Crítica de filme

Arco | Crítica 1

Publicado 1 semana atrás
Nota do(a) autor(a): 4.5

Ultimamente, tenho me privado de qualquer informação antes de assistir a um filme, e isso tem rendido experiências interessantes. Com Arco foi assim: não sabia exatamente do que se tratava, quem era o diretor, o país de origem, nem mesmo a sinopse. A única coisa que conhecia era o fato de ser uma animação. A tela se abriu e logo nos primeiros minutos fui recebido por um estrondo de surpresas satisfatórias. Desde então, fui conduzido por uma aventura criativa e de beleza complexa, como um quadro pintado por uma criança de três anos que você ama.

Arco é o nome do protagonista, um garoto do futuro que sonha em conhecer o passado, mas sua pouca idade não lhe permite viajar pela linha do tempo. Ainda assim, a rebeldia o impulsiona, e sua falta de experiência faz com que ele retorne apenas ao ano de 2075, onde é resgatado por Íris, outra jovem com seus próprios dramas, que enxerga no menino um refúgio para o tédio e a solidão. A conexão entre os dois é admirável, de tão bem construída. Vale destacar que a história se passa em apenas um ou dois dias e, mesmo assim, o entrosamento acontece de forma natural, com leveza e densidade suficientes para sustentar a trama.

Leia também
Arco
Arco | Crítica 2

Arco, animação francesa indicada ao Oscar de Melhor Animação, emociona com uma história sensível sobre amizade, futuro e amadurecimento

Há também uma delicadeza estética que não passa despercebida. As cores parecem pulsar conforme o estado emocional dos personagens, e cada cenário carrega uma textura quase tátil, como se fosse possível tocar aquele mundo futurista, ainda assim tão íntimo. Nada soa excessivo. A direção entende o silêncio, entende o tempo da pausa, entende também que, às vezes, um olhar sustenta mais do que páginas de diálogo.

Os personagens secundários também são um espetáculo à parte e contribuem efetivamente para a construção narrativa. Seus arcos parecem simples no início, mas revelam camadas bem desenvolvidas, capazes de despertar emoções no espectador. No fim, essa jornada de jovens adolescentes fala sobre humanidade, abandono, cumplicidade e, principalmente, amor, seja o de um novo amigo, de um irmão bebê ou até de um robô programado para cumprir o papel dos pais, em uma sociedade na qual o trabalho cobra um preço alto dos laços familiares.

Algo que me surpreendeu em Arco foi a inventividade com que o longa aborda suas ideias, especialmente na questão da viagem no tempo. Não poderia concordar mais com meu amigo Ryan, que certa vez me disse que a animação tem o poder de voar sem qualquer limitação, sem soar artificial ou distante a ponto de nos impedir de criar conexão com a obra. Arco sobrevoa o imaginário e representa a genuinidade do ser humano. O filme nos proporciona um encontro com o surrealismo ao mesmo tempo em que nos ensina sobre a realidade. Cinema total.

Compartilhar
Arco poster

Arco

Arco
10
País: França
Direção: Ugo Bienvenu
Roteiro: Ugo Bienvenu, Félix de Givry
Elenco: Margot Ringard Oldra, Margot Ringard Oldra, Margot Ringard Oldra
Idioma: Frances

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.