Bugonia, novo filme de Yorgos Lanthimos e terceira produção do cineasta em um período de menos que 2 anos, chega aos cinemas brasileiros, com mais uma premissa inconvencional como seu atrativo principal. No novo filme de Lanthimos, acompanhamos Teddy (Jesse Plemons), que junto de seu primo Don (Aidan Debis) decide sequestrar Michelle Fuller (Emma Stone), a CEO de uma empresa farmacêutica, por acreditar que ela seja um alienígina que representa perigo para o restante do mundo.
Muito do filme é carregado pela química entre Emma Stone e Jesse Plemons, que estão ótimos em cena e mantém os momentos de conflito entre os personagens principais engajados e dinâmicos. Stone continua se mostrando uma atriz extremamente versátil e sua interpretação como Michelle é marcada por uma dualidade que amplifica a paranoia estabelecida pela trama. Mas Jesse Plemons é a atuação mais impressionante do longa. A intensidade do ator se manifesta em cada olhar inquieto e hesitação calculada, revelando um personagem que transita entre a rigidez paranoica e uma fragilidade quase infantil. Essa vulnerabilidade que ele imprime a Teddy torna o personagem não apenas crível, mas emocionalmente complexo, dando profundidade à espiral de desconfiança que o move. É uma performance que se impõe sem esforço, ocupando silenciosamente todos os espaços dramáticos que o filme oferece.

Com Hamnet, Clhoé Zhao acertou em cheio.
O desfecho do longa, por sua vez, certamente será divisivo. Muitos espectadores vão encará-lo como uma grande imbecilidade. É fácil identificar o seu tom previsível e reconhecer que Lanthimos poderia ter investido em uma construção menos óbvia e mais ousada em sua execução. Ainda assim, confesso que gostei da resolução: ela funciona dentro da lógica interna que o filme estabelece, e existe algo de coerente no modo em como o projeto abraça o absurdo até suas últimas consequências. A montagem final em particular, é genuinamente hilária.
Outro acerto importante do filme é seu ritmo, que permanece firme e consistente durante quase toda a sua duração. Lanthimos conduz a narrativa com segurança, mantendo o espectador envolvido mesmo quando a trama flerta com quebras tonais ou com escolhas . Há uma cadência constante que impede que o filme desande, e essa confiança na condução narrativa contribui para que a experiência permaneça tensa, cômica e desconfortável na medida certa.
O roteiro, no entanto, como discutido sobre o desfecho do filme, não é tão afiado quanto acredita ser. Embora apresente ideias interessantes e um universo temático repleto de potencial, ele raramente explora esses temas de maneira verdadeiramente dinâmica. Há provocações levantadas que permanecem superficiais, como se o texto preferisse apenas insinuar uma complexidade em vez de se aprofundar de vez nela.
Mas mesmo com esses defeitos, o texto funciona o suficiente para sustentar a história, apesar de deixar a sensação de que poderia ter sido mais inventivo e menos preso ao próprio estilo. Ainda assim, mesmo com esses aspectos que ficam aquém do esperado, Bugonia se beneficia da força de suas atuações e da mão firme de Lanthimos, resultando em uma obra que provoca, entretém e permanece na mente, ainda que pelas razões certas e erradas ao mesmo tempo.



