Crítica de filme

Em Ritmo de Fuga

Publicado 5 anos atrás

Edgar Wright é o maestro que conduz ‘Em Ritmo de Fuga’ com sucesso.

Carros, armas, violência e mulheres, parece muito que estou falando de Velozes e Furiosos ou de qualquer outra obra genérica de mesmo gênero, mas não vai ser desta vez. Em Ritmo de Fuga tem todos os elementos de um filme de ação comum, só que com uma diferença: aqui ele sai bem utilizado e foge do clichê de filmes com a mesma temática.

Baby, interpretado por Ansel Elgort, é um jovem rapaz que trabalha como piloto de fuga para um grande empresário chamado Doc (Kevin Spacey). Por conta de acidente que ocorreu na infância, Baby usa fones de ouvido para abafar os zumbidos em sua cabeça, mas mesmo não gostando do trabalho, ainda precisa concluir mais uma tarefa antes de sair.

Baby fuga

Logo de início, somos apresentados a um grupo de ladrões que estão prestes a executar um assalto à um estabelecimento, sendo que durante a ação, acompanhamos a perspectiva de Baby, piloto de fuga, que está escutando música em seu iPod enquanto a ação é realizada. Aqui já se percebe o diferencial do filme. A montagem é utilizada de forma ágil, dando voltas ao redor do carro e mostrando a paixão que o protagonista tem pela música através dos gestos que ele faz dentro do carro enquanto acompanha os movimentos da música.

E falando em sincronia e montagem, Em Ritmo de Fuga apresenta ótimos planos sequência misturados e em simultaneidade com as melodias. Nesse caso, eles são usados para fazer fluir a cena com mais naturalidade.

É bom deixar bem claro que não se trata de um musical – é apenas um filme musicado – que apresenta uma trilha que ajuda no desenvolvimento da história, porém os atores não a interpretam. Toda a coletânea musical é muito bem utilizada para ditar o ritmo das cenas. Durante toda o longa, somos a cabeça e os ouvidos do protagonista – sempre que há algum barulho em sua cabeça ou até mesmo quando alguém tira o fone de alguns dos lados da orelha percebemos a mudança do som de estéreo para mono. Esse artifício é usado principalmente para imergir o público na trama e aqui funciona com eficiência. 

Já quanto à escolha de atores, essa foi muito bem acertada, todos eles estão muito bem em seus respectivos papéis. Apesar de achar o ator Ansel Elgort inexpressivo, aqui ele se encaixou perfeitamente, notadamente com a personalidade de seu personagem, um rapaz quieto e sem expressão e é interessante notar como Kevin Spacey passa toda a segurança para Baby, segurança essa que vem acompanhada do medo.

Ademais, mesmo aparentando não ter tanta importância narrativa, a personagem vivida pela Lily James é uma válvula de escape para o protagonista, que não aguenta mais essa vida. De resto, todos os criminosos interpretados por Jon Bernthal, Eiza Gonzalez, Jon Hamm, Jamie Foxx, entre outros são funcionais e cumpre com o papel. Esses personagens são importantes para ativar sensações diferentes em Baby, já que ao longo do filme vemos como ele se comporta perto de cada um. Quem se destaca mais é Jon Hamm, que vive Buddy. Essa personagem pode até ser vinculada como uma figura paterna para Baby, visto que seu pai era muito agressivo, mas ao mesmo tempo gostava muito de música – mesmas características do personagem de Jon.

em ritmo de fuga planejamento

Além do mais, Baby tem um mentor, Joseph – que mesmo mudo consegue dar conselhos para o menino. Joseph o adotou logo após a morte de seus pais. Ele tem uma boa função narrativa no começo que, ao longo do filme vai se dissolvendo até o protagonista não precisar mais dele. Esse processo começa a progredir depois que ele conhece Débora, personagem interpretada por Lily James. O propósito dos dois personagens é esse, tranquilizar Baby e lhe dar um motivo para viver, o que não faz sentido, uma vez que os dois personagens cumprem papeis “iguais” na narrativa.

Por fim, Em Ritmo de Fuga é um ótimo filme para se divertir e ainda sair eletrizado do cinema… quer dizer, do sofá junto de uma boa pipoca e um gelado refrigerante.

O filme está disponível na Netflix.

Compartilhar
poster baby driver
País: EUA
Idioma: Inglês

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *