No longa Aquele Que Viu O Abismo, escrito e dirigido por Negro Leo e Gregorio Gananian, acompanhamos uma dramática ficção científica brasileira. Na trama, vemos X (Negro Leo), um homem imerso em uma complexa história de assassinatos que tenta sobreviver usando suas visões. Do outro lado de um enorme pavilhão — que serve de abrigo temporário para a massa pantagruélica de novos pacientes vindos das ruínas de uma civilização ingênua —, X observa a movimentação e o recrutamento da Prolirfe Corp.
Confesso que a ideia proposta pelos diretores é bastante instigante. Ela ganha força na linguagem visual, sustentando-se muito bem por meio de uma montagem expressiva e de uma fotografia estilizada. No entanto, esse rigor estético não encontra respaldo de forma efetiva no roteiro. A narrativa se mostra excessivamente confusa, jogando múltiplos elementos e informações ao mesmo tempo na tela sem a devida construção, o que deixa o espectador completamente desnorteado. O empenho e a ótima atuação de Negro Leo tentam ancorar o projeto, mas a estrutura da história é frágil demais para segurar o público.

Em Suçuarana, Dora atravessa o cerrado em busca da terra da infância, em um filme poético sobre memória, tempo e sobrevivência.
O grande problema do filme reside em sua incapacidade de transformar conceitos interessantes em desenvolvimento dramático. Por focar tanto no hermetismo e no excesso de estímulos desconexos, a obra acaba caindo na armadilha do cansaço visual.
Por fim, Aquele Que Viu O Abismo acerta em seus quesitos técnicos e na criação de atmosfera, mas peca gravemente ao entregar uma experiência monótona e difícil de engajar — um feito negativo marcante para um longa que dura curtos 70 minutos.




