Truque de Mestre: O 2º Ato (Now You See Me 2) veio em 2016 sendo certamente mais focado que o primeiro e, em grande parte, até mais divertido, porém é incapaz de apresentar qualquer conteúdo de verdade. A direção do competente Jon M. Chu, conhecido atualmente pela duologia Wicked vem com mais intensidade e mais criatividade nas mágicas, embora capengue bastante no que diz respeito a manter o espectador na obra.
O 2º Ato é vítima do conhecido artifício hollywoodiano “mais e maior”, com mais mágica, mais efeitos especiais, mais personagens, mas em coisas básicas, como o Olho, tão falado no primeiro filme, é completamente escanteado. Outro elemento interessante é que, ao invés de saber equilibrar ou mesmo unir os Cavaleiros com o detetive de Mark Ruffalo, agora foca muito mais nos mágicos e muito menos no policial que, pasme, é muito importante dentro do roteiro.

O Caso dos Estrangeiros entrega uma fotografia impecável e efeitos práticos que trazem um realismo surreal. Cinema necessário, urgente e profundamente humano.
Algo engraçado aqui é que a personagem de Isla Fisher não está presente neste e, de uma forma muito desleixada, o roteiro introduz Lula (Lizzy Caplan) para, não sei dizer, suprir a “necessidade de haver uma mulher no time”. O pior é que Lula fica completamente perdida no filme, mesmo que isso não aparente. Ela é divertida, mas não tem um lugar muito claro no meio dos Cavaleiros.
O que faz a sessão valer são os momentos literalmente mágicos. Dentre esses momentos está o ótimo roubo lá pela metade que, mesmo que seja só pirotecnia barata, deixa o espectador de boca aberta. Da mesma forma, o último ato, a apresentação final, tudo funciona para divertir, embora só sirva mesmo para inflar a trama.
A parte final é cheia de megalomanias e mágicas absurdas, tentando surpreender mais e mais, parecendo inteligente. Agora a obra toma um tom mais fantasioso, com o Olho sendo quase os Illuminati ou A Ordem dos Assassinos, mas nunca conseguindo fazer nada disso parecer figedigno.
O 2º Ato com certeza é uma obra oca e muito vazia de qualquer conteúdo real, entretanto, ainda pode divertir aqueles realmente dispostos a consumir um longa despretensioso.



