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	<title>Arquivo de Sony Pictures | O Cinema É</title>
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	<description>Crítica, notícias e trailers sobre filmes e seriados</description>
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	<title>Arquivo de Sony Pictures | O Cinema É</title>
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		<title>Mestres do Universo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Eduardo Eufrazio do Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Jun 2026 05:35:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>No longa Mestres do Universo, dirigido por Travis Knight (Kubo e as Cordas Mágicas) e escrito por Chris Butler e pelos irmãos Adam e Aaron Nee, acompanhamos o Príncipe Adam, que fugiu para a Terra quando criança e perdeu a famosa Espada do Poder no trajeto. Quase duas décadas depois, ele consegue restabelecer a conexão [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">No longa <em>Mestres do Universo</em>, dirigido por Travis Knight (<em>Kubo e as Cordas Mágicas</em>) e escrito por Chris Butler e pelos irmãos Adam e Aaron Nee, acompanhamos o Príncipe Adam, que fugiu para a Terra quando criança e perdeu a famosa Espada do Poder no trajeto. Quase duas décadas depois, ele consegue restabelecer a conexão com a espada e retorna ao seu planeta, Eternia, que está sob um regime tirano comandado pelo vilão Esqueleto (Jared Leto). Para salvar o universo, Adam precisa reviver traumas de seu passado, enfrentar seus medos e abraçar o seu destino como He-Man.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Olhar para a franquia com uma identidade atual é um tanto curioso. Originária dos anos 80 com uma linha de brinquedos, a história de Eternia sempre carregou a essência daquela época: uma celebração da masculinidade indestrutível. Trazer essa propriedade intelectual para 2026 exigia uma ousadia. Como abraçar a nostalgia de quem cresceu gritando &#8220;Eu tenho a Força!&#8221; sem ignorar que o mundo, como um todo, mudou? A adaptação em live-action sob a direção de Knight não só aceita esse desafio, como entrega um dos blockbusters mais surpreendentes do ano.</p>


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			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><em>Mestres do Universo</em> acerta pois compreende que, para respeitar o seu passado, não se necessita repetir a mesma fórmula. Visualmente, o filme é uma catarse nostálgica. Do imponente Castelo de Grayskull ao visual do Esqueleto, há um carinho singelo pelo original. O filme não esconde ser o que é; muito pelo contrário, abraça o cafona oitentista e o sobrepõe com a tecnologia do CGI atual. O humor da obra funciona muito bem também, encontrando o tom certo entre a galhofa e a urgência da história. Nesse cenário, o Esqueleto de Jared Leto está sensacional, equilibrando perfeitamente a sua ameaça tirânica com o carisma caricato do desenho. Essa atmosfera ganha ainda mais força com a espetacular trilha sonora do icônico guitarrista Brian May (Queen) em parceria com Daniel Pemberton, cujos solos de guitarra trazem uma energia de ópera rock que dita o épico. A essência do desenho animado ainda está ali.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, o maior acerto da obra está na forma como desconstrói o machismo que moldou o gênero. A crítica ao machismo não surge como algo só jogado na narrativa, mas através da jornada de Adam. Ao ser interpretado como um jovem que esconde suas respectivas vulnerabilidades por trás de uma armadura e de músculos, a obra questiona o peso da masculinidade tóxica. He-Man não é forte porque sabe lutar, mas sim porque sabe ouvir e aceitar que não precisa carregar o fardo de salvar o mundo sozinho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa mudança abre espaço para Teela (Camila Mendes) se destacar. Longe de ser só uma coadjuvante que bate nos inimigos apenas para simular algo representativo, o filme ironiza, de forma inteligente, o fato de que, historicamente, homens desleixados (assim como Adam neste filme) recebem o poder, enquanto mulheres competentes e treinadas precisam se provar a todo momento para serem ouvidas. A dinâmica da dupla é fixada sob uma linha tênue de igualdade, e não em algo concessional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, <em>Mestres do Universo</em> cumpre o que promete. Abraça a nostalgia para os seus fãs antigos e encanta a nova geração, provando que é possível usar clássicos sem perder a sua essência.</p>
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		<title>Venom</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Chaves]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Feb 2026 22:50:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Com muito potencial desperdiçado, 'Venom' veio com violência higienizada, dinâmica frouxa e uma trama oca, desprovida de diversão.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>Venom </em>veio em 2018 com a promessa de iniciar um universo compartilhado do Homem-Aranha, mas sem Homem-Aranha. Aqui temos uma obra que finge ter uma estrutura diferenciada dos demais filmes de herói, mas que no fim entrega a exata mesma fórmula adotada pelo subgênero. A ideia base era incrível: um filme mais sombrio e focado num vilão, com possíveis toques de terror e requintes de violência, talvez explorando o lado mais psicológico de lidar com uma criatura parasitária presa a você, te forçando a matar pessoas dos modos mais macabros. No lugar disso, temos o clássico protagonista que é bom no que faz, tem a vida perfeita, mas de repente tudo cai por água abaixo e então, conseguindo super poderes, ele demonstra quem realmente é.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O ritmo do longa é sofrível, com um &#8220;desenvolvimento&#8221; alongadíssimo para o protagonista Eddie Brock (<strong><a href="https://ocinemae.com.br/tom-hardy/" type="post" id="11846">Tom Hardy</a></strong>), chegando a passar do primeiro ato. Além disso, sua personalidade é completamente furada, ora ele sendo simpático, ora sendo grosseiro. A própria forma como o filme retrata a derrocada de Eddie é de dar pena, porque fica impossível comprar que o personagem realmente está passando por alguma mudança. Ah, e nem é preciso falar sobre a relação dele com o simbionte, que é tão apressada e atropelada, chegando a dar vergonha. Eles passam de uma &#8220;parceria&#8221; para uma &#8220;inimizade&#8221; em questão de 20 minutos, falando um com o outro como se já fossem melhores amigos, possuindo até mesmo códigos de luta.</p>
</p>
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			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Também não se pode deixar de falar sobre como a relação entre Eddie e Venom é irritante, com falas genéricas envolvendo chamar o outro de covarde, as constantes intromissões do alienígena nas cenas, a forma como ele muda de ideia sobre destruir a Terra sem nenhum tipo de motivação para isso. Sem contar que no início do filme, Venom é ameaçador e fala mansa, e no fim ele é brucutu e brincalhão. </p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Falando em luta, a ação aqui é péssima, não só na filmagem, mas na execução. São momentos picotados por uma montagem destranbelhada, câmera chacoalhando sem parar, muita escuridão, coreografias trôpegas e sem emoção, além, é claro, da violência nula. O próprio visual do Venom remete a algo sanguinário, é um ser com dentes enormes que formam um sorriso e que está sempre falando em comer. Existem cenas onde ele come partes de pessoas e não existem gotas de sangue, nada, além de cenas envolvendo ferimentos que parecem ter medo de demonstrá-los. Um linguajar mais bruto também não seria ruim, assim como mais brutalidade e secura em certos momentos. É triste como o filme foi &#8220;lavado&#8221; para se adequar a classificações indicativas mais baixas, pois isso compromete a imersão.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">As atuações são a parte que mais entristece no filme, com um Tom Hardy forçado a interpretar um palhaço cheio de reações exageradas e com uma personalidade que poderia ser escrita numa folha só. <strong><a href="https://ocinemae.com.br/michelle-williams/" type="post" id="11850">Michelle Williams</a></strong> claramente não combina com esse tipo de obra, e Riz Ahmed, bom ator como é, acabou sendo o mais prejudicado por seu vilão clichê e unidimensional. É realmente difícil se manter imerso quando o próprio filme parece nos impedir disto.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Os efeitos especiais são no máximo aceitáveis, mas nunca chegam a impressionar. Na verdade há muito mais momentos onde eles causam estranheza e nos tiram do filme do que momentos onde eles conseguem manter o público imerso.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>Venom </em>é um filme que possuía um potencial gigantesco, principalmente se tivesse focado no horror e na violência, mas decidiu seguir pelo caminho infatiloide, e nunca fugindo das fórmulas mais básicas do gênero de super herói.</p></p>
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		<title>Faça Ela Voltar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Chaves]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Nov 2025 21:28:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Uma obra muito mais emocional que assustadora, Faça Ela Voltar causa reflexão do que fazer em um momento de perda.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>Faça Ela Voltar</em> (<em>Bring Her Back</em>), a atual empreitada dos irmãos Philippou, conhecidos por <em>Fale Comigo</em> (<em>Talk to Me</em>), é certamente um filme que impacta e destrói o emocional. Apesar de o primeiro grande filme da dupla ser bastante dramático, em seu roteiro e cenas havia também muitos toques de comédia que surtiam um efeito anestésico na platéia, ajudando a nivelar as emoções. Agora, em 2025, eles abandonaram o humor, mesmo que em doses pequenas, e apostaram completamente no drama e na treva. </p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O roteiro aqui é esperto, montando os acontecimentos de forma que nada pareça fora do lugar, mas sempre deixando brechas para que o espectador pense um pouco e alimente a dúvida. Há também a dosagem do drama, que nunca passa do ponto e, em determinado momento, se une muito bem ao horror. Quando, então, o incômodo é inserido na obra, não há respiro que salve o espectador. São falas que incomodam, olhares, acontecimentos que te fazem pensar o que está acontecendo, além, claro, da violência. A narrativa, unida ao roteiro, trabalha na iminência de coisas horríveis por vir, e deixa que você se desespere querendo que aquilo acabe (de forma positiva) até perceber que não existe forma de escapar.</p>
</p>
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				A Odisseia			</a>
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			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A direção retrata muito bem o drama dos três protagonistas, além de mostrar os elementos do ocultismo/bruxaria de forma muito coerente e até realista. Não há dúvida para o espectador que tudo aquilo pudesse acontecer, muito pela natureza da magia retratada e pela sua própria evocadora. Mesmo assim, acredito que, na tentativa de fortalecer o clima de terror, os diretores acabam por forçar um pouco. Em muitos momentos acontece de a personagem de Sally Hawkins rever fitas macabras que são bastante incômodas sim, mas que depois de tanto repetidas, se tornam cansativas. E, como se não bastasse, esses momentos ainda entregam muito o que acontece no ato final, deixando-o com aquele teor de requentado.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Os diretores acertam, no entanto, em todo o resto, alimentando o drama com a relação dos três, a estranheza com o garoto na casa, mostrando a própria casa desarrumada e em mau estado, a forma como a alegria constante de Sally Hawkins é incômoda. Tudo contribui para que a experiência e o próprio final ainda sejam altamente satisfatórios.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Agora, falando de fato das atuações, acredito que o destaque vai para Sally, que demonstrou vivacidade, mas também periculosidade nas doses certas. Sua personagem é mal-intencionada, contudo, também se mostra feliz, brincalhona, e seus sorrisos são tão sinceros, e suas falas são tão vivas, ela apenas não parece ser alguém ruim, e então, quando é mostrado que sim, ela se torna ainda mais aterrorizante. A mulher parece sentir as coisas à flor da pele, com medo de tudo, mas também determinada a fazer de tudo. Mesmo que não perca seus objetivos de vista, é satisfatório ver como Sally conseguiu mostrar culpa na personagem constantemente.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A interpretação de Sally é tão bem sucedida que conquista ambas, a simpatia e a antipatia do espectador, e com certeza é uma experiência complicada sentir os dois por alguém tão conflituoso. No mais, os outros dois atores me pareceram muito bem intencionados em seus papéis, e acertam bastante, mas não chegaram a me fazer brilhar os olhos. Gosto, entretanto, do toque de vulnerabilidade usado pela direção, deixando o espectador agonizar vendo os dois irmãos &#8220;presos&#8221; naquela casa. O grande mousse aqui está no terror, no drama e em Sally.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>Faça Ela Voltar</em> é um filme sobre amor e luto, o que muitas vezes resulta no ódio, na falta e no arrependimento. Esses temas estão pairando aqui e ali durante todo o longa, casados ao terror que nos deixa presos na cadeira em extrema agonia. É uma obra poderosa que, sim, é capaz de conversar com muitas pessoas e de provocar sentimentos desconfortáveis, porém necessários.</p></p>
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		<title>Vitória</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ramon Guilherme Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Apr 2025 20:19:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Entregando mais uma atuação emocionante de Fernanda Montenegro, Vitória transita entre coragem afeto e a violência</p>
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										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">O longa nacional <em>Vitória </em>chega aos cinemas em um contexto de celebração às produções brasileiras. Após a conquista de <strong><em><a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/ainda-estou-aqui/">Ainda Estou Aqui</a></em> </strong>no Oscar de 2025, muitas expectativas foram criadas em torno do filme, que traz <strong><a href="https://ocinemae.com.br/fernanda-montenegro/">Fernanda Montenegro</a></strong> no papel principal, em uma trama baseada em uma história real. </p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a direção era assinada por Breno Silveira, que infelizmente faleceu durante as filmagens. Curiosamente, quem assumiu a missão de finalizar o projeto foi ninguém menos que Andrucha Waddington, marido de <a href="https://ocinemae.com.br/fernanda-torres/"><strong>Fernanda Torres</strong></a> e genro de Fernanda Montenegro. O resultado é uma obra emocionante, marcada por violência, compaixão e, sobretudo, coragem.</p>
</p>
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			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/a-odisseia/" >
				A Odisseia			</a>
		</span>
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			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Na trama, somos apresentados a Nina (Fernanda Montenegro), uma senhora solitária que, aflita com a violência crescente em sua vizinhança — localizada em Copacabana, no Rio de Janeiro — compra uma câmera de vídeo e começa a filmar da janela de seu apartamento. A idosa registra, durante meses, a movimentação de traficantes da região, com a intenção de colaborar com o trabalho da polícia.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A estrutura narrativa de <em>Vitória </em>remete a um conto de Franz Kafka, em que o indivíduo enfrenta uma série de processos burocráticos intermináveis. Sob a perspectiva de Nina, o espectador compartilha da angústia e sufocamento provocados por cada tentativa frustrada de buscar ajuda junto a órgãos públicos desinteressados, que constantemente a redirecionam para outros departamentos, em outros endereços.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O filme apresenta duas formas distintas de violência: a primeira, explícita e brutal, é praticada pelos traficantes da região; a segunda é mais sutil, manifestada no silêncio e na omissão das autoridades, além do preconceito velado dos moradores do condomínio de Nina em relação aos moradores da comunidade vizinha.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Enquanto a violência explode de forma imprevisível, interrompendo os momentos de calmaria com tiros e medo, o filme constrói gradualmente uma atmosfera de tensão crescente. Esse clima culmina em uma cena impactante, registrada pela câmera de Nina em um ponto decisivo da narrativa.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A alma do filme está em Fernanda Montenegro. Sua interpretação transmite, com delicadeza, uma gama complexa de sentimentos: medo, revolta, compaixão, cansaço, teimosia, solidão — tudo alternado com sutileza. O cenário principal, seu apartamento, também funciona como extensão da personagem, revelando sua história através dos objetos espalhados pelo espaço. A direção sabe explorar o potencial dos recursos disponíveis, evitando excessos e apostando no impacto visual e na verbalização apenas quando necessário.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Como Nina opera uma câmera ao longo de grande parte do filme, a direção opta por entregar à personagem o controle da fotografia. Montenegro parece hipnotizar a lente, que flui ao seu redor, principalmente no interior de seu apartamento. Em contraste, quando a câmera se volta para outros personagens, os planos se tornam fixos, criando um interessante jogo de perspectiva que nos mergulha na visão subjetiva de Nina.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Há também espaço para atuações marcantes, como a de Bibiana (Linn da Quebrada). A amizade entre ela e Nina é construída rapidamente, mas com afeto, em cenas como uma visita ao cabeleireiro e um passeio por uma pista de dança em um bingo clandestino. O jovem ator Thawan Lucas, como Marcinho, desperta a compaixão da personagem principal e percorre um arco próprio, marcado pela perda da inocência.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Outro destaque é o personagem Flávio (Alan Rocha), um jornalista que auxilia no desenrolar da trama e reforça o senso de perigo ao redor. Cauteloso em suas ações, ele apoia Nina enquanto também representa um dos conflitos centrais da narrativa.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O encerramento do filme adiciona novas camadas ao apresentar a verdadeira <em>Vitória </em>— ou Joana da Paz. Sua identidade e aparência reais foram reveladas apenas após seu falecimento, aos 97 anos, quando as filmagens já estavam quase finalizadas. A escolha de Fernanda Montenegro para interpretar uma mulher preta pode causar certo incômodo à primeira vista, mas ganha nova dimensão ao se conhecer o contexto em que Joana vivia: sob o Programa de Proteção a Testemunhas, em que ocultar sua identidade era questão de sobrevivência.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">No fim, <em>Vitória </em>é uma obra capaz de cativar até os públicos mais resistentes ao cinema nacional. Aos 95 anos, Fernanda Montenegro continua a entregar performances marcantes e emocionantes, potencializadas por uma direção precisa e uma decupagem que valoriza cada nuance de sua personagem. A história real provoca impacto e empatia imediata — entre o afeto e o medo, entre a dor e a coragem. Por meio de <em>Vitória</em>, a memória de Joana da Paz é eternizada nas telas.</p></p>
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		<title>Manchester à Beira-Mar &#124; Crítica 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Hesick Lênin]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Apr 2025 12:14:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Manchester à Beira-Mar explora diferentes (e corajosas) formas de lidar com o luto, e nos convida a irmos juntos com nossa própria dor.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">Escrever sobre <em>Manchester à Beira-Mar</em> é um exercício de resistência. É tentar falar com a garganta apertada por um nó que não se desfaz. Luto é um embate diário contra a dor mais profunda que se pode sentir. Quando meu avô faleceu, aos 94 anos, imaginei estar preparado. Afinal, eu me preparava para aquele momento há anos, desde que sua impressionante saúde começou a dar sinais de declínio. Mas quão enganado eu estava.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">No fim, não há preparo possível. Não há resiliência mental capaz de preencher o vazio deixado por quem amamos. O consolo de familiares, os gestos de amigos, a rotina automática do dia a dia — nada disso impede o sono perdido ou as lágrimas que surgem, imprevistas, frente à menor lembrança. A ausência do meu avô foi sentida em tudo: no café da manhã que ele sempre preparava, nos jogos de xadrez, nos truques de baralho que me ensinou, e — acima de tudo — na falta de seu abraço quando mais precisei. Como amei aquele homem. E como ele faz falta, ainda hoje, sete anos depois.</p>
</p>
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			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/a-odisseia/" >
				A Odisseia			</a>
		</span>
				<div class="elementor-post__excerpt">
			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Lutar contra o luto é enfrentar um épico silencioso, feito de pequenas batalhas que deixam cicatrizes profundas. Ainda choro ouvindo certas músicas que ele costumava tocar, mas hoje encontro mais consolo do que dor nas memórias que carrego. Saí relativamente ileso. Meu pai, por outro lado, ainda sofre com a insônia — uma lembrança viva de que algumas feridas simplesmente não fecham.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Essa é a minha análise do belíssimo <em>Manchester à Beira-Mar</em>. E, não se engane, eu não fugi do tema. Sim, eu poderia falar da impressionante construção de Lee Chandler (<strong><a href="https://ocinemae.com.br/casey-affleck/">Casey Affleck</a></strong>) usando de força e sensibilidade para seguir em frente após a morte do irmão, ou da cena arrebatadora de Randi Chandler (<strong><a href="https://ocinemae.com.br/michelle-williams/">Michelle Williams</a></strong>) — que merecia ser discutida por uma eternidade. Poderia comentar sobre a fotografia opressora, o tom gélido e sombrio que permeia cada quadro. Mas, no fundo, nada disso importa tanto.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Porque a verdadeira força desse filme não está na história que ele conta, mas na dor que ele desperta em cada espectador. <em>Manchester à Beira-Mar</em> é universal, mas ecoa de forma única em cada um de nós. O filme termina, os créditos sobem, talvez algumas lágrimas sejam enxugadas — mas o que persiste é aquilo que ele nos obriga a lembrar: quem perdemos, e como seguimos em frente.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Algumas obras nos emocionam pelo que mostram. Esta nos emociona por tudo o que nos faz reviver. E porque luto é uma merda.</p></p>
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		<title>Kraven &#8211; O Caçador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ramon Guilherme Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Dec 2024 15:55:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O universo cinematográfico de vilões do Homem-Aranha chega ao fim em uma caçada totalmente desinteressante.</p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/kraven-o-cacador/">Kraven &#8211; O Caçador</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">Mais um filme focado na origem de um vilão do Homem-Aranha chega aos cinemas, novamente sem a presença do herói aracnídeo. <em>Kraven – O Caçador</em> traz <a href="https://ocinemae.com.br/aaron-taylor-johnson/"><strong>Aaron Taylor-Johnson</strong></a> na pele de um dos antagonistas mais clássicos do universo do Homem-Aranha. No entanto, o longa dirigido por J.C. Chandor tropeça em sua missão de dar relevância ao personagem, neste que talvez seja o último filme desse universo cinematográfico bagunçado da Sony.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A trama apresenta Sergei Kravinoff (Aaron Taylor-Johnson), um jovem criado em uma família de caçadores criminosos. Ele cresce ao lado de seu irmão Dmitri (Fred Hechinger), enfrentando a perda da mãe e o relacionamento conturbado com o pai, Nikolai Kravinoff (<a href="https://ocinemae.com.br/russell-crowe/"><strong>Russell Crowe</strong></a>). Depois de um ataque de leão que quase o leva a morte na savana, Sergei entra em contato com uma poção milenar que lhe concede poderes sobre-humanos, incluindo força ampliada, sentidos aguçados e a habilidade de se comunicar com animais. Ao romper o relacionamento com sua família, ele inicia sua jornada para se transformar em Kraven, o maior caçador do mundo.</p>
</p>
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				A Odisseia			</a>
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			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A essa altura, apontar inconsistências e falhas na criação de universo nestes filmes da Sony seria redundância. Com exceção da trilogia <em>Venom</em> &#8211; que, mesmo desgastada, conseguiu construir uma base sólida de fãs &#8211; os demais filmes sofrem com histórias mal desenvolvidas e direção pouco criativa. Em <em>Kraven &#8211; O Caçador,</em> a intenção de criar uma grande origem para o anti-herói tem como maior falha o desinteressante por seu universo e carência de força, dificultando a criação de empatia com o protagonista.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">As relações pessoais de Sergei são limitadas. Sua raiva pelos inimigos e o vínculo de compaixão com Dmitri, seu irmão, são os únicos aspectos explorados na maior parte do longa, sendo este último o ponto mais forte da narrativa e responsável por sustentar a trama na segunda metade. Dmitri, em sua fragilidade e tentativa de adaptação, como “Camaleão” acaba sendo uma figura mais envolvente do que o próprio Sergei.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A atuação de Russell Crowe como Nikolai Kravinoff chega a ser preguiçosa tanto no planejamento quanto na execução. O personagem, que aparentava ter um papel mais relevante pelos trailers, é reduzido a um estereótipo genérico de pai abusivo, com frases de efeito como “você é fraco” e pouca profundidade. Crowe está em um piloto automático, e as motivações e ações extremas de seu personagem, que poderiam dar peso a narrativa, são inexistentes.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Outro problema evidente é o ritmo do filme, frequentemente interrompido por cenas de diálogo expositivas e soluções narrativas convenientes. Um exemplo é a localização de Calypso (<strong><a href="https://ocinemae.com.br/ariana-debose/">Ariana DeBose</a></strong>), advogada que salva Sergei no ataque do leão e, mais tarde, auxilia o protagonista em situações críticas. No entanto, o relacionamento entre os dois é superficial, e a personagem não vai além de ser uma facilitadora para a história.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Curiosamente, os vilões secundários que tendem a ser mais fantasiosos acabam sendo os pontos mais interessantes do filme. O vilão Rhino (Alessandro Nivola), é o clássico charlatão espalhafatoso que agrada o público. Seu visual de batalha impressiona e sua luta com Kraven no terceiro ato acaba sendo a sequência mais empolgante do filme. O Estrangeiro (Christopher Abbott), com sua habilidade de hipnotizar seus inimigos, também se destaca em momentos isolados, trazendo uma sensação de perigo com sua presença em cena.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Assim como em <em>Madame Teia</em>, <em>Kraven – O Caçador</em> mistura conceitos de magia e ciência de forma superficial. Embora o filme seja contido em suas ambições – sem ameaças globais ou destruição massiva –, ele não explora o potencial de seus elementos fantasiosos nem das possibilidades científicas. Para uma origem e criação de universo, pouco interessa ao longa apresentar um mundo conciso. A origem do vilão Rhino e o misticismo em torno da família de Calypso e dos poderes de Sergei são tratados de maneira rasa, enfraquecendo o impacto narrativo.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A conclusão do filme deixa um gancho para uma possível sequência, com uma mudança abrupta no comportamento de um dos personagens. A decisão parece apressada e desconexa, causando a sensação de que foi inserido às pressas e próxima ao lançamento. Com o anúncio do encerramento deste universo cinematográfico pela Sony, a sensação que fica é de que nada disso terá relevância no futuro.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>Kraven – O Caçador</em> tende a ser uma presa fácil do esquecimento entre as adaptações de personagens da Marvel. A estreia do icônico antagonista do Homem-Aranha no cinema falha em causar impacto, sofrendo com coadjuvantes desinteressantes, pouca conexão entre o público e o protagonista e, claro, a ausência do herói aracnídeo.</p></p>
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		<title>Ainda Estou Aqui</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lainara Araújo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Nov 2024 23:37:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ao fim da sessão de Ainda Estou Aqui, você vai precisar de alguns momentos para retomar o senso de realidade, tamanha a imersão que Walter Salles construiu para colocar o espectador dentro daquele retrato de memórias da família de Rubens Paiva (Selton Mello) e Eunice Paiva (Fernanda Torres).  A obra narra a vida da família [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Ao fim da sessão de <em>Ainda Estou Aqu</em>i, você vai precisar de alguns momentos para retomar o senso de realidade, tamanha a imersão que Walter Salles construiu para colocar o espectador dentro daquele retrato de memórias da família de Rubens Paiva (<strong><a href="https://ocinemae.com.br/selton-mello/">Selton Mello</a></strong>) e Eunice Paiva (<strong><a href="https://ocinemae.com.br/fernanda-torres/">Fernanda Torres</a></strong>). </p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A obra narra a vida da família no Rio de Janeiro dos anos 1970 durante a ditadura militar brasileira. Nesse pano de fundo doloroso da nossa história, o ex-deputado Rubens Paiva foi levado de sua casa por soldados para ser interrogado. Infelizmente ele nunca mais foi encontrado. Sua esposa e família lutaram por 30 anos para descobrir a verdade sobre seu desaparecimento, em um dos casos mais emblemáticos de violência do regime militar.</p>
</p>
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				A Odisseia			</a>
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			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Só que mais do que retratar um momento trágico do país, Salles usa da sua mágica narrativa para mostrar a intimidade, dramas e pesares de uma família que teve recursos para ser feliz enquanto foi possível. O que torna mais difícil o momento do desaparecimento de Rubens é que o que o antecede são lindos momentos em que a família de 5 crianças vive ao sol, junto do mar e rodeados de pessoas queridas. São cenas de almoço que poderiam parecer um comercial de margarina, mas que em momento nenhum soam falsas &#8211; e por quê? Porque são situações naturais da vida, que todo mundo viveu em algum momento pré-tecnologia. A simplicidade da rotina daquela família tira toda a oportunidade de artificialidade.&nbsp;</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A fotografia de <em>Ainda Estou Aqui</em> é crucial nessa construção: tons quentes e luminosos pintam os momentos de felicidade familiar, contrastando com as sombras que gradualmente invadem a tela conforme a realidade política se impõe. Tal ternura familiar é interrompida sempre que tanques passam nas ruas, tropas marcham na orla do Leblon e blitz param a primogênita da família sem nenhum motivo. Aquela situação só pode ser ignorada até certo ponto, já que o próprio Rubens já esteve envolvido no cenário político e tem atitudes que podem ser vistas como suspeitas até seu desaparecimento.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Mas um perigo que o filme correu foi o contexto social da família. Abrindo um confessionário, eu mesma tive um pensamento sombrio de não ter empatia por uma família burguesa do Rio de Janeiro &#8211; é o amargor em nós que cresce silenciosamente quando testemunhamos uma vida que sonhamos e não tivemos. Família funcional e amorosa, no auge de todos os seus privilégios com empregada em casa e boa comida. Mas o filme consegue desconstruir o mito de que &#8220;a ditadura só prejudicou quem estava envolvido com política&#8221;, mostrando como a violência do estado afetou famílias inteiras, independentemente de sua classe social. São pessoas, acima de tudo!</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Quem foi torturado, intimidado ou fugiu do país eram artistas que lutavam contra esse regime absurdo, eram pessoas com recursos que tentavam mandar cartas para entes queridos de prisioneiros, eram engenheiros que falavam com a mídia internacional em segredo, pois tudo dentro do Brasil era controlado pelos militares. Foi uma época difícil pra quem tentou lutar contra; pra quem seguiu sua vida normalmente, infelizmente não causou o impacto que deveria.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Bastou a Eunice ser levada pra eu começar a chorar como um bebê, pois sinto que essa ameaça não está totalmente liquidada, e pessoas que falam contra ou até mesmo estão associadas com alguém que faz algo pra mudar, podem sofrer as consequências.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">E são exatamente as quebras de harmonia que tornam preciosos os momentos da família de Rubens e Eunice. É nisso em que o projeto se destaca: não são apenas cenas de uma família privilegiada, mas o retrato do que a violência política pode arrancar de qualquer um de nós.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Não é a ditadura que ganha destaque aqui, mas como Eunice lida com o que esse regime tirou dela e seus filhos. Uma casa antes tão montada para felicidade, tão viva, se escurece no momento que agentes invadem e oprimem a alegria de viver de seus habitantes. A casa em si é um grande personagem &#8211; cada objeto conta uma história própria: os livros nas estantes falam de sonhos e ideais, as fotografias nas paredes testemunham momentos de alegria, os brinquedos espalhados narram a infância interrompida. Mas de repente não existiam mais sonhos, perspectiva ou alegria, ficaram apenas nas memórias, que é como eu decidi encarar o filme: ele é feito de lembranças, não tragédias.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Eunice tenta a todo custo proteger seus filhos, mesmo com seu marido desaparecido. Ela encontra força para conduzir a família numa direção que não é a de autopiedade, preserva a inocência dos mais novos e impede as mais velhas de entrar numa luta que não tinham como vencer naquele momento. Anos depois, ela se tornaria uma importante advogada e ativista na luta por justiça, mas naquele momento, seu foco era manter a família unida. Fernanda Torres é imensa no projeto, todos os seus olhares e trejeitos tentam esconder a dor de uma esposa e de uma mãe que precisa conter seu desespero pra seguir em frente. Ela não desiste de saber o destino de Rubens ou de aproveitar a vida com seus filhos, mas sem ele, simplesmente ficou um vazio, que só foi respondido 30 anos mais tarde.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, filho do casal, esse projeto não precisa de um troféu de ouro para ter seu reconhecimento, embora Salles esteja investindo numa campanha ferrenha – e com razão, não é isso que engrandece seu trabalho. Ele por si só fez uma coisa belíssima e Fernanda Torres é a melhor atriz no coração de cada brasileiro que vai assistir sua performance em tela junto de sua mãe, Fernanda Montenegro, que é uma joia brasileira. Ela conclui <em>Ainda Estou Aqui </em>sem dizer nenhuma palavra, ela encerra esse ciclo com os seus olhos, cheios de história e cheia de saudade.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Todos nós gostaríamos que Fernanda Torres subisse naquele palco em Hollywood para lavar a honra do Oscar roubado da mãe em 1999, mas é mesmo necessário? Mãe e filha, de mãos dadas, fecham esse ciclo por nós.</p></p>
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		<title>Manchester À Beira-Mar &#124; Crítica 1</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação O Cinema é]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Apr 2020 20:46:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um zelador que cuida de 3 prédios e leva sua vida de uma forma simples descobre que seu irmão faleceu. Começa então uma bela reflexão sobre a lida com as relações familiares.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;"><em>Manchester à Beira-Mar</em> é um filme que explora o lado sentimental de seus personagens de forma bem completa, principalmente a vida de Lee Chandler &#8211; interpretado por <span style="color: #000000;"><strong><a href="https://ocinemae.com.br/casey-affleck/">Casey Affleck</a></strong></span>. Em toda a história, vemos um longo desenvolvimento do personagem, que é um dos pontos principais para que esse filme seja tão bom.</span> </p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">A história aborda a vida de Lee Chandler, um zelador que cuida de 3 prédios e leva sua vida de uma forma simples. Nesse meio tempo, ele recebe uma ligação dizendo que seu irmão havia passado seriamente mal e sido hospitalizado. Quando Lee chega ao hospital &#8211; que fica em outra cidade (Manchester) &#8211; descobre que seu irmão Joe havia falecido.</span></p>
</p>
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			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/a-odisseia/" >
				A Odisseia			</a>
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			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Todo o longa é uma aula de atuação e de desenvolvimento do personagem. A história fala sobre dramas familiares e como resolver problemas que envolvem a família, como mudar seu estilo de vida para ajudar o outro ou fazer o certo mesmo que seja desagradável para alguém, entre outros dilemas. É bem diferente a transição de foco que o filme faz quando descobrimos a notícia que Joe, irmão de Lee, havia falecido. Ao invés de usar isso como ponto de partida para o andamento da trama, ele o muda para os dramas vividos por Lee, e isso de jeito nenhum é uma coisa ruim, pelo contrário, mostra todo o planejamento e excelente qualidade de seu roteiro.</span></p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Nessa análise aqui não posso deixar de fazer um parágrafo inteiro sobre o personagem de Casey Affleck, que sem dúvidas é o personagem mais profundo do filme. Logo no começo conhecemos o Lee deprimido, apático, melancólico que se mostraria o contrário com usos de flashbacks. Toda essa gama de sentimentos que o personagem experimenta é mudada com o caminhar da história e o ator faz essa transição muito bem, movendo-se entre a dúvida e o sentimento de ter que cumprir uma missão e a culpa com o medo de voltar ao passado. Como disse antes, essa persona tem camadas muito profundas e a mais explorada delas com certeza é a tristeza. Para aliviar a dor psicológica que sente, Lee precisa sofrer uma dor física maior, para que aquela sensação passe.</span></p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Fora tudo isso que o protagonista passa, essa “missão dada” de cuidar de seu sobrinho traz um impasse para ele: cuidar do garoto, como pedido pelo irmão, e ser um “pai” novamente, ou seguir sua vida simples e monótona do mesmo jeito.&nbsp;</span></p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Ao longo do desenvolvimento vemos que ele ainda sente o amor paterno com o sobrinho. Essa construção é muito bem feita, concebida como se fosse um gráfico invertido &#8211; na infância de Patrick os dois mantinham uma ótima relação e, com o distanciamento de Lee, eles perdem esse contato e logo mais voltam a ser próximos novamente, não do mesmo jeito que antes, porém há mais amor naquela relação paterna.</span></p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">É interessante ver como cada um expressa sua dor de um jeito diferente aqui. Como falei acima, Lee “desconta” seu sentimento na dor física, agora os outros são diferentes: alguns reprimem seus sentimento, outros se abrem expressando tudo aquilo que sentem para os outros. Temos que dar importância para isso, pois mostra uma vasta variedade de sentimentos usados pelo roteiro e como foi extremamente explorada da maneira certa.</span></p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-weight: 400;">Com isso podemos concluir que <span style="font-weight: 400;"><em>Manchester à Beira-Mar</em></span> é um ótimo filme de drama que retrata as relações familiares da melhor maneira possível, além de também mostrar como é importante cuidar das pessoas ao nosso redor.</span></p></p>
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		<title>Era Uma Vez em&#8230; Hollywood</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Flávia Leão]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Aug 2019 21:22:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Você pode até não gostar de Quentin Tarantino, mas não há dúvidas de que o homem é um dos diretores mais talentosos da atualidade (e quiçá da história do cinema). Sua mais nova obra, Era Uma Vez em&#8230; Hollywood, só serve para demonstrar isso, mesmo que tenha sido o “menos melhor” de seus filmes. É [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">Você pode até não gostar de Quentin Tarantino, mas não há dúvidas de que o homem é um dos diretores mais talentosos da atualidade (e quiçá da história do cinema). Sua mais nova obra, <em>Era Uma Vez em&#8230; Hollywood</em>, só serve para demonstrar isso, mesmo que tenha sido o “menos melhor” de seus filmes.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">É incrível como o diretor consegue nos localizar na história, fazendo-nos passear pela Los Angeles de 1969 (o final da Era de Ouro de Hollywood), com todos os seus hippies e belezas. Até parece que estamos no carro de Rick Dalton (<strong><a href="https://ocinemae.com.br/leonardo-dicaprio/">Leonardo DiCaprio</a></strong>) – com Cliff Booth (<strong><a href="https://ocinemae.com.br/brad-pitt/">Brad Pitt</a></strong>) no volante -, andando em alta velocidade por suas vias largas e planas.</p>
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			<p>Christopher Nolan é um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Construiu essa reputação, também, com seu trabalho de roteirista. É alguém interessado em estruturas narrativas</p>
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<p class="wp-block-paragraph">E Tarantino não é sutil. Sendo este seu 9º longa solo, ele já definiu sua marca e a imprimiu mais uma vez nesse seu conto de fadas melancólico. <em>Era Uma Vez em&#8230; Hollywood</em> é claramente uma homenagem ao estilo <em>western</em> (mais especificamente ao declínio desse gênero) e a uma antiga estrela de cinema que teve sua luz apagada muito precocemente: a atriz Sharon Tate, vivida pela incrível <strong><a href="https://ocinemae.com.br/margot-robbie/">Margot Robbie</a></strong> que, além de linda, é talentosa e carismática.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em meio a cenas divertidas em que Robbie mostra sua personalidade encantadora, paira a sombra da história real de sua personagem, já que sabemos que Sharon Tate foi brutalmente assassinada por integrantes da seita de Charles Manson (Damon Herriman). Ao inserir cenas reais da atriz em seu filme, Tarantino simplesmente corta o nosso coração com a bela homenagem, daí o tom melancólico, apesar de bonito.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Mesmo aparecendo pouco, Margot Robbie é, com certeza a alma do longa, mas isso não apaga de forma alguma o trabalho impecável de Leonardo DiCaprio, que merecia outro Oscar por sua atuação como Rick Dalton, um talentoso ator de <em>western</em> em franca decadência. É um prazer vê-lo atuar.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Já Brad Pitt assume um papel mais cômico que desempenha com bastante habilidade e, diga-se de passagem, o galã está bem melhor neste filme do que em <em>Bastardos Inglórios (</em>2009) &#8211; e mais bonito também. É ele que arranca as gargalhadas do público, principalmente na cena em que luta Kong Fu com Bruce Lee (Mike Moh) &#8211; nos fazendo recordar <em>Kill Bill </em>(2004) -, e na cena final, quando enfrenta a gangue de Manson e que, de longe, é o ponto alto do filme. Aliás, os 161 minnutos de duração do longa valem quase todas em razão do final que é, sem eufemismos, simplesmente genial.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">E mesmo sendo o “menos melhor” das obras de Tarantino, <em>Era Uma Vez em&#8230; Hollywood</em> é imperdível para quem é fã do cineasta ou mesmo do cinema em geral, uma vez que é cheio de <em>fan services</em> e <em>easter eggs</em>.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Assim, o público vai delirar ao reconhecer que Cliff Booth tem o mesmo carro que Uma Thurman usa em ‘Kill Bill’; ou quando vê os cigarros Red Apple (que aparecem na maioria dos filmes do diretor); ou quando Rick Dalton incendeia alguns nazistas &#8211; como Shosanna (Mélanie Laurent) faz em <em>Bastardos Inglórios</em> &#8211; ou quando Maya Hawke aparece em cena (a atriz é filha de Uma Thurman que é, reconhecidamente, a musa de Tarantino. Recentemente, Hawke fez muito sucesso ao interpretar a garçonete Robin, na terceira temporada de <em>Stranger Things</em> (2019)).</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Por isso, mesmo sendo o “menos melhor” dos filmes de Tarantino, estamos falando de cinema de alto nível, uma dose concentrada de cultura extremamente bem-vinda e de qualidade e com um elenco que somente um dos maiores cineastas da história consegue reunir e fazer funcionar.</p></p>
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