Quando um avião é sequestrado por um grupo de terroristas, resta a Nadja (Peri Baumeister) proteger seu filho Elias (Carl Anton Koch) e enfrentar os criminosos, só que para isso ela deverá revelar seu maior segredo, terá que revelar que na verdade ela é uma vampira assassina sedenta por sangue. Recém lançado na Netflix no Brasil (no dia 23 de julho), se existe uma palavra para definir Céu Vermelho-Sangue é desespero.
A situação é desesperadora em sua essência, uma vez que os personagens estão presos em um avião com vários terroristas armados e que qualquer erro pode custar a vida de todos os passageiros. E não há saída.
Como se um grupo de terroristas liderados por um mercenário ganancioso (interpretado pelo icônico Dominic Purcell) não fosse o bastante, a ameaça se torna ainda maior pelo fato de que um dos terroristas, Eigthball (Alexander Scheer) é um completo psicopata. Mas se a situação consegue ficar triplamente pior é porque além de ter que lidar com tudo isso, Nadja está sofrendo com a doença do vampirismo.
A forma como o filme lidou com a maldição da personagem é extremamente interessante e convincente. Como uma doença patológica, ela está a todo momento em constante agonia. Além da incessante sede de sangue, ela é obrigada a se drogar com substâncias que controlam os sintomas, mas que a fazem se corroer por dentro. Baumeister entrega uma performance formidável, pois mesmo em meio ao caos, demonstra com suas nuances, ora humana, ora bestial, o amor que sente pelo filho.
É interessante ver na personagem também, a vergonha que ela sente pelo monstro que se tornou, especialmente quando assusta o próprio filho ou as outras pessoas. Em contrapartida, Carl Anton Koch, mesmo sendo apenas uma criança, atua como gente grande, demonstrando coragem em situações que pedem coragem e desespero pelos perigos apresentados pela trama e uma desesperadora tristeza e medo de perder a mãe, pois ele sabe que ela também é uma vítima de tudo que está acontecendo, mesmo que ela seja parte da ameaça maior.
Céu Vermelho-Sangue é frenético, contendo poucos momentos de respiro e muita adrenalina, suspense e ação, com uma história que te prende do início ao fim. O gore acontece de forma moderada, mas o sangue jorra solto – o que já é de se esperar de um filme de vampiros.
Conforme a história vai avançando e a protagonista se transformando (em estágios cada vez mais monstruosos) vemos uma direção de arte belíssima, com uma mescla entre maquiagem e efeitos visuais que se misturam perfeitamente à realidade, convencendo ao mesmo tempo que assustam.
Utilizando-se de um olhar mais clínico, há sim um outro momento em que os efeitos visuais dão uma leve escorregada, mas é tão sutil que poucos irão perceber. No entanto, isso em nada atrapalha a experiência proporcionada pela obra.
As cenas de tensão são perfeitamente executadas, sem erros grosseiros ou conveniências de roteiros (com exceção, talvez, de uma pequena cena no final), mas com uma construção convincente que entrega a dose certa de dificuldades e fatores facilitadores tanto para o grupo de vilões, quanto para a protagonista e para o grupo de sobreviventes.
Existe um ponto de virada em que os seres humanos tem um primeiro contato com a existência de vampiros e uma personagem aceita muito rapidamente a natureza sobrenatural, inclusive se adaptando a ela e utilizando-se da mesma a seu favor, e isso talvez possa ser questionado por alguns, porém, ao se observar com atenção, podemos constatar que a personagem não era a mais ajuizada das pessoas ali presentes, demonstrando em mais de uma ocasião sua propensão à loucura, o que pode justificar o fato de ele aceitar tão rápido a existência de seres originados de lendas urbanas e do folclore.
Um elemento que pode passar despercebido, mas que é interessante de notar, é que o filme, apesar de possuir elementos da cultura americana (seja por causa de vários personagens, seja pelo clima de terrorismo bastante comum nos Estados Unidos) tem vários aspectos de sua natureza alemã (origem de produção da obra), inclusive na direção de arte e direção de fotografia que, ao visitar elementos da história vampírica alemã, flerta de forma sutil com o impressionismo alemão e também com obras icônicas do universo vampírico como o design da criatura de Nosferatu.
Peter Thorwarth, que assina o roteiro e também a direção, conta uma história eletrizante com elementos que tendem a dar tudo errado, mas que por causa da astúcia de algum personagem ou por obra do mais puro caos, acaba rendendo algum fiapo de esperança. Com altos e baixos dignos de uma montanha russa, o filme se mostra como uma ótima forma de entretenimento e um banquete sangrento para os fãs de filmes de terror.