No longa Coração Partido, dirigido por Mikhail Vaynberg e baseado no romance de Anna Jane, acompanhamos a trajetória de Polina (Veronika Zhuravleva), uma jovem recém-chegada a uma nova escola que passa a ser alvo constante de bullying. Para se proteger do ambiente hostil, ela faz um acordo inusitado com Bars (Daniel Vegas), o garoto mais temido do colégio, ele aceita se fingir de seu namorado para afastar os agressores em troca de que ela cumpra suas exigências. A partir daí, o que começa como uma farsa começa a se transformar em algo mais profundo, mas as ameaças externas e segredos do passado prometem afastar o casal.
A direção de Vaynberg até tenta entregar um romance adolescente com tons mais dramáticos e intensos, buscando se distanciar de produções infantojuvenis genéricas. No entanto, o filme peca na condução do tom e no ritmo da narrativa. A construção dos conflitos e a forma como o acordo entre os protagonistas se estabelece soa excessivamente artificial e datada. A trama acaba caindo em convenções batidas do subgênero enemies-to-lovers, e os obstáculos colocados pelos colegas e pela família de Polina parecem forçados, aproximando o roteiro de uma novela juvenil com motivações rasas e reviravoltas previsíveis. A longa duração de mais de duas horas só deixa o andamento ainda mais arrastado.

No longa Marsupilami: Confusão a Bordo, dirigido e escrito por Philippe Lacheau, vemos o live-action inspirado no famoso desenho dos anos 90. Aqui acompanhamos David
Apesar de a narrativa carregar defeitos evidentes e flertar com dinâmicas de dependência e controle um tanto questionáveis, o longa ainda preserva alguns pontos positivos. A química entre Veronika Zhuravleva e Daniel Vegas funciona relativamente bem em cena e consegue sustentar a atenção nos momentos mais emotivos. Além disso, a produção visual entrega uma fotografia sóbria que combina com a atmosfera melancólica proposta pela história.
Por fim, Coração Partido entrega uma trama que pode agradar aos fãs mais fervorosos do livro ou a quem busca um drama romântico sem grandes exigências, mas falha ao construir uma narrativa consistente, tropeçando em clichês exaustivos e num desenvolvimento de roteiro enfadonho.