Marty Supreme foge do clichê dos filmes de esporte para focar no que realmente move seu protagonista: uma fixação quase cega pelo sucesso. No centro disso está Marty Mauser, interpretado magistralmente por Timothée Chalamet em uma atuação que mistura a simplicidade de um vendedor de sapatos com a arrogância de quem sabe que nasceu para ser grande.
O filme se passa em meados de 1950, no cerne do pós-guerra de reconstrução dos Estados Unidos (EUA) e Japão (JP), mas a direção de Josh Safdie prefere olhar para o que é destruído nesse processo. Em vez de glorificar a jornada do herói, Safdie mostra o custo de se querer ser o melhor. Esse caminho não é romantizado, expondo como a busca pelo topo impacta diretamente as relações do personagem. Chalamet prova que sua maior habilidade não é apenas o carisma, mas a capacidade de habitar personagens obcecados sem perder a sutileza. Ele faz de Mauser um homem que, mesmo cercado por pessoas, parece estar sempre jogando uma partida solitária contra si mesmo.

Mulheres do Século 20 é uma jornada breve em volta das vivências de pessoas comuns que, ironicamente, se veêm tentando criar um novo tipo de pessoa.
O grande acerto de Marty Supreme está em como ele equilibra esse “Big Dream” com a realidade da época. Acompanhamos Mauser não só na mesa, mas em uma vida que ele tenta desesperadamente deixar para trás. É um vislumbre sobre como a ambição pode ser tanto um gás quanto uma armadilha, conduzido por uma direção que sabe exatamente quando apertar o passo e quando nos deixar observar as consequências das escolhas do protagonista.
Ao fim, Marty Supreme não é sobre a glória do esporte, mas sobre a anatomia de uma fome que nunca sacia. Josh Safdie entrega um retrato de certa forma inquietante que, para alguns, o topo não é mil maravilhas, mas o único lugar onde o mundo finalmente silencia — ainda que o preço para chegar lá seja o isolamento. Chalamet e Safdie nos lembram que a genialidade, muitas vezes, é apenas o nome que damos a uma solidão muito bem executada. O filme é como o som seco de uma bola de pingue-pongue batendo na mesa: rítmico, implacável e profundamente humano em sua imperfeição.



