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	<title>Arquivo de Warner Bros. Pictures | O Cinema É</title>
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	<description>Crítica, notícias e trailers sobre filmes e seriados</description>
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	<title>Arquivo de Warner Bros. Pictures | O Cinema É</title>
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		<title>O Morro dos Ventos Uivantes &#124; Crítica 3</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Chaves]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 13:19:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Emerald Fennell realiza um trabalho visualmente belo, mas narrativamente cambaleante.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O último filme da diretora Emerald Fennell, <em>Saltburn</em>, não me saltou aos olhos, ainda que possuindo grande beleza visual e um certo tom de atrevimento e acidez. Agora, em 2026, ela retorna com <em>O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights</em>), apresentando uma releitura do clássico de Emily Brontë.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aqui, Fennell traz vida a obra com um tom levemente surreal, bem diferente da época em relação aos figurinos e até mesmo a arquitetura dos locais apresentados. A direção colocou sua visão em toda a obra, e em muitos momentos ela é bela para os olhos. Narrativamente, no entanto, essa obra é um tanto falha e difícil de manter a atenção. Os diálogos, por vezes, soam adolescentes demais para se levar a sério, assim como os encontros e desencontros que não chegam a convencer totalmente. Da mesma forma, ainda que as performances sejam boas, quase chegam no exagero. <strong><a href="https://ocinemae.com.br/margot-robbie/" id="18842">Margot Robbie</a></strong> mantém a régua alta, mas <strong><a href="https://ocinemae.com.br/jacob-elordi/" id="25861">Jacob Elordi</a></strong> escorrega muito no novelesco, e parece ter dificuldade em expressar sentimentos negativos.</p>


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			<p>No longa Criadas, dirigido e escrito por Carol Rodrigues, a trama acompanha o reencontro de Sandra (Mawusi Tulani) e Mariana (Ana Flávia Cavalcanti), duas mulheres</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Contudo, devo frisar que sou o tipo de pessoa que valoriza artistas que não têm medo de por sua visão no que fazem, e admiro como Fennell realizou esse feito. A diretora sabe da enxurrada de negatividade que recebe, e sabe que seu filme vem sendo chamado de &#8220;um dos piores&#8221; do ano, mas se manteve na ideia que escolheu. Quanto a mudança de etnia do personagem de Jacob Elordi, Fennell falhou em demonstrar por que isso foi feito. Ao invés de acrescentar carga dramática ao personagem com essa mudança, ela retirou muitas camadas dele, o deixando quase unidimensional, e opaco. Da mesma forma, acredito, acabou por fazer o mesmo com o filme todo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No mais, o filme não é arrastado, nem difícil de assistir, apenas difícil de levar a sério e embarcar totalmente. O ritmo cai algumas vezes, e pode provocar tédio em quem assiste, mas os figurinos, a fotografia, as cores, a trilha sonora, a ambientação e a química do casal principal conseguem fisgar quem estiver afim de ver uma versão mais &#8220;moderna&#8221; desse clássico da literatura.</p>
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		<title>A Noiva! &#124; Crítica 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Eduardo Eufrazio do Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 Mar 2026 12:01:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em A Noiva!, a estética gótica é um espetáculo de luz e sombras que hipnotiza, mas o roteiro acaba silenciando a própria revolução que se propôs a gritar.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em <em>A Noiva!</em>, sob direção de Maggie Gyllenhaal — cineasta em ascensão que chega ao seu segundo longa-metragem e mantém a parceria com <a href="https://ocinemae.com.br/jessie-buckley/" type="post" id="14660"><strong>Jessie Buckley</strong></a> (ambas de <em>A Filha Perdida</em>) —, a trama nos transporta para a Chicago dos anos 30. O solitário Frankenstein (<strong><a href="https://ocinemae.com.br/christian-bale/" type="post" id="12213">Christian Bale</a></strong>) procura a Dra. Euphronius (Annette Bening) com o intuito de criar uma companheira para si, buscando escapar da incompreensão da sociedade. Eles dão vida a uma mulher assassinada, Ida (Jessie Buckley), que assume a identidade da Noiva. O surgimento dela provoca um certo romance; no entanto, devido a uma série de acontecimentos, a polícia passa a persegui-los, forçando-os a uma mudança radical.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">No geral, a direção de Gyllenhaal é assertiva, principalmente ao explorar a Hollywood e o cinema mudo daquela época. O filme introduz a pauta da violência contra a mulher como o estopim de uma espécie de revolução; contudo, Gyllenhaal decepciona ao não aprofundar melhor esse tema, que é urgente e central para a trama. Essa falta de desenvolvimento faz com que o roteiro pareça, de certa forma, perdido.</p>
</p>
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			<p>No longa Criadas, dirigido e escrito por Carol Rodrigues, a trama acompanha o reencontro de Sandra (Mawusi Tulani) e Mariana (Ana Flávia Cavalcanti), duas mulheres</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, a fotografia é espetacular ao adotar uma estética <em>noir</em>, mas o que impressiona mesmo é a versatilidade de Jessie Buckley. Enquanto em seu trabalho mais recente, <em>Hamnet</em>, ela entrega uma atuação contida, em <em>A Noiva!</em> ela surge explosiva. Já Christian Bale entrega um Frankenstein que aparenta ser incauto de início, mas revela sua verdadeira personalidade no decorrer da história.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Ao subverter a obra clássica de Mary Shelley, Gyllenhaal entrega um filme onde o horror não reside na criatura, mas na violência daqueles que a precederam. <em>A Noiva!</em> é, em sua essência, sublime, feroz e terminalmente magnético em sua sofisticação.</p></p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/a-noiva-2/">A Noiva! | Crítica 2</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
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		<title>A Noiva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lainara Araújo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2026 11:47:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Maggie Gyllenhaal promete uma tragédia gótica feminista, mas sua condução fragmentada desperdiça os talentos de Jessie Buckley &#38; Christian Bale.</p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/a-noiva/">A Noiva</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">A premissa de <em>A Noiva</em> me fascinou desde a primeira divulgação do trailer. Embora eu não esteja nem um pouco familiarizada com a obra de Mary Shelley e suas adaptações para o cinema (pausa pro leitor me tacar pedras), fiquei me deliciando com as possibilidades que <a href="https://ocinemae.com.br/maggie-gyllenhaal/" id="14663"><strong>Maggie Gyllenhaal</strong></a> iria explorar no universo de Shelley. O filme marca sua segunda empreitada em direção e roteiro, vindo carregado de promessas para se tornar uma trama gótica banhada em violência. Uma coisa que posso afirmar: ela cumpriu a promessa. Como a tragédia da noiva do monstro foi pouco trabalhada em tela, aqui Gyllenhaal pôde brincar à vontade e criar novos rumos para o casal.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Contudo, o que <em>A Noiva</em> tem a dizer por trás de sua estética caótica, suja e cheia de raiva feminina? Pouquíssimas coisas! A história se inicia com a solidão de uma figura imortal. Frankenstein (<strong><a href="https://ocinemae.com.br/christian-bale/" id="12213">Christian Bale</a></strong>) está há mais de um século vagando pelo mundo quando se depara com a necessidade de criar conexão. É através da Dra. Euphronious (Annette Bening) que a criatura banca o deus a fim de ressuscitar uma companheira para aplacar seu vazio. Monstro e médica encontram o corpo de uma moça cercada de mistérios, tanto sobre sua vida mortal quanto sua existência pós-&#8220;revigorada&#8221;. Mas as consequências disso vão além de tudo o que eles poderiam imaginar.</p>
</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Como explicar em palavras coerentes a experiência que foi assistir <em>A Noiva</em>? Fiquei inquieta, transtornada e desesperada para falar com alguém sobre o que tinha acabado de testemunhar em tela, mas essa pessoa nunca apareceu e aquela confusão mental foi borbulhando dentro de mim, até que eventualmente eu precisei tecer essa análise.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A todo momento ficava esperando uma coerência narrativa que nunca veio. O filme se pendura em alegorias demais, ideias mirabolantes que não fazem sentido e, principalmente, ausência de motivações. Embora Jessie Buckley tenha entregado uma atuação 100 de 10, a todo momento me perguntava o que causava tanta raiva em sua personagem. A resposta já veio mastigada na divulgação: <em>A Noiva</em> representa a fúria feminina e, junto com ela, as injustiças infligidas na nossa carne dentro do subtexto feminista. Mas de onde veio isso tudo dentro da história? Eu particularmente odeio quando uma pauta é mal contada, e tive a impressão que algumas falas foram feitas para cortes na internet em páginas de garotas revoltadas.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Eram diálogos jogados, conflitos internos desconexos e uma influência na protagonista que, sinceramente, não encontro palavras no dicionário para expressar minha indiferença. O problema nunca foi retratar personagens femininas fortes, mas quando você pega um conceito existente como Frankenstein, certos temas merecem destaque. Seria incrível se Gyllenhaal optasse pela igualdade das criaturas, que o romance brotasse nas semelhanças entre eles. Mesmo sendo leiga no assunto, Frankenstein sempre foi retratado como alguém erudito, incompreendido e assustador. Ao ver essas qualidades na Noiva, eles poderiam criar essa conexão e perceber que o mundo não é feito para pessoas como eles &#8211; e aí sim, o mundo poderia pegar fogo. Mas nada disso aconteceu.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Eles corriam de um lado para o outro, sem saber bem o que fazer a não ser fugir enquanto um tentava conter os surtos do outro. Enfim, um completo caos! Caos que reflete até mesmo na fotografia &#8211; cenas agitadas, com cortes rápidos que não permitem ao espectador a estabilidade necessária para acompanhar momentos-chave. E nem todo IMAX do mundo consegue consertar a estética sombria que tentam retratar aqui.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">E se você pensa que a presença de peso de <strong><a href="https://ocinemae.com.br/penelope-cruz/" id="21109">Penélope Cruz</a></strong>, Peter Sarsgaard e Annette Bening traria algum sentido para a narrativa, se engana. Eles são meramente acessórios para criar conflito no mundo do casal.</p>
<p>Estou cansada de ver o potencial de Christian Bale ser jogado no ralo por conta de roteiros fracos. O que vislumbrei de seu Frankie seria colossal nas mãos de um roteiro redondinho, mas ele se vê tentando controlar e ditar a vida e os gostos de sua noiva na maior parte do filme &#8211; e não parece ser algo que a diretora condene ao longo da trama. Como esses problemas poderiam ter tempo de serem explorados por ambos se a protagonista fica resmungando sinônimos da mesma palavra no meio de conflitos durante a maior parte da história por conta da influência que a dominou?</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">No fim, a experiência é impactante &#8211; resta saber como cada pessoa vai absorver. Infelizmente, várias ideias se colidiram, não havia diálogos fluidos e fiquei refletindo como esse filme vai capturar a admiração de adolescentes que têm gosto pelo macabro. Fiquei decepcionada, pois estava ansiosa para ver o sucesso de Maggie Gyllenhaal como diretora. Talvez sejam necessárias novas tentativas e uma parceria com um roteirista de peso para soltar todo seu potencial criativo &#8211; porque isso, ela tem.</p></p>
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		<title>&#8220;O Morro dos Ventos Uivantes&#8221; (2026) vale a pena? A nova adaptação faz jus ao livro?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Flávia Leão]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Feb 2026 16:23:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Um filme ambíguo, O Morro dos Ventos Uivantes se divide como ótima obra cinematográfica, mas deixa a desejar como adaptação.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>O Morro dos Ventos Uivantes (2026), dirigido por Emerald Fennell e estrelado por Margot Robbie e Jacob Elordi, é a nova adaptação do clássico de Emily Brontë. Com visual deslumbrante e abordagem romântica mais acentuada, o filme divide opiniões entre fãs da obra original e admiradores da linguagem cinematográfica. A seguir, entenda se a adaptação vale a pena e o que mudou em relação ao livro</em>.</p>
</p>
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">:::</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A nova versão de <em>O Morro dos Ventos Uivantes </em>(2026) diz muito mais sobre a sociedade atual do que sobre Cinema. E nessa última parte, a obra de Emerald Fennell se esmera. Simplesmente deslumbrante. Dono de um visual impecável e uma trilha sonora tão impactante que que dá vontade de chorar, o filme tira o fôlego.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">É arrebatador assistir a cada suspiro de <strong><a href="https://ocinemae.com.br/margot-robbie/" type="post" id="18842">Margot Robbie</a></strong>, cada olhar de <strong><a href="https://ocinemae.com.br/jacob-elordi/" type="post" id="25861">Jacob Elordi</a></strong>, cada uivo dos ventos daqueles morros inóspitos.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Quem dera fosse um roteiro original, e então estaríamos diante de uma das maiores histórias de amor que a sétima arte já experimentou.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Mas na verdade, bem lá no fundo de nossa carência coletiva moderna e principalmente no coração de quem leu o material original, sabemos que essa versão de <em>O Morro dos Ventos Uivantes</em> é pura deturpação de uma das narrativas mais perturbadoras da literatura. Uma romantização linda de uma obsessão sombria e vingativa. A idealização quase perfeita de uma depravação escura.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Não vou entrar na polemização da escolha do elenco em relação às personagens literárias, nem nas mudanças e ausências em relação ao texto de Emily Brontë, embora o incômodo quanto ao que foi feito de Nelly e principalmente, de Isabella, permaneça eternamente maculando a produção.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Fica só o fato de que Fennell transformou uma selvagem mimada em um objeto de desejo irresistível. Um devasso perigoso em um príncipe. Uma história perturbadora num relato de amor que beira Romeu e Julieta.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Como adaptação, é frustrante. Mas como Cinema, é quase uma obra prima.</p>
</p>
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">:::</p>
</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>Sobre o que é O Morro dos Ventos Uivantes (2026)?</strong></h2>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A história acompanha o relacionamento intenso e destrutivo entre Heathcliff e Catherine, ambientado nos campos isolados da Inglaterra rural. Nesta nova versão, o foco recai sobre o aspecto romântico e visual da narrativa, privilegiando a paixão arrebatadora em detrimento do caráter sombrio e vingativo que marca o romance original.</p>
</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>O filme é fiel ao livro de Emily Brontë?</strong></h2>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Não completamente. A adaptação dirigida por Emerald Fennell suaviza elementos mais perturbadores da obra literária e romantiza aspectos que, no livro, são retratados como obsessivos e moralmente ambíguos. Personagens secundários também sofrem alterações relevantes, o que pode frustrar leitores mais puristas.</p>
</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>Por que essa versão divide opiniões?</strong></h2>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Porque funciona muito bem como experiência estética, mas altera a essência emocional do material original. Ao transformar obsessão em romance idealizado, o filme muda o tom da narrativa. Para alguns, isso é atualização; para outros, deturpação.</p>
</p>
<h2 class="wp-block-heading"><strong>Vale a pena assistir O Morro dos Ventos Uivantes (2026)?</strong></h2>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Sim, especialmente para quem aprecia adaptações estilizadas e intensas visualmente. No entanto, leitores fiéis ao romance podem encarar a produção com ressalvas. Como cinema, é impactante. Como adaptação literária, é controversa.</p></p>
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		<title>&#8220;O Morro dos Ventos Uivantes&#8221; &#124; Crítica 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Tao]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 00:43:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Emerald Fennell e seu "Morro dos Ventos Uivantes" entre aspas revelam boa vontade cinematográfica que esbarra na superficialidade da diretora.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Emerald Fennell é uma diretora ruim. Seus dois filmes anteriores fazem sucesso e garantem tração com o público não por como são articulados, mas pelas superfícies. Trata-se da mais rasa visão de feminismo, classe e ressentimento, embalada com estética <em>instagramável </em>e <em>One Perfect Shot</em>ista, que parece pensada, muitas vezes, para virar foto de perfil no twitter. Os temas são sempre esfregados com rispidez na tela e no público.&nbsp;</p>
<p class="wp-block-paragraph">Por isso, é muito difícil imaginar que uma diretora desta daria certo ao adaptar “<em>O Morro dos Ventos Uivantes</em>”. Fennell é uma cineasta que sempre abdica do Mistério. Mistério, aqui, não só um aspecto narrativo, mas uma força nebulosa que perpassa a obra. No final de <em>Saltburn</em>, há uma montagem &#8211; bem tosca, por sinal &#8211; que mostra Oliver (Barry Keoghan) matando dois outros personagens, o que era um enigma do filme. Ela abre mão de qualquer ambiguidade, dúvida, dilema, a troco de nada. Fennell cria imagens irredutíveis, unilaterais, que jamais deixam algo pro público.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Superficial</h2>
<p class="wp-block-paragraph">Seu <em>“Wuthering Heights” </em>já começa com o texto tendo que gritar algumas coisas na nossa cara. Heathcliff (<a href="https://ocinemae.com.br/jacob-elordi/" type="post" id="25861"><strong>Jacob Elordi</strong></a>) é pobre, tá gente? Aí o pai da Catherine (<strong><a href="https://ocinemae.com.br/margot-robbie/" type="post" id="18842">Margot Robbie</a></strong>) resgatou este pequeno miserável da rua pra cuidar, entenderam? A “escrita” do filme precisa sublinhar algumas coisas porque Fennell tá interessada em enxugar diversos aspectos do livro. Quando confrontada do porquê gostar de Heathcliff, Catherine exclama: porque ele é bonito, óbvio. </p>
<p class="wp-block-paragraph">Não que essa ideia de secar a história seja intrinsecamente ruim, pois Fennell aponta para uma direção menos voltada pras reviravoltas e mais interessada em drama, mesmo que não consiga. Mas, novamente, para uma diretora de superfícies, esta é uma obra que ferve internamente. As escolhas de Jacob Elordi e Margot Robbie são sintomáticas: duas grandes estrelas, consideradas das mais belas, sendo utilizadas para posarem.</p>
<p class="wp-block-paragraph">E nisso o filme se destaca. É bem posudo, mesmo que não seja bonito. E isso invariavelmente sintetiza não só este filme mas o cinema da diretora. Como em <em>Saltburn</em>, que buscou o choque mas, também, a entrada num imaginário coletivo com duas cenas grotescas (o beijo no ralo e o sexo com o túmulo). É uma busca por provocação e erotismo que esbarra na inocuidade. A história implora por contradições, pelo oculto, convulsões e coexistência, mas o oferecido é polidez e estaticidade.&nbsp;É o equivalente cinematográfico de guardar alguma coisa na cueca pra aumentar o volume. Não há nada ali senão uma ilusão. Não há tesão, não há ereção, apenas inchaço. </p>
<p class="wp-block-paragraph">Na metade do filme, quando Heathcliff retorna, rico e educado, a obra ganha uma vida que parece ser transformadora. Não se sabe como ele se tornou endinheirado (aqui, um Mistério incontornável!) e também não importa, mas seu magnetismo aumenta graças a sua nova condição social. Seus longos cabelos e barba imunda dão lugar ao rosto limpo e convidativo que, por si só, remete à elite. A tensão de seu retorno chacoalha a casa Linton: O marido, Catherine e sua ama são profundamente tocados pela presença de um Heathcliff disposto a jogar um jogo falacioso de sedução, pois as cartas estão marcadas.</p>
<h2 class="wp-block-heading">Moderno demais</h2>
<p class="wp-block-paragraph">E, aqui, o fato do filme funcionar como uma espécie de “apenas” um romance proibido enfraquece demais o longa. Novamente, Catherine e Heathcliff não são duas pessoas que se gostam desde pequeno, mas duas forças em eterna colisão. No livro, por exemplo, quando ela morre, ele pede pra ser atormentado por ela.&nbsp; O filme é incapaz de dar essa dimensão em tela, mesmo que essa fala exista nesta adaptação.&nbsp;</p>
<p class="wp-block-paragraph">As mudanças em relação ao livro, a escolha dos atores e trilha sonora, além da superficialidade ao lidar com alguns temas &#8211; apenas dispondo-os em tela, sem propriamente articulá-los &#8211; têm tudo um toque de modernidade que causa muito estranhamento. É a representação perfeita dos dias atuais: um livro velho, adaptado pela centésima vez, por uma vencedora de Oscar, com dois atores brancos bonitos. O olhar para trás, a grife e um apagamento étnico.  Destaque para as músicas da grande Charli XCX, que são boas até, mas que casadas com os rostos de 2026 e a abordagem liberal da diretora, nos lembram constantemente que vivemos num momento muito ruim do cinema <em>mainstream </em>americano. </p>
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		<title>&#8220;O Morro dos Ventos Uivantes&#8221; &#124; Crítica 1</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Eduardo Eufrazio do Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Feb 2026 20:57:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Uma releitura que troca o peso das tradições por um ritmo ágil e uma estética que foca direto no que move os personagens.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">A adaptação de <em>O Morro dos Ventos Uivantes</em> dirigida por Emerald Fennell se distancia de qualquer tentativa de ser uma cópia fiel do que já foi feito, Em vez de entregar aquele drama de época arrastado, Fennell cria uma experiência sensorial onde a estética dita as regras. A fotografia é impecável, transformando cada frame em algo que você quer emoldurar, mas é a crueza da direção que realmente prende.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A química entre <a href="https://ocinemae.com.br/margot-robbie/" id="18842"><strong>Margot Robbie</strong></a> e Jacob Elordi rouba a cena. Eles não entregam atuações contidas, é tudo muito visceral e intenso. Robbie consegue passar uma complexidade magnética, enquanto o Elordi traz uma presença sombria que domina a tela. Você sente que a relação deles é uma bomba relógio que vai explodir a qualquer momento, e isso é amplificado por figurinos lindíssimos que parecem parte da personalidade caótica de cada um. O grande diferencial, no entanto, é a trilha sonora da Charli XCX. A escolha foi cirúrgica e absolutamente impecável. O som traz uma urgência moderna que quebra totalmente o esperado para esse tipo de cenário, fazendo o filme pulsar em um ritmo muito mais ágil e atual.</p>
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				Criadas			</a>
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			<p>No longa Criadas, dirigido e escrito por Carol Rodrigues, a trama acompanha o reencontro de Sandra (Mawusi Tulani) e Mariana (Ana Flávia Cavalcanti), duas mulheres</p>
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				</article>
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		</p>
<p class="wp-block-paragraph">Ao fim, &#8220;<em>O Morro dos Ventos Uivantes</em>&#8221; não é sobre o conforto de um romance, mas sobre a anatomia de uma obsessão que devora. Emerald Fennell entrega uma obra visceral onde a beleza da fotografia e dos figurinos serve apenas para emoldurar a obssesão de Catherine e Heathcliff. Com o pulso elétrico da trilha de Charli XCX ditando o ritmo, o filme se torna algo sensorial que pulsa como uma ferida: é belo, brutal e absolutamente implacável em sua sofisticação. Robbie e Elordi nos lembram que certas paixões, muitas vezes, são apenas o nome que damos a uma destruição mútua muito bem executada.</p>
<p class="wp-block-paragraph">
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/o-morro-dos-ventos-uivantes/">&#8220;O Morro dos Ventos Uivantes&#8221; | Crítica 1</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
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		<title>It: Capítulo 2</title>
		<link>https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/it-capitulo-2/</link>
					<comments>https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/it-capitulo-2/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Chaves]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Jan 2026 20:40:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>It: Capítulo 2 veio como um ponto de encerramento e, por mais que tenha alcançado seu objetivo, o fez em meio a muitos tropeços e quedas.</p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/it-capitulo-2/">It: Capítulo 2</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>It: Capítulo 2</em> (<em>It Chapter Two</em>) chegou em 2019 prometido como um grande evento, algo equivalente a <em>Vingadores Ultimato</em>, que também saiu naquele ano. E, sim, a obra conseguiu finalizar o que queria, entretanto, falhou em alguns bons pontos no caminho. Não é nem de longe um filme ruim, mas poderia ter sido muito, muito melhor.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A grande qualidade dessa sequência, infelizmente, não está no terror, mas nas relações emocionais dos protagonistas. Claro, não é um demérito a maior qualidade ser esta, mas é preciso lembrar que trata-se de um filme de horror. Aqui, o terror que não chega a ser desastroso, porém não inova, e por não inovar, ele<strong> </strong>se repete, e por se repetir, o espectador não sente mais nada lá para o final.</p>
</p>
<p>		<div data-elementor-type="container" data-elementor-id="28003" class="elementor elementor-28003" data-elementor-post-type="elementor_library">
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				Criadas			</a>
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			<p>No longa Criadas, dirigido e escrito por Carol Rodrigues, a trama acompanha o reencontro de Sandra (Mawusi Tulani) e Mariana (Ana Flávia Cavalcanti), duas mulheres</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Andy Muschietti, que segue na direção, prova que prefere se manter no conforto do que arriscar, repetindo as exatas mesmas fórmulas do primeiro. Um personagem está sozinho, algo tenebroso o atrai, ele investiga. Geralmente não tem nada e então a trilha surge com um &#8220;TAN&#8221; bem forte e uma coisa muito grotesca aparece berrando e correndo. Quaisquer novos caminhos, coisas que demandem criatividade, tudo é deixado de lado, forçando o espectador a ver algo requentado. Agora, é claro que o filme tem bons respiros. As cenas que envolvem <strong>o </strong>Pennywise em carne e osso, sem se tratar de uma de suas ilusões, são espetaculares, embora sejam muito, muito poucas. E curtas.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Como alguém que consome filmes desde muito tempo e, atualmente dá a opinião sobre eles, é preciso reconhecer a tolice de falar sobre o que uma obra <em>poderia </em>ser ao invés de focar no que ela <em>é</em>, contudo, não é justo falar sobre o potencial gigantesco que havia aqui no <em>Capítulo 2 </em>explorar os impactos psicológicos do palhaço. A forma como Pennywise brilha na tela ao aparecer deixa esses sentimentos ainda mais fortes, e tinha potencial para apresentar um perigo mental muito forte. Afinal, a própria natureza da Coisa remonta a origens multiversais e cósmicas. Então ele com certeza foi mal explorado.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Quando o filme se presta a repetir as mesmas situações de horror, seja com seus protagonistas sozinhos, seja com eles acompanhados, o espectador se torna capaz de antecipar tudo, retirando muito do elemento surpresa e muito<strong> </strong>do impacto da parcela final. Ah, e não se deve esquecer da inflada artificial que o roteiro fez com a reutilização de cenas deletadas do primeiro, que não acrescentam em absolutamente nada, talvez só acrescentando panos de fundo.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A direção de Andy se sai muito bem no visual, com ótimos efeitos especiais (coisa rara em filmes de terror) e criaturas realmente bizarras de se olhar despertando muito o nojo da plateia. Existem transições muito bonitas, além de momentos em que, girando e viajando, a câmera brilha. Além disso, é claro, o terror ainda funciona em algumas horas.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O maior problema em <em>It: Capítulo 2</em> é o uso exagerado do humor. Enquanto no primeiro o humor existia, mas era utilizado de forma muito pontual para não retirar o peso das cenas mais fortes, aqui ele vem em quantidades muito grandes. Tudo o que é demais, não funciona. São piadas e mais piadas o tempo inteiro, mesmo que muitas delas sejam engraçadas. Isso acabou aliviando <em>muito </em>o clima da obra e, nem mesmo quando o mal ataca, esse humor some. Pennywise acaba entrando na brincadeira e se torna até menos ameaçador. O estranho é a tentativa de ser épico em contraste com essas piadas o tempo inteiro. Assim, <em>It 2</em> se torna irregular no tom, o que foi bastante desagradável.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Certamente os personagens são o destaque do filme, com um elenco dedicado e divertido. <a href="https://ocinemae.com.br/james-mcavoy/"><strong>James McAvoy</strong></a> e <strong><a href="https://ocinemae.com.br/bill-skarsgard/">Bill Skarsgard</a></strong> são os que mais brilham mais, como primeiro trazendo aquela intensidade que sempre costuma apresentar em suas interpretações. James soube mostrar que é a versão crescida e mais madura de Bill, além de parecer muito sincero em seu medo e vontade de derrotar o palhaço. Jessica Chastain compõe uma Beverly sem brilho e sem força, perdendo tudo que ela tinha quando Sophia Lillis interpretou a personagem no primeiro filme. Chega a ser muito estranho quando Sophia Lillis aparece, e é possível notar como a atriz tem muito mais presença que a veterena. Bill Hader e James Ransone são engraçadíssimos e arrancam boas risadas o filme inteiro. A química do grupo é ótima!</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>It: Capítulo 2</em> é um filme que incomoda em muitos aspectos<strong>, </strong>entretanto, ainda é muito divertido, fofo e prazeroso de assistir. O decorrer da jornada poderia ser melhor,  mas não é nem de longe o desastre que atualmente dizem que é pela internet.</p></p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/it-capitulo-2/">It: Capítulo 2</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
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		<title>It &#8211; A Coisa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Chaves]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Jan 2026 19:39:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pode ser um pouco bobo e por vezes, repetitivo, mas It - A Coisa é competente no que faz e poucas vezes deixa a desejar.</p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/it-a-coisa/">It &#8211; A Coisa</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em 2017, o cinema recebeu o que se pode nomear como o &#8220;Vingadores&#8221; do terror, com uma bilheteria estrondosa para o gênero e criando legiões de fãs, sem falar na inserção cultural que a obra teve nas vidas de milhões. Do livro para o filme, <em>It &#8211; A Coisa</em> (<em>It</em>) foi e é um fenômeno. E não é à toa, já que aqui temos a fórmula do sucesso: personagens carismáticos, uma história bem contada sem pontas soltas e, o mais importante, bom uso do medo!</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Agora, esta a produção não é nem de longe a coisa mais assustadora já produzida. Andy Muschietti, o diretor famoso pelo não tão amado <em>The Flash</em>, é particularmente conhecido por apostar no exagero, seja visual ou interpretativo (por parte dos atores). Suas obras constantemente surgem com visuais compostos totalmente por CGI e possuem toques de um humor que fica entre o sem graça e o pontual. Em <em>It </em>não é diferente, já que o antagonista da obra pedia por um tom viajado.</p>
</p>
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			<p>No longa Criadas, dirigido e escrito por Carol Rodrigues, a trama acompanha o reencontro de Sandra (Mawusi Tulani) e Mariana (Ana Flávia Cavalcanti), duas mulheres</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Seria leviano dizer que não existem cenas que te deixam arrepiado ou desconfortável, porque são até que muitas, com destaque para aquelas que apelam mais para a realidade. E o filme ainda é bem filmado, com uso de cores bem saturadas (o que é estranho para o terror!), e de efeitos de câmera interessantes que saltam aos olhos. O problema é que, no tocante à criatividade, Andy não é tão bem sucedido.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O longa segue um <em>mesmo</em> molde ao longo de sua duração, composto por: cada um dos protagonistas tem um momento sozinho onde são aterrorizados separadamente<strong> </strong>pela Coisa, e então isso se repete quando eles já estão todos juntos, além de pequenas sessões com <em>personagens </em>secundários em que a fórmula se repete. É certo dizer que mesmo no ato final a fórmula se repete, embora nota-se uma mexidinha no jeito que os acontecimentos se desenrolam aqui e ali. No entanto, o engraçado é que embora essa receita de bolo possa ser sentida na trama, ela nunca chega a incomodar <em>muito</em>. Isso porque são personagens e horrores divertidos de ver passando na tela. Os visuais podem até não assustar, mas conseguem arrancar um &#8220;<em>que nojo!</em>&#8221; da plateia.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Existe uma aproximação muito natural do espectador com os personagens, de forma que nunca temos a sensação de estarmos sendo empurrados para eles. Eles se conhecem aos poucos e, por consequência, quem assiste também. Em vinte minutos é bem fácil querer que todos estejam vivos e bem até o final. Essa qualidade acaba realçando o terror, o que é sempre bom para um filme do gênero.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Falando então da estrela do filme, temos Pennywise, interpretado pelo incrível <strong><a href="https://ocinemae.com.br/bill-skarsgard/">Bill Skarsgård</a></strong>, que sempre rouba a cena quando aparece. Por mais difícil que possa ser reconhecer esse fato, é bem difícil um filme de terror ter um bom antagonista (pelo menos na<strong> </strong>minha opinião), e por sorte este aqui achou um ator capaz de encarnar o palhaço. O ator muda completamente, tornando-se divertidamente bizarro, embora as vezes também fique engraçado, mas em palavras próprias, é proposital. Ele não se sente impelido a agir de imediato, nem de perseguir ninguém. Ele saboreia o medo das crianças, ele se diverte ao vê-las chorando e debocha disso, o que é, sinceramente, brilhante por parte do ator. Seu visual exagerado e sem uma época certa acompanhando é acertadíssimo, mirando no estranho.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O longa é infeliz, contudo, ao explorar muito pouco a natureza da Coisa, com relativamente poucas cenas reservadas. Ainda assim, resta ao seu redor um <em>odor de medo</em> satisfatório.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph"><em>It &#8211; A Coisa</em>, é um filme competente, sem grandes pretensões e, sejamos francos, bastante divertido! Com certeza não é perfeito, mas vale muito a pena conferir.</p></p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/it-a-coisa/">It &#8211; A Coisa</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
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		<title>Invocação do Mal: O Último Ritual</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Chaves]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 12:00:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Com Invocação do Mal: O Último Ritual, Michael Chaves conseguiu, ele conseguiu entregar um filme mediano.</p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/invocacao-do-mal-o-ultimo-ritual/">Invocação do Mal: O Último Ritual</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">Michael Chaves, o diretor de <em>Invocação do Mal: O Último Ritual</em> (<em>The Conjuring: Last Rites</em>), foi também responsável por dirigir, respectivamente, <em>A Maldição da Chorona</em> (<em>The Curse of La Llorona</em>), <em>Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio</em> (<em>The Conjuring: The Devil Made Me Do It</em>) e <em>A Freira 2</em> (<em>The Nun II</em>), filmes esses que possuem até algumas qualidades, mas que no fim não conseguiam passar da mediocridade. Creio que um dos maiores problemas de Chaves e que ele demonstrou em todos esses projetos foi a sua incapacidade de<em> </em>ser original, de impôr a si mesmo, e ao invés disso, copiar ou emular a forma de James Wan (<em>Invocação do Mal, Invocação do Mal 2</em>). O resultado eram filmes estilisticamente identificáveis e sustos que até pegavam alguns, mas nunca com a emoção, nunca com o desenvolvimento, nunca com razão. É então que chegamos a 2025 com o aparente último filme da franquia principal desse universo, e com ele a boa notícia que Michael Chaves foi capaz de entregar um trabalho mediano.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Pelo que parece, Chaves desenvolveu senso narrativo e emocional, entregando uma obra bem equilibrada que não se compromete e nem compromete a ele. É claro que existem momentos em que o cara ainda quer dar uma extrapolada, e isso resulta em planos e efeitos que são até legais, mas que não levam a lugar nenhum e nem comunicam nada. Por exemplo, ao fim do filme existe um momento que a câmera voa até o céu e então volta até a casa onde as coisas acontecem, e por mais que seja legal, em nada contribui.</p>
</p>
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			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/criadas/" >
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			<p>No longa Criadas, dirigido e escrito por Carol Rodrigues, a trama acompanha o reencontro de Sandra (Mawusi Tulani) e Mariana (Ana Flávia Cavalcanti), duas mulheres</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">No que diz respeito ao terror em si, Chaves saiu da mera emulação e agora segue as cartilhas do gênero: construção básica de tensão a partir de momentos que antes eram felizes e depois serão retomados de forma macabra, exploração do silêncio, planos longos focando em objetos, aquele clima feliz de uma família normal. Ele acerta, devo dizer, ao usar <em>jumpscares </em>sem trilha sonora estourada, o que adiciona mais profissionalidade ao longa, como se ele não estivesse forçando ninguém a se assustar. O uso do medo é puramente por entretenimento, sem profundidade ou subverção de quando o susto vem. A tensão também é bem comum, com aquela trilha que vai subindo, subindo, subindo e então parando. Existe também a necessidade de guiar os atores para fazer tudo daquela forma lenta pra causar tensão, ou olhando para trás de forma dramática. São situações esquemáticas que não ferem ninguém, mas também não causam nada de especial nos sentidos.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">As criaturas existentes no filme são bem qualquer coisa, para mim, e as achei incapazes de provocar qualquer coisa. O máximo que conseguem é aparecer do nada para assustar, mas se continuam em foco, logo tudo de ruim se esvai e só sobra o: &#8220;nossa, que CGI estranho&#8221;. Contudo, pra ser justo, existe uma cena lá pros finalmentes em que Chaves trás de volta a famosa boneca Annabelle e, embora não passe de <em>fanservice</em>, foi uma cena que me provocou bastante medo. No geral, o visual não é dos mais inventivos e creio que a franquia já teve dias melhores nesse sentido. Além disso, o roteiro é inconsistente no que tange à sua ameaça. Ora ela é absurdamente poderosa, conseguindo causar alucinações, visões, possessões e até machucar fisicamente, ora não parece ser capaz de nada. E nem mesmo ficam claros seus poderes e o funcionamento.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Nota-se que Chaves tentou, além de melhorar no terror, melhorar também no desenvolvimento de suas tramas. Infelizmente o pouco progresso que ele fez em um lado não se refletiu em nada no outro. O filme tem duas horas e por mais de uma o espectador tem que assistir a um drama arrastado, longo e cansativo em que tudo que se faz é conversar e conversar. Não minto, a tentativa de trazer mais ainda os Warren para o centro é boa, e fazer o espectador gostar mais deles colocando elementos como casamento e o próprio amor familiar para nos dar a ilusão de que algo ruim pode acontecer com eles é bom, no entanto, a sensação que dá é que o diretor perdeu a mão e deixou as coisas durarem tempo demais. O drama parece oco e os personagens, ainda mais. Chaves interpretou que aposentadoria é o mesmo que esquecer tudo que você já fez, então deixou Ed e Lorraine Warren completamente jogados no canto.</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://ocinemae.com.br/vera-farmiga/">Vera Farmiga</a></strong> está, no que posso resumir em uma palavra: entediante. Sua interpretação já foi melhor, mas agora ela parece apenas fazer cara de paisagem para todos os lados e esquecer que é uma grande &#8220;caçadora&#8221; de demônios, distribuindo medo a rodo. <strong><a href="https://ocinemae.com.br/patrick-wilson-2/">Patrick Wilson</a></strong> continua nos exatos mesmos moldes desde o primeiro filme, ou seja: sem marcas. Mia Tomlinson parece não conseguir tirar verdade de sua personagem, e nem consegue convencer nos seus dramas, tornando-os muito vazios. É realmente o ponto mais baixo da franquia em termos de atuação.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O ato final é, também, outra parte complicada aqui: parece que tudo começa a se resolver apressadamente e as coisas vão acontecendo numa velocidade muito grande. O filme gasta tanto de seu tempo criando dramas e entregando cenas vazias de emoção que, ao fim, pareceu não saber mais como guiar a trama e foi apenas empurrando com a barriga para se finalizar. Ah, e a própria solução para derrotar o inimigo é bem&#8230; Questionável. Foram escolhas questionáveis que, no fim das contas, jogaram Chaves de volta à mediocridade.</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Enfim, <em>Invocação do Mal: O Último Ritual</em>, segue protocolos narrativos fixados na maioria dos filmes de terror. Michael Chaves saiu da emulação de James Wan e conseguiu entregar uma obra que parece qualquer outra, sem sair do lugar. Suas escolhas são normais, sua condução é normal e, enfim, a conclusão é normal. É isso que esse filme é: um grande e total filme comum. Sem grandes emoções, sem um bom terror, sem marcas emocionais, nada.</p></p>
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		<title>Uma Batalha Após a Outra &#124; Crítica 1</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Biancheti]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Sep 2025 21:03:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>De ritmo frenético e grande qualidade técnica, 'Uma Batalha Após a Outra' é um filme do aqui e agora que dialoga com o clima político atual.</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><em>Uma Batalha Após a Outra</em>, o novo filme do <a href="https://ocinemae.com.br/paul-thomas-anderson/"><strong>Paul Thomas Anderson</strong></a>, chega aos cinemas nessa quinta-feira, dia 25 e encontra o cineasta em sua melhor forma, com o diretor não só exibindo seu domínio de técnica e linguagem com uma fluidez avassaladora, mas também apresentando temas narrativos afiados que parecem ecoar em tempo real, o clima político do mundo, em 2025.&nbsp;</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Vagamente baseado no livro <em>Vineland</em> de Thomas Pynchon, <em>Uma Batalha Após a Outra</em> não perde tempo nenhum em dar início a sua ação. Logo nos primeiros momentos do longa, somos apresentados aos membros do French 75, um grupo de revolucionários que lutam contra a violência do sistema na mesma moeda de combate, utilizando o poder de fogo para defender os direitos básicos de imigrantes, mulheres e demais grupos vulneráveis. Liderados pela imponente Perfidia, interpretada de forma magnética por Teyana Taylor, o grupo é composto por demais idealistas, entre eles, Bob (<a href="https://ocinemae.com.br/leonardo-dicaprio/"><strong>Leonardo DiCaprio</strong></a>), um especialista em bombas, que se envolve amorosamente com a líder da equipe.&nbsp;Eventualmente, o desenvolvimento de uma dinâmica de poder entre Perfidia e o Coronel Steven J. Lockjaw (Sean Penn), uma das grandes figuras de oposição ao grupo, acaba dando início a um jogo de gato e rato que coloca toda a existência do French 75 em cheque, fazendo com que Bob tenha que escapar para longe junto de sua bebê recém nascida, fruto do relacionamento entre ele e Perfidia. Agora 16 anos mais tarde, as batalhas do passado voltam para assombrar o pai solteiro e a sua filha, Willa (Chase Infiniti).</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Paul Thomas Anderson sempre foi um diretor extremamente meticuloso, mas a sua direção nunca foi repleta de tanta naturalidade quanto aqui. As cenas parecem quase que costuradas de maneira uniforme, nunca se tornando bruscas em suas transições e trabalhando em conjunto para criar um ritmo frenético que nunca desperdiça nenhum segundo de tela. É um controle de elementos, que é complementado de maneira fervorosa pelo trabalho de fotografia de Michael Bauman, que filmou o projeto usando filme 35mm e a tecnologia VistaVision, uma junção de formatos que dá ainda mais dimensão e textura para o aspecto visual da obra. Uma perseguição de carro no auge do terceiro ato, em particular, é filmada de maneira tão inspirada que se torna impossível não prender a respiração durante a sequência.&nbsp;</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Para além de sua direção, Anderson também brilha como roteirista, balanceando diferentes tons com uma habilidade de dar inveja em qualquer escritor. É incrível a facilidade em como ele é capaz de abordar vários temas complexos como extremismo e racismo, mas ainda assim trazer doses de humor, muito bem pontuadas, para momentos oportunos do filme. Esse jogo de cintura, de difícil execução, se torna uma das qualidades mais marcantes do projeto, com a tensão dos eventos que os personagens estão vivendo sendo preservada sem precisar abrir mão do humor causado pelo absurdo de muitas dessas situações.&nbsp;</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Por falar em personagens, Anderson investe novamente em alguns padrões narrativos que podem ser encontrados dentro de sua filmografia. Pessoas falhas que cometem erros apesar de suas melhores intenções, relações geracionais e o embate de perspectivas entre elas são alguns dos pontos de conflito presentes na construção dos personagens que acompanhamos durante o filme. Leonardo DiCaprio brilha na pele do revolucionário Bob Ferguson, um pai superprotetor que perdeu seu espírito de luta e que é jogado de volta no caos e violência daquele universo, com as suas habilidades sendo apenas uma casca do que um dia já foram. Assistir DiCaprio, um dos atores responsáveis por patentear o termo “galã de cinema”, interpretando um homem desajeitado e instável tentando acompanhar um ritmo que ele não é mais capaz de replicar rende inúmeros momentos inspirados, como o segundo ato do filme, quando em parceria com Sensei (Benício Del Toro), Bob precisa descobrir a localização exata de sua filha.&nbsp;</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Willa, a filha de Bob, interpretada por Chase Infiniti, é outro grande destaque do projeto. A atriz, em seu primeiro papel em um longa-metragem, não tem dificuldade nenhuma em contracenar com os veteranos de seu elenco e sua química com DiCaprio, é responsável por equilibrar, em grande parte, o núcleo emocional da história. A paranoia incessante de Bob referente ao futuro de Willa também traz a tona um dos temas mais interessantes que ganha espaço dentro do contexto da relação parental entre os dois. Em mundo tão cruel e volátil, como você consegue, encontrar dentro de você, a confiança para abaixar a guarda e acreditar que aquela pessoa que você criou vai conseguir sobreviver a uma realidade que você não foi capaz de mudar? O mundo é amedrontador, ainda mais para quem tem filhos. Mas são eles que irão traçar um novo futuro. </p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O filme não tem medo nenhum de escancarar a insignificância intelectual dos homens em poder, mas também entende que isso não torna eles menos perigosos ou opressivos. Porque a violência nas mãos de figuras que só conhecem o mundo através de seus privilégios, sempre vai ser uma corda que arrebenta para o lado mais fraco. E nenhum dos personagens do filme ilustra isso de maneira tão efetiva quanto o Coronel Lockjaw, interpretado por Sean Penn, no auge do seu talento. Covarde, mas imprevisível, as movimentações do personagem oferecem ao ator, uma tela em branco que permite com que Penn transforme o antagonista em uma figura densa que nunca cai na armadilha de se tornar uma caricatura.&nbsp;</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Divertido, intenso e relevante, <em>Uma Batalha Após a Outra</em> é uma obra audiovisual com toda a grandiosidade técnica que se espera de uma produção de seu escopo, apresentando uma consistência de qualidade que se permeia desde a sua excelente trilha sonora até ao seu trabalho de montagem ágil. Mas acima de tudo, o longa se torna tão especial porque ele se comunica com o aqui e agora ao escancarar que a revolução não é uma causa que pode ser ditada pela conveniência. Continuar a lutar pelo que se acredita é tão difícil quanto realizar a decisão consciente de iniciar essa luta. Que bom que temos um filme excepcional, de uma das grandes vozes do cinema moderno, para nos lembrar disso.</p></p>
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