Em A Noiva!, sob direção de Maggie Gyllenhaal — cineasta em ascensão que chega ao seu segundo longa-metragem e mantém a parceria com Jessie Buckley (ambas de A Filha Perdida) —, a trama nos transporta para a Chicago dos anos 30. O solitário Frankenstein (Christian Bale) procura a Dra. Euphronius (Annette Bening) com o intuito de criar uma companheira para si, buscando escapar da incompreensão da sociedade. Eles dão vida a uma mulher assassinada, Ida (Jessie Buckley), que assume a identidade da Noiva. O surgimento dela provoca um certo romance; no entanto, devido a uma série de acontecimentos, a polícia passa a persegui-los, forçando-os a uma mudança radical.
No geral, a direção de Gyllenhaal é assertiva, principalmente ao explorar a Hollywood e o cinema mudo daquela época. O filme introduz a pauta da violência contra a mulher como o estopim de uma espécie de revolução; contudo, Gyllenhaal decepciona ao não aprofundar melhor esse tema, que é urgente e central para a trama. Essa falta de desenvolvimento faz com que o roteiro pareça, de certa forma, perdido.

Maggie Gyllenhaal promete uma tragédia gótica feminista, mas sua condução fragmentada desperdiça os talentos de Jessie Buckley & Christian Bale.
Por outro lado, a fotografia é espetacular ao adotar uma estética noir, mas o que impressiona mesmo é a versatilidade de Jessie Buckley. Enquanto em seu trabalho mais recente, Hamnet, ela entrega uma atuação contida, em A Noiva! ela surge explosiva. Já Christian Bale entrega um Frankenstein que aparenta ser incauto de início, mas revela sua verdadeira personalidade no decorrer da história.
Ao subverter a obra clássica de Mary Shelley, Gyllenhaal entrega um filme onde o horror não reside na criatura, mas na violência daqueles que a precederam. A Noiva! é, em sua essência, sublime, feroz e terminalmente magnético em sua sofisticação.




