Se existe uma pergunta que não sai da cabeça depois de assistir O Poço, é essa: o filme está falando sobre capitalismo?
A resposta curta é: sim, mas não só.
A resposta longa é muito mais desconfortável.
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Um dos filmes mais discutidos do ano, O Poço tem um final complexo e confuso e você pode ter se perdido em meio a essa confusão.
Muito além de uma prisão: um sistema
À primeira vista, O Poço parece apenas uma estrutura distópica cruel. Um experimento social, talvez. Mas basta observar com um pouco mais de atenção para perceber que aquilo ali não é apenas um cenário, mas um sistema.
Um sistema vertical, em que quem está no topo tem acesso ilimitado, quem está no meio sobrevive com restos e quem está no fundo… bem, não sobrevive.
Difícil não pensar em desigualdade econômica.
Difícil não pensar no mundo real.
O capitalismo está ali, mas não sozinho
É tentador reduzir o filme a uma crítica direta ao capitalismo, e de fato, muitos elementos apontam nessa direção: acúmulo, desperdício, concentração de recursos, ausência de distribuição justa.
Mas o filme vai além.
Porque, em teoria, o sistema do poço poderia funcionar.
Se cada pessoa comesse apenas o necessário, haveria comida suficiente para todos.
O verdadeiro problema: o ser humano
É aqui que o filme dá o golpe mais duro.
O problema não é apenas o sistema, mas quem está dentro dele.
Mesmo sabendo que no mês seguinte podem estar em um nível inferior, as pessoas continuam agindo de forma egoísta. Devoram tudo, destroem o que sobra, ignoram completamente quem está abaixo.
Não é ignorância.
É escolha.
E mesmo assim, ninguém faz isso.
Um ciclo que nunca se quebra
O mais perturbador é que o poço não precisa de guardas, nem de violência externa constante. As próprias pessoas mantêm o sistema funcionando.
É uma engrenagem alimentada por medo, egoísmo e sobrevivência.
E talvez seja exatamente isso que o filme queira dizer: não adianta mudar o sistema se a mentalidade continua a mesma.
Então, afinal…
Sim, O Poço pode ser visto como uma crítica ao capitalismo.
Mas seria simplificar demais parar por aí, porque, no fundo, o filme não está perguntando “qual sistema é o problema”.
Ele está perguntando algo muito pior: o problema é o sistema… ou somos nós?




