No longa Trago Seu Amor, sob direção de Claudia Castro e escrito por Letícia Fudissaku, a trama acompanha Mia (Giovanna Grigio), uma jovem bruxa egocêntrica com um dom pra lá de peculiar: quem a beija se apaixona perdidamente por ela ou volta a amar a última pessoa que amou. Ela lucra com esse feitiço ajudando os outros, até que conhece Yuri (João Manoel), um jovem cabisbaixo após o término com sua namorada, Renê (Jê Soares). Mia tenta ajudar Yuri a reconquistar sua ex, mas o feitiço se volta contra ela de uma forma um tanto inesperada quando ela mesma acaba se apaixonando por Renê, sendo forçada a lidar com sentimentos reais e fora de seu controle.
A obra acerta em não esconder o clichê; muito pelo contrário, ela o abraça. A própria roteirista, Letícia Fudissaku, faz uma inversão de clichês, criando uma espécie de piada sobre amarrações amorosas e subvertendo isso em um modelo de negócios cômico operado por Mia. Além do roteiro afiado, a direção de Claudia Castro acerta em cheio na construção estética da obra. A fotografia neon não é apenas um adereço visual; ela cria uma atmosfera magnética que divide perfeitamente o Rio de Janeiro urbano do universo místico da trama, traduzindo visualmente a energia vibrante e a identidade da geração atual.

No longa Cansei de Ser Nerd, dirigido e roteirizado por Gualter Pupo e companhia, acompanhamos a trama de Aírton, um nerd raiz que, na época
A virada da obra acontece quando a lógica egoísta de Mia quebra ao ela se apaixonar de verdade por Renê, que também é uma bruxa. O roteiro deixa de ser apenas uma sátira de feitiçaria e passa a explorar a vulnerabilidade, o amadurecimento e as complexidades dos relacionamentos da geração atual. Mas o grande acerto da obra, mesmo, está em seu elenco, principalmente no surpreendente Diego Martins. Ele é vibrante em tela, exalando carisma e uma química perfeita com Giovanna Grigio — que entrega uma protagonista magnética —, fazendo com que o humor flua de forma natural e certeira na dinâmica entre os dois.
Por fim, Trago Seu Amor abraça o clichê, mas, ao mesmo tempo, traz uma nova perspectiva para o cinema nacional, tratando de temas já saturados com muita originalidade. A obra é divertida, reflexiva e inesperadamente surpreendente.




