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Entre a negação e o adeus: O luto de Vampira e a sombra de Gambit em X-Men ’97

Publicado 2 minutos atrás
X-Men '97
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A segunda temporada de X-Men ’97 apresenta uma trama que gira em torno de um cenário desolador onde a equipe se encontra à beira do colapso após os eventos traumáticos da tragédia de Genosha. O luto de Vampira deixa de ser uma mera reação movida pela raiva para se tornar o coração emocional do programa. O roteiro opta por afastar a personagem do combate puramente reativo contra Trask e Bastion, mergulhando-a em um isolamento íntimo, onde a dor da ausência de Remy LeBeau (Gambit) se sobrepõe a qualquer conflito geopolítico do universo mutante.

Enquanto o cenário ao redor se despedaça com a brutal execução de Magneto pelas mãos de Apocalipse evento que abala e traumatiza profundamente o próprio Professor Charles Xavier, o foco de Vampira permanece estritamente focado no vazio deixado pelo seu grande amor. A ruína da liderança dos X-Men vira apenas um ruído de fundo diante da ferida aberta. A rotina de descobertas e combates da mutante é virada do avesso após o reaparecimento de Remy, agora transfigurado como Morte, um dos Cavaleiros do Apocalipse. Essa revelação coloca Vampira diante de um reencontro assustador e visceral, onde o homem que amava ressurge não como uma salvação, mas como um fantoche do vilão.

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Confrontados pela iminência da perda definitiva e pelas manipulações de Apocalipse, Vampira se vê diante da maior das ironias dramáticas: o retorno de Remy entrega a ela a maior fantasia de sua vida, que é a possibilidade do toque físico e do abraço sem a barreira de seus poderes absorvedores. Contudo, essa proximidade tem um custo perverso. A intimidade sem luvas se torna uma armadilha que a força a escolher entre aceitar uma versão corrompida de Remy para fugir da dor, ou encarar a realidade devastadora de sua partida. Durante esse processo, memórias daquela noite em Genosha voltam à sua mente, trazendo à tona a culpa e a tentativa desesperada da memória em reescrever o passado.

A fotografia, a paleta de cores e a montagem da obra fazem toda a diferença ao traduzir esse luto. Muitas vezes filmado em enquadramentos fechados no rosto exausto de Vampira e intercalando com a escala colossal das batalhas travadas pelos mutantes, o longa/arco traz uma imersão profunda ao espectador. E a montagem é absurda… o ritmo das sequências de ação contrasta diretamente com o silêncio pesado dos momentos em que a personagem encara o fantasma de seu amado. A câmera deixa o espetáculo dos superpoderes e migra para o plano fechado da dor e, quando ela migra para esse plano, a experiência se torna puramente humana.

Por fim, a segunda temporada de X-Men ’97 acerta em cheio no drama e no peso de suas escolhas narrativas. Através da trajetória de Vampira e de sua recusada entrega às ilusões de Apocalipse, a animação reafirma sua crença mais profunda: diante da tragédia e do trauma, a verdadeira força não está em abraçar substitutos sombrios ou apagar o passado, mas sim na coragem de encarar a dor da perda e honrar a memória daqueles que amamos.

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X-Men '97 poster

X-Men '97

X-Men '97
A14
País: Estados Unidos
Criação: Beau Demayo
Elenco: Lenore Zann, Jennifer Hale, Ray Chase
Idioma: Inglês

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