Crítica de filme

Terra Assombrada

Publicado 4 meses atrás
Nota do(a) autor(a): 3

Atualmente conhecida pelo medíocre Five Nights at Freddy’s: Pesadelo Sem Fim (Five Nights at Freddy’s), e prestes a lançar a sequência em dezembro deste ano, Emma Tammi demonstrou em seu filme de estreia que possui muito mais potencial do que aparenta. Em 2018 foi lançado Terra Assombrada (The Wind), funcionando como uma espécie de fábula em torno da solidão feminina e da maternidade.

Já na introdução, Tammi causa certo impacto no espectador com uma cena violenta e silenciosa. Nesse momento a diretora deixa fincado qual será o clima do longa, e com qual atmosfera é preciso se acostumar. Aqui, embora o terror seja psicológico, Tammi o alicerça na paranoia e na solidão. No enredo, o casal Lizzy (Caitlin Gerard) e Isaac (Ashley Zukerman), afastados de qualquer grande cidade, usufruem de uma região isolada nas estepes. Quando um outro casal chega repentinamente, coisas sombrias começam a acontecer, e que levam Lizzy a pensar que naquelas bandas pode haver um demônio.

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Guiando-se por um único ponto de vista, temos uma narrativa que costura o presente e o passado, nos mostrando o que levou tudo a ser como é. Pode-se dizer que há um bom retrato do contemporâneo daquelas pessoas, com o calor, o cultivo fraco, a falta de relações sociais ou românticas e, óbvio, o medo em relação ao desconhecido. Estes elementos são retratados pelos olhos sempre cansados de Lizzy, que com sua secura, esconde um incômodo e um pavor irreparáveis. Ao mesmo tempo, Tammi explora a relação das duas mulheres e como elas vão de uma aparente amizade à um ciclo de desconfiança e raiva. Junto a isso, a direção gera discussões sobre como ter um filho naquelas condições seria condenar a criança a uma vida de exaustão e trabalho imparável. Ao fim, com todos os seus elementos dramáticos escolhidos, o terror adentra como a cereja do bolo.

Creio que o grande problema aqui seja a falta do que contar como um todo. Tammi faz o que pode preenchendo a duração com cenas de diálogos levemente instigantes e acontecimentos interessantes na medida, mas na segunda metade para o fim, é perceptível como a narrativa parece oca e sem propósito. Não só isso, como os protagonistas, todos eles, são apenas bem intencionados. Quero dizer, nenhum deles é destacável, nenhum desperta grandes sentimentos, nem mesmo a protagonista, que é a quem mais recebe atenção. Creio que os maiores pontos aqui vão para o terror, área na qual Tammi demonstrou ser bastante perspicaz, apostando menos em jumpscares e mais em causar medo real. Sua exploração em torno do tema demoníaco é feliz e bem sucedida na maior parte do tempo, mesmo que a despeito de personagens tão ocos e uma narrativa que se perde.

Num geral, não é um filme que fere os sentidos ou insulta o espectador, e percebe-se que há mensagens dignas e interessantes. Talvez apenas faltasse mais personalidade ao todo, mais vivacidade em suas personas e uma maior veemência no que se pretendeu estudar. No entanto, mesmo com seus altos e baixos, vale bem mais a pena conferir Terra Assombrada do que o que a diretora tem feito recentemente.

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Terra Assombrada

Terra Assombrada

The Wind
A14
País: EUA
Direção: Emma Tammi
Roteiro: Teresa Sutherland
Elenco: Caitlin Gerard, Ashley Zukerman, Julia Goldani Telles
Idioma: Inglês

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