Crítica de série

O Estúdio | Temporada 1

Publicado 8 meses atrás

Nota do(a) autor(a): 4.5

Já faz alguns anos que o ator, comediante e roteirista Seth Rogen tem buscado explorar novas possibilidades criativas, seja à frente ou atrás das câmeras em seus projetos. Ao explorar caminhos mais desafiadores, seja no drama, na produção ou mesmo em novas abordagens dentro da comédia, Rogen parece ter encontrado uma nova fase criativa em sua carreira. A consolidação desse momento é a sua mais nova série, O Estúdio, que protagoniza, roteiriza e dirige, ao lado de Evan Goldberg. Na obra, ele une o melhor da atuação com suas vivências pessoais para contar, de forma cômica, os bastidores da indústria cinematográfica em Hollywood.

Na trama, somos apresentados a Matt Remick (Seth Rogen), recém-nomeado chefe da produtora fictícia ‘Continental Studios’. Um autodeclarado cinéfilo, Matt tenta equilibrar os objetivos corporativos da empresa — em um mercado cada vez mais movido por propriedades intelectuais — com seu desejo de produzir filmes de qualidade.

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O Estúdio conquista o espectador já no brilhante episódio piloto. Com duração média de 30 minutos por capítulo, a série tem um ritmo frenético que lembra ao filme Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância). Longos planos-sequência percorrem diferentes ambientes dos estúdios (inclusive em um episódio inteiro filmado dessa forma, enquanto comenta os desafios de se usar essa técnica). O dinamismo da câmera, aliado a diálogos rápidos, mergulha o espectador na rotina caótica e criativa dos bastidores das grandes produções.

O sentimento que fica é que ao entrar neste universo, além de sermos introduzidos aos seus processos, conflitos e particularidades, conhecemos também as suas piadas internas Situações como a tensão em um set com a chegada do diretor da produtora, a adaptação das equipes às exigências de diversidade nas obras, os conflitos de egos ou a gestão de talentos são tratadas com humor e uma pitada de realismo. Mesmo com absurdos e exageros, não é difícil acreditar que esses cenários podem acontecer em grandes estúdios.

Um dos elementos mais interessantes da série é o uso constante da metalinguagem. O Estúdio não apenas fala sobre o fazer cinematográfico, mas o incorpora em sua forma. A série constantemente cita filmes, diretores e atores reais, e brinca com os próprios códigos da linguagem audiovisual. Um ótimo exemplo é o quarto episódio, “The Missing Reel”, que simula uma investigação no estilo film noir, com direito a narração em off, luzes contrastadas, e até chapéus e sobretudos típicos do gênero.

A grande estrela de O Estúdio não poderia ser outra além de Matt, o personagem de Rogen. Matt é atrapalhado, carente de validação e dividido entre o desejo de criar obras autorais e a obrigação de manter a Continental lucrativa. O conflito entre o executivo e o cinéfilo em um mesmo personagem oferece um paralelo interessante sobre os dilemas da indústria hollywoodiana.

Outro trunfo de O Estúdio são suas participações especiais. Diversas celebridades interpretam versões exageradas de si mesmas, incluindo Martin Scorsese — responsável por uma das cenas mais engraçadas da série logo no primeiro episódio — além de Zoë Kravitz, Dave Franco, Anthony Mackie, Ice Cube, Zac Efron entre outros.

O oitavo episódio, “The Golden Globes“, talvez seja o que mais concentra participações especiais. O elenco fixo também se destaca: Sal Saperstein (Ike Barinholtz), o canastrão produtor e amigo de Matt; Maya Mason (Kathryn Hahn), a energética executiva de marketing; Patty Leigh (Catherine O’Hara), a rancorosa ex-diretora da Continental; e o sempre excelente Bryan Cranston, como o dono do estúdio e chefe de Matt. Cada personagem tem seu momento de destaque na série, além de arcos bem desenvolvidos.

O final da primeira temporada é animador. Encerrando com um episódio duplo e deixando um grande conflito em aberto, a série já foi confirmada para uma segunda temporada, com previsão de estreia para 2026.

O Estúdio já se consolida como uma das principais séries da Apple TV + e um dos grandes feitos da carreira de Seth Rogen. Com fôlego para continuar, a produção tem potencial para se tornar uma das comédias mais relevantes dos últimos anos. Ao aproximar o espectador dos dilemas da indústria e usar a metalinguagem para rir de si mesma, a série celebra o modelo hollywoodiano ao mesmo tempo que faz uma autocritica aos seus vícios e valores. 

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O Estúdio

The Studio

16

País: Estados Unidos

Criador(a): Evan Goldberg, Alex Gregory, Seth Rogen

Elenco: Seth Rogen, Catherine O'HaraIke, Barinholtz

Idioma: Inglês

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