Predadores (Predators), veio em 2010 como uma tentativa de reboot da franquia que, àquela altura, estava sumida desde 1990. Agora sob a direção do mediano Nimród Antal e com um elenco no mínimo notável. Predadores nunca chega a ferir os sentidos, mas também não é capaz de satisfazê-los. A proposta do longa vem da seguinte forma: várias pessoas conhecidas por serem assassinas na Terra acordam em uma floresta estranha e, juntos, acabam descobrindo que estão em outro planeta, uma reserva de caça para a raça dos yautja. Se quiserem continuar vivos, terão de ser, ironicamente, Predadores.
Aqui, os ares do filme original retornam com timidez. Ao mesmo tempo que a obra explora novos caminhos, jogando os protagonistas em outro planeta, ele também basicamente repete a trama do primeiro, mas em outra localização. Isto, inclusive, já entra no campo de defeitos da produção, tornando a repetitividade sua maior inimiga. O tempo todo é difícil não pensar que você já viu aquilo tudo e, na verdade, se vê torcendo para que algo diferente aconteça. O que aparenta ser diferente são as roupas e, logicamente, as pessoas. O roteiro tenta ainda colocar ameaças levemente originais na trama, como aqueles cães, entretanto, falta mais coragem, mais motivação, mais criatividade. Até porque esses bichos não surgem mais na obra.

O Rei do Show revela que o verdadeiro espetáculo nasce quando a invisibilidade dá lugar à coragem de ser quem se é.
Quando Predadores chega na metade, desisti de esperar por novidades ou originalidade, já que tendo a exata mesma duração do original, o tempo apenas não condizia com a tentativa de entregar conteúdo fresco. Até mesmo a sequência final inteira é completamente inspirada pelo original e os secundários morrem, um por um, de forma “honrada”.
O elenco, apesar de variado, é completamente destoante. O roteiro deixa reservadas todas as boas falas e grandes cenas para os personagens de Alice Braga e Brody, enquanto todo o resto se resume a arquétipos que são facilmente telegrafáveis no que diz respeito à seus destinos dentro do filme. É triste, pois com tantas pessoas, poderiam apostar em criar conexões com o espectador, contudo, isso nunca acontece. Mesmo Alice e Brody não são tão valorizados, por vezes até parecendo levemente vergonhosos, como se o roteiro tivesse pesado demais a mão no quesito “parecer sério e habilidoso”.
No que diz respeito à ação, Predadores é de longe o mais fraco da franquia, cheio de câmeras “dançantes”, que chacoalham e cortes imparáveis que impedem a apreciação de qualquer acontecimento. Os embates com os predadores são absolutamente subutilizados e, na verdade, eles mal aparecem por boa parte da duração. A violência, antes marca forte da franquia, aqui surge higienizada , com “covardia” desnecessária em demonstrar brutalidade. Outro grande defeito aqui é como os grandes vilões são mal explorados e quase nunca retratados de forma interessante na tela, mesmo havendo uma sub-sub-sub-trama com um deles na reta final, que inclusive é finalizada de forma anticlimática.
Predadores pode não ter tido o luxo de ser original, mas se até mesmo o segundo, que é inferior ao primeiro, conseguiu encontrar originalidade em seu protagonista, é difícil defender o caso do reboot de 2010. Seus personagens são chatos, sua trama é repetida e sua ação é aceitável. Até mesmo os predadores são extremamente fáceis de se matar de uma forma inacreditável pelo roteiro.
No fim das contas, Predadores não foi um retorno digno à franquia que, inclusive, sumiu por mais oito anos depois dele. Por outro lado, ainda existe alguma diversão aqui, principalmente se você estiver maratonando tudo.




