O longa A Última Casa, sob direção de Louis Leterrier, apresenta uma trama que parte de uma ideia muito boa: colocar uma família presa dentro de casa tendo que lidar com uma ameaça que vem de fora. Percebo uma forte semelhança com o período da pandemia da COVID-19. Aquele medo do desconhecido, o isolamento, o pânico de não ver o amanhã é nítido na trama.
Muito desse impacto inicial vem da força do seu elenco. Wagner Moura (O Agente Secreto) entrega uma performance impecável, carregando em cena o peso da responsabilidade e o desespero de um pai tentando manter a sua postura diante do caos. Ao seu lado, Greta Lee (Vidas Passadas) brilha no papel de uma mãe cheia de camadas. O grande destaque, no entanto, acaba vindo do elenco mirim. A atuação dos filhos do casal surpreende pela naturalidade, agregando uma camada de afeto e vulnerabilidade que torna o perigo do primeiro ato ainda mais real e angustiante.

Em Enola Holmes 3, sob a direção de Philip Barantini e escrito por Jack Thorne, retoma os acontecimentos de seus antecessores. Na trama, vemos uma
O problema é que, após um início tão promissor, o filme opta por tomar rumos completamente opostos nos atos seguintes. A direção e o roteiro abandonam o suspense e o bom ritmo que tornavam a trama instigante, preferindo desvios narrativos que desaceleram a história de forma brusca.
Conforme a trama avança pelo segundo e terceiro atos, o que era um suspense envolvente se transforma em uma experiência monótona e arrastada. O longa perde a mão na condução do drama e passa a se arrastar em sequências repetitivas, onde nem mesmo o empenho e o carisma de Wagner Moura, Greta Lee e do elenco infantil conseguem salvar a trama do tédio.
Por fim, A Última Casa deixa um gosto amargo pelo que poderia ter sido. A ideia do filme é brilhante e o elenco faz de tudo para sustentar o peso da narrativa, mas a escolha de abandonar a energia do excelente primeiro ato para seguir por caminhos monótonos faz a obra ruir antes de alcançar o seu ápice.




