A Vizinha da Mulher na Janela conta a história de Anna (Kristen Bell), cujo passado traumático a deixou viciada em remédios e bebida. Passando sua vida pacata dentro de casa, ela começa a vigiar seu vizinho, até que um dia vira testemunha um assassinato. Mas será tudo real ou fruto de sua imaginação?
A sinopse atraente já leva o espectador mais antenado à pensar: “esse enredo já não foi usado em outro filme?”. E a resposta é sim! A série já entrega o jogo da sátira quando coloca nome e enredo semelhantes ao filme A Mulher da Janela, estrelado por Amy Adams (e indicado ao framboesa de ouro). Mas mesmo assim, a temática não se enquadra em um suspense comum. Com oito episódios, escancara alguns clichês de forma proposital, mas ainda fica a dúvida se de fato a produção é só uma brincadeira ou tentou se levar a sério em algum momento.

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Para atrair o espectador, a trama caminha para o lado da investigação e busca por culpados, atrelando o suspense às condições de Anna, ao passo que descobrimos mais sobre seus traumas. No primeiro ato interessante, Kristen Bell mostra seu lado mais cômico junto à interpretação que leva à lembrança da velha protagonista Veronica Mars, da série de mesmo nome (para os mais antigos, o nome já é familiar), em que precisa juntar as peças para encontrar o verdadeiro criminoso, caso exista algum.
A premissa é interessante e os primeiros episódios prendem bastante a atenção. Contudo, alguns personagens são caricatos demais e, novamente, a série peca em não querer deixar claro o quão proposital essas características são dentro da trama. Apesar disso, Kristen Bell e Tom Riley conseguiram entregar personagens autênticos, mesmo com a intenção de eles serem previsíveis. Porém, a melhor atuação foi de Samsara Yett, que interpreta a filha do vizinho. Apesar da pouca idade, passa os reais sentimentos carregados do óbvio como a trama pede, mas com bastante talento.
O grande problema, entretanto, foi mesmo a questão de obviedade que, mesmo sendo a proposta, cria um clima de inquietação. A série consegue imergir bem no suspense até entrar numa quebra muito brusca, o que a torna um pouco arrastada em seu segundo ato, principalmente nos episódios 4 e 5.
Durante o ato final, as reviravoltas chegam a ser empolgantes e, na grande revelação, as cenas mais escancaradas criam um clima bastante cômico, desmascarando por completo a premissa. Infelizmente, depois isso, a série fica morna novamente, mesmo com a expectativa de uma nova temporada.
Mesmo assim, A Vizinha da Mulher na Janela pode ser um bom entretenimento se não for levada a sério. Isso porque a diversão de alguns episódios somam-se com o pouco de mistério e suspense da narrativa. Apesar de seus deslizes, a dualidade que a produção cria entre o real e a sátira é uma boa alternativa para um final de semana. Mas não espere grandes emoções, aprofundamento de personagens ou explicações racionais para alguns acontecimentos. Assim você não vai se decepcionar.





Uma resposta
Pra mim o óbvio é a intenção do roteiro te confundir quanto ao que é real ou um caminho progressivo ao surto psicótico de Anna. O que chama a atenção é facilidade com que as cousas no final se encaixam na vida dela. A repetição de todos pedindo perdão à ela, a naturalidade com que ela convive com o faz-tudo da caixa de correio morando no seu sótão e ter reatado com o ex-marido com um novo filho num final feliz remetem bastante à possibilidade desse surto psicótico, que o “escape” para interromper a dor do sofrimento dela.