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	<title>Arquivo de Jovem Nerd | O Cinema É</title>
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	<description>Crítica, notícias e trailers sobre filmes e seriados</description>
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	<title>Arquivo de Jovem Nerd | O Cinema É</title>
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		<title>A Própria Carne</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Biancheti]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Oct 2025 13:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Eficiente em sua construção de suspense, A Própria Carne não expande sua narrativa, mas prova que o terror nacional tem potencial de sobra. </p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/a-propria-carne/">A Própria Carne</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O terror é um gênero que não é um foco de projetos em escala nacional. Apesar de ser muito popular ao redor do mundo, parece existir um certo receio de produtoras brasileiras em depositar confiança e investimento em longas desse segmento. Por isso, ver uma produção independente como A Própria Carne apostando alto em uma história de terror é uma grata surpresa, que pode sinalizar uma mudança no mercado local, que seria muito bem vinda. Tive o privilégio de assistir o filme em sua pré-estreia em Belo Horizonte, algumas semanas atrás, com a presença do diretor Ian SBF e o produtor Alexandre Ottoni. Ouvi-los contar sobre os bastidores da produção, após a sessão terminar, evidenciou ainda mais um fato que pra mim já estava muito claro. Esse projeto é um resultado de paixão e trabalho duro, tendo sido gravado dentro de um período de 15 dias por uma equipe de profissionais que tiveram que lidar com as limitações de um filme independente e encontrar formas criativas de trazer sua visão para fora do papel.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A premissa do filme é simples, mas eficaz. Três desertores brasileiros da Guerra do Paraguai abandonam o campo de batalha e procuram ajuda para sobreviver em um ambiente isolado. Ao encontrarem abrigo em uma fazenda habitada por um velho senhor e uma jovem garota, os hospédes logo descobrem que os seus anfitriões não são exatamente quem eles parecem ser. O contexto histórico da Guerra do Paraguai como pano de fundo para o disparo da narrativa é uma ideia excelente e que traz holofote para um conflito que não é abordado com a frequência que deveria ser. Mas infelizmente o roteiro não desenvolve esse contexto para além de um esboço. Sabemos que os desertores abandonaram a guerra no nome da sobrevivência e que os anfitriões estão acostumados em interagir com os soldados, mas não temos um desenvolvimento maior sobre como viver dentro, e ao redor, dessa batalha realmente afetou os personagens que acompanhamos. É uma oportunidade perdida, que esvazia o longa em caracterização.</p>


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			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, a construção de suspense em relação às verdadeiras intenções dos habitantes da fazenda é executada de maneira muito efetiva e é dentro dessa ação, que se encontra o grande trunfo do filme. Você percebe que algo está errado e que eventualmente as coisas irão ir de mal para pior, mas a direção de Ian não tem pressa em chegar nesse momento, brincando com as expectativas do espectador e fazendo o momento de reviravolta do longa surtir um peso ainda maior. É dentro desse contexto que o elenco encontrar a chance de brilhar com atores como Luiz Carlos Persy e Jorge Guerreiro transmitindo toda a imponência, paranoia e ansiedade de seus respectivos personagens com muito talento e firmeza.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No geral, A Própria Carne é um filme que não tem muito interesse em construir uma fundação dinâmica para sua história ou sequer explicar a mitologia de seu universo de maneira mais detalhada, mas mesmo com esses aspectos que fazem com que o projeto não alcance todo o seu potencial narrativo, ele surpreende por ser um longa-metragem que reconhece a qualidade sensorial que o gênero do terror apresenta como oportunidade, utilizando essa porta para causar desconforto, apreensão e nojo em quem assiste à medida que os eventos do filme vão tomando forma. Deixo registrado a minha torcida para que o projeto independente do Jovem Nerd encontre sucesso e retorno financeiro durante sua passagem nos cinemas brasileiros. Todo risco merece ser admirado.</p>
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