Crítica de filme

Cloverfield: Monstro

Publicado 4 meses atrás
Nota do(a) autor(a): 3.5

O gênero found-footage é sem dúvidas um dos que mais aprecio no cinema em geral, e como não? São obras que fazem muito com pouco, trazem visuais voltados ao realismo que podem impressionar, possuem aquela vibe de “filme amador” ou de “história real” que contagiam quem assiste e inserem você em uma viagem. Quando bem trabalhado, um found-footage pode contagiar e fazer história, como foi com A Bruxa de Blair (Project Blair Witch) e REC (REC). Foi então que, em 2008, o atualmente conhecido por dirigir o Batman (The Batman) de Robert Pattinson, Matt Reeves, debutou na indústria com uma das obras mais ambiciosas no gênero das filmagens perdidas: Cloverfield.

Aqui, não temos personagens extremamente carismáticos, nem jornadas emocionais super profundas, muito menos um alimento de apreço aos protagonistas por parte do roteiro. Contudo, o que se tem em abundância é uma ótima e bem montada construção da catástofre que repentinamente se instaura em Nova York. Mesmo esse sendo talvez o filme mais curto de Reeves, o diretor já demonstrava um ótimo tato no ritmo das coisas, apresentando os personagens em uma noite normal, numa festa comum e com dramas absolutamente comuns. Em dado momento nessa introdução, o espectador pode ficar tão absorvido que ele se esquece do “Monstro” no título, e é aí que o diretor vence a jogada: nos tirando da calmaria de supetão e jogando tudo por água a baixo num caos delicioso de ver pela visão de uma câmera amadora.

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Ao contrário do que a maioria pode estar acostumada, tudo que acontece em Cloverfield: Monstro é o retrato de um apocalipse pela visão puramente civil, puramente humana, com pessoas se refugiando, com as emoções diante do medo aflorando. Reeves não quis dar atenção aos soldados, ou a policiais, ou a bombeiros, e propositalmente escolheu o formato found-footage ao invés de apostar em planos aéreos para mostrar a criatura sobre a cidade (embora isso aconteça, mas é bem de leve). Aqui, como manda a lei, a câmera trêmula não procura o monstro, mas sim o pega pelas extremidades dos prédios, ouve o som do rugido, captura de relance a cara medonha. É a partir daí que a direção e o roteiro bem redondinho criam o horror da situação. Sem abuso de jumpscares, sem acordes altos (até porque não há uma trilha sonora tocando a todo momento) e caras feias.

Se já não fosse bem acertada a escolha de retratar essa situação pelos “olhos” civis, o cerne da trama ainda consegue uma boa razão para trazer a identificação do espectador e assim levar o filme para frente: encontrar alguém que você ama. No entanto, creio estar aí o maior problema de Cloverfield: Monstro, que são os seus protagonistas. Em questão de atuação, ninguém está mal, porém o roteiro não reservou para seus personagens nada mais que meros arquétipos sem emoção. Marlena (Lizzy Caplan) é uma espécie de megera que, após o desastre começar, serve apenas para ilustrar o medo constante. Lily (Jessica Lucas) é sem dúvidas a que menos conseguiu extrair emoção do roteiro, parecendo um pouco perdida e com dificuldades de passar verdade em todas as suas cenas. Hud (T.J Miller) literalmente só está ali para gravar as coisas e Rob Hawkins (Michael Stahl-David) é apenas o mocinho atrás de sua amada.

Ainda que os seres humanos aqui sejam no máximo “acompanháveis”, como é na maior parte dos filmes de monstro gigante, o todo consegue agradar o bastante para que isso não afete. A direção de Matt Reeves no que diz respeito ao horror do desastre e a construção do caos funciona muito bem. Sem contar no absurdo visual que o filme tem até hoje, faltando apenas três anos para que complete vinte anos. O nível de realização alcançado é de se dar parabéns, com a destruição da cidade sendo muito realista, além do próprio monstro e seus “monstrinhos”. Ninguém poderia duvidar da qualidade e do realismo apresentados aqui, e muito menos pode-se negar que os dois contribuíram para que o filme fosse bem sucedido.

Cloverfield: Monstro, foi um sucesso na época em que saiu, e até hoje pode-se dizer que é um grande filme dentro de seu gênero. Uma obra que não demanda um grande compromisso emocional, mas que recompensa qualquer um disposto a vê-la com algum tempo de história de monstro gigante por uma outra perspectiva.

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Cloverfield: Monstro

Cloverfield: Monstro

Cloverfield
14
País: EUA
Direção: Matt Reeves
Roteiro: Drew Goddard
Elenco: Lizzy Caplan, Jessica Lucas, T.J. Miller
Idioma: Inglês

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