Cinco Tipos de Medo

Publicado 5 meses atrás

Cinco Tipos de Medo começa como quem sussurra alguma coisa no escuro, criando uma atmosfera que prende mais pela sensação do que pela explicação. Existe um cuidado nas primeiras imagens e um ritmo que convida o espectador a entrar devagar naquele universo, como se houvesse ali uma promessa de algo mais psicológico, mais incômodo. Por um tempo isso funciona, o filme encontra uma dinâmica interessante e até instiga pela forma como apresenta seus conflitos iniciais.

Mas conforme a história avança, essa promessa vai perdendo força e dando lugar a escolhas mais fáceis, principalmente na construção dos personagens. A forma como os traficantes são retratados recai em estereótipos muito conhecidos, sem nuance e sem qualquer tentativa de humanização. Isso contamina o restante da narrativa. Os vilões não têm camadas, não despertam curiosidade, são apenas peças funcionais dentro de uma lógica simplificada. O filme deixa muito evidente uma divisão entre mocinhos e bandidos, onde cada lado ocupa seu lugar sem questionamento. Personagens bons são bons o tempo todo, personagens maus seguem o mesmo caminho, e essa falta de ambiguidade tira boa parte da força que a história poderia ter.

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Ainda assim, nem tudo se perde nesse percurso. Existe uma química interessante entre o casal principal que ajuda a sustentar o envolvimento em vários momentos. Há uma leveza na interação dos dois que traz algum respiro para a narrativa, e em certos trechos o filme até se mostra divertido. Principalmente quando desacelera e aposta mais nessas relações do que no conflito em si. São nesses momentos que ele parece mais vivo, menos preocupado em seguir fórmulas e mais interessado em construir alguma conexão com quem está assistindo.

O problema é que essa sensibilidade aparece de forma pontual e não se estende para o restante do filme. A ambientação da cadeia, por exemplo, segue o mesmo caminho dos personagens e se apresenta de maneira estereotipada, sem personalidade e sem peso. É um espaço já visto inúmeras vezes e pouco explorado aqui. Em determinado momento até surge a impressão de que o advogado poderia trazer alguma complexidade para a trama. Existe uma sugestão de profundidade ali, uma possível ambiguidade. Mas isso logo é descartado e ele também acaba preso nessa lógica simplista de bem contra o mal, o que reforça a sensação de que o filme evita qualquer risco.

A violência, que poderia ser um elemento de impacto, aparece de forma gratuita e pouco desenvolvida. Está presente, mas não provoca, não deixa marca e não acrescenta camadas emocionais. Parece mais um recurso automático do que uma escolha consciente. Isso contribui para essa sensação de superficialidade que atravessa boa parte da obra.

No fim, fica a impressão de um filme que tinha caminhos mais interessantes à disposição, mas opta por seguir pelo mais seguro. O título sugere uma diversidade de medos, uma exploração mais ampla. Mas o que realmente se destaca é o medo da solidão, que surge com mais força no desfecho, de forma até silenciosa, tocando em algo mais universal, ainda que sem grande construção ao longo da narrativa. É um momento que aponta para o que o filme poderia ter sido, mas que chega tarde, quando a história já se acomodou. Cinco Tipos de Medo diverte em alguns momentos, se apoia bem na química do casal principal, mas no geral prefere não se aprofundar, e talvez esse seja justamente o seu maior limite.

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cinco tipos de medo poster

Cinco Tipos de Medo

Direção: Bruno Bini
Roteiro: Bruno Bini

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