Crítica de filme

Avatar

Publicado 2 meses atrás
Nota do(a) autor(a): 3.9

Avatar, lançado em 2009, passou muitos anos sendo a maior bilheteria da história, e isso não se deu por nada: visuais maravilhosos, feitos como que por “mágica”, personagens interessantes de se acompanhar e uma história que não trazia grandes novidades, mas se mantinha muito sólida e divertida de assistir. Tudo isso sustentado pela mente do diretor James Cameron, depois de anos tentando emplacar a obra. Aqui, o CGI atingiu um novo patamar, passando de um complemento para a parte principal do produto. O mundo de Pandora é vivo, seus seres são reais e, melhor ainda do que entregar realismo, o CGI contribui para a conexão emocional do espectador.

Aqui não há o momento inicial em que se estranha as imagens na tela, mas um completo mergulho de cabeça no que o diretor tem para apresentar. Os Na’vi são tão realistas que, quando você lembra de que está vendo um filme, chega a ser assustador. Jake Sully, interpretado por Sam Worthington e Neytiri de Zoe Saldaña, compõem uma dupla cheia de química e muita presença na tela. Ainda que Worthington tenha dificuldades e limitações dramáticas, o fato de o rosto que vemos 90% do tempo não ser exatamente o dele ajuda para que nunca se note como o ator pode ser fraco.

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No que diz respeito ao roteiro e narrativa, em grande parte Avatar é inspirado em Pocahontas e Dança com Lobos. Num geral, não é a coisa mais original, e nem mesmo os caminhos tomados pela direção, mas existem atributos interessantes, como o protagonista literalmente estar inserido na vida dos nativos, e isso causar desdobramentos mais cativantes de se ver. Apesar de não ser único, o enredo é capaz de manter tudo em ordem, e nunca deixa o ritmo cair, nem o tédio reinar (eu diria que ele nunca chega a bater na porta). É claro, outro fator interessante aqui é o contexto inteiro se passar no espaço e com fortes elementos de ficção científica.

É claro que, por outro lado, o roteiro simplório impede a obra de chegar a outros patamares, e também a faz ter aquele ar de “estagnada”. De todo modo, a forma como a narrativa não tenta ser muito complexa e aposta em diálogos bastante mundanos e tranquilos acaba nos atraindo e deixando os espectadores bem confortáveis.

O discurso adotado ainda é bastante valioso, com uma bela (mas clichê) mensagem ambientalista que, embora já batida, precisa ser reforçada sempre.

Avatar é visto hoje com um certo desdém de muitas pessoas, mas é inegável como James Cameron sabe contar uma história e, mais que isso, como é apaixonado por contar histórias. Querendo ou não, Avatar é, sem dúvida, uma experiência inesquecível.

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País: EUA
Direção: James Cameron
Roteiro: James Cameron
Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldaña, Sigourney Weaver, Stephen Lang
Idioma: Inglês

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