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	<title>Arquivo de Guarnicê Produções | O Cinema É</title>
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	<description>Crítica, notícias e trailers sobre filmes e seriados</description>
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		<title>Dois Graus ao Sul do Equador &#124; Festival de Cannes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Eduardo Eufrazio do Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 12:30:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>No último dia 14 de maio, assisti no Marché du Film ao longa-metragem 2 Graus ao Sul do Equador, roteirizado e produzido por Joaquim Haickel e dirigido por ele e seu parceiro, Coi Belluzzo. A obra conta a história de Eulália, uma jovem que, após perder sua mãe, parte para o Maranhão em busca de [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">No último dia 14 de maio, assisti no Marché du Film ao longa-metragem <em>2 Graus ao Sul do Equador</em>, roteirizado e produzido por Joaquim Haickel e dirigido por ele e seu parceiro, Coi Belluzzo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A obra conta a história de Eulália, uma jovem que, após perder sua mãe, parte para o Maranhão em busca de seu verdadeiro pai. Nessa jornada, Eulália será seduzida pela vibrante cultura de São Luís: o Tambor de Crioula, o Bumba Meu Boi, o Reggae, o casario colonial da Cidade dos Azulejos e os deslumbrantes Lençóis Maranhenses. Com isso, Eulália mergulha em um caminho de pertencimento e identidade.</p>


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				Minions &amp; Monstros			</a>
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			<p>Entre referências a Hollywood e piadas visuais agressivas, Minions &amp; Monstros peca ao não definir seu público, flertando com o descartável.</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Devo dizer que esse filme me surpreendeu pela audácia de, a seu modo, com pouquíssimos recursos financeiros e fora do eixo das grandes produções cinematográficas brasileiras, tentar realizar uma obra que remete a filmes que usam a cidade, o lugar onde são realizados, como personagens ativos da história — como &#8220;<em>Manhattan</em>&#8221; e &#8220;<em>Meia-Noite em Paris</em>&#8221; ambos do Woody Allen.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A curiosidade do título se justifica exatamente porque a cidade de São Luís se encontra a aproximadamente 2 graus ao sul da linha do Equador, o que prova que o intuito aqui é mostrar São Luís para o resto do mundo: sua cultura pulsa a todo momento na tela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É interessante como o roteiro e a direção deste filme trazem São Luís para o centro da trama, fazendo aquilo que recorrentemente <em>Kleber Mendonça Filho</em> (<em>Agente Secreto</em>) faz em seus filmes com sua amada cidade do Recife. A diferença é que o filme de Haickel e Belluzzo nada tem de político no sentido ideológico, filosófico e partidário. O político na obra é totalmente aristotélico — remete à pólis, ao lugar onde vivem as pessoas, onde elas vivenciam suas experiências.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Confesso que experimentei uma espécie de catarse ao assistir a esse filme, algo que me fazia sentir dentro daquela história, acompanhando aqueles personagens, principalmente pela forma como o roteiro os apresenta. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Não satisfeitos em beberem da fonte de Woody Allen, Haickel e Belluzzo resolveram que deveriam se refrescar também na fonte de um dos pais da Nouvelle Vague, <em>François Truffaut</em>, pois apresentam seu filme em narrativa de metalinguagem, na qual a história de Eulália é contada durante a realização de um filme que pretende resgatar uma diretora e sua parceira produtora de uma crise criativa — um bloqueio produtivo, coisa muito comum no setor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando digo que essa produção se refresca em correntes de sucesso do cinema mundial, não o faço para diminuir a obra, pois a intenção dos realizadores me parece clara e explícita. Tanto que, em determinado momento, o roteirista coloca na boca de um personagem uma alusão direta a Truffaut (A Noite Americana).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A metalinguagem aqui se desvincula do clichê ao filmar um filme dentro de outro filme, onde podemos ver pontos de vista distintos em seus respectivos personagens, trazendo histórias reais — como a citação a um poeta famoso na cidade — e debates como o da maternidade na adolescência, entre muitos outros. Um elenco predominantemente maranhense que refletem uma autenticidade única para a tela. A performance de Tamie Panet é o coração da obra: singela e sutil, ela vive dois personagens distintos e nos faz viajar junto com cada um deles quando assume suas personalidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, penso que <em>2 Graus ao Sul do Equador</em> também se destaca por seu roteiro, que parece ter sido pensado milimetricamente, por sua direção, que soube dar asas ao elenco, e pela forma como a montagem conta a história.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois de assistir ao filme, tive a oportunidade de conversar com <em>Joaquim Haickel</em>, idealizador da obra, roteirista, produtor e diretor de cinema que desde 1984 produz filmes no Maranhão, a maioria documentários voltados à preservação da memória de sua terra e de seu povo. Conversar com Joaquim me fez ter certeza sobre a verdade contida em uma frase que tenho como referência: &#8220;um filme nunca é só um filme, é uma janela para o mundo&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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