O que faz A Vingança de Charlie ser uma experiência curiosa é a forma como ele transforma suas carências técnicas em linguagem. É um filme que não tem vergonha de ser amador. O roteiro é fraco, previsível e se apoia em muletas que qualquer fã de terror já viu centenas de vezes, mas existe uma honestidade ali que o cinema industrial muitas vezes perde.
O longa opera naquela frequência do cinema de baixo orçamento onde o erro se torna estilo. Embora o texto tropece em diálogos expositivos e situações clichês, há um esforço genuíno em construir uma atmosfera dramática que vai além do susto barato. Grande parte desse êxito está nos ombros da atriz (Kathleen Kenny); ela entrega uma performance que parece pertencer a um filme muito mais “caro”, e é esse desequilíbrio entre a precariedade da produção e a intensidade da atuação que gera o interesse.

Maggie Gyllenhaal promete uma tragédia gótica feminista, mas sua condução fragmentada desperdiça os talentos de Jessie Buckley & Christian Bale.
A Vingança de Charlie é um filme que vive do erro. Ele não pede desculpas pelo orçamento baixo ou pelo roteiro que tropeça a cada instante; ele usa isso como estética. O roteiro pode ser ruim, mas o filme é vivo. Ele se sustenta no contraste entre a precariedade e uma atuação principal que entrega muito mais do que o texto pedia. É o amadorismo levado a sério, onde o entretenimento nasce da honestidade de quem sabe exatamente o tamanho que tem.



