Crítica de filme

It: Capítulo 2

Publicado 2 meses atrás
Nota do(a) autor(a): 3

It: Capítulo 2 (It Chapter Two) chegou em 2019 prometido como um grande evento, algo equivalente a Vingadores Ultimato, que também saiu naquele ano. E, sim, a obra conseguiu finalizar o que queria, entretanto, falhou em alguns bons pontos no caminho. Não é nem de longe um filme ruim, mas poderia ter sido muito, muito melhor.

A grande qualidade dessa sequência, infelizmente, não está no terror, mas nas relações emocionais dos protagonistas. Claro, não é um demérito a maior qualidade ser esta, mas é preciso lembrar que trata-se de um filme de horror. Aqui, o terror que não chega a ser desastroso, porém não inova, e por não inovar, ele se repete, e por se repetir, o espectador não sente mais nada lá para o final.

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Andy Muschietti, que segue na direção, prova que prefere se manter no conforto do que arriscar, repetindo as exatas mesmas fórmulas do primeiro. Um personagem está sozinho, algo tenebroso o atrai, ele investiga. Geralmente não tem nada e então a trilha surge com um “TAN” bem forte e uma coisa muito grotesca aparece berrando e correndo. Quaisquer novos caminhos, coisas que demandem criatividade, tudo é deixado de lado, forçando o espectador a ver algo requentado. Agora, é claro que o filme tem bons respiros. As cenas que envolvem o Pennywise em carne e osso, sem se tratar de uma de suas ilusões, são espetaculares, embora sejam muito, muito poucas. E curtas.

Como alguém que consome filmes desde muito tempo e, atualmente dá a opinião sobre eles, é preciso reconhecer a tolice de falar sobre o que uma obra poderia ser ao invés de focar no que ela é, contudo, não é justo falar sobre o potencial gigantesco que havia aqui no Capítulo 2 explorar os impactos psicológicos do palhaço. A forma como Pennywise brilha na tela ao aparecer deixa esses sentimentos ainda mais fortes, e tinha potencial para apresentar um perigo mental muito forte. Afinal, a própria natureza da Coisa remonta a origens multiversais e cósmicas. Então ele com certeza foi mal explorado.

Quando o filme se presta a repetir as mesmas situações de horror, seja com seus protagonistas sozinhos, seja com eles acompanhados, o espectador se torna capaz de antecipar tudo, retirando muito do elemento surpresa e muito do impacto da parcela final. Ah, e não se deve esquecer da inflada artificial que o roteiro fez com a reutilização de cenas deletadas do primeiro, que não acrescentam em absolutamente nada, talvez só acrescentando panos de fundo.

A direção de Andy se sai muito bem no visual, com ótimos efeitos especiais (coisa rara em filmes de terror) e criaturas realmente bizarras de se olhar despertando muito o nojo da plateia. Existem transições muito bonitas, além de momentos em que, girando e viajando, a câmera brilha. Além disso, é claro, o terror ainda funciona em algumas horas.

O maior problema em It: Capítulo 2 é o uso exagerado do humor. Enquanto no primeiro o humor existia, mas era utilizado de forma muito pontual para não retirar o peso das cenas mais fortes, aqui ele vem em quantidades muito grandes. Tudo o que é demais, não funciona. São piadas e mais piadas o tempo inteiro, mesmo que muitas delas sejam engraçadas. Isso acabou aliviando muito o clima da obra e, nem mesmo quando o mal ataca, esse humor some. Pennywise acaba entrando na brincadeira e se torna até menos ameaçador. O estranho é a tentativa de ser épico em contraste com essas piadas o tempo inteiro. Assim, It 2 se torna irregular no tom, o que foi bastante desagradável.

Certamente os personagens são o destaque do filme, com um elenco dedicado e divertido. James McAvoy e Bill Skarsgard são os que mais brilham mais, como primeiro trazendo aquela intensidade que sempre costuma apresentar em suas interpretações. James soube mostrar que é a versão crescida e mais madura de Bill, além de parecer muito sincero em seu medo e vontade de derrotar o palhaço. Jessica Chastain compõe uma Beverly sem brilho e sem força, perdendo tudo que ela tinha quando Sophia Lillis interpretou a personagem no primeiro filme. Chega a ser muito estranho quando Sophia Lillis aparece, e é possível notar como a atriz tem muito mais presença que a veterena. Bill Hader e James Ransone são engraçadíssimos e arrancam boas risadas o filme inteiro. A química do grupo é ótima!

It: Capítulo 2 é um filme que incomoda em muitos aspectos, entretanto, ainda é muito divertido, fofo e prazeroso de assistir. O decorrer da jornada poderia ser melhor, mas não é nem de longe o desastre que atualmente dizem que é pela internet.

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It: Capítulo 2

It: Capítulo 2

It Chapter Two
16
País: EUA
Direção: Andy Muschietti
Roteiro: Stephen King, Gary Dauberman
Elenco: Bill Skarsgård, James McAvoy, Jessica Chastain, Bill Hader, Isaiah Mustafa, Jay Ryan, James Ransone,
Idioma: Inglês

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