Um dos filmes mais fracos do ano, Opus: De Volta aos Holofotes (Opus), se veste como uma crítica à cultura das celebridades e jornalistas que bajulam, mas enquanto tenta fazer isso, joga muitos, e muitos clichês no espectador, e não sabe o que fazer com eles. Existem tentativas de criar mistério (vazias) e um aparente desinteresse em criar humor ou terror.
Um músico extremamente famoso que havia parado de cantar por mais de três décadas acaba, do nada, retornando com um novo álbum. Junto a isso, ele convida pessoas aparentemente aleatórias, mas que têm algo em comum, para seu complexo no meio do nada. A partir daí, os hóspedes vivem experiências no mínimo questionáveis. Pessoas com túnicas azuis, feições suaves e todos falando com um tom extremamente calmo na voz. Atitudes estranhas, olhares fixados estranhos, ah, dá até um sono.

Mulheres do Século 20 é uma jornada breve em volta das vivências de pessoas comuns que, ironicamente, se veêm tentando criar um novo tipo de pessoa.
Qualquer pessoa que já tenha visto O Menu (The Menu) e até Pisque Duas Vezes (Blink Twice) e qualquer, literalmente qualquer outra obra que retrate famosos ou pessoas excêntricas já viu tudo que existe em Opus. É esse o problema: uma completa falta de identidade. Ayo Edebiri, que interpreta Ariel, a protagonista, é prejudicada pelo papel que precisou desempenhar, já que ele não se diferencia em nada de qualquer outro protagonista desse subgênero. Sua personagem só desconfia de tudo e anda para lá e para cá tentando descobrir as coisas. A atriz, claro, continua sendo um espetáculo digno dos maiores elogios por conseguir extrair tanto de um roteiro que não a favorece.
Percebe-se, o tempo todo, como o filme quer ser inteligente ao criticar jornalistas, celebridades e o quanto as pessoas podem se tornar bobas ao colocá-las em pedestais, porém ele não possui cenas que alimentem isso, o que ele possui é confiança de que apenas sua proposta já basta para fisgar a mente de qualquer espectador. Os personagens não são interessantes a ponto de fortalecerem a crítica, nem os acontecimentos parecem ir nessa direção, se assemelhando muito mais a um terror comum de culto. A construção de tensão é praticamente inexistente, tipo o momento em que os convidados precisam ser raspados para participarem de uma reunião que não leva a nenhuma consequência interessante.
Em Opus, o que é estranho é só isso mesmo, fazendo com que esse filme pudesse até funcionar melhor se fosse só um terror comum. O diretor parece não confiar nos próprios instintos, como se não saísse do lugar, sem violência o bastante, sem crítica o bastante, sem loucura o bastante.
Se há alguém que consegue dar alguma substância ao filme e, em grande parte, ser o responsável pela obra ainda pegar uma nota 2, este é John Malkovich. O homem é magnético, embora sua interpretação contenha partes de clichês vistos em outras obras. No entanto, creio que o ator se apresenta mais excêntrico e misterioso, mesmo que não seja nada misterioso. A verdade é que ele é tão estranho que talvez fosse loucura achar que ele é estranho, esta é a sacada. Além disso, é de forma sincera que digo que as poucas músicas que tocam no filme são boas, com destaque para a primeira.
No mais, é isso que Opus é capaz de oferecer aos seus espectadores: uma crítica sem crítica e um terror sem terror, contando com a maravilhosa, mas incapaz de sustentá-lo, interpretação de Malkovich. A direção não parece inspirada e a obra como um todo a segue nessa condição.



