Resolvi trazer à tona minha criança interior, já que a Netflix, por sua vez, resolveu colocar em seu catálogo um dos filmes mais emblemáticos da minha infância, A Princesa Encantada (The Swan Princess, 1994). A nostalgia bateu forte.
A história de Odette e Derek é, até hoje, viva em minha memória, e lembro dela com carinho.
Quando criança, não entendia a força da narrativa da animação, que é baseada no clássico O Lago dos Cisnes, assim como o assombroso Cisne Negro (Black Swan), lá de 2010, que deu o Oscar a Natalie Portman. Hoje, por óbvio, é diferente.
Infelizmente, A Princesa Encantada não é tão conhecido nem mesmo pela minha própria geração. Um dos principais motivos: competição. Rejeitado pela gigantesca Disney (sim, o filme não tem nada a ver com a empresa do Mickey, vivam com isso, meus amigos!), a produção teve que competir com os maiores sucessos de bilheteria de sua época: Jornada nas Estrelas: Gerações (1994), Entrevista com o Vampiro (1994), Meu Papai é Noel (1994), O Profissional (1994) , Stargate (1994), Pulp Fiction: Tempo de Violência (1994), Milagre na Rua 34 (1994), e o relançamento de O Rei Leão (1994).
Aí ficou difícil, né? O resultado: fracasso.
Para mim, no entanto, o filme tem seu lugar no coração, e não deixa nem um pouco a desejar, tanto narrativa como tecnicamente.
A cena de passagem do tempo em que Odette e Derek passam de crianças a adultos, por exemplo, é, em minha opinião, uma das mais marcantes de seu tipo, muito mais do que em Moana ou Frozen. O vilão, o feiticeiro Rothbart, é um dos melhores que tem, podem apostar. E a trilha sonora é boa o suficiente (a música Essa é minha ideia até hoje surge de vez em quando em minha cabeça, assim como o dueto Além da eternidade – cafona em sua versão em português, mas lindo na versão original).
Também gosto da forma como o diretor Richard Rich suavizou o tom forte e sombrio de O Lago dos Cisnes para torná-lo acessível às crianças, mantendo, no entanto, a essência da história de Tchaikovski.
Adoro também as personagens coadjuvantes, que engrandecem a narrativa e ajudam a criar o bem-vindo lado cômico da produção.
Assim, o único problema que vejo em A Princesa Encantada é a falta que a marca Disney fez na produção. Porque a grandiosidade é a mesma.
Por tudo isso, se você não assistiu à animação, ative sua criança interior e faça isso, agora que ela está disponível na Netflix.
Vale muito a pena!