O que é um caça-níquel? De acordo com a definição do Google: “aquilo que é feito apenas para ganhar dinheiro, sem qualquer preocupação com a qualidade”. Que todas as franquias existentes no cinema são feitas e esticadas para lucrarem, todos já sabem, mas a questão é que a franquia Jurassic World alcançou o mais alto nível da categoria caça-níquel com Recomeço, o “novo” filme da franquia.
Disse “novo” entre aspas porque não há absolutamente nenhum frescor aqui. Apesar de ser, de fato, o longa-metragem mais recente, todas as ideias utilizadas na construção do enredo já foram exploradas anteriormente na saga — e soam apenas como um repeteco de fórmulas gastas, ainda piores, para atrair o público ao cinema achando que encontrarão uma nova aventura no mundo jurássico.

Com Hamnet, Clhoé Zhao acertou em cheio.
A fim de criar um remédio milagroso e altamente lucrativo, uma equipe de mercenários liderada por Zora (Scarlett Johansson), Duncan (Mahershala Ali) e o paleontólogo Dr. Henry Loomis (Jonathan Bailey) é contratada por um empresário bilionário (Rupert Friend) para extrair o DNA dos três maiores dinossauros da Terra, que agora habitam uma ilha próxima à América Central. Outrora um laboratório para pesquisas e mutações dessas criaturas, a ilha se mostra muito mais perigosa do que aparentava.
Dinossauros em uma ilha tropical já é de praxe na saga, mas a repetição de ter um grupo de brucutus em uma missão nesses territórios jurássicos também já foi explorada anteriormente — e de forma melhor, especialmente em O Mundo Perdido: Jurassic Park. Animais geneticamente mutados? Empresários com segundas intenções malignas? Crianças sendo perseguidas por dinossauros? Recomeço mistura todos esses elementos já vistos na franquia em uma trama nonsense e cheia de conveniências.
A começar pelos personagens, que, mesmo contando com um elenco de peso, não têm carisma suficiente para sustentar a narrativa. Todas as motivações são genéricas e, mesmo o filme gastando um tempo considerável para contextualizar o passado de alguns deles em diálogos fraquíssimos, ainda não é o bastante para justificar certas ações — muito menos fazer com que o espectador torça por eles. Isso sem contar os personagens secundários, que são meramente comida de dinossauro.
Mas tirando toda a parte ruim, há alguns pontos positivos em Jurassic World: Recomeço? Sim, mas bem poucos. A direção de Gareth Edwards, que já assinou os ótimos Rogue One, Godzilla e, mais recentemente, Resistência, é decente, mas aqui pode ser considerada seu pior trabalho. O diretor sabe trabalhar bem com planos abertos, visualmente muito interessantes, assim como os efeitos visuais (que são o mínimo a se esperar de um filme com dinossauros). Há algumas sequências tensas aqui e ali, mas que, fundamentalmente, não acrescentam muito ao enredo.
Entre uma série de fatores e conceitos desperdiçados e/ou mal trabalhados em Jurassic World: Recomeço, parece poético que o longa comece mostrando que a sociedade já está cansada dos dinossauros. Eu, fã assíduo do Jurassic Park original, também estou. Enquanto a sétima entrada na franquia promete um novo início, penso que talvez seja hora de uma extinção definitiva — ou, quem sabe, de uma ideia realmente diferente surgir à mesa dos produtores.



