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Lista

Os Melhores Filmes de 2025

12/29/2025 •

12:01

O ano de 2025 foi marcado pela diversidade de olhares no cinema e filmes que se destacaram não apenas pela repercussão, mas pela consistência de suas propostas. Entre obras autorais, narrativas clássicas bem executadas e produções que dialogam diretamente com questões sociais, históricas e culturais, a equipe do site O Cinema É selecionou os títulos que melhor traduziram a força e a variedade da sétima arte ao longo do ano. São filmes que permanecem relevantes mesmo depois da sessão e que, por diferentes caminhos, ajudaram a definir 2025 nas telas.

Homem com H, de Esmir Filho

Homem com H
© Marina Vancini

O ano de 2025 entregou uma das melhores biografias do mundo cinematográfico! Homem com H entra nessa lista com toda sua grandiosidade narrativa. A inserção das músicas na história não foi forçada e muito menos desconexa com as fases da vida de Ney. Fiquei um pouco dividida na minha escolha, mas no fim, percebi que um filme recheado de paetês, brilho e resistência não merecia ser ofuscado. Esmir Filho pegou toda a essência tecnicolor e vibrante da vida de Ney e explodiu na tela junto de Jesuíta Barbosa, que incorporou o ícone de um jeito quase sobrenatural. Só lamentei que o filme não teve mais tempo em cartaz, embora sua passagem meteórica pelos cinemas tenha contribuído para seu status cult. – Lainara Araújo.

A Única Saída (어쩔수가없다), de Park Chan-wook

© via TMDb. Todos os direitos reservados.
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A Única Saída, do ótimo Park Chan-wook, impressiona logo de cara pela sua cinematografia colorida e marcante. A partir daí o filme adiciona tempero em seus enquadramentos precisos através de pitadas de ironia, carregadas de duras críticas ao mercado de trabalho. Não é novidade para ninguém que a estabilidade profissional (ou a falta dela) está em constante conflito com o desejo pelo sucesso, mas o diretor é brilhante ao traçar paralelos entre a violência física e a brutalidade e frieza corriqueiras do mundo corporativo.

Além disso, Lee Byung-hun entrega uma atuação incrível, trazendo fragilidade e loucura a um homem comum consumido pela opressão do sistema em que vive. Com seu humor negro, Park Chan-wook cria uma sátira ácida que sim, faz rir, mas também nos coloca uma pulga atrás da orelha. Certamente um dos melhores do ano, e possivelmente meu favorito. – Hesick Lênin.

Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out (Wake Up Dead Man), de Rian Johnson

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Em Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out, fica clara a volta à boa forma de Rian Johnson, que retoma o controle do tom e da engenhosidade narrativa que marcaram o primeiro filme, equilibrando humor afiado, comentário social e um mistério elegante. A fotografia é um dos grandes trunfos, com enquadramentos precisos e uso expressivo da luz e das cores. O elenco todo recheado de rostos famosos entrega atuações seguras e cheias de personalidade; ainda assim, o destaque absoluto é Josh O’Connor, que imprime carisma e ambiguidade ao seu personagem, roubando cenas com uma presença magnética e demonstrando grande domínio de tempo cômico e intensidade dramática. Uma excelente adição a lista dos melhores do ano aos 45 do segundo tempo de 2025. – Nicolas Bittencourt.

Pecadores (Sinners), de Ryan Coogler

pecadores
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Pecadores representa o poder de alguém que conhece seu povo, sua cultura, sua força, e o que se pode fazer com isso. Ryan Coogler já mostrava seu poder narrativo com o ótimo Creed e os funcionais Pantera Negra 1 e 2, mas foi aqui que você dança com ele. 

A trama de Pecadores, pela aparência, é clichê, mas é no seu interior que reside um mar de originalidade. Aqui, somos apresentados a um terror social que explora as mazelas do povo negro de uma forma nova. Temos uma alta expressividade da cultura, da voz (literal e metaforicamente) desse povo. A música é um dos alicerces dessa obra, cheia de blues e jazz. Se furtando de ter que apresentar conceitos já batidos e convenções conhecidas, Pecadores se preza mesmo é a apresentar seus personagens apaixonantes, sua amizade e estabelecer que cada um deles, mesmo os figurantes sem fala, são humanos. O trabalho de nos mostrar um pouco de quem é cada um aqui é tão magistralmente bem feito que, quando a tensão começa, eu me vi temendo por TODOS! – João Gabriel.

Oeste Outra Vez, de Erico Rassi

oeste outra vez
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Oeste Outra Vez é um retrato potente e sensível de um Brasil marginalizado que transforma uma trama aparentemente simples de vingança no interior de Goiás em uma obra profunda sobre solidão, miséria, ignorância e brutalidade cotidiana. Dirigido por Érico Rassi, o filme se destaca pela combinação precisa entre fotografia crua, trilha sonora contrastante e personagens densos, cujas emoções transbordam mais pelo silêncio do que pelos diálogos. Ao misturar drama, comédia, aventura e violência, o longa vai além do entretenimento e provoca reflexões sociais essenciais, despertando ao mesmo tempo incômodo e compaixão diante de homens moldados pelo vazio e pela desigualdade. Mesmo correndo o risco de passar despercebido pelo grande público, trata-se de uma obra marcante, que reafirma a força, a identidade e a relevância do cinema brasileiro, merecendo ser vista, debatida e lembrada. – Giovanni Paoli.

Uma Batalha Após a Outra (One Battle After Another), de Paul Thomas Anderson

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Em Uma Batalha Após a Outra, Paul Thomas Anderson desenvolve, em um registro pouco habitual em sua filmografia — ainda que a ação não lhe seja estranha, ainda que em ritmos bastante distintos, como já demonstrado em Jogada de Risco (1996) e Vício Inerente (2014) —, um filme que mistura violência e comédia em uma espécie de fábula sobre a revolução, tanto em seu sentido abstrato quanto concreto. Leonardo DiCaprio, em papel de destaque, entrega uma atuação competente, especialmente na segunda metade, quando o filme se permite investir mais no humor, embora seu personagem lembre excessivamente alguns de seus trabalhos recentes. Desde a sequência de ação inicial, conduzida de forma quase tarantinesca (me obrigando a usar o termo, ugh…), a obra nos mantém em estado de alerta e consegue entreter mesmo nos momentos mais “parados”, sem jamais perder o interesse do espectador. Não à toa, é um dos filmes mais cotados ao Oscar e tem sido tão comentado que, até por aqui, n’O Cinema É, já rendeu uma crítica após a outra. – Matheus Augusto.

F1 – O Filme (F1), de Joseph Kosinski

f1 brad pitt
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O que faz de F1 um dos (senão o melhor) longa de 2025 é um fato simples: ele é apenas um filme que conta uma história. A história de um talentoso piloto veterano que, de repente, vê a oportunidade de voltar ao autódromo, competindo não só com as outras marcas da Fórmula 1, mas principalmente com seu jovem parceiro de equipe e consigo mesmo. Uma história que não deturpa o roteiro em favor de outros vieses, mas que é leal ao que se propõe. Uma história que usa o talento de seu elenco para se exaltar e engrandecer, não para subverter o Cinema. Uma história que nos relembra o que a sétima arte realmente é: um instrumento para emocionar e formar opinião, não doutrinar. A consequência está aí para qualquer um ver: uma obra que agrada a todos os que assistem, até mesmo quem não é fã de alta velocidade. – Flávia Leão.

The Mastermind, de Kelly Reichardt

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Até onde somos a história que contamos sobre nós mesmos? Um herdeiro que não consegue emprego decide usar seu conhecimento para roubar obras de arte. Uma personagem que denota um vazio causado pelo acúmulo: a estabilidade financeira o entorpeceu. O privilégio de não ser escolhido pra guerra nos anos 70 é um dos os elementos que motivam JB a roubar um artista que nem é tão popular, mas nichado e de gosto particular do ladrão. Um crime com assinatura, mas sem ethos, atravessado apenas  pelo seu “bom gosto” e ócio. Porém, sua capacidade de se manter alienado cai e, por meio de um incontornável naturalismo, característico de sua diretora Kelly Reichardt, JB é obrigado a enfrentar a realidade material e as coisas não vão bem. Os privilégios não o impedem mais de ser tragado pra terrível realidade que por tanto tempo achou que pudesse escapar. – Pedro Tao.

O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho

O Agente Secreto
© Divulgação

A epopeia de Kleber Mendonça Filho é um filme atravessado pelo silêncio — e não por acaso. Ambientado nas entranhas do Brasil da década de 1970, em pleno regime militar, ele transforma o apagamento da memória coletiva em algo quase palpável, presente nos olhares, nos vazios e no que nunca é dito em voz alta. O diretor constrói uma atmosfera sufocante, porém vívida, onde a sensação constante de estar sendo observado converge com a tentativa desesperada de seguir em frente, mesmo quando a história insiste em ser esquecida. Wagner Moura, em uma de suas performances mais poderosas, sustenta um personagem que carrega mais do que se pode nomear, e O Agente Secreto encontra sua força justamente nesse acúmulo de ausências. É uma obra que dói menos pelo que mostra e mais pelo que revela ter sido apagado e que, ao se recusar a esquecer, transforma o passado em um gesto de resistência no presente. Sem dúvidas, um dos filmes mais importantes de 2025 e, sobretudo, para o cinema nacional. – Diogo Trevesan.

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