Crítica de filme

Predador: Terras Selvagens

Publicado 4 meses atrás
Nota do(a) autor(a): 4

Dan Trachtenberg revitalizou uma das marcas mais populares do cinema de ação e ficção científica, O Predador. Depois do excelente A Caçada — que infelizmente não chegou aos cinemas — e do recente longa animado Assassino de Assassinos, o diretor retorna agora com a mais nova entrada da saga: Terras Selvagens.

Ambientado no futuro, o filme acompanha pela primeira vez um predador específico: Tek (Dimitrius Schuster-Koloamatangi), que parte em uma missão para caçar uma criatura extremamente letal em um planeta hostil, a fim de provar seu valor após ser rejeitado pelo clã. Lá, ele encontra a androide Thia (Elle Fanning), que se torna uma aliada improvável.

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Trachtenberg inova ao contar a história sob a perspectiva do próprio Yautja. Desde 1987, eles existiam sobretudo como antagonistas — aqui, acompanhamos um arco de autodescobrimento e vingança dentro de um universo expandido, com novos mundos, novos conceitos, novas dinâmicas e easter-eggs muito divertidos.

Tek é um protagonista surpreendentemente carismático, mas quem rouba a cena mesmo é Thia, androide da Weyland-Yutani (sim, a mesma corporação do universo Alien), interpretada por Elle Fanning. Destemida, curiosa e tagarela, ela forma com Tek uma dupla improvável que funciona surpreendentemente bem, desconstruindo o arquétipo tradicional do predador como uma figura brucutu solitária dos anos 80.

Visualmente, Trachtenberg mantém seu estilo enxuto e imersivo: a câmera poucas vezes abandona a perspectiva de Tek, reforçando o senso de tensão constante ao decorrer da trama. A direção de ação privilegia a fisicalidade, mesmo sem apelar para o “gore” humano. Terras Selvagens, aliás, é o primeiro filme da série classificado para menores nos EUA — consequência da ausência de sangue vermelho humano, ainda que a brutalidade continue presente. Curiosamente, essa suavização gráfica não compromete em nada o impacto das cenas; ao contrário, evidencia que intensidade não depende exclusivamente de violência explícita.

Terras Selvagens também apresenta um roteiro mais robusto do que o convencional para os parâmetros desta franquia, equilibrando ação intensa com a jornada emocional dos protagonistas — e ainda adicionando um toque de humor meio “Marvel” que, inesperadamente, funciona melhor aqui do que em O Predador (2018). O único ponto que pode dividir parte da base hardcore é que, ao optar por uma abordagem mais emocional e até mais companheirista, o filme inevitavelmente se afasta um pouco do tom mais brutal e minimalista dos filmes anteriores — algo coerente dentro da proposta, mas que não necessariamente agradará aos puristas.

Em um cenário em que Hollywood insiste em reciclar franquias sem propósito claro, Terras Selvagens se destaca por expandir o universo de forma orgânica, sem se apoiar apenas em nostalgia. É um raro exemplo de blockbuster de marca antiga que parece ter algo novo a dizer — e não apenas algo novo a vender.

Em suma, devemos agradecer a Trachtenberg pela dedicação em expandir esse universo, algo que não era visto desde Predadores, e torcer para que a sequência de produções mantenha o mesmo nível dos últimos três filmes. Predador: Terras Selvagens é um blockbuster divertido, surpreendente em vários momentos e que se consolida como um dos destaques de 2025.

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Predador: Terras Selvagens

Predator: Badlands
16
País: EUA
Direção: Dan Trachtenberg
Roteiro: Patrick Aison
Elenco: Elle Fanning, Dimitrus Schuster-Koloamatangi
Idioma: Inglês

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