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	<title>Arquivo de Ilumination | O Cinema É</title>
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	<description>Crítica, notícias e trailers sobre filmes e seriados</description>
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	<title>Arquivo de Ilumination | O Cinema É</title>
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		<title>Minions &#038; Monstros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Matheus Augusto Sampaio]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jul 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Entre referências a Hollywood e piadas visuais agressivas, Minions &#38; Monstros peca ao não definir seu público, flertando com o descartável.</p>
<p>O post <a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/minions-monstros/">Minions &amp; Monstros</a> apareceu primeiro em <a href="https://ocinemae.com.br">O Cinema É</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Existem críticos que tendem a olhar com certo desprezo para os jargões do próprio ofício. Recentemente, o alvo dessa ojeriza foi a expressão “este filme é uma carta de amor ao cinema”. Imagine a reação desses profissionais ao se depararem com o fato de essa frase ter sido tão banalizada a ponto de ser aplicada a <em>Minions &amp;</em> <em>Monstros</em>. A produção estreiou no Brasil neste dia 2 de julho de 2026. O filme mistura os já conhecidos personagens a diversas referências da “Era de Ouro” do cinema hollywoodiano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O longa foca (ao menos parcialmente) em dois minions: Henry e James. Por terem aspirações artísticas mais apuradas do que as de seus companheiros, eles sempre acabam deslocados e causando confusão. Tudo começa com a repetitiva premissa — já vista em<a href="https://ocinemae.com.br/trailers/meu-malvado-favorito-4/" id="https://ocinemae.com.br/trailers/meu-malvado-favorito-4/"> <em>Meu Malvado Favorito 4</em></a>, <em>Minions</em> e <em><a href="https://ocinemae.com.br/noticias/minions-2-cartaz/" id="https://ocinemae.com.br/noticias/minions-2-cartaz/">Minions 2</a></em> — de que os seres amarelos precisam encontrar algum malvado para servir. Essa galeria de antagonistas vai desde um ciclope em Creta até um pirata e um mago superpoderoso. Os minions mudam constantemente de mestres, devido às trapalhadas da dupla de protagonistas, que mata um por um.</p>


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<p class="wp-block-paragraph">Nessa sequência, assusta bastante a violência das cenas das quais os minions participam — uma violência gráfica no sentido mais estrito do termo. Um dos momentos mais notáveis é a polêmica decapitação de um rei (presente em <a href="https://www.youtube.com/watch?v=V-O-uBaHk3c" id="https://www.youtube.com/watch?v=V-O-uBaHk3c">um dos trailers</a>) que, mesmo sem exibir sangue, não esconde nada. O mesmo comentário serve para a cena em que o ciclope se senta em um bloco pontudo (na infantil piada de sentar-se em objetos cortantes para fins humorísticos); o público pode ver o detalhe do traseiro do gigante de um olho só como grosseiro e certamente desnecessário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É nesses momentos que conseguimos enxergar o maior problema de <em>Minions &amp; Monstros</em>. Desde <em>Shrek</em> (que, ironicamente, faz parte hoje do guarda-chuva da <em>Universal</em>, distribuidora das animações da <em>Illumination</em>), as produções do gênero tentam conquistar os pais que levam as crianças ao cinema. Para não entediar esse público, quase como uma cortesia misturada a uma excelente visão de mercado, as animações normalmente contêm piadas adultas e momentos que geram identificação. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Aqui, por apostar em imagens fortes em uma carcaça mais inocente, o filme parece bobo demais para a audiência que deveria cativar e de mau gosto para adultos. Não atoa, recebeu a classificação indicativa de não recomendado para menores 10 anos aqui no Brasil (nesse caso, um limbo entre a classificação L e 12 anos), a maior entre os filmes dos <em>Minions</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, apesar de impressionar por esses minutos visualmente agressivos, o filme não consegue ir muito além de uma experiência um tanto esquecível. Mais ainda se focarmos no desenvolvimento da história. Em dado momento, os minions acabam nos EUA e logo veem em um ladrão do Velho Oeste um possível chefe; porém, tudo não passava da gravação de um filme que eles acabam atrapalhando. Os donos do estúdio se apaixonam pelos amarelinhos, obrigando o diretor a contratá-los como estrelas de cinema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir daí, inicia-se mais um festival de referências que se torna cansativo e evidencia a dificuldade da história em avançar. Novamente, surge o problema de comunicação: com quem <em>Minions &amp; Monstros</em> quer conversar? Os adultos não reconhecem as referências a Buster Keaton, Groucho Marx e Charles Chaplin como algo divertido, por estarem distantes da formação fílmica da maioria das pessoas. O público certamente sabe quem eles são ou já os viu em algum lugar, mas a menção em si não gera engajamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mesmo ocorre com as alusões aos EUA de antes da crise de 1929: uma piada até engraçada. Entretanto, sem a contextualização necessária, se perde na audiência. Quem poderia se interessar seriam os cinéfilos, mas as referências são tão rápidas, amontoadas e descontextualizadas que não parece valer a pena. Já as crianças, ainda mais distantes desses objetos de paródia, certamente não vão entender — e, se entenderem, dificilmente vão absorver algo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em determinado momento — talvez na melhor sacada do roteiro —, os filmes sonoros são introduzidos em Hollywood. Como os minions apenas murmuram palavras latinas (italianas e espanholas, principalmente) e outras que parecem latinas quando convém ao roteiro, eles deixam de fazer sucesso e são demitidos. Eles, então, abandonam Henry, James e Ed para perseguir outro mestre maligno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os três que sobraram decidem fazer um novo filme, especificamente um de monstros. Para isso, invocam criaturas ancestrais que, obviamente, não estão interessadas em cinema. Boa parte dessa ação ocorre paralelamente à dos outros minions. Estes acreditam que um <em>nerd</em> que não tira a roupa de robô é, na verdade, um supervilão que planeja dominar a Terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para quem já gosta da franquia, o longa não parece oferecer muito mais do que os anteriores. O ápice é técnico e fica por conta de uma animação mais fluida e avançada e da inclusão dos monstrinhos em diferentes ambientes. Apesar de bem-intencionado, o filme não consegue definir para quem conta a história. No final, não define nem qual história quer contar. A atenção se divide entre a trama principal dos minions, o <em>nerd</em> e o trio que tenta fazer o filme de monstros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A impressão que fica é a de um roteiro tão pobre que mal ocupa 90 minutos, o qual exige divisões, torções, retorções e um acúmulo de referências curtíssimas para funcionar. De qualquer forma, fica a “carta de amor” ao fazer cinema (e às artes em geral). É mais isso do que a homenagem à sétima arte em si, que acabou sendo difusa. </p>



<p class="wp-block-paragraph">No fim, o filme resulta em uma experiência divertida, mas descartável, infelizmente típica e industrializada. E talvez aí exista algo próximo ao cinema da “Era de Ouro”: a repetição e a superficialidade. Quem sabe, daqui a 90, ou 100 anos, alguém laureie os <em>Minions</em> como fazemos hoje com boa parte das narrativas parodiadas por eles.</p>



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