Crítica de série

Euphoria | Temporada 3

Publicado 15 horas atrás

Nota do(a) autor(a): 2

Quando Euphoria chegou até nós, chocou e nos encantou não apenas pela sua estética e pela fotografia em 35mm, mas pela profundidade com que retratava os traumas da puberdade. No entanto, em sua temporada final, Sam Levinson acabou com o que a série tinha de melhor. Euphoria sacrificou sua coerência narrativa e a evolução de seus personagens em nome de uma sexualização exorbitante, deixando o espectador diante de uma obra pobre narrativamente.

O maior erro foi a perda da essência de certos personagens pelos quais o público era apaixonado. Personagens que vivenciaram arcos de amadurecimento e sofrimento simplesmente sofreram um reboot aqui. Em vez de evoluírem a partir de suas escolhas, vêm à tona atitudes completamente incoerentes com a narrativa apresentada. Um exemplo disso é a Cassie (Sydney Sweeney), que virou uma personagem sem autoridade própria, mimada, e se tornou um mero objeto para os homens na série. Nate (Jacob Elordi), que era o valentão na escola, agora se mostrou um frouxo, embora tenha tido uma morte impactante. Fora a Maddy (Alexa Demie), que ficou completamente imponente e monótona.

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Por outro lado, o arco da Rue (Zendaya) foi digno. Ao acompanhar a trama, vemos uma Rue mais propensa a ter uma redenção e um suposto arrependimento pelos seus pecados; vemos isso através da fé que ela revela em trechos em que está lendo e rezando aos prantos na igreja católica. Para mim, essa foi a mensagem que ficou com esse final: Euphoria, no fundo, é sobre fé e arrependimentos. Ela morreu, mas teve a paz que merecia. A relação dela com o Ali (Colman Domingo), funcionando como pai e filha, foi muito bonita e se consolidou como um dos pontos de que mais gostei nessa temporada.

Ainda assim, a impressão que tenho é de que Levinson esqueceu quem eram seus personagens, desfazendo-se de laços e construções narrativas que levaram duas temporadas para ser desenvolvidas, jogadas simplesmente no lixo. Ele simplesmente apagou a Jules (Hunter Schafer), que teve pouquíssimo tempo de cena. Além disso, a Lexi (Maude Apatow) simplesmente não falou mais do Fezco (Angus Cloud), o que se configurou como um baita furo de roteiro, pois na segunda temporada os dois haviam criado um vínculo forte — ainda que a série acerte ao homenagear Angus Cloud, que morreu precocemente ano passado. Para completar os erros de escalação, a Rosalia nessa temporada foi simplesmente uma adição no elenco que não rendeu absolutamente nada.

A negligência que Sam Levinson teve no roteiro é impressionante. Euphoria se encerra deixando muita coisa aberta, mas não de uma forma que nos instigue, e sim como uma negligência fora da curva. Subtramas inteiras, construídas nas duas temporadas anteriores, foram simplesmente ignoradas ou resolvidas com explicações rasas demais. Quando a série se recusa a fechar os arcos de maneira que coincida com a sua própria história, o sentimento que fica é o de tempo jogado no lixo.

A direção de fotografia é um dos poucos aspectos que se salvam nessa temporada, mas o resto… A ausência do Labrinth na trilha sonora prejudicou demais a trama; Hans Zimmer está na trilha sonora agora, mas de forma totalmente irreconhecível. Com isso, Euphoria passou a ser uma série bonita esteticamente, mas vazia em sua essência. Onde antes havia uma crítica à puberdade, agora há apenas a vaidade de um diretor que prioriza a sexualização em detrimento de uma história que realmente coincida com o peso do nome Euphoria.

A terceira temporada de Euphoria é o reflexo de um sucesso que ruiu sob o ego de seu criador. Ao destruir a essência dos personagens e abandonar a coesão que já teve um dia, a série perdeu o que tinha de mais relevante. O legado que fica não é o de uma narrativa que se revolucionou, mas sim o de um imenso potencial desperdiçado. No fim das contas, Euphoria diz mais sobre Sam Levinson do que sobre a sua narrativa em si.

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Euphoria | Temporada 3 poster

Euphoria

Euphoria

A18

País: Estados Unidos

Criador(a): Sam Levinson

Elenco: Zendaya, Sydney Sweeney, Jacob Elordi, Hunter Schafer

Idioma: Inglês

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