A adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes dirigida por Emerald Fennell se distancia de qualquer tentativa de ser uma cópia fiel do que já foi feito, Em vez de entregar aquele drama de época arrastado, Fennell cria uma experiência sensorial onde a estética dita as regras. A fotografia é impecável, transformando cada frame em algo que você quer emoldurar, mas é a crueza da direção que realmente prende.
A química entre Margot Robbie e Jacob Elordi rouba a cena. Eles não entregam atuações contidas, é tudo muito visceral e intenso. Robbie consegue passar uma complexidade magnética, enquanto o Elordi traz uma presença sombria que domina a tela. Você sente que a relação deles é uma bomba relógio que vai explodir a qualquer momento, e isso é amplificado por figurinos lindíssimos que parecem parte da personalidade caótica de cada um. O grande diferencial, no entanto, é a trilha sonora da Charli XCX. A escolha foi cirúrgica e absolutamente impecável. O som traz uma urgência moderna que quebra totalmente o esperado para esse tipo de cenário, fazendo o filme pulsar em um ritmo muito mais ágil e atual.

Maggie Gyllenhaal promete uma tragédia gótica feminista, mas sua condução fragmentada desperdiça os talentos de Jessie Buckley & Christian Bale.
Ao fim, “O Morro dos Ventos Uivantes” não é sobre o conforto de um romance, mas sobre a anatomia de uma obsessão que devora. Emerald Fennell entrega uma obra visceral onde a beleza da fotografia e dos figurinos serve apenas para emoldurar a obssesão de Catherine e Heathcliff. Com o pulso elétrico da trilha de Charli XCX ditando o ritmo, o filme se torna algo sensorial que pulsa como uma ferida: é belo, brutal e absolutamente implacável em sua sofisticação. Robbie e Elordi nos lembram que certas paixões, muitas vezes, são apenas o nome que damos a uma destruição mútua muito bem executada.



