Crítica de série

House Of The Dragon | Temporada 3

Publicado 17 minutos atrás

Nota do(a) autor(a): 4

A aguardada House of the Dragon retorna para sua tão esperada terceira temporada. Após uma segunda temporada marcada por intensos debates políticos e uma longa preparação de terreno, o retorno de HOTD não apenas resolve assuntos inacabados na temporada anterior, mas chega dando uma voadora ao entrar na Batalha da Goela logo no início da temporada, um dos confrontos mais brutais do universo de George R. R. Martin. Um início que mescla muito bem o espetáculo com o dramático, nos lembrando que, na Dança dos Dragões, o preço do tão sonhado trono é pago filho por filho.

A direção e o showrunner Ryan Condal merecem aplausos pela condução da calmaria para a tensão no início do ano. No entanto, o verdadeiro coração do pontapé inicial está no trágico. A morte de Jacaerys Velaryon (Harry Collett) nos pega desprevenidos e deixa um nó na garganta, através de uma direção que nos traz uma morte dolorosa, triste e cruel para o personagem. Ao se privar de uma trilha sonora heroica no momento ápice, focando apenas nos sons secos das flechas e gritos agonizantes, a série despe a guerra de qualquer tipo de romantismo. Harry Collett entrega uma atuação impressionante e de partir o coração.

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A partir desse baque, a temporada engrena em uma sequência avassaladora no segundo e no terceiro episódios. Vemos uma Rhaenyra completamente abalada e afogada no luto, até que Daemon (Matt Smith) canaliza essa dor e a transforma em vingança, convencendo-a de que a única resposta para a morte de Jace é o Trono de Ferro. O resultado é a invasão de King’s Landing e a execução de Otto Hightower, eliminando o principal traidor e mostrando uma Rhaenyra que cansa de negociar e passa a governar pela força. Tudo isso acompanhado por diálogos afiados que trazem boas lembranças da era de ouro de Game of Thrones, provando que a série não necessita apenas de dragões para atingir seu ápice, mas sim do impacto das decisões políticas e da vulnerabilidade do reino diante da fome e do povo.

Contudo, ao chegar em sua metade, a guerra continua avançando, mas a temporada dá uma bela desacelerada nos episódios 4 e 5, ficando um pouco abaixo do ritmo inicial. O enredo mostra o avanço implacável dos Verdes quando Ormund Hightower (James Norton) invade Tumbleton e nomeia Daeron Targaryen (Benjamin Evan Ainsworth) como rei. A marcha de Sir Criston Cole em direção a Harrenhal em uma caminhada lenta busca trazer uma atmosfera de tensão, mas a narrativa custa a engrenar. O roteiro prefere focar na paranoia de Rhaenyra com a identidade do voador de Rouba-Ovelhas e nas estratégias, funcionando pura e simplesmente como um ponto de transição bastante morno que escancara que esses capítulos vieram apenas para preparar o terreno.

Felizmente, a reta final dá uma bela alavancada e a série consegue dar uma respirada. No sexto e no sétimo episódios, a produção assume a essência de Game of Thrones com tons de suspense e até horror. O grande destaque é a forma como é construída a queda de Sir Criston Cole (Fabien Frankel), além de dar um destaque merecido a Helaena, finalmente mostrando todo o seu potencial como uma verdadeira sonhadora. Temos também o retorno de Sunfyre salvando Aegon e a chocante tentativa de assassinato de Aemond pela própria mãe, mostrando até onde Alicent (Olivia Cooke) chegou ao perceber o monstro fora de controle que ele se tornou.

Por fim, no oitavo episódio e final de temporada, as coisas esquentam de vez. A trama dá uma bela alavancada e a série consegue entregar o caos da guerra em sua forma mais crua e dolorosa, funcionando como o grande clímax de tudo o que foi construído até aqui. O enredo mostra o exército de Rhaenyra (Emma D’Arcy) invadindo Tumbleton de forma avassaladora e abatendo Ormund Hightower, mas mostrando a morte brutal de centenas de inocentes para expor o preço devastador do conflito.

A reviravolta da traição de Ulf muda o jogo completamente, fazendo Rhaenyra tomar atitudes drásticas: a dispensa definitiva de Lady Mysaria e a chocante execução do líder do Alto Septo, uma cena marcante que mostra o quão desprovida de piedade ela se tornou ao ver seu poder ameaçado. Matt Smith dá um show em tela, entregando uma das melhores atuações da temporada e roubando totalmente a cena com um tom de ameaça e presença que só Daemon Targaryen consegue ter, além do reencontro tenso entre Aegon e Aemond e do chocante suicídio de Helaena Targaryen.

Por fim, House of the Dragon fecha sua terceira temporada corrigindo os deslizes de ritmo do meio do caminho, entregando um espetáculo sombrio, maduro e emocionante, onde Rhaenyra finalmente assume a postura de cruel para proteger seu trono.

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House Of The Dragon poster

House Of The Dragon

House Of The Dragon

A18

País: Estados Unidos

Criador(a): Ryan Condal

Elenco: Emma D'arcy, Matt Smith, Olivia Cooke

Idioma: Inglês

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