Crítica de filme

O Estrangeiro

Publicado 4 dias atrás
Nota do(a) autor(a): 4

O longa O Estrangeiro, de François Ozon, inspirado na obra homônima de Albert Camus, narra uma trama que se passa na Argélia colonial. Nele, vemos Meursault (Benjamin Voisin), um jovem que vive em um estado de profunda apatia e desapego emocional. A trama inicia-se com a notícia da morte de sua mãe — um evento que choca a todos, menos a ele. ​Dias depois, enquanto tenta retomar sua rotina e inicia um relacionamento, Meursault envolve-se em uma série de eventos banais que resultam em um ato de violência: um assassinato. A obra transforma-se, então, em um drama de tribunal, no qual o que está em julgamento não é apenas o crime em si, mas o comportamento do protagonista e sua recusa em fingir os sentimentos que a sociedade impõe.

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O Estrangeiro possui uma fotografia belíssima, utilizando tons de preto e branco para simbolizar os anos 40. A atuação de Voisin é uma catarse em tela — uma performance visceral, sustentada por um roteiro extremamente envolvente e ousado! Além de ser tecnicamente impecável, é uma obra moral que discute como a sociedade, muitas vezes, ignora a gravidade do delito para focar apenas no comportamento “atípico” do indivíduo.

Por fim, Ozon nos entrega um retrato angustiante; em um mundo de máscaras sociais, a maior heresia de Meuersalt não foi o crime, mas a coragem de não chorar quando todos esperavam que ele fizesse.

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O Estrangeiro poster

O Estrangeiro

L'Étranger
A16
País: França
Direção: François Ozon
Roteiro: François Ozon e Philippe Piazzo
Elenco: Benjamin Voisin, Rebecca Marder, Pierre Lottin
Idioma: Francês

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