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	<title>Arquivo de Searchlight Pictures | O Cinema É</title>
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	<description>Crítica, notícias e trailers sobre filmes e seriados</description>
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	<title>Arquivo de Searchlight Pictures | O Cinema É</title>
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		<title>Família de Aluguel</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lainara Araújo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Dec 2025 20:23:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Brendan Fraser brilha nesse drama sensível sobre solidão, conexão e a beleza silenciosa de sermos verdadeiramente notados.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Ambientado na Tóquio contemporânea, <em>Família de Aluguel</em> acompanha Phillip (Brendan Fraser), um ator americano à deriva tentando encontrar algum sentido na própria vida até aceitar um trabalho no mínimo curioso: atuar para uma agência japonesa de &#8220;famílias de aluguel&#8221;, assumindo papéis temporários na vida de completos estranhos. Conforme ele se envolve nas histórias de seus clientes, laços reais começam a se formar e a fronteira entre atuação e verdade fica cada vez mais nebulosa. No meio dos dilemas morais desse trabalho tão peculiar, ele redescobre propósito, pertencimento e a beleza silenciosa das conexões humanas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o cinema explora o tema da solidão, sempre fico animada para ver que tipo de recorte íntimo os realizadores escolhem mostrar na tela. Aqui, Hikari usa Tóquio como pano de fundo para seus personagens enfrentarem a dificuldade de se conectarem. Sendo japonesa, ela tem a sensibilidade e repertório cultural para nos contextualizar sobre o choque de cultura que seu protagonista enfrenta, mesmo após viver alguns anos num país que não é de sua origem.</p>


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				Criadas			</a>
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			<p>No longa Criadas, dirigido e escrito por Carol Rodrigues, a trama acompanha o reencontro de Sandra (Mawusi Tulani) e Mariana (Ana Flávia Cavalcanti), duas mulheres</p>
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<p class="wp-block-paragraph">O pouco que consumi de autores, diretores e profissionais do Japão me revelou que eles têm um estilo único para retratar conflitos humanos, e a especialidade deles é justamente a solidão. Então não pude conter a expectativa, especialmente quando vi que Brendan Fraser era o personagem principal. Após matar minha curiosidade, confesso que não me apaixonei pelo filme da forma que esperava.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com certeza foi um deleite, mas senti que tinham algumas lacunas que mereciam atenção na vida de Phillip e até mesmo de seus colegas na empresa de aluguel de família. Sou completamente defensora da ausência de diálogos expositivos para evitar o emburrecimento da audiência, mas seria interessante, pelo menos nesse cenário, ver algumas motivações &#8211; nem que fossem pequenas pistas para entendermos melhor as camadas de cada pessoa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas para além dessas pequenas faltas, o filme é triunfante em estabelecer conexões e ser um espelho para nós que não nos importamos em estar sozinhos, mas que em algum momento, vai sentir aquela dorzinha familiar que acompanha o desejo de simplesmente conhecer alguém novo para nos sentir vulneráveis e ter essa reciprocidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não revelar muito sobre o passado dos personagens faz sentido: cada pessoa preenche uma necessidade específica e não precisa ter acesso a tudo. Às vezes, existe um momento particular em que precisamos de alguém, a transformação acontece e ambos seguem em direções opostas. Mesmo que nunca mais se encontrem, sabem que foi significativo &#8211; que por alguns dias, houve alguém que os enxergou e notou sua presença no mundo.<br><br>Brendan Fraser se prova cada dia mais versátil, e aqui o destaque fica para a aura melancólica com que Phillip começa a história. Através de micro expressões corporais e na postura, vemos como ele vai ficando cada vez mais à vontade com essas pessoas. Ele é genuinamente bom, mas um pouco pessimista, e aos poucos encontra um espaço e importância, mesmo que pequena, em Tóquio.<br><br>Inicialmente, Phillip acha tudo aquilo estranho porque ele mesmo não reconhece sua necessidade de encontrar conexões naquela sociedade. Ele só vive, luta para trabalhar, mas nunca priorizou de verdade seus relacionamentos. E ao se deparar com pessoas que nunca viu e que viram nele uma utilidade para preencher suas vidas, a mudança aconteceu e ele entendeu seu propósito naquele momento &#8211; porque fazia sentido para ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente, Phillip acha tudo aquilo estranho porque ele mesmo não reconhece sua necessidade de encontrar conexões naquela sociedade. Ele só vive, luta para trabalhar, mas nunca priorizou de verdade seus relacionamentos. E ao se deparar com pessoas que nunca viu e que viram nele uma utilidade para preencher suas vidas, a mudança aconteceu e ele entendeu seu propósito naquele momento &#8211; porque fazia sentido para ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hikari captura essa transformação com sensibilidade particular. A diretora, que também comandou três episódios da minissérie &#8220;Beef&#8221; (outra obra que toca no íntimo dos personagens), foi sagaz em manter muitas cenas lotadas de gente. No fim, não é sobre quantidade &#8211; numa escala assim, ninguém te nota. Mas quando os ambientes têm poucas pessoas, é como se pudéssemos ter um acesso verdadeiro a quem está neles. Essa escolha visual reforça perfeitamente o tema central: solidão em meio à multidão versus conexão genuína em espaços menores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vou revelar uma característica bem pessoal, confesso que gosto do silêncio de uma casa vazia por ter crescido num ambiente caótico, mas como não era verdadeiramente notada dentro da minha família, fiquei completamente viciada em redes sociais, desde os 12 anos tento desesperadamente me conectar com pessoas virtuais. Quero a sensação de rir com alguém e sentir que ela aprecia o que tenho para oferecer. Então, ao descobrir que existem empresas de verdade no Japão oferecendo o serviço de atores para preencher a vida das pessoas, meu termômetro de julgamento ficou totalmente desligado &#8211; pois entendo que, dentro daquele cenário, com certeza adotaria um serviço assim.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não pude deixar de comparar <em>Família de Aluguel </em>com <em>Encontros e Desencontros </em>de Sofia Coppola. Gostei mais desse do que o filme da Sofia &#8211; ele é mais caloroso, me tocou numa parte mais profunda, enquanto o outro era mais contemplativo. Mas são duas obras que falam da importância de nos conectarmos com alguém, mesmo que por um breve momento. Humanos são criaturas sociais, e por mais que neguemos ou coloquemos comentários sarcásticos na internet de que estar em um local isolado seja &#8220;o sonho&#8221;, no fim das contas, precisamos de alguém para nos sentir vivos.</p>
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		<title>Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)</title>
		<link>https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/birdman-ou-a-inesperada-virtude-da-ignorancia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Hesick Lênin]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Jun 2025 20:23:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Birdman é uma caótica reflexão sobre amor, arte, e reconhecimento, que explora a tensão entre ego e liberdade, forma e substância, sucesso e verdade.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">De que falamos quando falamos de Amor? De que falamos quando falamos de Arte? Ao assistir <em>Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)</em>, descobri que essas são questões mais presentes em minha rotina do que eu havia imaginado. O filme, que a mim serviu como um espelho torto que reflete minha própria busca por sentido, nos apresenta gasolina para alimentar o fogo de reflexões cada vez mais relevantes em um mundo cada vez mais efêmero.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Alejandro G. Iñárritu compõe aqui uma obra de camadas, em que o virtuosismo técnico (que tem sua melhor ilustração na câmera inquieta de Emmanuel Lubezki criando o maravilhosamente falso plano-sequência) serve não apenas para deslumbrar, mas para mergulhar o espectador no colapso emocional de Riggan Thomson (<strong><a href="https://ocinemae.com.br/michael-keaton/">Michael Keaton</a></strong>). Em um filme com tal primor cinematográfico e atuações excelentes de todo o elenco, é notável como a forma não está desacompanhada de substância.</p>
</p>
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			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/criadas/" >
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			<p>No longa Criadas, dirigido e escrito por Carol Rodrigues, a trama acompanha o reencontro de Sandra (Mawusi Tulani) e Mariana (Ana Flávia Cavalcanti), duas mulheres</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Há quem diga que <em>Birdman</em> é uma crítica ao cinema de entretenimento, aos Vingadores da vida. Pode ser. Mas me parece que ele vai mais fundo: é uma crítica ao modo como nós medimos valor pelas vitrines. Pela resenha do jornal. Pelo número de <em>views</em>. Pela curtida da crítica que nunca escreveu uma peça. E é também uma sincera defesa do artista que se coloca em risco, que treme, que tropeça, que sangra um pouco toda vez que ousa criar.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O status de antigo ícone que tenta se reinventar é um pouco distante demais do público se tratado de forma literal, mas encontra universalidade na busca quase infantil por admiração. O protagonista não quer apenas ser notado; ele quer ser amado, lembrado, aplaudido com sinceridade. Quer ser mais que um <em>trending topic</em>, quer ser eterno&#8230; algo naturalmente humano.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Há uma beleza profunda no estudo das suas entrelinhas sobre reconhecimento. Riggan quer ser admirado por sua filha Sam (<strong><a href="https://ocinemae.com.br/emma-stone/">Emma Stone</a></strong>), por seus colegas, pelo público, por si mesmo. É um homem que parece flutuar entre o desejo de se elevar e o medo de ser irrelevante. É no medo que nasce a sugestão de que o amor verdadeiro está nos pequenos gestos: na escuta, no cuidado, na verdade. Mas também se vê o peso brutal de viver à sombra do que fomos — ou do terror daquilo que achamos que deveríamos ser.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Sinto sinceramente que <em>Birdman</em> traz pensamentos demais à mente para que possa ser digerido em apenas uma visita; é um filme que, como o melhor tipo de arte, exige um segundo encontro. Em um breve exemplo, apenas ao rever o filme notei a ironia e o sarcasmo por detrás de uma das peças de decoração do camarim de Thomson: um busto de Buda, um apelo à meditação e ao realismo visceral sempre destruído pela fantasia e pela voz incessante do alter ego do protagonista.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A conclusão a que cheguei em minha vida é a de que há liberdade na renúncia: renunciar à obsessão por controle, por perfeição, por aprovação. Há liberdade quando o voo é simbólico da vida, não do sucesso. Se o filme concorda comigo eu jamais poderei dizer, pois o final ambíguo parece abraçar a tal inesperada virtude da ignorância ao rir dos meus esforços em entender a intenção por detrás do artista. E será que realmente importa?</p></p>
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		<title>Um Completo Desconhecido</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Tao]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Feb 2025 20:35:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>James Mangold é um diretor decepcionante. Seu último filme antes desse, Indiana Jones, é um dos maiores desperdícios não só de personagens, mas de roteiro mesmo. Um dos melhores tratamentos, para uma figura tão antiga e querida, foi completamente subutilizado graças a incapacidade do diretor de ser tão criativo visualmente quanto o que fora proposto [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">James Mangold é um diretor decepcionante. Seu último filme antes desse, Indiana Jones, é um dos maiores desperdícios não só de personagens, mas de roteiro mesmo. Um dos melhores tratamentos, para uma figura tão antiga e querida, foi completamente subutilizado graças a incapacidade do diretor de ser tão criativo visualmente quanto o que fora proposto no papel. Eu, particularmente, conheço pouco sobre Bob Dylan. Uma biopic parece o lugar certo para se conhecer alguém, supostamente. Mas com <em>Um Completo Desconhecido</em> fica só no campo da suposição mesmo.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O filme faz um trabalho ruim de criação da figura mitológica que conhecemos hoje. E é engraçado porque a obra não foca nisso, mas invariavelmente resvala nessa questão. Como se fosse um aspecto inevitável, porém tratado com vista grossa. Há uma interessante descrição do impacto da fama e a recusa desta, mas que nunca aterrissa tão bem porque a ascensão meteórica é diluída e o filme parece nunca interessado em cuidar das contradições de Dylan. </p>
</p>
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			<a href="https://ocinemae.com.br/critica_de_filme/criadas/" >
				Criadas			</a>
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			<p>No longa Criadas, dirigido e escrito por Carol Rodrigues, a trama acompanha o reencontro de Sandra (Mawusi Tulani) e Mariana (Ana Flávia Cavalcanti), duas mulheres</p>
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</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">A segunda parte, que conta os anos a partir de 1965, faz o estranho movimento de se tornar a mais comum das biopics, o que é particularmente dissonante com a personalidade metamorfósica do objeto em questão. Tratar de novos terrenos numa carreira querida e consolidada da forma mais &#8220;tradicional&#8221; possível é com toda certeza do mundo uma escolha.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Os melhores momentos do filme são, invariavelmente, musicais. E é muito bom todo o caminho até chegar em um ponto que se toca uma música, um tipo de construção modorrenta mas positiva, que é “recompensada” com não só grandes faixas, mas todo um ambiente muito cuidadosamente criado para que as interpretações se destaquem.&nbsp; Do programa de TV, passando pela apresentação na qual Baez o beija, até ao fatídico show em Newport, toda a ambientação, a construção espacial e os movimentos de câmera jogam um jogo de paciência, movendo cuidadosamente as cartas pros seus respectivos lugares até alcançar seu objetivo, aqui de forma frontal, que são bons números musicais. Há um problema que é o quão abruptamente esses momentos terminam e nunca respiram, são cortados quase que imediatamente e, por isso, nunca “grudam” no espectador.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Todo o resto parece pouco focado e despropositado às vezes. O relacionamento de Dylan com Sylvie é um dos pontos mais fracos do filme. Eu sei o que a cara de <strong><a href="https://ocinemae.com.br/elle-fanning/">Elle Fanning</a></strong> quer dizer, eu entendi o ciúme e a desconfiança por parte dela, mas muito mais pelo que a situação grita do que como a cena se articula. Tá lá porque teoricamente aconteceu e o texto propôs isso, não porque as imagens estão necessariamente encenando emoções, mas, apenas, ilustrando-as. </p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Uma figura tão extensa, longeva e divisiva como Dylan é realmente complicada de retratar no cinema pelas diversas possibilidades que se apresentam, mas é muita infelicidade que o diretor designado para este projeto tenha muitas das vezes escolhido o mais sem graça dos caminhos.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">
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		<title>Tipos de Gentileza</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lainara Araújo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Aug 2024 15:10:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Yorgos Lanthimos soltou a franga nesse projeto que pode ser descrito como um gore de constrangimento, horror e obsessões humanas.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[</p>
<p class="wp-block-paragraph">Yorgos Lanthimos está de volta em um chocante e ousado projeto &#8211; palavras que não são novas para o diretor. Aqui, ele divide <em>Tipos de Gentileza (Kinds of Kindness)</em>, seu filme de 164 minutos, em uma coleção de três fábulas que acompanham diferentes personagens, todos unidos por um tema em comum: a devoção.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Primeiro, somos apresentados a um homem sem escolhas que tenta assumir o controle de sua vida; em seguida, a um policial alarmado pelo retorno de sua esposa, dada como desaparecida no mar e que agora parece ser uma pessoa completamente diferente; e por fim, a jornada de uma mulher determinada a encontrar alguém com uma habilidade especial, destinado a se tornar um prodigioso líder espiritual.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">O universo criado nos três contos mergulha de cabeça no surrealismo, de tal forma que pode deixar muitos espectadores confusos sobre o propósito dessas histórias. Eu mesma saí da sala com um sentimento de inquietação, talvez até medo. É como se o banho de sensações proposto me deixasse apática e sem reação. </p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Embora chocante em muitos momentos, os personagens vivem um cotidiano pacato, em situações lentas do dia a dia. Eles dirigem, observam barcos, fazem <em>check-in</em> em hotéis e cozinham; ainda assim, essa ambientação lenta transborda constrangimento, com tons de humor ácido envoltos em um cobertor de bizarrice. Mas isso era mesmo necessário?</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Queixas à parte, o filme se torna interessante depois de um momento de reflexão e digestão. Falem bem ou mal, Lanthimos desperta sentimentos que só ele consegue despertar. Nojo e tédio raramente andam de mãos dadas, mas ele entrega isso junto com outros questionamentos. </p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Até onde uma pessoa é capaz de ignorar a moralidade para manter seu <em>status </em>ou alcançar seus objetivos? Contudo, quem for pego desprevenido pode não prestar atenção nessas questões e achar o filme horrível, sem vergonha de admitir. Afinal, o estilo do diretor é muito nichado e poucos podem apreciá-lo. Eu mesma me senti intelectualmente incapaz demais para gostar desse filme.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Mas um grande acerto foi a escolha do elenco, que compõe uma sociedade que explora como as relações humanas podem ser levadas ao limite quando paixões e obsessões entram em cheque. Sentido? Você não encontrará facilmente. Conveniência de roteiro? Jogamos pela janela, pois compramos a ideia de que aqueles mundos são assim e não podem ser usados como régua para nossa realidade.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">As questões de poder, desconfiança e lealdade permeiam as três histórias, e mais uma vez, <strong><span style="text-decoration: underline;"><a href="https://ocinemae.com.br/emma-stone/">Emma Stone</a></span></strong> é a musa de Yorgos. Ao lado dela, temos Jesse Plemons, que pode ser considerado um protagonista. Em todas as narrativas, ele brilha justamente por sua aura estranha, capaz de causar desconforto, alinhando-se perfeitamente às intenções de <em>Tipos de Gentileza</em>. <strong><span style="text-decoration: underline;"><a href="https://ocinemae.com.br/willem-dafoe/">Willem Dafoe</a></span></strong>, Margaret Qualley e Hong Chau complementam os contos com suas peculiaridades, nudez e entrega.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Isso prova que é necessário talento e diversidade para atuar em um projeto como este. São tantas cenas absurdas que um amador não as executaria sem rir, ou ao menos levar seu personagem a sério o suficiente para transmitir essa roleta de sentimentos.</p>
</p>
<p class="wp-block-paragraph">Chego ao fim deste texto da mesma forma que comecei: abismada com a ousadia de Yorgos em dar tempo de tela a todas as suas maluquices. Ao mesmo tempo, invejo sua capacidade criativa de executar tamanho absurdo sem medo de sofrer retaliação da indústria, especialmente depois de ser extensamente premiado.</p></p>
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