O cinema de terror vem se reinventando ano após ano, e quando um diretor assume uma franquia marcada por fracassos anteriores, a expectativa do público sempre fica lá no alto. Em Resident Evil (2026), o diretor Zach Cregger simplesmente pega a premissa dos videogames e entrega um trabalho bastante dinâmico, que se destaca por fugir dos clichês e focar na claustrofobia da sobrevivência. No entanto, o grande acerto do filme é justamente não tentar ser um “filme de Resident Evil” convencional, deixando de lado aquela obrigação de agradar a todos com explicações mirabolantes e focando em contar uma boa história de horror.
A narrativa acompanha Bryan (Austin Abrams), um entregador que precisa levar uma carga prioritária até um hospital em Raccoon City. No entanto, o que parecia ser apenas uma viagem de trabalho em uma noite fria se transforma em um verdadeiro pesadelo. Ao atropelar uma mulher na estrada e levá-la em busca de socorro, ele acaba se vendo preso no meio de um surto viral violento que transforma a população em zumbis.
A partir disto, o diretor constrói um ritmo de tensão ao lado do roteirista Shay Hatten, pautando a obra em uma jornada de sobrevivência que dialoga diretamente com o body horror típico do David Cronenberg. Austin Abrams entrega uma atuação muito competente, conseguindo passar todo o desespero do personagem. Além disso, a fotografia de Dariusz Wolski utiliza muito bem a iluminação, os planos-sequência e enquadramentos em plongée e contra-plongée para criar uma atmosfera densa, acompanhada pela trilha sonora minimalista de Hays e Ryan Holladay.
Além disso, ao se afastar das fórmulas já batidas das adaptações anteriores, Cregger acerta ao flertar diretamente com aquele humor já típico de filmes anteriores, como Barbarian e A Hora do Mal | Crítica 1. As sequências são bem filmadas, usando a câmera em primeira pessoa em alguns momentos como uma sutil homenagem aos jogos, sem deixar que o fanservice atrapalhe a narrativa. Embora o recurso do protagonista ficar falando sozinho às vezes soe um pouco repetitivo, isso acaba funcionando para demonstrar a forma de como Creager lida com o medo.
Por conta disso, Resident Evil se consolida como um dos acertos mais interessantes do cinema de gênero em 2026. Zach Cregger mostra que entende a essência do horror ao entregar uma obra visceral, divertida e tensa na medida certa, provando que, às vezes, o melhor caminho para honrar um nome é justamente ter a coragem de fazer algo completamente diferente.