Um Monstro no Caminho (The Monster) está alicerçado na relação de suas protagonistas e nos desdobramentos que ela resulta na trama. No enredo, Lizzy (Ella Ballentine) é uma menina madura, forçada a cuidar de casa, limpar, cozinhar. Sua mãe, Kathy (Zoe Kazan), é extremamente irresponsável, dormindo até tarde, esquecendo de coisas importantes, e tudo para sustentar o vício em bebidas. Por ter sido abandonada pelo marido, Kathy tem ódio pela filha, e a vê como culpada, e por consequência a garota também sente raiva por ter sido afastada do pai. Numa noite, ambas viajavam até a casa do pai, pegando uma estrada deserta, quando de repente atropelam um lobo, e depois disso, o horror começa.
É uma proposta totalmente legítima e comum, mas que a direção de Bryan Bertino parece ter dificuldade em apenas deixar fluir. Digo isso, pois o filme é de uma época em que um determinado direcionamento de trama estava em alta. Lá pelos anos 2014, 2015, 2016, obras como Babadook (The Babadook) e Sob a Sombra (Under the Shadow) fizeram sucesso por suas tramas retratarem situações comuns, mas críticas, porém inseridas em contextos metafóricos com o horror. Da mesma forma, Um Monstro no Caminho surgiu em 2016.

Mulheres do Século 20 é uma jornada breve em volta das vivências de pessoas comuns que, ironicamente, se veêm tentando criar um novo tipo de pessoa.
O maior ponto da obra é justamente essa relação problemática entre as duas, mas quando o horror começa e pior, quando há a tentativa de criar metáforas, a obra não funciona. O diretor não consegue, ao meu ver, criar nenhum tipo de tensão em torno da situação na estrada, apesar de acertadamente não mostrar sua criatura (na maior parte do tempo), alimentando a imaginação. Os acontecimentos são previsíveis e, embora a criatura esteja fora de vista na maior parte do tempo, conseguia me ver mais interessado pelos flashbacks do que pelo que acontecia no presente. Na tentativa de ser profundo em relação à essa criatura, a obra não consegue passar do comum “filme de monstro” e deixa de convencer.
E, infelizmente, quando o monstro aparece na luz, é uma sensação no mínimo agridoce. Não é a pior das aparências, contudo, é um dos casos em que o uso de efeitos práticos não consegue passar a verdade de que aquilo é o que querem que seja. No mais, é interessante ver como as personagens são retratadas de maneira bastante humana, tomando decisões questionáveis e não sabendo mesmo o que fazer.
Um Monstro no Caminho tenta ser profundo e interessante, mas se não fossem seus momentos dramáticos, não conseguiria nada além da certificação como filme comum de criatura. É uma obra que não machuca, mas que também não diverte muito.



