“Marcante” é a palavra que ajuda a definir O Predador (Predator) original, uma obra que ganha muitos pontos desde o início, já que, em sua época, os macho-movies eram muito famosos. Filmes com homens grandes, musculosos e aptos ao conflito atacando, massacrando e salvando pessoas. E então, em meio a tantos longas do tipo, surge um em que esses homens grandes se tornam vítimas, e não importa o quão fortes sejam, nem quão grandes sejam suas armas, eles são lacerados como folhas de papel pelo grande inimigo da vez. Aqui, mesmo o maior dos soldados precisa apelar para inteligência, já que sua força não tem serventia.
O Predador trás um início instigante, com aquela floresta agonizante por ser muito quente e muito densa. Mesmo a maioria das cenas sendo durante o dia, é incrível como o trabalho sobre a atmosfera funciona bem. O Predador, da mesma forma que nos filmes Alien, demora para agir, demora para aparecer, e essa lentidão para que o grande inimigo se revele apenas coopera para aumentar a desconfiança. Nesse momento da obra, as atuações também ajudam muito na sustentação do terror, já que todos esperam que sejam soldados, estão sempre brincando, bem armados e são muito musculosos, e é quando a violência aumenta e eles veem que são impotentes que a “festa” começa.

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Quando, também a criatura surge, na maior parte é por sua visão de calor, retratada em primeira pessoa. O filme comunica que aquela coisa é mais e maior que os protagonistas. Ela está um passo à frente, e se quisesse, poderia já ter matado todos. E assim que o Predador entra de vez na tela, sua brutalidade é chocante e assusta. O uso de violência gráfica não é nem um pouco gratuito aqui, com ótimas cenas de confronto e sangue.
O filme ainda aproveita as entrelinhas para fazer um estudo em torno do Predador, do que ele é, de quem ele é e como funciona. A aura ao redor do personagem, a incerteza e, principalmente, a sua ameaça, tornam-no o inimigo perfeito. Da mesma forma, Dutch (Arnold Schwarzenegger) é estudado, já que ele vê como tudo que sabe é quase inútil diante daquela ameaça. E, depois de ver seus parceiros morrendo tentando enfrentar a criatura de frente, o homem aceita que sua força não vai bastar, e usa truques muito bem empregados pelo roteiro. O ator, que muitos consideram abaixo da média, demonstra aqui uma de suas melhores interpretações, repleto de medo, de nervoso e de raiva, e o melhor é ver tudo sendo passado com pouquíssimas falas.
O Predador (Predator) é sem dúvidas um dos grandes filmes de terror, e está marcado entre os clássicos desse gênero. É uma obra eficiente em sua diversão e que ainda apresenta boas cenas de ação com um final particularmente eletrizante. É um clássico que vale a pena rever.




