Crítica de filme

Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda

Publicado 7 meses atrás
Nota do(a) autor(a): 3.5

Subestimar a grande tríade de Hollywood conhecida como remake/continuação/live action já faz parte da minha rotina e de vários entusiastas do cinema nos últimos anos. Inclusive tem uma frase que eu cito frequentemente, ela faz parte de uma das minhas séries favoritas, New Girl. Schmidt uma vez disse “A economia está uma droga, as abelhas estão morrendo, e os filmes são praticamente só sequências agora.” Contudo, alguns projetos são capazes de furar a bolha da apatia e realmente me deixar interessada. E foi isso que aconteceu em Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda.

Nostalgia vende e continuará lucrando enquanto a gente estiver disposto a se dopar com conforto ao invés de histórias originais. Após duas décadas, fica a impressão que o timing passou do ponto ao retomar tramas dos anos 2000, mas filmes como Os Fantasmas Ainda se Divertem, acabam subvertendo as expectativas baixas. Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda conquistou um lugar ao sol em uma sequência que não era necessária, mas todo mundo vai amar!

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Com ainda mais carinho, James Cameron continua sua saga em meio a uma narrativa envolvente, visuais espetaculares e emoção, embora tropece um pouco.

Anos depois de Tess (Jamie Lee Curtis) e Anna (Lindsay Lohan) sofrerem uma crise de identidade que resolveu alguns conflitos entre mãe e filha, Anna se encontra na mesma posição ao conhecer o amor de sua vida. Para seu desespero, a futura enteada Lily (Sophia Hammons) e sua filha Harper (Julia Butters) se detestam. Enquanto enfrentam os desafios da fusão de duas famílias, Tess e Anna descobrem que a troca de corpos não é só uma página no seu passado, mas uma repetição de eventos no presente – muito mais louca e complicada.

Quando as divulgações começaram, fiquei dividida entre a empolgação de ver a dupla dinâmica Lindsay e Jamie juntas e a bagunça narrativa que poderia acontecer. Duas pessoas trocarem de vida é uma coisa, mas quatro? As novatas Julia Butters e Sophia Hammons não me inspiraram confiança, mas foi durante a sessão que me senti leve por estar errada.

Harper tem muito de sua mãe, mas com seus gostos individuais – ao invés da guitarra, ela cultiva talento pelo surf. Não é tão explosiva quanto Anna foi, mas sim apática às coisas que acontecem. A única pessoa que deixa seus nervos à flor da pele é Lily, sua futura meia-irmã, que tem um jeitinho bem arrogante por conta de sua nacionalidade inglesa. Enquanto Harper é mais despojada e moleca, Lily é toda patricinha e aspirante a estilista.

Tem sido bem difícil ver a geração Z ser retratada com fidelidade nas telas – geralmente é um bando de roteirista millennial e gen X que pensam saber como esses jovens operam, mas aqui elas foram retratadas sem grandes invencionices. Os adolescentes de hoje não são tão complexos: geralmente são como todo mundo que passou por essa fase, irritantes, debochados e acham que sabem mais do que o resto do mundo. O que muda é a estética e acontecimentos contemporâneos.

A sequência é excelente, ficou à altura de seu irmão mais velho, com piadas bem montadas dentro das situações cômicas. Eu amei como fica claro que Lindsay e Jamie se divertem entre os takes – a mágica delas continua intacta. O que achei um toque legal foi como a mudança de ambas pelo momento catártico de trocar de vida impactou no que elas se tornaram: Anna é uma adulta coerente com sua personalidade rebelde e rockeira, mas o que antes era expressado em gritos evoluiu para outro tique, o respirar fundo. Tess, que era uma mulher focada na profissão e muitas vezes negligenciava as necessidades mais profundas dos filhos, agora é uma avó super envolvida.

Me preocupou como o personagem do Jake (Chad Michael Murray) seria inserido na história, já que ele não estava envolvido romanticamente com Anna, e a gente entende o motivo. É hilário como percebemos que Jake e Anna nunca dariam certo, justamente pela cadeia de acontecimentos naquela Sexta-Feira de 2004.

Erick (Manny Jacinto) é o par perfeito para Anna, e conseguimos ver mais da relação deles do que de Tess e Ryan (Mark Harmon). Vemos o começo da paixão e como cada um enfrenta seus desafios pessoais para encontrar a felicidade no amor. Mas no fim, o protagonismo é todinho de Jamie Lohan e Lindsay Lee Curtis 😆. Porém, faltou nos contextualizar sobre a relação atual entre ambas.

Em momento nenhum vemos um conflito direto pelo fato de Tess se meter demais na vida da filha e neta. Mas já que elas tiveram a mesma experiência novamente, que aprendessem a nova lição a partir disso, mas como a Lily estava envolvida, tivemos pouco tempo pra explorar isso. O núcleo é mais concentrado em Harper e Anna. Eu certamente não teria problema em ter mais 15 minutos de filme, pra nos oferecer mais pontos de crescimento. 

De qualquer forma, não vá esperando se decepcionar. Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda entrega nostalgia, risos e ótimas situações familiares.

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Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda

Freakier Friday
L
País: EUA
Direção: Nisha Ganatra
Roteiro: Jordan Weiss, Elyse Hollander, Mary Rodgers
Elenco: Jamie Lee Curtis, Lindsay Lohan, Manny Jacinto, Chad Michael Murray
Idioma: Inglês

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