Há alguns meses, o trailer de Bom Menino viralizou nas redes sociais, principalmente por se tratar de um filme de terror contado pela perspectiva de um cachorro. Dada a notoriedade, o longa acabou ganhando uma distribuição ampla em outros países e, no que seria um lançamento limitado nos cinemas, conquistou uma janela de exibição completa durante o Halloween deste ano. Mesmo com essa peculiaridade, Bom Menino não sustenta o hype que lhe foi atribuído.
Dirigido por Ben Leonberg – mais conhecido por curtas de terror independentes-, a história é contada pela perspectiva de Indy, um cão que se muda com seu enfermo dono para uma casa de campo que antes pertencia ao avô. Lá, Indy percebe que seu dono está sendo ameaçado por forças sobrenaturais e precisa protegê-lo a todo custo.

O Caso dos Estrangeiros entrega uma fotografia impecável e efeitos práticos que trazem um realismo surreal. Cinema necessário, urgente e profundamente humano.
Embora apresente uma abordagem experimental, o roteiro segue uma narrativa de assombração bastante convencional. Ainda assim, sua curta duração — apenas 72 minutos — contribui para que o longa não se torne tão enfadonho. No entanto, a escolha de acompanhar apenas o olhar do cachorro é inventiva, mas também limitadora: a ausência de personagens secundários ou conflitos humanos torna o filme emocionalmente raso.
Bom Menino tropeça ao tentar dar profundidade temática à trama ao fazer analogias à depressão e à saúde mental, buscando trabalhar o terror de maneira mais atmosférica do que explícita, mas essa proposta acaba subutilizada. A câmera, sempre à altura do chão para acompanhar Indy, aposta em um sobrenatural mais subjetivo do que visualmente impactante. Pode-se dizer que o filme tenta equilibrar o terror e o drama, mas não atinge êxito pleno em nenhum dos dois.
É claro que é fácil se conectar com um cachorro, ainda mais sendo ele o protagonista de um terror — o público naturalmente torce por sua sobrevivência e se vê envolvido em sua jornada. Essa empatia é explorada em alguns sustos pontuais e no desfecho, que pode emocionar os mais sensíveis.
No fim das contas, Bom Menino é uma proposta curiosa que se destaca mais pela originalidade de sua perspectiva do que pela execução de sua história. Embora traga boas ideias e uma condução técnica razoável, o longa carece de profundidade e impacto para se firmar como um terror memorável. Ainda assim, sua curta duração e o carisma natural do protagonista canino tornam a experiência, apesar das falhas, suficientemente envolvente para quem busca algo diferente dentro do gênero.



