De vez em quando, surge nas telonas uma cinebiografia interessante, mas esse feito tem se tornado cada vez mais raro. Desde Bohemian Rhapsody, o gênero tem apresentado lançamentos cada vez mais fracos, como I Wanna Dance With Somebody: A História de Whitney Houston, Bob Marley: One Love e, mais recentemente, Back to Black, sobre Amy Winehouse. No entanto, Better Man – A História de Robbie Williams, que estreia nos cinemas brasileiros em 13 de março, foge dessa tendência, entregando um filme inventivo, bem dirigido e com um toque de autenticidade.
Para aqueles que caíram de paraquedas e não sabem quem é Robbie Williams, tudo bem. O cantor não é um grande sucesso fora da bolha do Reino Unido, mas isso não significa que não mereça ser apreciado. Em Better Man, acompanhamos a trajetória do jovem Robert Peter Williams, desde sua fase como prodígio musical na boy band Take That até seu estrelato em carreira solo.

Frenético e divertido, Marty Supreme é um bom filme de excelente execução técnica que não se torna grandioso devido ao seu texto frágil.
O grande diferencial que separa Better Man das demais cinebiografias é a forma como Robbie é retratado: como um macaco. Sim, um macaco em CGI é o protagonista do filme inteiro. À primeira vista, a escolha pode parecer desconcertante, mas a proposta se justifica pelo próprio cantor, que sempre se viu como um “macaco selvagem” diante do público em suas turnês e shows. A intenção do diretor Michael Gracey (O Rei do Show) era fazer com que o público visse mais de Robbie Williams no animal do que se ele fosse interpretado por um ator qualquer.
E a ideia funciona muito bem. Ao utilizar um primata para retratar todo o arco de autodescoberta, vícios e ápices da vida de Robbie, Better Man abre espaço para sequências fantasiosas surpreendentes, além de cenas musicais vibrantes. Um dos grandes destaques é o momento de “Rock DJ”, que é um deleite de se assistir e ouvir, embora não supere a sequência inteira de “Angels”, que se revela um dos momentos mais emocionantes do filme.
Ainda assim, o longa acaba cedendo a alguns dos clichês mais batidos das cinebiografias e se torna refém do tradicional arco de ascensão, queda e redenção, o que pode decepcionar os mais críticos. No entanto, A História de Robbie Williams é uma montanha-russa envolvente e uma excelente porta de entrada para quem deseja conhecer mais sobre o cantor britânico.
Deixando de lado as limitações narrativas, que não atrapalham a imersão, o filme se destaca pela ousadia visual e pela abordagem única do protagonista. No fim, Better Man não é apenas uma cinebiografia, mas uma experiência sensorial que traduz a essência de Robbie Williams de forma criativa e única.



