No longa Futuro Futuro, ficção científica brasileira escrita e dirigida por Davi Pretto, acompanhamos um futuro próximo onde os avanços em inteligência artificial coexistem com o surgimento de uma nova síndrome neurológica. Na trama, K (Zé Maria Pescador), um homem de 40 anos e sem memória, é acolhido por um clickworker solitário de 60 anos na parte empobrecida de uma chuvosa Porto Alegre. Após usar um viciante dispositivo de IA em um curso voltado para pessoas com essa estranha síndrome, K embarca em uma jornada trágica e absurda para tentar encontrar o seu lugar no mundo.
A direção de Davi Pretto flerta muito com a ideia de a IA ser revolucionária, mas também prejudicial… A fotografia é belíssima, os planos, a ambientação e as atuações estão muito boas. Mas Pretto foca tanto no prejudicial que se esquece da própria trama, principalmente no segundo ato, beirando algo monótono.

No longa Aquele Que Viu O Abismo, escrito e dirigido por Negro Leo e Gregorio Gananian, acompanhamos uma dramática ficção científica brasileira. Na trama, vemos
A mensagem que o filme tenta passar sobre o avanço tecnológico é indiscutivelmente impactante. Trata-se de uma premissa forte, que causa um certo incômodo e realmente assusta ao refletirmos sobre o rumo da nossa própria realidade. O grande problema é que, na tentativa de martelar esse alerta a todo custo, Pretto acaba pesando a mão. O excesso de zelo em desenhar o lado sombrio da inteligência artificial faz a narrativa dar voltas sobre si mesma, deixando o desenvolvimento dos acontecimentos confuso e travado.
Por fim, Futuro Futuro acerta e muito nos quesitos técnicos, entregando uma atmosfera envolvente e um conceito que causa um verdadeiro choque no espectador. No entanto, o longa peca narrativamente ao priorizar o discurso em detrimento do ritmo da história, ficando preso em um tema já saturado e resultando em uma experiência esteticamente impecável, mas narrativamente cansativa.




