Às 2h17 da madrugada, dezessete crianças de uma mesma sala de aula fogem de casa simultaneamente e nunca mais são vistas. A cidade, então, mergulha em um mistério angustiante. O terror desse episódio é narrado sob diferentes perspectivas em Weapons — novo filme do diretor Zach Cregger —, cujo título original é bem mais apropriado do que sua versão brasileira, A Hora do Mal.
Inspirado no estilo de Paul Thomas Anderson em Magnólia, Cregger entrelaça os destinos de personagens conectados, direta ou indiretamente, ao caso. Começamos com Justine (Julia Garner), professora da turma desaparecida, passando por Archer (Josh Brolin), pai de uma das crianças, até Marcus (Benedict Wong), diretor da escola, entre outros. Weapons conduz a narrativa com firmeza, instigando o público a mergulhar de cabeça nesse enigma.
O mistério é habilmente construído pelo roteiro — também assinado por Cregger —, que espalha pistas ao longo dos segmentos do filme, permitindo que o quebra-cabeça vá aos poucos se revelando. Mas não se engane: há momentos enganosos, cuidadosamente orquestrados para confundir o espectador. Afinal, quem — ou o quê — está por trás do desaparecimento dessas crianças?
Embora Weapons não seja tão assustador quanto Noites Brutais, longa anterior do diretor, ele acerta na dosagem entre terror e suspense, potencializados por uma trilha sonora arrepiante. Suas mais de duas horas de duração fluem bem, apesar de uma leve “barriga” na metade do segundo ato — compensada por um desfecho extremamente satisfatório. É uma conclusão coerente com a proposta do filme, que entrega uma das cenas finais mais marcantes já vistas no gênero.
Weapons, ou A Hora do Mal, entra com força na lista dos melhores filmes de terror de 2025 e consolida Zach Cregger como uma das mentes mais promissoras do horror/suspense contemporâneo. Em meio a tantos lançamentos medianos, este longa se destaca pelo elenco afiado, pela tensão bem construída e por uma narrativa excepcional.



