida para ajudar numa auto imposta redenção? Boas questões para impulsionar uma trama, mas Pulso não é muito feliz na tentativa de responde-las, ou no mínimo, de lidar com elas. Pelo menos não nessa primeira temporada.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Muitos podem dizer que, em se tratando de séries médicas, nada (ainda) superou <em>Grey’s Anatomy</em>, ou, quem sabe, para outros tantos, <em>House</em>. A questão é que várias obras com a temática seguem surgindo por aí, para o bem ou para o mal (como o agora aclamado <em>The Pitt</em>), suprindo essa nossa (mórbida) curiosidade pelo véu tênue que nos separa da morte e que foi atiçada ainda mais por aquelas produções. E não foi dessa vez que elas foram superadas. Também pudera&#8230;</p>
</p>
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		</a>
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				<h3 class="elementor-post__title">
			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_seriado/sandman-temporada-2-parte-2/" >
				Sandman | Temporada 2 – Parte 2			</a>
		</h3>
				<div class="elementor-post__excerpt">
			<p>Sandman é mais uma vez belo e melancólico. Temos um desfecho fiel à fórmula, mas desprovido de alma ou qualquer profundidade emocional.</p>
		</div>
				</div>
				</article>
				</div>
		
						</div>
				</div>
					</div>
				</div>
				</div>
		
</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Eu não consigo imaginar por quanta dor Danny <strong><a href="https://ocinemae.com.br/willa-fitzgerald/">(Willa Fitzgerald</a></strong>) deve ter passado para, além de se autopunir dia após dia pelos acontecimentos de sua infância, querer infringir essa mesma dor à uma pessoa que estendeu a mão para ela, recusando-se a aceitar o enorme presente que a vida estava lhe dando depois de tantas rasteiras.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Ouvi pouco ou quase nada sobre a repercussão da obra desde o seu lançamento, o que significa que é pouco provável que a Netflix renove a série para sua continuação. E talvez essa decepção com a protagonista seja a causa maior da recepção fria do público (sei que é da minha), muito embora as tramas paralelas fracas também sejam sintomas pessimistas acerca do resultado.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Meu diagnóstico é que Fitzgerald entregou outro trabalho impecável, logo em seguida ao lançamento do ótimo Desconhecidos, mas não conseguiu salvar Pulso que, se ainda não morreu na mesa de uma operação que parecia promissora, está agonizando, a não ser que um médico roteirista entre na sala de cirurgia para realizar uma manobra heroica com o desfibrilador, o que, de novo, não parece provável.</p></p>
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		<title>Quando o Telefone Toca</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Flávia Leão]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Feb 2025 19:13:35 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>Quando o Telefone Toca</em> tem um nome instigante, embora sua nota no IMDb (5.6) não seja tão animadora. Mesmo assim, a série fez um burburinho quando estreou na plataforma, o que talvez (mas muito provavelmente) possa ser atribuído ao gosto pelas produções orientais que vem crescendo exponencialmente há algum tempo (e não sem motivo, porque é muito divertido!).</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Dizem que gostar de doramas é um caminho sem volta e cada vez mais entendo o porquê &#8211; eles trazem algo que, de alguma forma, fomos perdendo gradativamente depois da primeira década do século XXI aqui no ocidente. Somente assim para aguentar um quase Christian Grey coreano e uma outra Anastasia que, não bastasse, ainda é muda.</p>
</p>
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			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_seriado/sandman-temporada-2-parte-2/" >
				Sandman | Temporada 2 – Parte 2			</a>
		</h3>
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			<p>Sandman é mais uma vez belo e melancólico. Temos um desfecho fiel à fórmula, mas desprovido de alma ou qualquer profundidade emocional.</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A fórmula dominador/dominada ganhou espaço nessa loucura que é a psique humana e o audiovisual vai se aproveitar dela ao máximo, seja aqui (e acabamos de testemunhar mais um lançamento com a temática nos cinemas, <em>Babygirl</em>), seja do outro lado do mundo &#8211; e esperemos que <em>este</em> não seja um caminho sem volta. Mas como diz Roger Ebert, um dos grandes mestres analistas do Cinema, o segredo de uma história é muito menos o seu conteúdo do que a forma como ela é contada. E, como eu disse, esse formato de dorama, em geral, é muito divertido.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Já digo que <em>Quando o Telefone Toca</em> não é o melhor deles e as notas do IMDb e do Rotten Tomatoes (a deste último ainda pior que a do primeiro), se justificam (é preciso admitir) pelos enormes e inúmeros furos na trama. Elas não se justificam, no entanto, pelo fato de que a série, ainda assim, tem o potencial de nos segurar até o fim, sem muito esforço &#8211; diferentemente de umas e outras como o fatídico <em>O Mito de Sísifo</em> ou o superestimado e inacreditável <em>O Rei de Porcelana &#8211;</em> e por isso, deveria ter recebido mais crédito do que recebeu.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">E o último episódio!… Bem, vou deixar para vocês conferirem e decidirem se vão atender o telefone ou não.</p></p>
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		<title>Agatha Desde Sempre</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lainara Araújo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 31 Oct 2024 17:05:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>'Agatha Desde Sempre' revela o lado sombrio da Marvel com uma estética gótica, personagens femininas complexas e muito misticismo. </p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_seriado/agatha-desde-sempre/">Agatha Desde Sempre</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Chegamos ao fim do seriado que quase ninguém pediu, mas que se consolidou como um dos mais populares e comentados da Marvel. Agatha Harkness foi introduzida em <em>WandaVision</em> com muita ambição, carisma e artimanhas de manipulação, tendo um único objetivo: conquistar o poder da Feiticeira Escarlate. Ao fim de <em>WandaVision</em>, a “vizinha fofoqueira” foi presa no feitiço de Wanda em Westview, e seu destino ficou incerto… até agora! <strong><a href="https://ocinemae.com.br/kathryn-hahn/">Kathryn Hahn</a></strong> foi uma das forças que impulsionaram esse projeto, e, entre as poucas informações que soltavam, o nome do título da série foi mudando em cada oportunidade. No fim, a escolha de <em>Agatha Desde Sempre</em> foi acertada, pois deixa claro que Harkness é uma vilã tão carismática quanto Loki, com nuances próprias que a tornam fascinante. Até agora, sua ambição e sede por poder a impulsionam e são o núcleo de sua história, mas a personagem nunca demonstra culpa verdadeira pelas desgraças que causou, mantendo seu foco no que mais importa para ela: viver e se preservar.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Além disso, toda vilã precisa de seu grupo de apoio—ou melhor, de seu Coven. O primeiro a cruzar o caminho de Agatha é um jovem misterioso (Joe Locke), que busca seu auxílio para entrar no Caminho das Bruxas, e cujo poder é tamanho que conseguiu libertá-la do feitiço de Wanda. Junto da dupla, temos Rio Vidal (Aubrey Plaza), Jennifer Kale (Sasheer Zamata), Lilia Calderu (Patti LuPone), Alice Wu-Gulliver (Ali Ahn) e, aleatoriamente, uma senhorinha simpática chamada Sharon Davis (Debra Jo Rupp). Cada uma dessas bruxas adiciona um toque especial, e é muito bom ver a Marvel criando espaço para personagens femininas tão complexas.</p>
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					<h2 class="elementor-heading-title elementor-size-default">Veja também</h2>				</div>
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			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_seriado/agatha-desde-sempre/" >
				Agatha Desde Sempre			</a>
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			<p>&#8216;Agatha Desde Sempre&#8217; revela o lado sombrio da Marvel com uma estética gótica, personagens femininas complexas e muito misticismo. </p>
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		</p>
<p class="wp-block-paragraph">As bruxas, todas, inclusive Agatha, dançam nessa linha entre o bem e o mal, dependendo das circunstâncias. A série traz um bom exemplo do misticismo e das nuances de caráter que a Marvel deveria explorar mais em seus projetos. Ao mesmo tempo, as bruxas da série mostram que a ambição delas se mistura com uma complexa rede de moralidade própria. A série explora esse tempero que falta nos últimos filmes da Marvel: ousadia e camadas de caráter que dependem de escolhas e não de forças absolutas. Não há medo em assumir que o bem e o mal podem coexistir em cada uma das personagens.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A estética gótica da série merece uma salva de palmas. Desde os detalhes dos figurinos até a ambientação sombria dos cenários, tudo se encaixa em um visual digno de bruxaria. A atmosfera sombria realça os momentos mais tensos da trama, e a estética, cheia de elementos góticos, faz com que cada cena seja visualmente cativante. A série investiu bem em cenas de horror leve, criando momentos de suspense dignos daquele universo obscuro.</p>
<p class="wp-block-paragraph">É claro que nem tudo foi perfeito em <em>Agatha Desde Sempre</em>. Algumas pontas soltas da história de Agatha poderiam ter sido melhor amarradas, mas essas pequenas falhas em nada afetam o quadro geral: uma narrativa bem construída, com arcos emocionantes e cheios de reviravoltas. Mas embora a série pertença a Agatha, outros personagens também têm seus momentos, como Lilia Calderu, responsável pelo melhor episódio da temporada na minha opinião. A decisão de incluir Patti LuPone como a matriarca do Coven deu peso e uma profundidade teatral, sendo cômica e dramática quando necessário.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Aubrey Plaza também brilhou. Mesmo que o mistério sobre sua personagem tenha sido revelado precocemente por causa de um Funko Pop, isso não estragou o momento de sua revelação como A Morte. Plaza entrega a presença ideal, com a beleza e toxicidade necessárias para o papel, e a química entre ela e Agatha é um espetáculo à parte. A conexão entre elas é fascinante, como se Agatha tivesse o poder de manipular até a própria Morte. A trama deixa claro que Agatha foge desse destino a qualquer custo e, quando a confronta, o faz com medo de encarar as consequências de suas ações.</p>
<p class="wp-block-paragraph">É bem complicado tentar entender Agatha, quem olha com uma lente superficial pensa que ela só quer poder e mais nada, mas por uns momentos de lapso ela é capaz de ter compaixão e cometer alguns sacrifícios, ela não é boa, mas também não é de todo mal. E foi por isso que ela colocou o Jovem debaixo da sua asa, inicialmente por interesse, mas no fim por afeto.</p>
<p class="wp-block-paragraph">E falando no Jovem, foi outro personagem que estava com uma pedrinha cantada de quem seria, Billy Maximoff – A.K.A Wiccano, conseguiu encontrar em William Kaplan o perfeito receptáculo para continuar vivendo, e ele é o fio condutor de toda a história, inclusive o criador do Caminho das Bruxas, que antes era só um conto da carochinha de Agatha para predar bruxas desavisadas. Sim, o divo criou a realidade dele, e como a mãe, tinha alguns gaps. As Sete de Salem foram uma pedra no sapato do Coven, mas não precisava passar pelas provações para alcançar as bruxas e nem de longe mostrou todo o potencial que prometeu no segundo episódio. A forma como elas foram eliminadas foi belíssima, já que envolve um sacrifício da Lilia, porém foi só isso.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Joe Locke é sim a escolha perfeita para interpretar o filho de Wanda, ele tem carisma, presença e, acima de tudo, é bonito. É revoltante pensar que a mesma comunidade que pede aceitação também rejeita o ator por ele não ter uma beleza convencional. Ele vai ganhar seu reconhecimento cedo ou tarde, porque é o pacote completo. O momento da revelação de quem ele era vai entrar nos livros de história da Marvel, porque foi épico!</p>
<p class="wp-block-paragraph">Voltando para o Caminho, mesmo que seja criação do Billy, ele não se tocou até o final e, assim como Wanda, não tinha controle das consequências de sua própria criação. Pessoas morreram e Jen conseguiu seu prêmio, mas não foi por causa do Caminho; foi por estar no lugar certo e na hora certa, tomando seu poder de volta que foi bloqueado por Agatha, porque ela simplesmente sentiu vontade de fazer isso há 100 anos e nem se lembrava disso. Foi um tanto poético ver Jen assumir seu poder e, sendo a única mulher preta na história, foi contra todas as possibilidades, se tornando uma final girl perfeita.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Sobre as Sete de Salem, o sentimento que fica é de que muito foi prometido, mas a entrega ficou aquém. Embora houvesse expectativa de uma profundidade maior para o grupo, algumas delas acabaram reduzidas a estereótipos e ficaram sem um arco final convincente, como se sua jornada tivesse sido cortada antes de alcançar o clímax. E, mesmo que essa decisão possa ter sido feita para manter o foco em Agatha, é frustrante ver um potencial tão promissor descartado de forma tão brusca.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Com um orçamento pequeno e muita força de vontade, <em>Agatha Desde Sempre</em> se juntou ao panteão de séries com selo de qualidade da Marvel, e é muito gratificante ver que mulheres e LGBTQIA+ puderam brilhar nesse projeto que faz parte de um estúdio predominantemente feito para agradar homens. Mesmo que haja pessoas que não gostem, <em>Agatha Desde Sempre</em> mostrou que existem histórias ricas no universo Marvel que merecem ser contadas.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Ao final da série, senti emoções contraditórias em relação ao destino de Agatha, a fantasminha trambiqueira. Se, por um lado, fico feliz que ela continue presente na vida dos Maximoff como uma espécie de guia espiritual (e sim, recuso-me a aceitar a morte de Wanda!), por outro, vejo isso como uma limitação de seu potencial. Afinal, Agatha merece mais poder? Especialmente depois de suas manobras de roubo de poder e manipulação no Caminho?</p>
<p class="wp-block-paragraph">A tentativa de entender Agatha é complexa. À primeira vista, ela pode parecer alguém movida apenas pela ambição, mas em certos momentos de compaixão vemos um lado mais humano. Ela não é boa, mas tampouco é inteiramente má, e sua relação com o Jovem demonstra isso. Se inicialmente ele foi uma ferramenta, ao final ele se torna alguém importante para ela.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Com um orçamento modesto, <em>Agatha Desde Sempre</em> provou ser uma adição de qualidade ao catálogo da Marvel, especialmente pela presença feminina e LGBTQIA+ em um projeto que desafia o tradicional. É uma vitória ver personagens diversas brilhando em uma série de um estúdio predominantemente voltado para o público masculino. Mesmo que nem todos apreciem o resultado, é inegável que <em>Agatha Desde Sempre</em> mostrou que existem histórias ricas no universo Marvel que merecem ser contadas.</p>
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